— Sujou! – Wally exclamou ao ver à sua frente um mal-humorado Bruce Wayne, acompanhado do seu fiel mordomo Alfred.

Bruce ia fazer menção de agarrar a gola da camiseta do ruivo à sua frente, mas este fedia tanto que nem dava para chegar perto. Apenas ordenou:

— Explique-se.

— Foi um acidente, Morcegão! – Wally logo respondeu. – Eu tava varado de fome e fui à cozinha fazer um sanduba pra mim, e nisso apareceu um vulto na janela. Pensei: Pode ser um ladrão. Fui ver o que era, pulei da janela e caí naquelas latas de lixo!

— Eu já imaginava que tinha sido você desde o começo! Essa sua irresponsabilidade fez a Dara se assustar e a Diana, que deveria estar guardando mais repouso, teve trabalho para acalmá-la! Que parte do “vê se não faz bagunça porque a Diana precisa de repouso” você não entendeu?

— Ah, é? E que parte do “apareceu um vulto na janela, pode ser um ladrão” você não entendeu, Morcegão?

— Mais uma dessas, Wally, e eu não respondo por mim!

— Eu só não te dou uma resposta mais adequada, sabe por quê?

— Por quê? – seus olhos azuis encararam o ruivo.

— Primeiro, porque eu tô fedendo demais pra continuar a discussão. E segundo, porque se a Bebê-Maravilha começar a chorar de novo, desta vez a culpa é sua, não minha! Fui!

Wally saiu em disparada para o seu quarto – na verdade uma suíte – no qual se enfiou no banheiro, tomou um banho bem caprichado até arrancar a última partícula de fedor de lixo orgânico. Em seguida, correu para a cozinha, catou seu sanduíche, comeu e voltou ao quarto, onde, por fim, dormiu.

E o silêncio voltou a reinar absoluto na Mansão Wayne... Por enquanto.

*

Logo após o café da manhã, que transcorreu com alguma tranquilidade – tirando o fato de que Bruce olhava torto para Wally – cada um foi cuidar de seus afazeres. No caso do ruivo, era ir na cola de Diana e pedir a ela para poder segurar um pouquinho a pequena Dara. Tanto insistiu que a princesa amazona cedeu e o deixou ficar com a menina por uns minutos.

Meio desajeitado, Wally segurou a criança conforme Diana o orientava. Agora podia dizer que se sentia um verdadeiro titio. Titio Wally, Titio Flash, não importa. Sempre adorou crianças, ainda mais que elas formavam a maior parte da sua legião de fãs, e a elas sempre dedicava atenção especial... Além de dedicar atenção às garotas bonitas, claro.

Já estava ansioso para ver aquela menina crescer, para ele, Titio Wally, ensiná-la a ser uma garota descolada.

Ligou a TV, e nela estava sendo exibido o noticiário matutino.

— ... E agora, vamos a Gotham, com Michelle Preston— era a voz do âncora do jornalístico, Luke Brandt. – Michelle, está me ouvindo? Como estão as investigações a respeito do “Robin Hood às avessas”?

— As investigações ainda não avançaram, Luke. A polícia de Gotham ainda não possui pistas desse criminoso, que, como pressupõe seu apelido, age nas mansões, burlando qualquer sistema de segurança. Porém, ao contrário do famoso personagem, esse ladrão não costuma doar o produto de seu roubo para os pobres. Rumores dão conta de que ele esteve nas cercanias da mansão Wayne.

— AHÁ! EU SABIA! – Wally comemorou suas suspeitas, mas lembrou que estava com uma criança nos braços. – Opa! Shh! Shh! – fez enquanto colocava o dedo indicador sobre seus lábios.

*

No quarto, Diana e Bruce, por fim, têm um momento a sós. Já precisavam disso há um bom tempo... Ainda mais com um sujeito como Wally West pentelhando.

Até que deixar Dara sob os cuidados do ruivo não tinha sido má ideia. Ele estaria distraído babando na menina e vendo TV. Não era isso o que ele queria, bancar o “titio”?

Desta vez Bruce sairia no lucro. Sentou-se ao lado de Diana, que estava lendo um livro para passar o tempo. Ficar de repouso muitas vezes era entediante... Principalmente para uma amazona.

— Como está a leitura, Diana? – Bruce fez uma pergunta trivial.

— Agradável. Mas eu sinto falta de agir como uma amazona. Claro que eu adoro essa experiência de maternidade, mas meu instinto de amazona está voltando a aparecer.

— Tenha um pouco mais de paciência, princesa. – ele sorriu gentilmente. – Você precisa se recuperar bem desse parto e o repouso é essencial. E, aos poucos, seus poderes podem voltar.

— Procurarei ser paciente, Bruce. Acredito que não será muito difícil essa espera. Afinal, a Dara é a recompensa por tudo isso.

— Isso é verdade.

Ele aproximou sua face da dela, olhando para aqueles encantadores olhos azuis que tanto o fascinaram. Ela fez o mesmo e, quando os lábios de ambos iriam se juntar para um beijo apaixonado do casal...

— MORCEGÃO! EU TAVA CERTO!

... Eis que o “pentelho-mor” da Liga dá as caras!

Primeira reação de Bruce Wayne à quebra do clima romântico de até então: Facepalm. Segunda reação: fazer menção de agarrar Wally pela gola da camiseta. Terceira reação: estacar ao lembrar que a pequena Dara estava nos braços do ruivo.

— POR QUE VOCÊ É TÃO INCONVENIENTE, WALLY?!

— O que foi que eu fiz desta vez, Morcegão? – o West perguntou com inocência.

Bruce não respondeu, pois sabia que falaria besteira. Precisava se acalmar. E no que Wally tinha razão?

— O que você disse pra afirmar que está certo? – Diana questionou com curiosidade.

— Foi sobre o vulto desta madrugada. Eu disse que tinha um sujeito circulando ali pelo lado de fora da mansão! A polícia de Gotham está à procura do “Robin Hood às avessas”.

— “Robin Hood às avessas”? – Bruce questionou com ar de estranhamento.

— É assim que a imprensa tá chamando o sujeito. O cara rouba dos ricos, mas não dá nada aos pobres. Só que ele não rouba nenhum pobre.

— Talvez o J’onn saiba alguma coisa a respeito. Precisamos evitar qualquer inconveniente, seja roubo ou barulho... E proteger Dara.

*

Madrugada. O horário preferido para farrear, amar, se divertir, ou, como a maioria gosta, de dormir. Mas, também, era o horário preferido dos criminosos para fazer suas atividades escusas e ilegais, mesmo com um vigilante como Batman em ação.

E, neste momento, ele e Flash estavam em alerta durante a madrugada. Bem despertos, bem acordados, bem atentos...

... Só que não.

— Uaaaaaahhhh...! Eu não deveria ter visto aquele filme tão tarde...!

— Shhhh!

— Desculpa, Morcegão...! – Flash cochichou.

— Fique atento. – Batman disse no mesmo tom. – Esse ladrão vai tentar aparecer por aqui e temos que descobrir como ele consegue burlar toda a segurança daqui da mansão. Além do mais, temos que pegá-lo sem fazer qualquer barulho.

— Tá bom, já sei. Tudo pra não acordar a Bebê-Maravilha, certo? Serei rápido e rasteiro.

— Seja rápido e discreto, é isso o que importa.

— Tranquilo, Morcegão!

Os dois heróis se esconderam nas sombras logo que ouviram a porta principal da mansão fazer um ruído. Iriam esperar o momento certo para pegar o ladrão com a boca na botija, após analisarem minuciosamente as imagens do circuito interno de TV da mansão.

O desafio agora era descobrir como o sujeito entrara e pegá-lo sem fazer barulho.

Notas finais
CONTINUA...