As coisas que eu nunca te direi
1 Capítulo Único
Sakura-san, olá, tudo bem?
Creio que sim. Como está sua viagem? Syaoran-kun está cuidando bem de você aí na China? Pequim é tão bonita como a gente vê na televisão? Ah, desculpe, são muitas perguntas. E sim, eu te perguntei todas elas ao telefone ontem.
Eu realmente não estou escrevendo esta carta para falar sobre coisas que nós podemos conversar a respeito, é para falar sobre aquilo que eu nunca consegui dizer. E que certamente continuarei guardando dentro de mim, porque não precisam ser ditas.
Você, Sakura-san, é a melhor amiga que alguém pode ter, e eu sei que não te vejo uma pessoa melhor do que é por causa dos meus sentimentos. Eu te vejo exatamente como você é, e é por isto que tenho sentimentos tão intensos por ti.
É engraçado revirar a quantidade de lembranças que tenho contigo, desde antes das cartas Clow entrarem na sua vida. Eu lembro quando você era apaixonada pelo namorado do seu irmão, todo mundo sabia, mas a gente fingia não saber porque era bonitinho te ver corar quando ele se aproximava, ou quando falava com você na porta da escola, antes de seguir para a escola dele. Touya-san e Yukito-kun sempre respeitaram você, achei bonito da parte do seu irmão só assumir as coisas depois que você já tinha superado seu primeiro amor. Você e o Syaoran-kun, diga-se de passagem, que foram tão feitos um para o outro que até se apaixonaram pelo mesmo garoto antes de perceber que o amor real estava bem diante dos próprios olhos.
E como foi divertido caminhar ao seu lado enquanto você se descobria e amadurecia seus próprios sentimentos. Me sinto privilegiada em ter sua confiança e agraciada por ser sempre aquela que ouve seus desabafos.
A Tomoyo aqui se alegra a cada sorriso que você dá, sabia?
Eu realmente nunca quis que você me correspondesse. Irônico, não é? Eu gosto desse sentimento unilateral, gosto de estar disponível para te amar enquanto você é feliz. Eu não mexeria uma linha na sua vida para te ter nos meus braços, seus abraços já me arrepiam o suficiente do jeitinho que são.
Quando você usa as roupas que te faço e me deixa te filmar, meu coração dispara de alegria, eu te dou o meu tempo e esse é meu jeito de te dar amor.
E saber que você me ama apesar de toda minha obsessão por te vestir de formas fofas e te registrar é recompensador, você é bondosa e seu coração é grande, tão grande, que consegue me amar mesmo assim. E me sentir amada desse jeito, como sua amiga, é perfeito.
Eu quero continuar te vendo sorrir, continuar te vendo amadurecer e crescer. Continuar te vendo amar, seja o Syaoran-kun ou, quem sabe, outra pessoa. O futuro é um tesouro bem imprevisível, não é? A única coisa que eu quero é estar nele, com a minha amizade e o meu coração batendo acelerado quando seu cheiro me alcança num abraço, ou você segura a minha mão.
Então, eu só quero não te dizer tudo isso, não te contar que te amo muito mais do que como uma amiga querida. Quero que você nunca saiba, para que você nunca se afaste e nunca mude comigo.
Estou feliz assim, vendo você sorrir.
E nesta felicidade, me despeço nesta carta que nunca te enviarei.
Te amo, Sakura-san, seja muito feliz.
Sempre sua,
Tomoyo Daidouji
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