O branco e preto se misturava com o branco e dourado enquanto metais se chocavam e gritos de ódio e raiva preenchia o campo de batalha com caos. Rapidamente as cores uniformes começaram a dar espaço para o fogo e sangue. Cavalos relinchando e caindo, acompanhado de seus respectivos cavaleiros. Da alta muralha que cercava a vila, chuva de flechas flamejantes dispersavam o branco e dourado que insistia incansavelmente em avançar. Catapultas respondiam com pedras e objetos incandescentes.

–Senhor, não aguentaremos por muito tempo. Nossa linha de gente não durará muito mais, e nossos muros já estão cedendo em vários pontos. Se isso continuar assim… -Antes que pudesse completar, um homem alto e gordo, com uma barba cinza que cobria seu pescoço por completo o interrompeu.

–Eu sei, eu sei. Raios! Onde está a porcaria do Lorde Varus? Aquele desgraçado prometeu enviar reforços há 3 dias!

–Segundo a carta que recebemos hoje de manhã, a tropa de reforços chegariam ao cair da noite, mas temo não durar até lá. -O homem baixo e magro gaguejava, se esforçando ao máximo para não irritar o homem com quem conversava.

A atenção de ambos se voltaram para um terceiro homem que chegara ao recinto, com sua respiração ofegante, apoiava as mãos nos joelhos a fim de resgatar suas energias, porém o homem barbudo não dera nem um minuto sequer, enchendo-lhe de pergunta assim que parara.

–Raios! O que foi agora Lanes? O que aconteceu desta vez? -Toda a raiva do homem era visível em seu olhar, cansado de tantas notícias ruins.

–Senhor Barly, trago notícias da linha de frente. -Após uma breve pausa para tomar fôlego, prosseguiu. -Um homem tão alto quanto o senhor se juntou a nós acompanhado de três outras pessoas e estão conseguindo impedir o avanço do exercito inimigo. Ele solicita a sua presença.

–Como assim ele solicita a minha presença? Quem diabos ele pensa que é? -Sua raiva desatou de vez, e seus punhos atingiram fortemente a mesa a sua frente, fazendo todos os objetos em cima da mesma pularem.

–Creio que seja o Cavaleiro Solitário, mas não consigo dizer com certeza. — tratou de responder rapidamente, continuando -Ele disse que se você possui uma dívida antiga para com o pai dele.

O rosto do homem barbudo mudou-se completamente. Um tom de surpresa se misturou com felicidade. -Deuses, é ele! Leve-me até onde ele está, agora! -E assim saíram os dois, deixando o outro homem sozinho na sala de reuniões.

A batalha feroz prosseguia sem uma mínima pausa. O vermelho preenchia cada vez mais o campo de batalha, acompanhado de chamas que tornavam o ambiente um verdadeiro inferno. Metal contra metal, lanças e flechas voando de um ponto a outro e gritos surgindo de todos os lados. Assim estava a linha de frente quando Barly por fim encontrou Joe, arrancando sua lâmina negra de um cadáver que agora se enraizava ao chão. Os dois entreolharam-se, cessando apenas quando o inimigo tentara esfaquear Joe pelas costas, sendo impedido pela lança grande e desgastada de Barly, sua marca registrada.

–Parece que não está mais solitário, afinal. -Pela primeira vez em tempos, Barly agira com hospitalidade, com uma voz calma e tão mansa quanto um animal de estimação.

–Depois colocamos as novidades em dia, por hora, precisamos acabar com esse ataque, Barly. -Respondeu Joe, já afetado pelo calor da batalha.

Como seguindo suas instruções, Barly partiu em direção ao branco e dourado, agora visivelmente menor comparado ao início do conflito, acompanhado de Joe. Após muitas baixas por ambos os lados, uma trombeta anunciou o fim da batalha. O espaço foi se ausentando das cores branca e dourada, que agora recuavam sem nenhuma resistência por parte dos defensores do Castelo. Com ambos lados visivelmente abalados pelo conflito, assim terminara o dia. Mais uma vitória para reconquistar a esperança dos rebeldes.

Já escurecera, quando o salão de festividades fora preenchido com muita música e dança, o grande salão estava repleto de soldados e familiares, dispersos em mesas colocadas aleatoriamente, apenas respeitando um espaço para dança, onde se reunia a grande maioria das pessoas. No final do Salão, em uma mesa colocada num patamar elevado, estava o Senhor do Castelo, Lorde Barlish, acompanhado de sua esposa, Lisa, e seu filho, Guardião do Castelo, Barly. Como convidado, estava Joe, na extremidade esquerda da grande mesa.

–E então, quem são aquelas pessoas? -Questionou Barly.

–Alguns mercenários que encontrei vindo para cá, me cercaram, porém ofereceram ajuda assim que me identifiquei.

–Pensei que fosse o Cavaleiro Solitário.

–Eu era, porém não há como negar ajuda em tempos como esse Barly.

–Sim, tempos difíceis. Desculpe-me não oferecer uma recepção calorosa, mas como viu, Gothos está disposto a acabar com essa guerra antes que comece. Ele simplesmente está atacando todos que possuem ligação com o antigo rei. Um homem desses não pode continuar no poder, Joe. -Suas palavras demonstravam o quanto Barly estava cansado das batalhas. Sobrevivente da Grande Guerra, não suportava ter que lidar com uma segunda.

–É por isso que estou aqui, Barly. Soube que meu tio está reunindo um exército, preciso me encontrar a ele e por um fim a isto.

–Seu tio está reunindo um exército há tempos Joe, há tempos. Você nunca quis participar disto, o que te fez mudar de ideia?

–Gothos está me caçando, destruindo tudo e todos por informação, não posso permitir que isso continue. Está na hora dos Bent's reconquistarem o que perderam. Mas preciso de ajuda para isso Barly, preciso de você.

–Minha Espada serve e sempre servirá a sua família Joe, só me diga como ser útil, e serei.

–Preciso chegar a Traatos o quanto antes. Estou ansioso para saber se Legolas continua sendo o rei dos mares.

–Pode apostar que sim. Quando partimos?

–Amanhã antes de nascer do sol.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.