Notas iniciais
Hey Jovens Padawans... Demorou, mas saiu o segundo capitulo espero que gostem. Se encontrarem algum erro de avise, e tenham uma ótima leitura. Obrigado e que a força esteja com vocês

Eu estava flutuando em nada, era apenas um enorme vácuo branco e gelado, olhava ao redor e nem sinal de David, olhei para mim e ainda estava com minha calça jeans, minha camisa branca e meu tênis All Star cinza. Tentei gritar por alguém, mas o som não saia de minha boca, por um breve momento não consegui encontrar ar para respirar e minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. De repente uma brisa ardente me alcançou e aos poucos o branco foi se tornando cinza e algumas árvores mortas se materializaram tremeluzindo na minha frente.

Minutos depois eu estava na clareira de uma floresta morta e sombria, uma fina neblina se arrastava pelo chão, o céu estava em um tom cinza escuro e até mesmo o sol parecia apagado por causa de um eclipse.

O medo me consumia, eu não sabia que lugar era esse e como exatamente vim parar aqui, não sabia cadê o David e muito menos se eu estava vivo.

Um longo período de tempo se passou até que minhas pernas me obedeceram e finalmente comecei a caminhar em direção às árvores mortas, à medida que eu avançava ia ficando mais escuro devido à densidade da floresta, ouvi alguns sons estranhos ao meu redor, grunhidos, pequenos passos, sons de galhos se movimentando e se quebrando. Olhei por cima do ombro e vi alguns vultos por entre os galhos secos, esses vultos silvavam e se movimentavam rapidamente em minha direção. Então em um desespero maior corri cegamente para mais fundo da floresta, galhos batiam e arranhavam meu rosto à medida que eu corria, então pisei em falso e cai em um buraco.

Não me lembro bem do que aconteceu, talvez eu tenha batido com a cabeça e desmaiado, mas isso não importa, oque importa é que agora eu estava amarrado pelas mãos e pés em uma estaca e sendo carregado como um porco recém caçado. Minha cabeça girava, olhei ao redor e eu estava cercado por pessoas vestidas com armaduras feitas de madeira e ossos, um deles percebeu que eu estava acordado e me atingiu forte no rosto com o cabo de um machado, me fazendo desmaiar novamente.

Quando acordei pude sentir um pequeno sangramento em minha testa, meus braços e pernas doíam e eu não sentia mais minhas mãos e pés. Com mais cautela olhei ao redor estávamos em uma planície onde no fim podia se ver o sol se pondo atrás de algumas montanhas, mas nenhuma delas se destacava mais que a que estava no meu lado esquerdo, ela era enorme e possuía uma pirâmide de cerca de 30 metros de altura que foi aparentemente esculpida de forma impecável no meio dela.

Adentraram comigo por uma passagem irregular na pirâmide e caminharam por mais alguns minutos antes de se depararem com uma parede alta feita de uma rocha escura e coberta por um musgo viscoso. O homem – o mesmo que me acertou no rosto – que era provavelmente o líder e trajava uma armadura de madeira negra deu um passo a frente, se ajoelhou, retirou seu elmo com formato que lembrava a cabeça de uma raposa e o posicionou ao seu lado, logo em seguida retirou uma faca de pedra da cintura e a usou para fazer um corte na palma de sua mão. Colocou a mão cortada em uma pequena fissura no chão dizendo – Que a Mãe Terra viva para sempre! – e se afastou logo em seguida.

A enorme parede começou a se mover pesadamente com um ruído surdo, fazendo toda a pirâmide estremecer, poeira e pequenas pedras caiam por toda parte. Quando finalmente parou revelou um túnel com uma escadaria para baixo tão longa que tornava impossível ver o final. Mal o ultimo homem atravessou e a parede novamente se abaixou, não lentamente como antes, mas com uma pancada.

A principio o túnel foi tomado por uma escuridão total, mas logo depois musgos que cobriam as paredes começaram a emitir luz, uma luz muito pálida, mas que dava para clarear o caminho à frente.

Após um bom tempo descendo as escadas, estávamos diante de um corredor reto havia tochas ao longo do caminho, no fim do redor deparamos com um imenso portão de ferro que se abriu assim que chegamos, do lado de dentro me surpreendi com uma enorme cidade subterrânea em uma enorme caverna oval, ela estava banhada com a luz do sol que transpassava por um cristal de uns 18 metros de diâmetro preso ao teto, no centro da cidade havia uma pequena praça com lindas árvores parecidas com cerejeiras, dezenas de casas foram esculpidas nas paredes que estavam cobertas por raízes e as casas estavam divididas em três níveis um encima do outro como uma escada. Continuaram me carregando pela rua principal da cidade, as pessoas que me encaravam curiosos trajavam roupas de couro e algodão, algumas crianças quando encontravam meu olhar se escondiam atrás de algum tronco ou de algum adulto, mas não deixavam de observar com aqueles olhos curiosos.

Fui levado para outro salão cavernoso aonde a única fonte de luz vinha de uma enorme fogueira que crepitava no centro, me soltaram no chão como um saco de batata para me desamarrar da estaca, depois me arrastaram no chão e me colocaram de pé para amarrar minhas mãos em um tronco ao lado da fogueira, meu corpo estava todo dolorido e ficar em pé era quase impossível, o ar estava muito quente e difícil de respirar, as pessoas iam se aglomerando dentro do salão, todas elas para me observar. Murmúrios vinham de todas as direções, mas pareciam distantes. Sons de trombetas encheram o lugar, logo todos se curvaram quando um homem de meia idade entrou no salão, ele trajava uma longa túnica de pele cinzenta, tinha o rosto pálido e sem expressão, os olhos refletiam a luz avermelhada da fogueira o que dava um aspecto sombrio a eles. Enquanto eu fitava aqueles olhos flamejantes o mundo a meu redor esvaecia, restando apenas os olhos que cada vez mais se aproximavam, ficando maiores e mais intimidantes. E simplesmente se extinguiram com um estalo.

Quando retomei o foco, percebi minha professora estirada no chão ainda estava em sua forma grotesca, sua testa jorrava sangre através de um pequeno ferimento circular. O homem encapuzado rapidamente se direcionou até o corpo caído. Então uma nevoa esverdeada começou a sair do ferimento e flutuar para a boca do assassino, enquanto ele sugava essa nevoa, a professora voltava para sua forma humana, após se baquetear ele voltou o foco para mim, eu estava apavorado, corri para outro canto onde estava a porta, mas ele a bloqueou.

— Não tem para onde fugir garoto. — diz ele colocando uma mão negra e esquelética em meu ombro. Ele estava certo, as janelas tinham grade descartando a possibilidade de pula-las, simplesmente fecho meus olhos se derramando em lagrimas para esperar o pior.

Abri os olhos, e percebi que estava finalmente de volta à realidade ou quase. Eu estava deitado em farrapos sobre uma pedra quadrada em no canto escuro de uma caverna pequena e fria o único ponto de luz vinha de um pequeno braseiro na entrada que estava bloqueada por grosas grades de ferro enferrujado. Caminhei até as grades e observei um soldado parado ao lado da entrada perguntei por que eu estava preso ali, e quem eram eles, mas ele continuou lá, imóvel, como um estatua de cera. Fiz um esforço para me lembrar do que aconteceu, mas tudo que me lembrava era dos olhos refletindo as chamas, eu estava com um galo na têmpora e o mais leve toque doía.

Eu não sabia mais há quanto tempo eu estava ali, os únicos pontos de referencia que eu tinha de hora, eram quando os guardas trocavam de turno, ou quando traziam uma tigela de madeira com uma sopa amarga para mim, às vezes traziam alguns pedaços de carne meio queimada, ou simplesmente um tipo de pão duro e uma cuia d’agua. Não acredito que irei morrer em um lugar desses, comendo junto de ratos e servindo de alimento para essas malditas moscas. E tudo por causa de um idiota que já deve estar morto pensei.

De fato eu estava à beira da morte, eu não tinha muitas forças para permanecer de pé, vermes passeavam em minhas feridas e sem falar que eu estava me sentido febril, os farrapos em cima da pedra não me mantinham aquecido quando eu tentava dormir, meus lábios estavam secos e rachados e aquela solidão estava me enlouquecendo.

Vez ou outra eu tentava conversar com os soldados, e sempre era ignorado. Depois que se passaram aproximadamente nove dias atingi o ponto alto da loucura, quando acreditei ter ouvido um dos ratos me dizer que deveria chamar a Mãe Terra na fenda da parede, a mesma fenda que os ratos sempre saem quando minha comida chega.

Cambaleei até a pequena fenda, tentei me lembrar de quando me trouxeram para cá, do homem cortando a palma da mão, das palavras que ele disse antes da porta se abrir. Pego uma lasca de pedra no chão e faço um pequeno e doloroso corte na mão direita, Só falta essa droga infecionar, para me matar mais rápido. — Que... A Mãe Terra... viva... para sempre... — falei quase com um sussurro.

— Tolo — ouvi uma voz feminina e firme atrás de mim — acha mesmo que a Grande Mãe irá abençoar um guerreiro de Hörten? — ela solta uma risada quando olho para ela, — você não pertence ao Clã de Gainons, é apenas um verme. — disse a soldado cuspindo em minha tigela de alimento e a jogando no chão espalhando quase todo o conteúdo para fora. Me levantei com minha mão latejando e caminhei até pedra.

— Não faço a menor ideia do você esta falando — falei com o máximo de força que consegui reunir, Talvez... eu esteja apenas delirando novamente. Olhei de relance para os ratos se banqueteando com o que deveria ser minha refeição e me deitei. Estava sentido muito calor, mas meu corpo tremia como nunca, mordi minha língua umas duas vezes enquanto batia queixo, um suor frio encharcava minhas roupas — Acho que nessa noite eu não passo. — sussurrei para mim apenas para ter certeza de que ainda estava vivo, então peguei no sono.

No outro instante pude sentir mãos acarinhando meu rosto, mexendo em meus cabelos desgrenhados e sebosos. Abri os olhos com dificuldade e quando encontrei foco vislumbrei um sorriso caloroso de uma mulher, uma fração de segundo depois após eu piscar já não vi sorriso algum, as mãos macias que me acariciavam eram ratos enormes que passeavam pelo meu corpo, me virei rapidamente para espanta-los e acabei caindo no chão com um baque surdo. Me apoiei em minha mão direita, foi um grande erro, quase cai novamente, a ferida começou a infeccionar e a dor estava insuportável, me levantei com esforço e caminhei me arrastando até as barras metálicas para pedir algum remédio para tratamento da minha ferida, quando observei atrás delas não vi ninguém e o braseiro estava quase apagado.

Voltei ofegante para a pedra e antes de me sentar olhei para a fenda dos ratos, e encontrei no lugar uma abertura irregular de mais ou menos um metro de altura. Agachei e fui engatinhado através do pequeno túnel atrás da abertura, terra ia se misturando com sangue e pus na palma de mão, depois de alguns metros pude ver uma luz pálida no fim.

— Uma saída. —eu sussurrei através de minha respiração ofegante. Não existe saída para você garoto ecoava uma voz aterrorizante em minha mente. — Existe sim... existe, e eu, estou quase alcançando-a.

A luz apesar de pálida incomodava meus olhos os fazendo arder e lacrimejar, uma brisa com um aroma adocicado batia em meu rosto, alegria e cansaço eram tantos que nem lembrava mais do ferimento em minha mão. Quando enfim sai do túnel fiquei diante de um enorme bonsai iluminado pela luz de uma lua azul, ao redor paredes enormes se erguiam de todas as direções como se eu estivesse na boca de um vulcão inativo. Ao lado da arvore a uns 12 metros de distancia de onde eu estava havia um pequeno olho d’agua com águas tão cristalinas que tive que conter os pensamentos de mergulhar nela, fui me aproximando lentamente para poder beber, mas pouco antes de alcançar a água vi uma espada fincada em uma das raízes da arvore, estava coberta de musgo e algumas trepadeiras começavam a crescer sobre ela. Se eu conseguir tirar essa espada daí... talvez, eu possa lutar e fugir, pensei.

Estendi a mão esquerda para o punho que parecia ser feito de cristal, e assim que toquei imagens invadiram minha mente, um dragão se formando a partir das sombras, grandes exércitos de homens e criaturas demoníacas marchando em locais devastados, pessoas banhadas em sangue por todos os lados, outras que pareciam usar magia controlando elementos naturais com simples movimentos de mãos aniquilando mais pessoas, depois dois homens em um grande salão.

— Eu sou o Rei, Fênix — dizia um homem que deveria ter uns 30 anos, seus cabelos compridos estavam amarrados em um rabo de cavalo, os olhos assim como os cabelos eram tão negros quando a noite sem estrelas, sua voz era firme e intensa, ele mantinha uma expressão séria e imponente no rosto — você e esses outros malditos criaram esses vermes mortais a nossa imagem sem me consultar, eu estou no meu direito como rei de destruí-los.

— Irmão... — começou Fênix, ele tinha quase a mesma idade e aparência do outro, tinha uma barba desalinhada e seus cabelos eram de tamanho médio de um loiro quase dourado, seus olhos eram cinza escuro e transmitiam um pouco de tranquilidade, a sua voz era igualmente firme e parecia encher o ar a sua volta de vida, sua expressão facial era de preocupação. — eu entendo sua irá, mas, porque punir os mortais com esses monstros, se eles não fizeram nada?

— Não fizeram? — ele gritou, fazendo o ambiente tremer — Eles criam templos, nos chamam de deuses, e dizem que você é o Rei.

— Hörten, eles apenas não entendem como funcionam as coisa. Não é culpa deles, te peço irmão, liberte os mortais daqueles monstros e puna a mim no lugar deles.

— Não irei, considere o sofrimento deles como seu castigo. — Hörten falou com um sorriso prazeroso no rosto.

— Se não os livrar... — começou com um olhar determinado e uma voz ameaçadora — eu irei lutar com você e te destruir, afinal é isso que os mortais esperam do novo Rei dos deuses.

Então a imagem mudou novamente, eu era um pássaro de fogo e estava brigando com um dragão negro, eu investia lançando chamas que explodiam quando atingiam o dragão, mas não pareciam ter efeito, de repente o dragão avançou com suas presas enormes e abocanhou minha asa, logo depois eu estava de volta em meu corpo com a mão ainda tocando a espada, foi quando um raio caiu atingido meu braço esquerdo me lançando para longe.

Notas finais
Obrigado por terem lido até aqui, não se esqueçam CRITICAR, porque eu amo criticas :3, e diga oque vocês acham(ou esperam) que irá acontecer?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.