As aventuras de uma Princesa
6 CAPÍTULO 5
O sol da manhã se espalhava pelos varais do castelo, fazendo as roupas balançarem como bandeiras cansadas. Masa pendurava lençóis com movimentos lentos — o rosto sereno, mas os olhos marejados. Desde cedo, o pátio parecia mais silencioso, como se até o vento tivesse parado em respeito ao velho carteiro.
Ela suspirou, o coração apertado. Não sabia que ele era seu parente — Marnie nunca contara —, mas a ausência dele doía mesmo assim. Afinal, por anos ele fora o primeiro rosto que via todas as manhãs, depois de Mune.
Lembrou-se do primeiro encontro, e o canto da boca se curvou em um sorriso triste.
“— Uma pirralha tão pequena… o que Marnie tem na cabeça?”
Ele dissera isso com aquele tom áspero, franzindo o cenho como se tivesse engolido limão.
E ela, com a insolência inocente de quem ainda acreditava que o mundo era leve, respondeu:
“— Nossa, como você é rabugento! Que tal sorrir mais um pouco?”
O velho resmungou tanto que parecia prestes a explodir — mas, no fundo, Masa jurava que às vezes via o canto da boca dele se mexer, como se tentasse esconder um sorriso.
Por anos foi assim: ele resmungando, ela provocando. Até o dia em que Caramelo, o cãozinho de temperamento infernal e dentes de agulha, entrou na história.
“— MASA! TIRE ESSE CÃO JÁ DE CIMA DE MIM! ELE VAI ARRANCAR MINHAS NÁDEGAS!”
E lá estava ela, rindo e gritando “Ele só quer brincar!”, enquanto o carteiro corria em círculos com Caramelo agarrado às calças.
Era quase um ritual — um espetáculo diário de caos e gargalhadas que durou seis anos inteiros.
Agora, o varal estava quieto. Só o farfalhar das roupas e o bater suave das asas dos pássaros. Caramelo, deitado ao lado dela, ergueu o focinho e soltou um som baixinho, quase um lamento. Masa se abaixou, pegou o cãozinho nos braços e o apertou contra o peito, chorando baixinho no pelo dele.
— Isso é tão injusto… — murmurou, a voz embargada.
Caramelo lambeu o rosto dela, fungando de volta, como se também tentasse se segurar. Foi então que ela viu alguns soldados do lado de fora, escoltando uma mulher de volta à cidade.
Masa esfregou os olhos na tentativa de enxergar melhor, e lembrou-se do que uma das elfas da lavanderia havia deixado escapar:
“— Disseram que trouxeram uma testemunha ocular para o interrogatório.”
— A testemunha... — sussurrou Masa, soltando Caramelo no chão e dando alguns passos para ver melhor. O vento soprou a barra da sua saia, e ela cerrou os olhos, intrigada.
[...]
12h da Tarde – No Bordel Cálice Carmesim
O Cálice Carmesim exalava um perfume enjoativo de incenso e vinho barato. Cortinas de veludo escarlate tentavam esconder o cheiro de pó e pecado, enquanto as lamparinas lançavam sombras dançantes nas paredes cobertas de quadros de dançarinas élficas — eternas sensuais e um tanto tristes mesmo sorrindo, algo notável só em seus olhos que era escondido dos leigos.
No centro da sala, recostada como uma rainha decadente em sua poltrona de veludo, estava Jasmin — gerente, cortesã e tirana por natureza. Abanava-se preguiçosamente com um leque de plumas, o colo farto reluzindo à luz morna do lugar. Quando Violeta entrou, pálida e abatida, Jasmin ergueu uma sobrancelha arqueada e sorriu como uma gata que acabara de ver um rato hesitar na porta.
— Ora, ora... Se não é a moça do palácio! — disse, batendo o leque na palma da mão. — Então, me conte, minha flor... O que o bonitão de armadura te perguntou?
— Boa tarde pra você também, Jasmin... — respondeu Violeta, já cansada.
— Nada de boa tarde! Quero detalhes! — Jasmin pulou da poltrona com um riso insinuante, o quadril rebolando naturalmente. — Ele te olhou nos olhos? Te chamou de “minha dama”? Ou será que, depois do interrogatório, você ofereceu... Serviços diplomáticos?
— Jasmin! — exclamou Violeta, corando até as orelhas. — Como pode ser tão nojenta?!
— Oh, querida... Isso foi um elogio. — Jasmin piscou e deu um passo à frente, inclinando-se perigosamente perto. — E você está vermelha demais pra negar.
— Eu só fui interrogada! Não aconteceu nada!
— É o que todas dizem — murmurou Jasmin, rodando o leque entre os dedos. — E depois viram badalações em taverna.
Violeta bufou, cruzando os braços. Jasmin aproximou-se mais, o perfume dela misturando-se ao cheiro do vinho.
— E, falando em histórias, lembre-se, meu doce inocente: você ainda é minha agregada. Eu só deixei você depor porque achei que podia conquistar uns cavaleiros pra clientela. Esses elfos da cidade estão cada vez mais pobres pela seca, e os soldados... Ah, esses pagam muito bem pra por uma noite.
— Você só pensa em dinheiro? Um homem morreu! — retrucou Violeta.
— E daí? — disse Jasmin, erguendo os ombros e fazendo o decote balançar de propósito. — Não fui eu quem morreu, nem quem matou. Que culpa eu tenho?
— Jasmin! Era o carteiro! Um velho bondoso... Ninguém merece morrer daquele jeito!
— Bondoso? — ela riu, abanando-se outra vez. — Bondade não paga contas, minha flor.
Violeta revirou os olhos, exasperada.
— Você não tem um pingo de empatia.
— Empatia? — Jasmin riu de um jeito quase musical. — Querida, eu troquei empatia por cílios postiços e um bom decote faz uns vinte anos.
Ela virou-se bruscamente, e o movimento quase libertou seus seios da roupa — um gesto tão automático que parecia coreografado.
— Agora, chega de drama. Vá se trocar, tenho um trabalhinho pra você.
— Trabalhinho? — Violeta estreitou o olhar. — Que tipo de trabalhinho?
— Matar um idoso numa viela... — Ela deu língua revirando os olhos.
— Jasmin! — Violeta gritou, fazendo ela erguer os braços em rendição.
— Nossa, você não tem senso de humor! Não é nada demais. — Jasmin sorriu como quem guarda um segredo sujo. — Só preciso que vá até os artesanatos da cidade e traga uns enfeites novos. Quero flores, fitas, algo bem... chamativo. Assim, todos que passarem verão de camarote o cenário do crime. Um espetáculo ao vivo, com elfas rebolando entre peitos e velas perfumadas!
Violeta suspirou, derrotada.
— É demais pensar que você tem um pingo de moral, você é uma elfa desprezível de carteirinha... — Violeta esfregou os cantos dos olhos com o indicador e o polegar.
— Oh, um elogio? Muito obrigada. — respondeu Jasmin com um ar teatral, inclinando-se num cumprimento debochado. — Eu me esforço pra isso todos os dias.
[...]
Enquanto caminhavam pelos corredores silenciosos do castelo, Jade guiava Matthew, explicando cada detalhe e história das salas e quadros, com um tom levemente provocativo.
— Entendeu? — disse ela, apontando para um quadro antigo. — Esse foi presente para meu bisavô, como símbolo de paz entre povo-fera e elfos.
Matthew, porém, inclinava-se sobre uma estátua, estudando cada detalhe com curiosidade, ignorando parcialmente o que ela falava.
— Ah, você gostou? — perguntou ela assim que notou que ele havia achado outra coisa interessante, cruzando os braços. — Representa a irmandade dos elfos, bem legal, né?
— Irmandade? — arqueou Matthew, sem desviar os olhos da estátua.
— Sim. Quando um elfo cria um laço com alguém, a lealdade se torna o tesouro mais precioso que existe. Um elfo que ama alguém… iria até o inferno para trazê-la de volta.
— Isso não é um pouco… exagerado? Parece obsessivo demais... — disse ele, levantando uma sobrancelha. — Por que alguém faria isso?
— Você nunca vai entender — Jade murmurou, aproximando-se, encostando-se de leve em seu braço com um sorriso maroto. — Tão “esperto”, mas incapaz de sentir o que os outros sentem. Por isso você é tão… tedioso.
— Eu sou racional, não emocional… — respondeu Matthew, tentando se afastar do rumo daquela conversa, mas Jade sussurrou espremendo os lábios em desdém:
— Racional até demais, chega a ser irritante…
Ele se desviou dela, caminhando até outro quadro que retratava sua mãe, a Rainha Marylin. Jade o seguiu, inclinando-se casualmente para examinar o mesmo quadro, os cabelos caindo sobre o ombro em tranças.
— Esse quadro é lindo… — disse ela, baixando o tom. — Representa a Árvore da Magia. Usaram sua mãe como base, sabia?
Matthew abriu a boca para corrigir sobre o nome da árvore, mas desistiu antes mesmo de tentar, assim que ouviu a pergunta de Jade que olhava para o retrato de Marylin:
— Ela é assim? A Árvore? — inclinando-se ainda mais perto do quadro, enquanto Matthew ao seu lado cruzou os braços e olhou a pintura semicerrando os olhos, enquanto apertava o antebraço.
— Não…
[...]
14h da Tarde – Na ala comercial da cidade de Finwëon
Violeta, embora não desejasse perambular pela cidade enquanto um ser desconhecido drenava mana e deixava corpos ressequidos como folhas de outono, não tivera escolha. Jasmin, como sempre, permanecera impassível. Assim, a cortesã dirigiu-se à ala dos artesanatos — o coração da estética élfica.
O lugar fervilhava de cores e perfumes dignos da nobreza. Entre tapeçarias cintilantes e esculturas mágicas que pareciam respirar luz, havia mãos rápidas e sorrisos falsos — vigaristas prontos para arrancar alguns denários de tolos desavisados, sempre com a promessa de conduzi-los a alguma viela.
Mas Jasmin tinha gosto exigente. Recusava-se a enfeitar o bordel com bugigangas baratas; mesmo que o local ainda não tivesse o brilho das casas de prazer renomadas, ela queria mais: elevar o espaço, transformá-lo em um templo do desejo refinado, algo que chamasse atenção a todo custo.
Violeta caminhou por longos minutos, o som dos saltos ecoando nas pedras claras da rua, até que parou diante de uma vitrine que lhe fez erguer uma sobrancelha.
“Artesanatos e Artesanais dos Constantinopla.”
Um sorriso breve curvou seus lábios. Jasmin, com seu olhar estético e implacável, certamente aprovaria qualquer obra daquela loja. Os Constantinopla eram os melhores artesãos do reino élfico — uma obra deles equivalia a uma Mona Lisa.
Ao empurrar a porta, o sininho anunciou sua entrada com um som suave.
— Com licença… — murmurou, a voz levemente rouca, arrastada.
O interior da loja exalava madeira polida, tecidos finos e argila branca da mais alta qualidade. Do outro lado do balcão, uma cortina se moveu, e fios prateados de brilho quase etéreo dançaram no ar antes que uma figura surgisse entre caixas empilhadas.
— Oh! Só um momento!
Foi então que Constantino apareceu, ajeitando cuidadosamente sobre o balcão as caixas de uma encomenda destinada ao palácio. Em seguida, pousou a mão sobre o peito num gesto refinado de boas-vindas.
— Bem-vinda à nossa loja. Em que posso ajudar?
Violeta inclinou a cabeça, intrigada. A voz era doce e sutil, mas o rosto lembrava o de uma garota — ou um garoto. Ela não soube ao certo, mas os olhos semicerrados e o sorriso que derretia corações — e carteiras — chamaram sua atenção.
— Preciso de algumas fitas e decorações — respondeu, percorrendo o ambiente com o olhar, tentando não se deixar encantar pelo pequeno elfo.
Constantino finalmente ergueu o rosto. Por um instante, os olhos lilases se arregalaram, reconhecendo-a.
— Você…
— Hm? — Violeta arqueou a sobrancelha. — Preciso de algumas fitas. Você vende aqui? — Um sorriso discreto se formou em seus lábios.
O garoto corou, desviando o olhar para não ser descortês.
— Aah, sim! Temos sim! — murmurou, puxando de uma caixa próxima uma fita dourada.
— Hm… — Violeta sorriu. — Parece de ótima qualidade. Quanto custa?
— Dois denários élficos de prata! — disse Constantino, radiante.
Violeta arregalou os olhos. Era mais do que o bordel recebia em uma noite. Geralmente, ganhavam até vinte Ás élficos, o equivalente a cerca de dois denários de prata.
— Dois…? — quase deixou cair a fita. — Isso é o preço de um pecado com jantar incluído!
Constantino piscou, confuso.
— Quer dizer… — Violeta disfarçou, continuando. — Não gostei. Tem outra? Algo mais acessível, algo que custe até um denário?
O pequeno elfo fechou os olhos, sorriu e assentiu.
— É claro! Mas o tecido é um pouco inferior… — disse, pegando fitas menos refinadas. — Essas custam nove Ás. Velhas, mas cheias de personalidade!
— Perfeitas — declarou Violeta, triunfante. — Levarei todas.
Constantino empacotou as fitas com delicadeza quase coreográfica, entregando a sacola com um sorriso tímido e acenando quando ela saiu. Assim que a porta se fechou parcialmente, sua mãe, a senhora Constance, surgiu dos fundos, equilibrando vasos de cristal.
— Quem era aquela, Constantino?
— Uma cliente, mamãe.
— Cliente? — Constance franziu o nariz. — Com aquele broche do Bordel Carmesim? — O nome soava como uma maldição. — Espero que não tenha dado desconto!
— N-não, mamãe… — murmurou, desviando o olhar, corado.
Constance pousou o vaso com força suficiente para que um cristal tilintasse.
— Uma pena que nossa arte vá decorar um antro desses. Mas o mundo precisa de beleza, até no pecado.
Constantino apenas assentiu, aflito: “O que é um Bordel Carmesim? Será que é aquela moça que eu e Lucios vimos mais cedo?”
— Bem, agora você pode ir entregar a encomenda no castelo. — Constance ajeitou a franja dele com carinho. — Pode ser para Marnie… ou uma das gêmeas. Mas nada de perambular na volta.
— Tá bem, mamãe.
Constance deu um beijo na testa do filho, e logo ele partiu carregando as encomendas em direção ao castelo.
[...]
Lucios caminhava pelos corredores do castelo, tentando parecer casual, mas sua curiosidade estava corroendo cada passo. Ele sabia que não podia fazer nada sobre o que vira mais cedo, mas a imagem daquela elfa escoltada não saía da mente.
“Por que uma elfa comum foi trazida daquele jeito?” murmurava, franzindo a testa e tropeçando levemente na própria capa.
De repente, ele parou e se escondeu atrás de uma coluna, de maneira dramática, quase derrubando um candelabro com o cotovelo. Nem ele sabia por que seu corpo reagira assim, mas o instinto de espionagem parecia mais forte que sua sanidade. Seus olhos semicerraram-se ao ver Jade e Matthew conversando. O garoto mago desviou-se dela e caminhou em direção a um quadro onde uma mulher estava diante de uma árvore reluzente. Jade inclinou-se casualmente para examinar o mesmo quadro, as tranças dela caindo pelo ombro, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Lucios apertou as escoras da parede, sentindo cada músculo do corpo tenso.
“O que eles estão fazendo? Eu jurava que aquela lesma também o detestava! Compactuando com o inimigo?” pensava, os dentes cerrados.
Quando Jade e Matthew se afastaram, ele respirou fundo, tentando controlar a vontade de ir atrás deles — até que uma voz sussurrou perto de seu ouvido:
— Espiar é muito feio, sabia?
Lucios deu um salto tão grande que quase caiu para trás, a mão batendo no peito como se tivesse visto um fantasma. Virou-se devagar e encontrou Mune de braços cruzados, segurando o riso.
— Quem diria que o rival da princesa daria uma de admirador secreto...
Disse Mune, segurando a risada, enquanto Lucios se erguia irritadiço.
— Tá de sacanagem?! — rosnou Lucios, vermelho de vergonha.
— Calma, não contarei nadinha...
— Tem nada melhor pra fazer, não? — resmungou Lucios, ainda tentando se equilibrar. — Vai lavar uma trouxa de roupa suja, Mune!
— Nossa, ele ficou revoltado.
— Inferno... — Resmungou ele.
Então, Mune começou a caminhar seguindo a princesa e Matthew.
— Estou indo chamar a princesa se quiser vim comigo…
Lucios revirou os olhos e bufou, caminhando atrás dela, ele podia ouvir os risos abafados de Mune, mas ignorou totalmente.
[...]
18h da Tarde – Na entrada do Palácio Élfico
Constantino subia, a caixa da encomenda pesando em suas mãos, mas algo muito mais denso pairava no ar. No alto, ele a avistou: Masa. Não estava radiante como de costume; estava sentada, uma estátua de desalento, o olhar ligeiramente esvaziado.
— Masa? Tá tudo bem? — A voz de Constantino soou alta demais no vazio, quase um eco irritante. Ele se aproximou, o passo cauteloso com a encomenda em mãos.
— Não muito… — A palavra arrastou-se como um lamento, um suspiro longo demais saindo como uma sensação de desesperança, enquanto ela se levantava e dava um passo hesitante. — Meu amigo… o senhor carteiro… morreu. E eu não faço ideia do que aconteceu…
Um arrepio frio e pontiagudo perfurou a espinha de Constantino. Ele estendeu a caixa, mais para se livrar do objeto do que para entregá-lo.
— Ah… sinto muito
“Então… isso significa que aquela mulher… esteve perto de um assassinato?! Que medo!” pensou ele, quase engolindo em seco.
— Constantino? Você tá bem?
O som da voz de Masa o trouxe de volta. Ele piscou, frenético, sentindo o rosto paralisado. Estava óbvio: seu nervosismo era palpável. Ele balançou a cabeça com força, quase um tique.
— Estou sim… só pensei demais… — murmurou ele, ainda desviando o olhar.
— Você tá estranho hoje… — disse ela, franzindo a testa.
O momento era desastroso, mas a pergunta estava engasgada em sua garganta, uma necessidade urgente de validação, de dividir o peso daquele pensamento com alguém.
— Olha… não sei se é o momento certo, mas… você viu a mulher sendo escoltada hoje cedo? — a pergunta escapou antes que pudesse recuar.
O silêncio que se seguiu não era apenas a ausência de som; era uma força física. O vento, frio e súbito, brincou com os fios de cabelo de ambos, e por um instante distorcido, o mundo pareceu parar. Seus olhares se encontraram, Eles seguraram a lateral da caixa juntos, uma só superfície de madeira, o único ponto fixo, como se aquela madeira os mantivesse firmes no silêncio tenso entre eles.
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