As aventuras de uma Princesa
5 CAPÍTULO 4
9h da manhã de uma Quinta-feira – Na sala de interrogatório do reino Élfico
Na manhã seguinte, os cavaleiros reais percorriam os arredores das vielas do castelo, atentos a cada sombra e rastro do que acontecera na noite anterior. Entre eles, à frente do grupo, caminhava o comandante da ordem, Sor Leonel Van Guard, cuja armadura prateada refletia a luz pálida da aurora. Ele se ajoelhou próximo às marcas no chão, passando a mão sobre a terra fria, enquanto murmúrios mágicos escapavam de seus lábios. Um brilho azulado percorreu o solo — rastros de mana corrompida dançavam brevemente no ar antes de se dissiparem.— Sor Leonel, aqui está à moça que testemunhou o ocorrido. — anunciou um dos elfos da guarda, trazendo consigo uma mulher de vestes simples, o rosto abatido e os olhos marcados pelo medo.
— Então é você quem encontrou o corpo durante a madrugada? — perguntou o cavaleiro, a voz firme, mas sem crueldade.
— S-sim, senhor... — respondeu ela, encolhendo os ombros. O peso dos olhares ao redor parecia esmagá-la; afinal, uma mulher vinda de um bordel raramente recebia algo além de desdém nas ruas da cidade élfica.
Leonel observou-a por um momento, em silêncio, antes de dar um leve aceno com a cabeça.
— Levem-na para o castelo, faremos o interrogatório apropriadamente.
— Sim, Sor Leonel. — respondeu o guarda, guiando a moça com cuidado.
Enquanto ela era escoltada, Leonel voltou o olhar ao local do crime — o ar pesado, as marcas no chão, o resquício de magia no vento. Algo ali não fazia sentido. Endireitou-se, lançou um último olhar à cena e, com o manto esvoaçando, seguiu em direção ao castelo, decidido a descobrir o que realmente se escondia por trás daquela morte.
[...]
Na residência dos Van Guard, situada próximo ao castelo, em uma das áreas mais nobres e vigiadas da cidade élfica, o som metálico de espadas ecoava pelo jardim. Lucios treinava com Constantino, cujo semblante tenso e postura desajeitada denunciavam o quanto aquele tipo de atividade o desesperava.
— Você não está se ajudando assim, Constantino! — reclamou Lucios, desviando com facilidade de mais um golpe torto.
— Eu não tenho culpa! — resmungou o outro, largando a espada. — Toda vez que eu vejo uma lâmina vindo na minha direção, eu travo! O que quer que eu faça?!
— Deixar de ser molenga seria um ótimo começo! — respondeu Lucios, exasperado, apontando o dedo para ele.
Constantino encolheu os ombros, prestes a chorar, o que fez Lucios suspirar e guardar a espada.
— Não faz essa cara. Você sabe que é verdade.
Uma criada apareceu com uma bandeja e serviu um prato de melancia recém-cortada. Lucios sentou-se à sombra, oferecendo uma fatia ao amigo.
— Pode perguntar logo, antes que eu perca a paciência — disse, antes mesmo que Constantino abrisse a boca.
— O que você achou daquele garoto mago? — começou ele, curioso. — Ele é... Diferente dos outros. Nem parece se intimidar com nada. Até a Jade ficou impressionada com ele.
Lucios ficou em silêncio por um instante, mastigando lentamente.
— Eu não gosto de admitir... — murmurou, com um olhar distante — mas aquele garoto tem algo estranho. É como se os olhos dele pudessem prever tudo. E a mana... É absurda.
— Sim, mas ele parece ser bom, não é? Quer dizer, ele nos protegeu.
Antes que Lucios respondesse, o som ritmado de passos e estandartes batendo contra o vento chamou a atenção de ambos. Soldados da guarda real marchavam pela rua, os emblemas de prata e azul brilhando sob o sol da manhã.
— Ei... Não é a guarda do seu tio? — perguntou Constantino, subindo desajeitadamente no galho de uma laranjeira.
— É sim... — respondeu Lucios, equilibrando-se com naturalidade em outro galho. — Mas por que estão escoltando uma mulher... E de fora, ainda por cima?
Os dois permaneceram ali, observando de cima da árvore enquanto os cavaleiros de Sor Leonel Van Guard passavam com uma mulher de roupas simples, cercada por elfos armados. O olhar de Lucios se estreitou — algo dizia que aquela manhã não seria comum.
[...]
Naquela manhã, Marnie estava encarregada de acordar a princesa — uma tarefa que, em dias normais, ela cumpria com rigor e disciplina. Mas nada estava normal desde a noite anterior. O ar do castelo parecia mais pesado, e os murmúrios entre as criadas corriam pelos corredores como ratos assustados. Marnie respirou fundo, encarando a porta do quarto da princesa.
Não.
Hoje não.
Seria melhor deixá-la dormir…
Talvez até o meio-dia, se fosse possível.
Ela se virou para as outras empregadas, o olhar firme e sombrio.
— Não importa o que aconteça, não deixem a princesa saber de nada, entenderam?
— Sim, governanta Marnie — responderam em coro, tensas.
Mas a calma não durou. Logo o som das passadas leves e sincronizadas de Masa e Mune ecoou pelo corredor. As gêmeas surgiram, Masa com o cabelo preso em um rabo de cavalo e Mune com os fios soltos, embora em contraste os uniformes de Mune estivessem impecáveis sempre os de sua irmã sempre estava amassado e desleixado, afinal, ela odiava passar roupa.
— Saber o quê, Marnie? — perguntou Masa, metendo-se no meio.
— É... O que está acontecendo? — completou Mune, franzindo a testa.
Marnie, no entanto, manteve o tom sereno, ainda que a tensão em sua expressão fosse impossível de esconder.
— Nada demais, meninas. Apenas um pequeno contratempo. Aliás, hoje não precisam se preocupar em levar a princesa para o treino. Ela está... Dispensada dos deveres do dia.
— O quê?! — reagiu Masa.
— Mas você sempre diz que ela tem que seguir a rotina. — Disse Mune.
— Exatamente, mesmo que chova ou neve! — Completou Masa.
— Sim… — respondeu Marnie, cortando a objeção antes que crescesse. — Mas hoje é diferente. Considerem isso... Uma folga real está bem? Agora, podem me ajudar com isto.
Ela colocou dois cestos de roupa pesada nas mãos das irmãs e acenou para que seguissem para a lavanderia.
As gêmeas se entreolharam, confusas — uma sensação incômoda de que algo muito errado estava sendo escondido delas. Mas, Mune ignorou isso e seguiu rumo à lavanderia. Enquanto Masa? Ergueu o olhar por cima do ombro para olhar Marnie sumindo pelo corredor com leve desconfiança.
— Masa! — Chamou Mune.
— Já estou indo! — completou a mesma, seguindo a irmã.
[...]
Sentada numa cadeira de madeira simples, a jovem elfa da noite anterior tremia levemente. As mãos inquietas repousavam sobre o colo, os olhos baixos e avermelhados, denunciando uma noite sem sono. O cheiro de madeira encerada e tinta velha tomava conta da pequena sala de interrogatório. Quando a porta se abriu, Sor Leonel Van Guard entrou com passos firmes — o manto negro e prateado ondulando com elegância, contrastando com o ar sombrio do lugar.
Ele sentou-se à frente dela, apoiando calmamente as luvas sobre a mesa.
— Então... — disse ele, a voz firme, mas serena — vamos começar pelo básico, jovem donzela. Qual o seu nome?
— Violeta... — respondeu ela, quase num sussurro acanhada.
Leonel esboçou um pequeno sorriso, tentando acalma-la.
— Violeta... Um nome belo. Condiz com você. — Então ele fez um sinal.
Um dos guardas ao ver o sinal do comandante serviu um copo d’água, que ela aceitou com um gesto trêmulo, respirando fundo.
— Pode me dizer, em detalhes, o que você viu ou ouviu? Já que foi a primeira a encontrar o corpo...
Violeta respirou fundo mais uma vez e soltou-o com calma.
— Eu... Não sei explicar ao certo. Foi tudo tão rápido...
— Calma. — disse ele notando o tique dos dedos dela, então ele cruzando os dedos sobre a mesa, falou tranquilamente. — Temos tempo. Conte sem pressa.
Ela assentiu, desviando o olhar enquanto ainda batia os dedos contra o copo de vidro o que Leonel observou, ela estava mesmo aterrorizada.
— Tudo começou quando eu desci para pegar mais vinho... Para um dos quartos do bordel onde trabalho. — As bochechas dela coraram levemente, e Leonel manteve-se impassível, como se não julgasse.
— Continue. — Disse ele maneando a cabeça em positivo lentamente.
— Quando eu estava pegando a garrafa, vi o carteiro pela janela... Ele descia a rua, reclamando de algo, acho. Aí... Ouvi um barulho forte, como se algo tivesse sido jogado no chão. Corri pra ver o que era; Pensei que fosse o guaxinim que vive mexendo no lixo do beco, mas... — a voz dela vacilou. — Ele estava lá, caído. Seco... Como se tivesse envelhecido em segundos.
O silêncio que se seguiu pareceu durar minutos.
Leonel observava atentamente cada palavra, cada tremor no tom dela.
— E você não viu mais nada?
— Não... Quer dizer, sim... Talvez. — Ela mordeu o lábio. — Quando o carteiro passou, eu acho que vi uma sombra atrás dele... Pela janela. Era como um vulto... Algo que se movia rápido demais.
— Uma sombra...? — Leonel inclinou-se ligeiramente, um pouco interessado naquele detalhe. — Consegue descrever?
Ela negou com a cabeça.
— Foi só um instante... Parecia viva, mas não tinha forma.
Leonel assentiu, sem esboçar emoção.
Fez sinal aos guardas para que abrissem a porta.
— Está bem, Lady Violeta. Você ajudou mais do que imagina.
Ele se levantou, contornou a mesa e estendeu a mão para ajudá-la a se pôr de pé.
— Obrigada... — murmurou ela, ainda corada quando ele beijou sua palma num gesto de cortesia militar.
— E lembre-se, — disse ele com um olhar que misturava gentileza e autoridade — Não comente o que viu com ninguém.
Ela assentiu em silêncio, sentindo as bochechas arderem.
— P-Pode deixar, Sor Leonel...
Quando foi escoltada para fora, o eco das botas de Leonel soou novamente na sala vazia e, por um instante, ele ficou parado, olhando para o copo d’água vazio, pensativo.: “Uma sombra sem forma...”
[...]
Jade dormia profundamente, espalhada na cama como um pequeno tornado loiro, quando um raio de sol atrevido atravessou as cortinas e iluminou seu rosto babado em meio a roncos designados. Foi então que se remexendo ela resmungou, virou para o lado, mas logo abriu um dos olhos inchados, percebendo que o quarto estava silencioso demais. Espreguiçou-se com um bocejo digno de um urso (Sempre um urso, haha), os cabelos desgrenhados apontando para todas as direções.
— Hã...? — murmurou, coçando os olhos. — Já tá de dia? Por que a Marnie não me acordou?
Cambaleou até a janela, arrastando o cobertor, e puxou as cortinas num movimento sonolento. O vento fresco entrou, bagunçando ainda mais seu cabelo que mais parecia um ninho de rato e ela piscou contra a claridade.
— Ué... Não me acordaram hoje? — disse meio confusa.
Uma voz calma e levemente irônica soou do nada:
— Pra uma princesa, você definitivamente não acorda como nos contos de fadas.
Jade congelou. Por um instante, pensou que ainda estava sonhando. Depois, com o pescoço travado, ergueu o olhar para o lado de fora da janela… e viu Matthew, FLUTUANDO, pernas cruzadas no ar, com a expressão mais blasé do mundo.
Ela piscou uma, duas vezes.
— ...
— Hm? — ele tombou a cabeça devagar.
O silêncio durou meio segundo antes de ela dar um grito que ecoou por todo o quarto:
— AAAAAAAAAAAAAAH! SAI FORA, PERVERTIDO!
Matthew arqueou uma sobrancelha, recuando um pouco no ar enquanto ela puxava as cortinas desesperadamente, tropeçando no próprio cobertor.
— Eu só vim avisar que o café tá pronto, já que sua babá me pediu...
Falou, impassível, enquanto o pano da cortina quase voava na cara dele.
— Mas tudo bem, parece que você tá... Ocupada.
— EU TÔ DE CAMISOLA, SEU DEMÔNIO DE TÚNICA! — gritou ela de trás das cortinas, vermelha de vergonha.
Ele soltou um suspiro resignado enquanto dava de ombros.
— Princesas... Sempre tão dramáticas. — murmurou, descendo lentamente de volta para o salão de jantar enquanto o vento mágico dispersava.
Do outro lado da cortina, Jade respirava ofegante, segurando um travesseiro como arma.
— Eu juro, da próxima vez eu jogo um vaso na cabeça dele...
[...]
Quando Jade finalmente desceu para o café da manhã, o aroma de pão quente e frutas frescas a recebeu — junto com uma cena que quase a fez voltar para o quarto. Matthew estava sentado à mesa real, elegante e composto, tomando café como se fosse o dono do castelo.
— Bom dia, querida — disse a rainha Lena, sorrindo com serenidade.
— Demorou, hein? — comentou Matthew.
O sangue subiu à cabeça de Jade instantaneamente. Se olhares matassem, o castelo teria acabado de perder um hóspede.
— Bom dia pra você também... — respondeu ela, tentando conter o tom ácido.
— Pedi para Marnie não lhe acordar hoje — explicou o rei Jason, sorrindo enquanto passava mel na torrada. — Achei que merecia descansar um pouco depois de ontem.
“Ontem”, no caso, significava a confusão com o urso.
— Ah, então foi por isso... — disse ela, servindo-se de suco. — Entendi agora.
— E o que planejam fazer hoje? — perguntou a rainha, delicadamente.
— Perdão...? — Jade piscou, confusa.
— Você e o Matthew — repetiu Lena, com um sorriso tranquilo. — Ele comentou que gostaria de conhecer melhor o castelo, e achei que seria bom você acompanhá-lo.
— Ele insistiu tanto... — completou o rei, tentando conter uma risada.
Jade virou-se para encarar Matthew, que apenas sustentou o olhar com um meio sorriso preguiçoso, o tipo que fazia parecer que ele já tinha ganho a discussão sem precisar abrir a boca.
— Nossa, não sei... — murmurou ela, forçando um sorriso. — O que poderíamos fazer?
— É uma boa oportunidade para aprender um pouco mais sobre magia — sugeriu a rainha.
— Exatamente, querida — reforçou o rei.
— Mas pai... — protestou Jade. — Eu sei usar magia.
Matthew bebeu um gole do café e disse com a calma de quem provocava de propósito:
— Com certeza sabe, alteza.
Jade quase jogou uma xícara na cabeça dele.
Antes que ela pudesse retrucar, os portões da sala se abriram e os cavaleiros reais entraram. À frente, vinha Sor Leonel Van Guard, com o semblante sério. Ele se curvou diante do rei e da rainha.
— Majestades, esperamos por vossas graças...
O rei e a rainha trocaram um olhar.
— Entendido — respondeu Jason, levantando-se.
— Precisamos ir, querida — disse ele, dando um leve sorriso para a filha. — Divirta-se com nosso convidado.
A rainha se aproximou, beijou a testa de Jade e sussurrou:
— Não faça nenhuma bagunça.
Assim que os dois saíram, o silêncio reinou na sala. Matthew ficou olhando para o reflexo no café dentro da xícara, o líquido tremendo levemente.
— O que foi? — perguntou Jade.
Ele levantou os olhos, sérios desta vez.
— Falta de açúcar. — Disse ele, deixando Jade, levemente confusa.
[...]
Masa e Mune estavam quase terminando de lavar as últimas peças, o som da água e do sabão se misturando ao murmúrio abafado das outras empregadas. Elas estavam escondidas atrás da pilha de lençóis quando ouviram duas das criadas mais velhas cochichando, sem notar as irmãs ali.
— Você ouviu isso? — murmurou uma, a voz trêmula.
— Ouvi... — respondeu a outra, baixando ainda mais o tom. — Disseram que trouxeram uma testemunha ocular para o interrogatório.
O barulho da água parou.
Mune e Masa se entreolharam em silêncio.
— Acha que tem a ver com... O que aconteceu ontem à noite? — insistiu a mais nova das criadas, roendo a unha.
— Com certeza. — A mais velha suspirou pesado. — Encontraram o corpo do velho carteiro. Dizem que estava... Seco. Completamente seco, como se tivessem sugado toda a mana dele...
Mune engoliu em seco, mas manteve o semblante firme. Já Masa, por outro lado, empalideceu. Os panos escorregaram de suas mãos e caíram na água, encharcando-se lentamente.
— Que horror... — continuou uma das criadas. — Disseram que não há marcas, nem sinais de luta. O que quer que tenha feito isso... É algo que nem os cavaleiros querem mencionar.
— Shhh! — a outra a interrompeu. — Não fale alto! Estão tratando como um homicídio comum, pra não espalhar o pânico.
As duas senhoras se afastaram cochichando, sem perceber que atrás dos lençóis, Masa tremia.
— Então... Ele... Morreu...? — sussurrou ela, a voz embargada, o olhar perdido.
Mune olhou a irmã, Masa estava completamente imóvel.
[...]
A cozinha estava silenciosa, tomada apenas pelo estalar suave da massa dourando na frigideira. Marnie mexia as panquecas com calma, o olhar cansado perdido no nada — um raro momento de paz naquela casa sempre tão barulhenta. Mas, ao levantar o olhar e encarar pela janela o caminho de cascalho onde o velho carteiro costumava aparecer todas as manhãs, algo apertou em seu peito.
O vapor da frigideira subiu, e no meio da fumaça, ela quase pôde ver a cena outra vez: a porta do castelo se abrindo, o carteiro parado sob a chuva, o rosto abatido e o casaco encharcado.
“— Marnie... por favor, cuide delas...”
As palavras ecoaram como um sussurro antigo.
“— Elas são filhas do seu filho... e da minha filha. As únicas que restaram depois do incêndio... Eu... não posso cuidar delas.”
Marnie apertou a espátula, o barulho da massa queimando a tirou do transe.
— Aquele velho...
Ela murmurou a voz trêmula entre o sarcasmo e o pranto.
Uma única lágrima escapou, escorrendo por sua bochecha enrugada e caindo na massa quente. O cheiro doce das panquecas se misturou à lembrança amarga do passado — a casa em chamas, o choro dos bebês, o desespero do filho e da dançarina errante filha daquele maldito carteiro que tomou o coração de seu único filho.
Ela respirou fundo, limpou o rosto com o avental e virou a última panqueca com firmeza, assim que ouviu o grito da princesa.
— Marnie! Minhas panquecas!
— Já estou indo, princesa!
E então a cozinha finalmente ficou totalmente sem ninguém, pela primeira vez em muitos dias.
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