As confusões de uma mente psicopata
1 Aquele dia...
Notas iniciais
Acordei com o som do meu despertador. O desliguei e me levantei. Meu corte na bochecha direita estava bem saliente aquele dia. Meus pais ainda não tinham visto isso, pois o tinha feito ontem. Respirei fundo e tirei o aparelho dentário e escovei os dentes. Prendi o cabelo em um coque e fui comer alguma coisa. Assim que minha mãe me viu disse:
- O que é isto no seu rosto?
- Eu escorreguei e bati com o rosto na pia. — menti para ela, não queria ir ao psiquiatra nunca mais.
- Por que você não me chamou?
- Não estava sangrando na hora.
Peguei um pão e comi puro. Antes de sair com meu pai para a escola, ela me entregou um sanduíche de pão com queijo. Sorri e fui embora.
.*.*.*.
Os olhares na escola se viraram para mim. Os ignorei como sempre. Um ano atrás eu era muito sociável, mas depois daquele acontecimento tudo mudou. Minha amiga Duda (apelido) me deu um abraço. Ao ver o corte ela disse:
- O que ouve?
- Quer que eu minta ou fale a verdade?
- Verdade.
- Cortei com uma tesoura ontem.
Ele me olhou com um olhar de reprovação e subiu as escadas, me ignorando por completo. Eu a segui pelas escadas, sempre dando bom dia por onde eu passava. Antes dela entrar na sala a abracei e disse:
- Não fique com raiva de mim.
- Não vou.
Ela colocou a mochila bem longe da porta. Minha mochila estava a três fileiras de bancas da porta. Sai da sala e desci as escadas. Dei uma volta na escola até tocar.
.*.*.*.
Quando cheguei em casa meu telefone estava lotado de notificações. Não fiz questão de respondê-las logo. Fui até meu quarto, troquei de roupa e fui para a cozinha. Fiz um sanduíche e o comi. Lavei o meu prato e a minha faca. Meus pais estavam fazendo almoço para eles. Meu irmão saiu para o curso, como fazia todo dia. Mal via ele, o que era algo bom. Vou para meu quarto, fecho a porta e durmo para não chorar.
.*.*.*.
Só acordei quando estava de noite. Levantei-me e acendi a luz. Tinha muitos mosquitos lá, mas nem liguei. Fui ao banheiro, me sentei na pia e respondi mensagens. Não prestei muita atenção no que estava escrito. Liguei o som do celular e fui tomar banho. Coloquei a mesma roupa. Meus cabelos são compridos, na mesma altura do meu colar que tem dois pingentes que serão mencionados depois, quase pretos com as pontas descoloridas. Meus lábios são rosa, uma coisa que me fazia sempre receber elogios. Usava grandes óculos vermelhos, chamativos que faziam eu ser quem eu sou. Respirei fundo e sai do banheiro. Sentei-me no sofá da sala e fiquei assistindo meus pais jantarem. Não queria me juntar a eles. Eu só pensava em como me matar, e o mais rápido possível. Mas fui tirada destes meus pensamentos pela mensagem dele. Desbloqueei o telefone e sorri ao ler a mensagem. O rapaz que me impedira de me matar. O garoto que eu amava.
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