Notas iniciais
nesse capítulo Kelvis Martson ira conhecer uma fada e ira testemunhar uma batalha entre duas raças diferentes

Me acordei as 20:39, sem duvidas estava bem melhor, o ombro já nem doía e minhas forças estavam renovadas, me levantei da cama de Kimberlyn e peguei minha bainha que também serve como mini mochila do chão junto com minha espada, desci as escadas e passei pela cozinha, tudo estava calmo, corri para a sala e mamãe ainda dormia da mesma forma, fui a varanda e o sofá estava repleto de flechas, mas não eram as flechas de Kimberlyn, eram flechas mais curtas e menos pontiagudas que a dela. Na varanda não havia ninguém, Alicia, Alex, Kimberlyn, Albertos ou Altamir, nenhum deles estava La e eu já estava preocupado. E quanto aos goblins haviam muitos mortos pelo chão, cerca de 80 a 100, muito extrato de tomate espalhado pelo chão, e muitas flechas encravadas em goblins. Oque mais me assustava eram as casinhas feitas com gravetos, dentro do bosque quase na nossa casa, os goblins estavam La, eu podia ver alguns comendo carne, e outros acendiam outras fogueiras, mas em geral nenhum olhava para a casa ou vigiava, meus amigos poderiam estar La sendo prisioneiros, ou poderiam estar em algum outro lugar, mas eu precisava ir La, eu precisava ver oque estava acontecendo. Varias pedras estavam espalhadas pela varanda, mais do que as que já haviam antes, a porta da frente de madeira tinha alguns buracos e rachaduras devido as pedradas, eu me cansei e sai das barreiras que me protegem, me abaixei entre a grama e fui andando silenciosamente e rapidamente.

Cheguei próximo ao posto temporário criado pelos goblins, havia no total 3 fogueiras e cerca de 10 casinhas de gravetos, vários goblins estavam deitados, dormindo, sentados e até brincando de lutinha com outros, os menos burro estavam sentados em um tronco de madeira conversando cerca de 15 menos burros incluindo Barlak, eles comiam a carne dos companheiros antes mortos como se fosse um churrasquinho num dia de domingo.

Andei um pouco mais pelos matos até estar quase atrás dos goblins grandes, fiquei entre os matos, para tentar ouvir a conversa deles e por sorte deu certo.

– Avarat vai ficar muito bravo – disse um goblin com chapeuzinho de pirata

– ele não vai – respondeu Barlak- vamos tomar a casa

– e quanto às barreiras mágicas? –perguntou outro goblin

– uma hora terão que sair – respondeu Barlak novamente – não vão passar a vida toda La dentro, logo precisarão de suprimentos

– genial – disse o goblin de chapéu

Ok eu já não precisava mais ficar ali, já sabia que todos que eu me importava estavam a salvo e não eram prisioneiros. Quando eu me preparava para sair senti uma forte pancada na cabeça e minha visão escureceu aos poucos, ainda pude ver um goblin atrás de mim, com um grande pedaço de madeira na mão, ele chamou os outros e nesse momento eu apaguei, fiquei muito feliz em ter deixado o guia em casa.

Ao acordar minha cabeça doía, e meus braços pareciam estar amarrados, abri os olhos e realmente, meus braços estavam amarrados e com certeza um galo se projetava em minha cabeça. Olhei a diante e eu estava no posto temporário deles, dois goblins me vigiavam do tipo menos burro, saia um pouco de sangue pelo canto esquerdo da minha boca e meu ombro latejava.

Minha espada ainda estava no mesmo lugar, esses goblins eram realmente burros, no guia de campo diz que os ogros são burros, mas os goblins não devem ficar muito atrás. A bainha estava no mesmo lugar, provavelmente eles haviam revistado-a, mas por burrice deixaram minha espada La. Eu não sabia ao certo que horas eram o céu não estava nem tão escuro nem tão claro, era um daqueles tempos, que nem é dia nem é noite, é um estado próximo ao nascer do sol e próximo à noite. Não pude deixar de sorrir ao ver Altamir na laje da minha casa, do local onde eu estava podia ver parte do telhado da casa e parte da laje. Eu fui realmente burro ao achar que poderia entrar e sair dum local tão hostil sem ser visto. Barlak veio caminhando lentamente e sorria com seus dentes quebrados e seu rosto feio.

– olá pequeno humano – disse Barlak – onde está o livro?

– eu não vou dar livro nenhum – falei

– Bervis traga o quebra ossos – gritou Barlak para um goblin que saiu apressado

– como você é feio – falei para Barlak

– eu sei – disse ele

–você é um horror — falei

– sim, pare- respondeu ele sem jeito

– você parece um abacate que tomou um soco de um abacate mais forte – falei rindo

Barlak mostrou os dentes quebrados tentando forçar um sorriso.

– veremos quem vai rir por ultimo – disse ele num tom sombrio

O goblin que ele havia mandado voltou, e trazia uma mini maleta de couro, provavelmente com couro de outro goblin, Barlak abriu a maleta e La havia um mini martelo, um alicate feito de ossos, e uns canivetes.

Barlak pegou o martelo e olhou para mim

– no inicio – disse ele – não poderei acreditar em tudo que disser

Depois ele pegou o alicate

– então você falara algumas verdades, mas talvez nem todas – disse ele tentando sorrir

Por fim ele pegou os canivetes

–e então acho que poderei acreditar em tudo que você disser – falou ele com uma gargalhada logo em seguida

– tortura? – perguntei – não vou dizer nada

– veremos — falou ele

E saiu deixando-me com um goblin que parecia cochilar sentado.

– tic, tic, tic – ouvi um ruidinho atrás de mim

Tentei me virar, mas não conseguia, senti uma espécie de soquinhos em minha nuca, eu queria realmente me virar, deveria ter uma aranha das grandes na minha nuca. Senti meus pulsos mais leves, mexi a mão e a tirei de onde estava amarrada, já não estava tão amarrada, cocei o nariz e coloquei a mão de volta, espera ai, minhas mãos estavam livres, me levantei com um pulo e logo me abaixei denovo, finalmente olhei para trás, e havia uma mulher pequenina com cerca de 15 cm, ela era totalmente rosa e tinha pétalas de flores como uma espécie de asas, uma criaturinha muito linda, UMA FADA. Finalmente eu havia encontrado uma fada, na verdade ela que me encontrou. Me levantei aos poucos e fui abaixado até o goblin que cochilava, era o mesmo que havia me acertado antes, e o mesmo pedaço de madeira estava no chão ao lado dele, peguei- o.

– vingança – sussurrei e bati o pedaço de madeira com toda força em sua cabeça, puxei- o para o tronco e o amarrei da forma que eu estava amarrado.

Sai correndo dali seguindo a pequena fada que voava a minha frente, eu parei por um instante e olhei para minha casa, não conseguiria voltar por ali. Então continuei seguindo a fada, ela era bastante rápida e me guiava por entre as arvores, corremos por um tempo, a uma longa distância eu não sabia onde estávamos e muito menos como voltar. Então eu senti um cheiro, que era o meu cheiro preferido atualmente, não tem como descrevelo, é somente muito bom.

Não pude deixar de sorrir ao ver a arvore dos elfos, tudo estava exatamente como antes, alguns elfos estavam reunidos na entrada da arvore e conversavam em sua linguagem própria, um deles era mais baixinho e usava um manto azul brilhante, seus cabelos eram sedosos e chamavam muito a atenção, e seu rosto lembrava-me muito Altamir

– Cofuzos – gritei

Os elfos se viraram para mim, e Cofuzos me olhou assustado.

– humano – disse ele – oque fazes aqui

Eu estava tão cansado e minha cabeça doía demais, eu cambaleei e quase cai no chão, mas dois elfos me seguraram.

– tragam ele – ordenou Cofuzos a os elfos

Os elfos me levaram até a arvore, na escadaria eu apaguei por uns minutos e ao abrir os olhos novamente, estava numa cama aconchegante, e tinha a visão da estrada de chão, eu estava num casebre num galho, Cofuzos estava a minha frente e trazia uma espécie de pão e uma tigela de barro.

– os goblins – falei com dificuldade

– shii – disse ele – coma isto

Eu me levantei ate estar sentado na cama, peguei o pão que ele me ofereceu, que era diferente dos Paes comuns, era um pouco menor e era esverdeado, eu hesitei um pouco mas por fim dei uma mordida no pão, uma delicia, peguei a tigela, e tinha um liquido marrom dentro, o cheiro era o mesmo cheiro que me atraia, finalmente eu descobri de onde vinha aquele cheiro, bebi o liquido da tigela e fora a melhor coisa que eu já bebi, não havia como descrever. E quase imediatamente minha cabeça doeu menos e meu ombro não latejava mais, eles ainda doíam, mas com um grau menor de dor. Agora eu já estava um tanto melhor, e podia conversar, olhei para Cofuzos e ele me fitou de volta.

– agora fale com calma – disse Cofuzos –oque aconteceu a você?

– goblins, Avarat, livro – respondi

– uma coisa de cada vez – disse ele

– goblins cercam minha casa para roubar o livro e entregá-lo a Avarat — respondi

– você é o garoto do gnomo – disse ele

–sim – respondi –Kelvis Martson

– Cofuzos Patientem – respondeu ele

Eu o olhei por uns segundos com uma cara de confuso, Patientem, aquele era o sobrenome de Altamir, ou todos os elfos têm o mesmo nome, ou eles são irmãos.

– nos precisamos ir La – falei me levantando da cama

– eu prometi ao gnomo que ajudaria, e vou ajudar – disse ele

Me levantei da cama, e quase senti náuseas, estávamos a muitos metros de altura, o suficiente para eu poder ver a BR 101 ao longe, os elfos eram malucos em viver ali, daquela forma, uma queda ali seria fatal.

– elfos estão reunidos e prontos para uma batalha ao chão –disse Cofuzos

– vamos logo – falei – meus amigos correm perigo

– tolo não deveria ter saído de sua segurança –disse Cofuzos com um ar de risada

Cofuzos começou a rir me forçando a rir também

–não se preocupe com nada – disse ele – goblins não batem de frente com elfos

E depois disso ele saiu do quarto, e eu fiquei da porta admirando o nascer do sol, eu estava tão estressado com tudo que havia acontecido que só agora me dei conta que eu havia visto uma fada, ela havia de alguma forma me resgatado.

– intrigante não?! – disse uma voz próxima a mim, uma fina e bela voz

Me virei procurando alguém, mas não havia ninguém

– aqui embaixo- disse a vozzinha

Olhei para baixo e la havia um ser pequenino com asas de pétalas de rosas, pequenino e com cabelo rosa como pétalas, com dois olhinhos verdes me fitando

– hã – disse eu – oi

– ainda não ouvi um obrigado – se queixou a pequenina fada

– pelo que? –perguntei

– você não se soltou dos goblins sozinho – respondeu ela

– AH, então era você – falei – obrigado por salvar minha vida, hã como é seu nome ?

– Rosalita — respondeu ela

– prazer, eu sou Kelvis Martson – me apresentei

– você parece cansado – disse ela – aceita uma Beresa ?

Me lembrei do livro, se eu comece a fruta jamais iria querer comida humana novamente

– não não, obrigado – respondi

– tudo bem – respondeu ela e se deitou apoiando a cabeça numa das paredes de pedra da casinha

E eu continuei a admirar o lindo nascer do sol, até ele ter nascido pro completo,e não parava de imaginar como meus amigos deveriam estar agora, teriam ido ao quarto de Kimberlyn e não me visto La, poderiam ter pensado que eu fui raptado pelos goblins e irem La tentar me resgatar, mamãe pode já ter acordado, oque ela vai pensar de tudo isso, deveriam ser 5:30 da manhã agora, e o sol havia terminado de nascer,Cofuzos subiu de volta e eu me levantei da cama.

– estamos prontos — disse ele e se virou para a parede esquerda da casinha, eu fui até ele, ele mexia em algo na parede, até que puxou uma espécie de gancho de madeira, segurou as duas mãos neles e pulou, sim ele pulou da arvore gigantesca. Foi um alivio quando eu percebi que era uma tirolesa, que ia até o chão, notei que tinha outro gancho, devia ser para mim.

Aquilo era loucura, mas era a forma mais rápida de chegar até o chão, segurei o gancho, não era nada confiável, a madeira parecia ser podre e acorda era muito fina, segurei as duas mãos e olhei bem para baixo, era uma queda mortal, fechei os olhos e pulei do galho me segurando com força no gancho da tirolesa, o vento batia em meus cabelos, e eu abri os olhos. Era lindo desci a uma velocidade assombrosa, num piscar de olhos já estava no chão onde Cofuzos me esperava, havia alguns elfos junto com ela cerca de 20 ou 30, todos com espadas e arcos.

– escute –me bem – disse Cofuzos ao meu lado- nos vamos espantar os goblins, não quero que se arrisque, nem que meus elfos se arrisquem

– tudo bem – respondi

O silencio foi interrompido por o som de uma corneta de guerra, um som ensurdecedor, os elfos olhavam para os lados confusos e com armas em mãos. Quando de trás de uns arbustos dezenas de goblins surgiram, correndo, gritando, e avançando contra os elfos, cerca de 40 a 50 goblins, do tipo burro e menos burro. Todos correndo juntos para atacar, alguns tropeçavam e Caiam sendo pisoteados pelos companheiros de guerra, a linha de frente dos goblins era composta de goblins menores com dentes e garras afiadas os que eu intitulo de “burro” e os que viam atrás alguns com mini roupinhas e outros de tanga eram os “menos burros” eles tinham espadas e alguns arremessavam pedras, e outros até atiravam flechas, mas não eram bom nisso.

E quanto aos elfos, bem eles não ficaram parados olhando os goblins, eles avançaram, 60 goblins contra 20 elfos. Os elfos não gritaram para avançar, eles fizeram uma espécie de posição de ataque, na qual os elfos com espadas formavam um circulo, e os com arcos ficavam no centro atirando flechas enquanto os com espadas lutavam na frente, era genial exceto pela desvantagem numérica nos elfos em relação aos goblins. Puxei minha espada e já ia direto para a linha de frente dos elfos quando alguém me puxou para o chão, era Cofuzos ele tinha sua espada em mãos e tinha uma cara de “espantado, assombrado, preocupado e medo” tudo junto e misturado, ele olhou bem para mim e desviou o olhar rapidamente para os goblins

– fuja humano – disse ele – alerte o gnomo

– eu posso ajudar aqui – falei

– não – respondeu ele – nos podemos vencer, mas é perigoso para você, fuja para sua casa não deve haver goblins por La

Cofuzos tinha esperança e confiança no olhar, exatamente como Altamir. Me levantei e olhei mais uma vez para os elfos e goblins, que lutavam ferozmente, havia já vários goblins mortos no chão, a maioria com flechadas, e alguns elfos também, esses que eram mordidos e devorados ali mesmo.

Cofuzos correu para a linha de frente e se uniu com seu povo na luta, e eu comecei a correr em direção a minha casa, na verdade eu só corri por uns 5 metros até tropeçar numa raiz de arvore e cair.

– patético — disse uma voz fina e serena atrás de mim, era a fada

– Rosalita — gritei

E a fadinha pousou em minha frente, ela era uma criatura simplesmente linda e magnífica.

– me siga – disse ela

Eu não questionei, apenas me levantei e fui seguindo ela pela floresta, sabe para uma fada pequena e indefesa ela era bastante rápida, fadas devem ter um ótimo senso de direção, já que ela não se debatia com nenhuma arvore, e parecia saber exatamente onde ia. Eu segui ela por cerca de 15 minutos, eu já estava muito suado, e cansado, não pude conter o sorriso ao ver minha casa. Rosalita parou atrás de uma arvore que tinha uma visão perfeita para o quintal da minha casa e a porta dos fundos. Sabe quando Cofuzos disse que não teria goblins ao redor da minha casa?! Bem ele mentiu, havia vários goblins cercando a varanda, mas por sorte nenhum na entrada para a porta dos fundos, seria fácil de entrar, mas e a fada

–chegamos – falei

– eu sei – respondeu ela – acho que não posso entrar

– eu posso fazer você entrar – respondi

– não precisa – respondeu a fada – não agora, você tem coisas minhas importantes a fazer

Eu fiz que sim com a cabeça para ela, e ela retribuiu.

– obrigado por tudo – agradeci

– não agradeça agora – disse ela- você ainda não entrou

Depois disso ela começou a rir e saiu voando, sinceramente eu não fazia a mínima idéia de para onde ela iria agora.

Atravessei as barreiras mágicas correndo, e cheguei a porta dos fundos, passando por ela e entrando dentro de casa, entrei na cozinha e me deparei com Kimberlyn, ela não estava assustada e comia cereal numa tigela com a maior calma possível, ela me viu chegando e se levantou. Por um segundo eu pensei que ela fosse me dar um soco bem na cara por ter saído sem avisar deixando a preocupada e tal, mas ela fez outra coisa, uma coisa que ela não fazia desde quando éramos pequenos... ela me abraçou.