As confusões de uma mente psicopata
3 A mudança
Me lembro muito bem de coisas erradas que já fiz. Já matei pequenos bichinhos, e me lembro da felicidade que eu tinha na hora. O mais engraçado, quando eu não tinha causado, eu ficava triste.
Me lembro de uma vez que cuidei de crianças. Não suportava a felicidade delas... Não sei, prefiro fazer os outros felizes do que eu. Felicidade... Essa palavra consegue me descrever quando converso com ele... Tenho uma felicidade incrível na hora, mas depois... Os meus pensamentos me dominam novamente.
Gosto de ver como uma amiga me descreve. Ela fala que sou de um jeito com as pessoas, mas que por dentro sou diferente. Eu nunca consegui agir como sou mesmo, a sociedade pode ser moderna, mas não o suficiente.
Ninguém nunca aceitaria o meu defeito de não saber amar, ou o meu defeito de ouvir uma voz que me diz sempre “mate alguém ou se mate”. Todos querem me ver como uma garota inteligente que eu sou, que tira notas medianas mesmo podendo tirar notas altas, como uma garota fofa, delicada...
Me lembro dá vez que contei que meu pai me deu um canivete de natal. Ninguém entendeu. Eu pedi aquilo para lembrar um pouco de um amigo que morreu...
Eu me lembro bem de como mudei quando ele morreu e me transformei no que sou hoje. Ele me fazia sorrir, só de o ver. Quando ele estava internado o visitei. Essa história sempre me faz chorar, mas vamos lá.
Ele sorriu e me abraçou e conversou comigo. No outro dia meus pais o visitaram e disseram que ele não reconheceu ninguém. Três dias depois de minha visita ele morreu.
Essa história deveria me fazer sorrir ao pensar que eu fui a última a visita-lo, mas só me faz chorar e pensar “por que ele? Me levava, eu não consigo viver sem ele”. Três anos se passaram. Eu mudei muito, mas ele continua nas minhas memórias...
Eu faço tudo que ele não se orgulharia de me ver fazendo, mas eu já não ligo mais. Não tenho mais lágrimas nos olhos, não tenho mais amor no coração, não tenho mais sentimentos. Bem, eu pensava isso até conhecer ele.
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