As aventuras dos Martson's
1 Casa Nova
Notas iniciais
Olá, meu nome é Kelvis Martson, e se você não acreditar em minha historia ou achar que tenho uma imaginação muito fértil, tudo bem eu o entendo, também não acreditei no começo, mas é tudo real, gnomos são reais, goblins e elfos também, Avarat é real e eu preferia que ele fosse só uma lenda, mas ele não é. E eu te dou uma chance, se você não acredita em criaturas fantásticas que vivem ao seu redor, tudo bem, então largue esse livro agora e vá ler uma revista ou qualquer outra coisa, mas se você decidir ler este livro eu lhe aviso que estará entrando num mundo perigoso e ao mesmo tempo maravilhoso do qual você não ira mais querer sair, te vejo em meu mundo caro leitor.
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Dos quatro filhos de Mery, eu sempre fui considerado o “causador de problemas “.Tenho três irmãos, a mais velha tem 14 anos, Kimberlyn, meu irmão que tem 12 anos e a mesma idade que eu , Alex, e minha outra irmã mais nova, Alicia.Meu nome é Kelvis. Minha mãe nos criou sozinha, nunca tivemos pai,morávamos na cidade, grande mas agora, minha mãe recebeu uma proposta melhor de emprego,e estamos de mudança, para nossa nova casa, no interior sergipano, longe da cidade, e sem muita conexão com o mundo.
Capítulo1 – Casa nova.
Viajando a 120 km por hora, Kimberlyn ia na frente,no banco do passageiro, ao lado da minha mãe. Alex ia bem atrás dela, lendo um livro, enquanto os cabelos longos e castanhos de Kimberlyn eram levados pelo vento direto na cara dele, Alex não parecia se importar.Alicia ia ao lado dele,ouvindo musicas em seu tablet, e cantando, ela até que cantava bem para uma menina de oito anos, para ser honesto ela cantava melhor do que eu, mas eu não sou muito de cantar, mas continuando. Eu ia no ultimo banco, atrás de todos, apenas olhando pela janela,e vendo o mundo passar ao meu redor, a medida que ficava cada vez mais distante do nosso antigo lar.Alex com seu livro não movia um só músculo, minha mãe e Kimberlyn, conversavam algo sobre o calor no deserto, e Alicia cantava umas musicas da Demi Lovato.minha mãe saiu da estrada e entrou numa rua de chão, deserta a rua tinha uma placa no final,mamãe diminuiu a velocidade do carro a 20 km por hora, a poeira subia muito e o carro mexia de um lado a outro na rua esburacada.
– Isso não deve ser muito bom para o carro — falei
– o calor aqui é como o deserto, mesmo sendo de noite- disse Kimberlyn
– tanto faz- completou Alex
–crianças, eu sei que querem todos voltar para são Paulo, mas vai ser legal, vamos ter uma vida muito melhor, olhem pelo lado bom- disse mamãe
– que lado bom?- perguntei
–Kelvis, você vai gostar da casa nova, vamos ter uma nova vida, longe de tudo aquilo da cidade, sem todo aquele barulho e poluição- respondeu mamãe
Nossa conversa foi interrompida, porque minha mãe parou o carro para ler a placa que dizia: bem vindo a Salgado
–Nossa nova casa fica a 3 km, seguindo essa rota — informou mamãe
–o carro vai agüentar a estrada?- perguntei ironicamente
Ninguém respondeu apesar da minha piada eu sabia que o mesmo agüentaria, mamãe havia comprado uma doblô, assim que saímos de são Paulo, era bastante espaçosa e confortável. O carro batia e remexia de um lado a outro enquanto seguíamos a estrada esburacada, ninguém dizia uma só palavra. A estrada começou a melhorar, e aos poucos foi virando um liso asfalto, minha mãe virou uma curva a esquerda e seguiu reto por uns 100 metros, quando finalmente eu as vi. 10 propriedades no total,umas espécies de sítios, bastantes distantes uns dos outros, e a julgar pelo estado das casas nenhuma era habitada a muito tempo, ou seja não teremos vizinhos.
– a nossa nova moradia é a décima chácara, tem muito espaço para tudo que quiserem fazer — disse alegremente mamãe
– podemos ter pôneis? – perguntou inocentemente Alicia
– não- respondeu mamãe- mas teremos um cavalo
–ai meu deus- disse Kimberlyn com muita alegria- um cavalo de verdade
–legal- disse Alex sem tirar o olho do livro
–eu to hiperventilando- disse Kimberlyn
–eu disse que nossa vida seria muito melhor- completou mamãe
Um cavalo, legal, Kimberlyn é viciada em equitação, ela com certeza deve estar pirando. Descemos pela estrada que já não era tão esburacada. Passando pelos sítios. Primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, estávamos agora passando pelo oitavo, mamãe diminuiu a velocidade e passamos pelo nono. E o carro parou em frente ao décimo, ou seja o nosso. O sitio ficava um pouco abaixo do portão, com um mini morro atrás do portão, tinha uma passarela de pequenas pedras, que iam até uma casa no centro do sitio, ela era bastante grande, e tinha uma árvore do lado esquerdo da casa.
– e nossas coisas, mãe?- perguntou Kimberlyn- onde estão ?
– a agência de mudanças trouxe tudo mais cedo- respondeu ela
Descemos do carro e minha mãe abriu o portão, o carro ficou do lado de fora,descemos o pequeno morro até a casa, pelo pequeno caminho de pedras, percebi que o caminho de pedras era rodeado não de grama, mas sim de muito mato, uma espécie de capim, que a julgar pelo tamanho não era cortado a meses,talvez anos.
O mato chegava na altura do meu peito e quase cobria Alicia. O livre som dos pássaros que voavam loucamente ao entardecer,somente então percebi para onde eles voavam, para um bosque atrás da casa, não conseguia vê-lo por inteiro, sabia apenas que ele era muito grande. E nosso silêncio foi quebrado pela minha Irmã.
–que casa grande- elogiou Kimberlyn
–realmente- admiti
–tem sete quartos- disse mamãe alegremente
– eu quero o maior- disse Kimberlyn – no momento em que saiu correndo em direção a casa, e como sempre Alicia a seguiu, minha mãe sorria e Alex não estava nem ai, corri para conhecer a casa nova.
Chegando La todas as nossas coisas já estavam em seu lugar, afinal o caminhão de mudanças havia deixado tudo antes de chegarmos, nossos moveis podiam ocupar facilmente todo um apartamento em Guarulhos, mas são muito poucos para a imensidão da casa. Kimberlyn havia pego uma suíte em frente ao quarto da minha mãe, ambos no andar de baixo, Alicia se instalou num quarto próximo a varanda, com vista para o bosque,sem duvidas o melhor quarto dos sete, cada um estava arrumando suas coisas pessoais e se instalando, menos eu e meu irmão Alex, estávamos ainda na primeira sala, segurando nossas malas.
–este lugar cheira a... gente velha- observou Alex
–e a mofo – completei e logo em seguida uma risada, Alex também riu.
Escolhemos um quarto sem suíte, vizinho ao de Alicia,mas infelizmente este não tinha vista para o bosque. O quarto era muito grande. De um lado ficava a cama de Alex e vizinho a ela os seus guarda-roupas, no outro lado estava minha cama, e por enquanto eu dividia o guarda-roupa com Alex, e ao lado da minha cama havia um baú velho, o qual eu sem duvidas precisava bisbilhotar.
– vamos desfazer as malas – disse Alex
– irmão –falei – olha essa casa, é como Farcry,nos precisamos explorar ela toda
–eu não sei não Kelvis – disse ele – o protagonista de Farcry sempre morre
– vou pegar o resto das malas- conclui
Sai do nosso quarto e desci as escadas, acabei saindo na primeira sala, fui até a frente da casa e achei o carro, Kimberlyn estava pegando oque sobrou de suas coisas.
–cadê o seu cavalo- perguntei
– babaca- respondeu ela –chegamos agora, obvio que ele ainda não está aqui
– não me chame de ‘’ babaca’’, babaca é você — retruquei
– você é tão irritante moleque- disse ela
Peguei minha mochila e a de Alex, são dali e subi de volta ao quarto, onde Alex me esperava, chegando La, vi que Alex lia seu livro, coloquei as mochilas num canto do quarto e desci para a sala, não tinha basicamente ninguém La, tentei ligar a televisão, sem sucesso, La não tinha sinal, uma verdadeira merda.
Enquanto eu pagrejava o sinal inexistente de televisão ouvi um ruído, algo como pequenos passinhos, cada vez mais próximos, dei um pulo do sofá achando que fossem ratos,mas os ruídos vinham de dentro da parede,quando me virei para a parede os mesmos pararam, caminhei lentamente até a parede, então os passinhos voltaram e seja La oque for que esteja na parede começou a correr, peguei uma vassoura e cutuquei a parede com um surdo:
– toc- e para meu temor fui respondido
– toc – que veio do outro lado da fina camada de gesso da parede
– toc toc-bati a vassoura duas vezes na parede
– toc toc- fui respondido
Assustado cutuquei a parede com a ponta do cabo da vassoura com força e a mesma entrou,o gesso era muito fraco, então fui seguindo oque é que estivesse dentro da parede e fui esburacando La até a cozinha, quando ouvi um grito
– Kelvis! Oque merda acha que está fazendo?
Era minha mãe, me virei e ela estava na porta da cozinha, usando seu roupão de dormir
– você prometeu que não ia mais descontar sua raiva nas coisas... ta ta eu também prometi que não ia mais gritar- falou ela
– me descul... — e antes que eu pudesse falar, Kimberlyn e Alex apareceram atrás da minha mae
–vai dormir mãe, deixa que a gente arruma tudo- falou suavemente Kimberlyn
–é, e a senhora deve estar cansada da viagem- completou Alex
– obrigada meninos- disse minha mãe e foi a passos largos para seu quarto
– tem algo na parede- falei para eles
–Kelvis, não delire- respondeu Kimberlyn
E no intuito que ela falou a criaturinha de dentro da parede se mexeu fazendo muito barulho.
–tem algo na parede-gritou Kimberlyn
– é isso que estou tentando dizer-falei
– veja se é um mussaranho, tem muitos por essa região- disse Alex
–ou pode ser só um rato- disse Kimberlyn
E seja La oque for que esteja na parede se mexeu de novo, e eu levantei a vassoura para cutucar, então Kimberlyn a tomou de mim e bateu na parede com força demais... e o gesso cedeu. Um quadrado de gesso caiu uma parte pequena da parede, então um pequeno pedaço de madeira surgiu no meio da poeira bem onde Kimberlyn bateu,tinha duas cordas uma que subia e outra que descia, ao redor de uma caixa de madeira, e dentro dela havia todo tipo de bugigangas: uma cabeça velha de boneca muito bizarra, uma espécie de pulseira brega dos anos 70, carrinhos de madeira antigos é isso eu até achei legal, é uma chave antiga de bronze com um “ J “ moldado na haste.
–ótimo, Kimberlyn abriu um buraco na parede, e advinha só quem vai levar a culpa?-resmunguei
– é uma daquelas coisas que usavam para mandar comida La para cima, como é o nome disso mesmo? – falou Kimberlyn
– acho que é “elevadorzinho” — respondeu Alex
– e olha quantas antiguidades — observou Alex
–isso é tudo lixo — disse Kimberlyn
– alias como você fez isso Kelvis? – perguntou Kimberlyn
– oque?acha que fui eu ?- perguntei
– é claro que foi você,sempre é você, só não sei como você fez isso — disse ela
–é agora você me pegou, eu abri um buraco na parede, enchi de lixo e tapei- respondi com sarcasmo
– tanto faz, agora vai limpar isso logo — mandou ela
– mas você disse à mamãe que “a gente “ia limpar- disse eu
– “a gente” significa você- respondeu ela e saiu da cozinha, Alex ia seguindo ela
– espera Alex- chamei- não quer ver onde isso vai dar?
– sinceramente, eu não – respondeu ele e subiu as escadas
Bem então eu comecei a arrumar tudo, tirei as bugigangas e botei todas elas numa bolsa de lixo, exceto a chave, esta não entrou na bolsa e caiu no chão, ela era uma chave normal de metal cor de bronze, que na ponta superior oposta a parte do segredo havia um “J” de metal, uma chave muito bonita, e agora me pergunto de onde ela é?, Botei-a no bolso, e olhei para a parte superior do elevadorzinho, e ele subia até uma parte escura do andar de cima, minha curiosidade falou mais alto, corri até as caixas das coisas da mudança que estavam na sala e procurei até achar uma lanterna,testei para ter certeza que funcionava e bingo novinha, voltei correndo para a cozinha, onde estava o elevadorzinho, acendi a lanterna e clareei dentro do elevadorzinho, e estava limpo apenas porque eu havia limpado,sentei-me dentro dele e dava perfeitamente para o meu tamanho, na verdade dava para duas pessoas do meu tamanho, entendi facilmente o mecanismo da coisa, havia duas cordas juntas, se eu puxasse uma a outra subia levando me assim para cima. Puxei a corda com toda minha força, eu esperava ser pesado, mas era bastante leve, algo La encima rangeu e eu subi a medida que eu puxava a corda eu ia subindo, quando até que enfim:
–BOOW
O elevadorzinho topou num teto, e ao clarear a minha frente vi uma porta, que estava aberta e a julgar pela poeira e teias de aranha ela estava aberta a muito tempo. Clareei La dentro e pude ver uma escrivaninha, com inúmeros potes de vidro todos cheios de água, a mesma muito velha, clareei um pouco mais ao lado e vi uma estante marrom,muito velha e empoeirada,afinal tudo ali era velho e empoeirado,encima da estante haviam: mais potes de vidro cheios d’água,virei mais adiante e achei uma mesa com muitos papeis e potes de vidros vazios,virei me para a escrivaninha, e La tinha muitos papeis,folhas,livros antigos tudo empoeirado,subi a luz da lanterna acima da escrivaninha e vi um retrato de um homem de aparentemente 50 anos,usando um palito marrom,daqueles de filmes antigos e usava óculos,eu já havia visto esta foto,em algum lugar,então me lembrei, ele era José Laranjeira, antigo dono desta casa,minha mãe havia falado sobre ele, a antiga moradora desta casa era Lúcia laranjeira,filha dele e Ela tem 70 e poucos anos agora, e está num asilo ou sei La, mas continuando, continuei clareando o quarto e num canto separado havia um baú, semelhante ao que havia no quarto meu e de Alex, exceto por um “J” que estava acima da fechadura, idêntico ao da chave que achei no elevadorzinho, ah putz, só agora caiu a ficha, a chave que achei no elevadorzinho,pertence a este baú.
Por curiosidade coloquei a chave na fechadura do baú e girei para a esquerda, e com um rangido o baú se abriu, e dentro dele estavam roupas velhas, calças, camisas, meias e etc. comecei a tocar em tudo que havia La, e pondo tudo que tocava fora do baú, até que senti algo duro e maciço, puxei-o e era uma camisa de botões com mangas compridas, e algo estava enrrolado nela, desenrolei, e La estava um livro.
Ele era preto com capa dura, as paginas amareladas pelo tempo, tinha um protetor de capa envolta dele e uma fita vermelha presa nele, com um bilhete escrito num papel preso ao protetor de capa, que dizia:
– aviso-
Peguei o bilhete, e assim que peguei o bilhete, antes de se quer abri-lo, ouvi um barulho, e com um pulo me virei para trás, e um livro antigo havia caído sozinho da escrivaninha empoeirada, no momento em que olhei para o livro e olhei de volta para a escrivaninha, estava escrito na poeira a frase:
–Kelvis Martson este lugar deixe
E com a boca aberta olhando a escrita, que não estava antes ali, a minha lanterna se apagou e dei vários passos para trás me esbarrando em tudo com muito medo no coração, acendi novamente a lanterna corri levando o livro que tinha achado no baú,direto para o elevadorzinho,e soltei as cordas descendo rapidamente de volta a cozinha,chegando La dei um pulo pra fora do elevadorzinho, e corri para meu quarto e de Alex, não vi ninguém pois deviam estar todos dormindo, entrei no quarto e Alex roncava na cama.
– Alex acorda- falei batendo duas vezes a lanterna na cabeça dele
– ai – disse ele e foi aos poucos se levantando até está sentado na cama
–eu fui La encima e tem um quarto secreto — contei- La encima com uma escrivaninha e uma arque, e achei esse livro, tinha alguma coisa La dentro
– um mussaranho?- perguntou ele
– não, não era um mussaranho... Mussaranho não sabe escrever, pois a coisa escreveu na escrivaninha a frase “Kelvis Martson, este lugar deixe”
– nossa- disse Alex – isso é mesmo... Impossível, ta tarde vai dormir vai
E dizendo isso ele se deitou e me ignorou. Chateado, fui até a cozinha e apaguei a luz, ajeitei minha cama e peguei o livro, que tinha achado La encima,acendi a lanterna me preparando para ler oque tivesse La escrito, antes de abrir o livro eu li o bilhete:
– Aviso, não ouse este livro ler, pois se esta ordem não obedecer, estará arriscando sua vida e brincando seriamente com a morte-
Ignorando totalmente o aviso eu abri o livro, e quando abri foi como se todos os seres vivos do mundo me olhassem, uma coisa estranha, um presságio, como um aviso ou sinal. Então me pus a ler e um vento forte entrou no quarto, fechando o livro e batendo a porta, com medo corri para o baú que estava ao lado da minha cama, e entrei nele, que por sorte não tinha nada dentro, fechei o baú e abri o livro, e finalmente dentro de um baú eu comecei a ler
– Guia de campo de José Laranjeira, Para o mundo fantástico ao nosso redor.
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