Notas iniciais
OLHA A BEATA FALSA VOLTANDO AI GENTE Esse capitulo ta mais pra uma retrospectiva da Boreal do que aconteceu depois de 1 mês vivendo nesse passado distorcido enfim, boa leitura funebre ♥

Se passou 1 mês desde que chegamos.

Depois de todos os traumas que passei assim que cheguei, eu senti uma necessidade grande de aprender a lidar com isso tudo.

Não temos mais receptor, não temos mais como fugir, e o pior, temos 3 loucos na nossa cola.

Literalmente, não tínhamos, mas o que fazer além de sobreviver até achar uma saída pra essa situação.

Eu fui negligente quanto ao diário, mas não acho que faz tanta diferença no momento atual.

Hoje, após tanto tempo, sentei pra escrever.

Muita coisa aconteceu em 1 mês, e estou com bastante experiencia já.

Armins, meus pais, Nathaniel, Ambre e todos os outros estão mais experientes também.

Na realidade é bem estranho ver os pais de meus amigos no nosso grupo, mas ele são de grande ajuda.

Arnaud praticamente não desgruda do Daniel.

E acho que os Armin aceitaram isso tão de boa por Daniel ser o único Armin que nunca teve pai nem mãe.

Acho que Arnaud e Vitoria sentiram essa necessidade de dar algum amor pro menino sabe?

Nesse período eu e Iris nos tornamos MUITO próximas, de forma que nunca fui nem na minha linha sequer.

Ela continua um doce, e muito astuta.

Espero que consigamos dar a devida liberdade a ela das garras do Lysandre…Ela realmente não suporta a ideia de ser casada com o irmão, com motivos de sobra né…

E é muito fofa a relação dela com o Ken pra falar a verdade, adoro ver os dois interagindo.

O que faz bater uma tristeza quanto ao Armin, já que enquanto o Ken é um docinho, o Armin é um troglodita…

Mas o que posso fazer? Eu gosto dele desse jeito, vamos ser realista Boreal. Se ele fosse levemente diferente, não seria ele.

Eu e Armin tivemos algumas complicações no nosso relacionamento esse mês, e isso foi um dos pontos que me desanimou muito pra fazer coisas superficiais como escrever.

Agora que estamos melhor, eu consegui escrever.

Ele está muito amigo do Ken, muito mesmo, lembra os velhos tempos.

Bem, que tal eu dar uma mega resumida nos acontecimentos do mês?

O grupo do Ken tem o foco derrubar o governo.

Eles querem conseguir tirar o Lysandre do poder de alguma forma, Ken é literalmente o cabeça.

Existem vários subgrupos espalhados pela França baseados no grupo do Ken, mas o Ken quem deu origem a esses rebeldes e ele é respeitado pelos demais grupos, mesmo por pessoas que não o conhecem.

Dentro desses grupos criou-se um sub grupo secreto feito especificamente pelo Ken, somente com pessoas de sua confiança que seu objetivo é me proteger.

Esse grupo sabe que o Lysandre e os outros dois me querem e sabem da minha importância e estão dispostos a ajudarem no que for.

Esse é o grupo do qual eu e meus amigos fazemos parte.

Esse grupo se chama Hórus. Eles são os responsáveis por espalhar marcas de olho de horus por onde passam e são o único grupo que sabem meus segredos.

Todos os demais subgrupos sabem que esse grupo tem uma missão importante e estão sempre dando suporte no que precisamos, mas sem saber a verdade, apenas sabem que sou importante, mas não sabem quem sou eu.

É bem estranho o nível de importância que estão me dando, e confesso que é desconfortável.

Eu não sirvo pra esse tipo de coisa, liderança, fama, sabe, importância.

Mas enfim, mesmo dentro do grupo todos são separados por funções.

Ken geralmente pega somente gente de confiança, mas, ao mesmo tempo, ele testa todas essas pessoas.

Podemos dizer que quem manda é o Ken, mas o Daniel está logo abaixo.

E o Armin se aproveita de sua aparência pra mandar e desmandar no grupo também (inclusive pra coisas bem supérfluas feito pedir pra PEGAREM O CONTROLE REMOTO)

Iris, mesmo sem fazer parte, é peça importante e bem respeitada no grupo, exceto por um membro do grupo Horus: Melody.

Melody não consegue se bicar com a Iris de jeito nenhum, e ela insiste que a Iris vai nos apunhalar alguma hora.

Sim, a Melody faz parte do nosso grupo, junto com sua namorada… A PRIYA.

Pois é, como as coisas mudaram não é mesmo?

De fanática por Nathaniel para namorada da Priya.

Bem que me lembro da festa do pijama que ela deu assim que cheguei em Sweet Amoris dando polêmica da beata que beijou a Rosalya.

Quem diria, não era só um momento aleatório, não é mesmo? Ou será que era e só essa Melody é lésbica?

De qualquer forma, aprendi a gostar dessa Melody também.

Ela se mostrou uma pessoa incrível, e confesso, eu to shippando bastante ela e a Priya.

Melody é responsável por cuidar das coisas mais burocráticas como na época do colégio, é como se ela fosse a representante da turma ou algo assim, mas no caso, ao invés de ser algo de colégio, é um grupo de oposição ao governo.

Priya geralmente auxilia ela, e como ela é grande comunicadora, ela faz o papel de porta-voz do grupo. Diferente do Ken que é todo espevitado e rebelde, ela se mantém diplomática, e devido a sua postura consegue fechar acordos com várias pessoas e dar entrevistas incríveis! Assim convencendo até mesmo alguns dos mais velhos que amam tanto o Lysandre pra pararem pra pensar como ela pode estar certa.

Lembro bem que quando as conheci, eu fiquei assustada com a relação das duas devido à semelhança da interação delas se assemelharem as minhas interações com o Armin.

Priya fica provocando a Melody o tempo todo, e Melody fica reclamando com ela sem parar.

Olhar pras duas interagindo chega a me fazer pensar se não teria sido melhor pro Armin ficar com a Priya ao invés de mim… Menos dor de cabeça, uma sincronia talvez até maior e fora que ele não ia precisar “doutrinar” ela como ele fez comigo…

Sem contar que o que ouvi ele conversando com o Nathaniel me fez muito ficar com essa pulga atrás da orelha, sabe?

Eu estou soltando um monte de informação solta e no fim não falo nada com nada, vamos começar a resumir esse mês né mesmo?

O Ken nos deixou meio que no stand by depois da confusão com o Armin do passado fugindo com o receptor.

Mas eu não queria ficar no aguardo de algo acontecer, e já fui em cima dele pedindo treino.

“Ken, eu não posso ficar parada. As linhas estão se desfazendo, o receptor foi roubado, e eles estão atrás de mim, a única que consegue abrir portais até o momento…” eu excluo completamente minha mãe da equação, afinal, em uma conversa com o Armin e o Nath chegamos a conclusão de que minha mãe só consegue potencializar comigo perto, mas por algum motivo, só usando a mim que a diretora conseguiu trazer o Nathaniel e abrir aquele portal, com minha mãe sozinha em minha linha original ela falhou, logo, deixa claro que é algo COMIGO ESPECIFICAMENTE.

“Não seria melhor ficar parada um tempo até sei lá, a poeira abaixar?” Ken falava genuinamente preocupado com meu psicológico.

“Quanto mais tempo perdemos, mais riscos corremos Ken. Nós precisamos agir…” Respondi.

“OK… Vai precisar fortalecer esse psicológico aí, já viu que tem muita atrocidade pela frente né?” ele ria.

Como se tivesse motivo pra rir… Deve ser tão fácil pra ele, já passou por isso que ele só consegue agir normalmente.

“Bem, não é como se tivesse MUITA coisa pra fazer, sabe? É mais… viver normalmente. Pra vocês é um treino, pra gente é só nosso cotidiano.” Ele tinha um ponto.

“Pois nos leve em suas missões, em seus protestos, nos mostre seu mundo, como enfrenta os líderes desse país.” pude ouvir o Nathaniel falando e se aproximando.

Ele é lindo, loiro, mas confesso que o cabelo preto ficou muito bem nele.

“Posso pintar o cabelo também?” Perguntei sem mais nem menos.

“Pode ué. O cabelo é teu.”Ken ria.

“Bom dia Boreal. Por que quer pintar o cabelo do nada?” Nath perguntou.

“Não é óbvio? Quantas pessoas conhecemos de cabelos platinados por aí. Sei que tem rebeldes por aí, especialmente nessa linha que estamos, mas pensa comigo, eu sou o alvo deles, e esse cabelo é quase que um holofote pra me olharem. Se juntarem A + B já vão notar que sou o que procuram, olha esse óculos que tenho que usar pra esconder meu olho Nath!” Respondi mostrando aquele óculos retangular. Ele ria.

“Eu amo seu cabelo… Sério que isso é necessário?" Armin havia aparentemente ouvido nossa conversa e já estava colado atrás de mim me dando um susto.

“ARMIN???! Você tava aqui desde quando?!” perguntei surpresa.

“Desde o início, ué. É assim que quer sobreviver por aqui? Sequer notou minha presença…”

“Talvez porque ela já te conhece e já se acostumou com sua presença inconscientemente Armin.” Nathaniel ria.

“Bom ponto. Trato com naturalidade que às vezes nem noto", confirmei.

“É, mais um dos que querem tua cabeça é uma versão minha, lembre-se disso.” Quando ele falou isso, confesso que me senti mal o suficiente pra me calar…

É… O clima não era dos melhores.

Aquele dia foi comum até certo ponto.

Como Ken falou: temos que viver apenas.

Na realidade, vários dos dias foram bem comuns, por isso irei só falar as coisas relevantes.

Fiquei em estado de alerta a maior parte do tempo, e ainda continuo, é assustador pensar que estou sendo caçada ativamente.

Eu pintei meu cabelo de castanho pra poder me sobressair menor (afinal, um óculos retangular já chama atenção o suficiente)

Ken demorou um tempo pra me apresentar seu grupo de aliados, e ainda assim, ele não mostrou mesmo MESMO. Foram pessoas contadas, tipo a Priya, Hyun, Melody e Peggy, que é inclusive melhor amiga do Daniel.

Falarei de cada um individualmente.

Peggy trabalha como espiã, igual na minha linha têmpora, mas dessa vez com o Ken como “patrão” e é parceira do Daniel.

Eles dois literalmente dividem o trabalho de hackear as coisas, sendo ela mais ativa fisicamente, mas tão boa quanto ele, e também mais comunicativa, o que a ajuda a fazer melhor trabalho de campo, já que ele é péssimo de comunicando.

Melody como falei antes trabalha com Priya na parte burocrática do grupo, elas controlam quem entra e quem sai e tentam mexer na imagem do grupo para conseguir os aliados.

Hyun é o responsável pela parte medicinal e pela parte alimentícia. Ele cuida dos feridos e alimenta o grupo, ele é um excelente cozinheiro.

Inclusive Hyun e Azriel ficaram muito amigos e ficam de flertezinho, assim como Rémy e Priya ficaram bem amigos (sem flertes), o que causa algumas intrigas entre Melody e Priya já que a Melody é muito ciumenta e insegura.

Basicamente, até o momento, esses são os membros que conheci.

Eu conheci de forma indireta a menina por quem o Daniel é apaixonada também, a Nina.

Ela é linda linda, e definitivamente faz o tipo do Armin.

Bonitinha, otome e com língua afiada.

O problema é: ela me odeia e não sabe.

Explicando.

Depois de uma semana eu já estava me dando bem aqui, convivendo bem com todos, sabendo onde ficava cada uma das coisas, etc.

Um dia, quando acordei, fui direto na lanchonete “Hyun King", sim, o Hyun fez essa placa ridícula com o nome de uma lanchonete fictícia com seu nome, e esse é o local onde nos encontramos frequentemente todos os dias pra comer, conversar e até pra só passar tempo.

Entrei lá como toda manhã, dei bom dia pro Hyun e fui comer.

O Armin como sempre havia levantado na frente e já estava lá, calado e de mau-humor como toda manhã.

Alexy volta e meia ajuda Hyun com a comida, não foi o caso desse dia já que seu eu do passado acordou em crise…

Desde que o Armin fugiu com o receptor, o Alexy do passado tem estado sempre mal e surtando muito.

Armin me puxou pra perto dele, ele parecia bem sonolento ainda é basicamente me usou de apoio enquanto abraçava minhas costas. Geralmente ele me usa de apoio e às vezes até cochila em cima, nada de novo. Desde a época de escola era assim…

O problema é que se ouviu uma voz desconhecida pra nós dois.

Fina, estridente e até meio infantil. Hyun entrou em pânico e me deu desesperado os óculos retangulares.

Armin se mantinha na mesma posição, ignorando completamente o movimento do Hyun.

“O que houve??” perguntei desesperada.

“Nina! Ela não pode saber de você!!” Na mesma hora eu me perguntei quem diabos era essa Nina.

“Amiga de infância do Daniel e do Kentin” ele respondeu.

Ah tá, parece que tenho uma substituta talvez?

Então entrou uma menina loira, muito linda pela porta junto com a Priya que parecia tentar impedir ela. Ela parecia uma boneca.

“Bom dia Hyun!” Ela falava animada dando um abraço nele.

Ela então se virou pra mim, olhou o Armin mais dormindo que acordado escorado em mim, me encarou de novo e perguntou: “novata?”

“S-sim!! O nome dela é…é…A-Aurora!” Hyun gritou rindo sem graça.

Por impulso eu falei “Aurora?!” Ele só me deu uma cotovelada que acordou o Armin.

“Para com essa merda, quero dormir.” Ele dizia virando o rosto pro lado oposto da Nina e me abraçando mais forte, como se eu fosse um travesseiro.

Sorte que ele tava semi acordado, aé porque le detesta que vejam ele dormindo, pra ser bem sincera, ele frequentemente, especialmente quando tá frio, põe a mão dentro da minha blusa sob meus seios pra dormir, de forma inconsciente e inocente na verdade, acho que se ele tivesse feito isso seria MUITO pior a situação que já estava embaraçosa. Que bom que ele estava semi acordado.

“Hmm sua namoradinha nova Daniel?” Nina falava em tom provocativo e com certa raiva enquanto me encarava.

Armin, nem respondia. Ele só virou o rosto pra Nina, olhou ela de cima a baixo e por fim falou “Curti” então me mexi até derrubar ele no chão.

“Porque?!” Ele gritou comigo.

“Foi sem querer ‘Daniel’. Foi mal.” Falei sorrindo.

Nina não parava de me encarar, ela parecia com certa raiva, mas escondia bem até certo ponto.

“Vim perguntar umas coisas pra você sobre meu video game que parou de funcionar, mas já que tá ocupado com sua namoradinha, volto depois.” Ela falava pro Armin.

“Eu não sou nada do Daniel. Só conheci ele aqui e—“ antes que eu pudesse completar minha frase ela me atropelou.

“Eu não sou idiota. Sou amiga dele a tempo suficiente pra saber que ele DETESTA abraços mesmo se for de algum amigo. Se ele te abraçou e ainda dormiu em cima de você, relação superficial é o que vocês dois não tem MESMO.” Ela descreveu perfeitamente o Armin…E me olhava com um desprezo enorme enquanto batia na mesa e se levantava.

“Vou falar com o Ken.” E saiu batendo a porta com Priya nervosa seguindo ela logo atrás.

“O que aconteceu aqui?!” perguntei me aproximando do Hyun apoiando meu corpo sob o balcão.

“Ela é a Nina. Amiga de infância do Armin e do Kentin. Volta e meia ela aparece por aqui mesmo.” Hyun dizia, a porta se abria e entrava Vio e meu pai Eliott dando bom dia e já se sentando.

“Ela gosta do Daniel?” Armin perguntou se levantando e tomando o prato que o Hyun serviu PRA MIM.

“É complicado… Ele gosta dela, mas ela… Assim, ela gosta dele, mas não dá pra entender como. Ela é bem possessiva com ele até certo ponto e detesta saber que ele está se envolvendo com alguém de alguma forma. Mas ao mesmo tempo ela não dá chance pra ele, e sabe, ela tem consciência de que ele gosta dela.” Hyun respondeu.

“Resumindo, ela quer que o boy fique no pé dela enquanto ela corre atrás de outro macho. Típica vadiazinha que quer que todos bajulem ela.” Alexy entrava com o outro Alexy já afiado no assunto, como sempre.

“Já conhece a Nina?” Perguntei.

“Sim, conheci esses dias, bajuladora de Lysandre desgraçada.” Alexy do presente respondeu enquanto o do passado confirmava com a cabeça. Ele ainda estava bem abatido, mas tentava interagir minimamente.

“Pera, como assim?? Bajuladora do Lysandre??” Gritei.

“Sim. Ela faz tudo pelo Lysandre. Ela é literalmente apoiadora dele.” Hyun respondeu.

“É por isso que escondeu meu olho…” respondi frustrada.

“ Como deixam uma apoiadora do Lysandre entrar aqui cara?” Armin dizia.

“Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda?” Meu pai falou enquanto levava o copo de suco até a boca.

“Basicamente. Fora que ela preza a amizade que tem com o Kentin e o Daniel. E isso nos traz vantagens já que ela não denuncia nada que os amigos dela fazem mesmo sendo a favor do Lysandre. Mas se ela descobrir que a Boreal tá aqui a história muda...Especialmente agora que ela tá implicando contigo” Hyun completou.

“Falando nisso… Aurora? Sério?” Finalmente falei.

“Desculpa! Eu tive que pensar rápido e o primeiro nome que veio em mente foi Aurora por causa do nome Boreal.” Hyun respondia rindo sem graça.

“É um nome bonito pelo menos.” Meu pai dizia.

“Ela sabe da Iris?” Armin questionou, um bom questionamento por sinal.

“Nem em sonhos! Se ela descobre, não tem amizade que segure essa bomba. Hyun dizia.

“Cara, não é como se o Ken escondesse bem, afinal, eu mesma já vi ele e a Iris na cama pouco depois que cheguei.” Respondi.

“É diferente. Você tem liberdade total, foi um acidente. O Kentin sempre deixa avisado quando a Iris vem pra ca justamente pra ficarmos a par de que a Nina não pode perambular aquele dia em que a Iris estiver com ele. Ela entende como ’Kentin trouxe mais uma mulher pra cá de novo’ mal sabe ela que é sempre a mesma mulher e é a esposa do Lysandre…” meu Deus… quanto mais escuto mais confuso fica.

“Quero saber o que EU faço. Agora que ela acha que eu sou o Daniel se ela me ver com a Boreal vai pensar o que? Se ela começar a perseguir a Boreal fodeu.” Armin dizia.

“Não sei. Falar a verdade? Não completa, mas, meia verdade. Que são pessoas diferentes. Daniel já se parece com o Armin que está com o Lysandre, mas um parecido não seria incomum. Pode até falar que sua mãe te deu esse nome em homenagem ao Armin.” Hyun continuou o raciocínio.

“Não sei… Soa furado. Mas dependendo do cérebro dela pode rolar…” Armin ficava pensativo.

“Bem, vou ali pegar uns vestidos, com licença” Alexy dizia terminando de lavar sua própria louça.

“Vestidos?” Perguntei.

“Alexy é gênero fluido” Azriel dizia já se sentando e sorrindo pra todos no ambiente.

“Não amor. Roupa não tem gênero e eu amo testar combinações só isso.” Alexy retrucava.

“Na nossa infância você chegou a cogitar algo assim, Alexy." Armin dizia, apático.

“Eu era só uma criança se descobrindo e vivendo em uma sociedade que dizia que menino não pode maquiagem. Enfim, tchau.” Eu então levantei e fui atrás dele correndo, eu queria pegar umas roupas pra mim também.

Ele entrelaçou seu braço no meu e saímos de la.

Enquanto atravessávamos o corredor, ao olhar pra baixo, notei que o Armin do futuro estava na praça principal sozinho, jogando petiscos para os pássaros do local.

Eu me soltei do Alexy e falei que iria no Armin, e assim o fiz.

Desci as escadas e fui até ele no centro.

Ele estava melancólico, triste, completamente abatido e parecia ter raiva também.

“Armin?” Chamei seu nome.

Ele sem dizer um bom dia sequer já se pôs a falar.

“Nina saiu com o Kentin se quer saber.”

“Ah… t-tudo bem…” respondi ansiosa.

“Castanho fica bem em você apesar de preferir platinado.” Ele dizia tocando meus cabelos com ternura.

“Sim… Também prefiro. Mas preciso me esconder… Obrigada de qualquer forma.” Respondi olhando seus olhos que transbordavam melancolia.

“Já se passou tanto tempo e até agora não acredito que fomos traídos… Nossa, que ódio de mim por não ter notado antes!” o Armin do futuro falava frustrado em meio aos nossos lamentos lembrando do ocorrido do mês passado.

“Todos os dias eu sinto medo Armin. Um medo maior que o seu já que sabemos que o Lysandre e os amiguinhos dele querem minha cabeça, e agora com mais essa… Podemos ser entregues a qualquer momento pra eles três e eu sou o alvo principal, você tem noção?” Eu falava aquilo do fundo da minha alma, eu estava apavorada, eu não dormia tranquila fazia 1 mês já, desde o roubo do receptor.

“Não querendo disputar, mas, não afirme que seu medo é maior. Eu já fiz loucuras por você, então acho injusto que diga que tem total certeza que seu medo é maior." Ele então voltou sua atenção aos pássaros novamente e em seguida puxou do bolso o PSP.

Sim, aquele mesmo PSP de sempre. Armin do futuro usando um PSP.

“Porque ainda usa isso? Tá bem ultrapassado já…”

“É pela nostalgia mesmo. Ele ainda é útil pra o que eu uso de qualquer forma…” ele falava olhando algum arquivo no console.

“E pra que usa ainda?” Respondi me escorando em seu ombro e encarando o videogame.

“O mesmo de sempre, manter arquivos, jogar, nada de grandioso."

“Armin, por que não usa seu celular? É mais moderno, tem mais espaço…”

“ Já falei, eu prefiro.” Ele ao mesmo tempo que ama modernidade tem uma dificuldade pra trocar velhos hábitos.

O PSP é um deles.

Armin se levantou, bagunçou meu cabelo e se retirou.

Antes de sair, ele parou e perguntou se eu ia ao desfile mais tarde.

“Desfile?” questionei.

“Sim. É a comemoração da liderança da França como supremacia global. Pensei que estivesse estudando essa era sua ameba" ele sorria.

“Todos falaram que iriam e Kentin disse que vai fazer uma surpresa por la.

Ele falou desse evento na noite passada, tu não presta atenção em nada hein? É assim que toma um tiro e morre…” Ele então se retirou finalmente.

Justo o Armin mais animado tem sido um dos mais deprimidos hoje em dia…impressionante como o mundo acabou com nossas energias.

Acho que no caso do Armin tem o bônus de sua falta de drogas.

Aquele Armin altamente piadista e sociável querendo o não era consequência de dependência química.



Passou um tempo, subi até a loja de roupas, e na verdade, esse dia não fizemos grandes coisas até dar a hora do desfile.

Agora entendo porque o Alexy estava procurando roupas novas.

O dia foi bem mórbido pra falar a verdade, e muitos dos dias tem sido sempre assim, clima de dia chuvoso em dia que se quer fazer um piquenique sabe?

Tudo que pude fazer foi aguardar a hora de ir pro desfile.

Como sempre eu só podia sair com óculos retangular.

É tão estranho me olhar com cabelos castanhos… Ainda não me acostumei.

Armin todos os dias faz questão de me lembrar o quanto ele ama me cabelo platinado, chega a ser engraçado. Mas acho que por ele notar que a cor está me causando estranhamento também, ele fica oscilando entre reclamar e me por pra cima falando que ficou bem.

Esse dia, antes de ir pro tal evento, passei o dia com a Priya, Azriel e o Hyun, conversando, enquanto o Armin ficou com a Melody, Nathaniel e Rémy.

Os dias tem sido e sua maioria dessa forma.

Infelizmente todos ficam espalhados e nem todos tem um papel a cumprir no grupo.



Nesse dia, apesar de tudo, nós 3 conversamos mais sobre relacionamentos.

Azriel falou tudo que eu já sabia, mas agora pra nossos novos amigos, inclusive eles ficaram em choque ao saber que ele e Lysandre já namoraram.

É chocante mesmo, especialmente se levar em conta que todos já conheceram ele como um grande líder.

Priya também falou um pouco de sua experiência, e disse que já chegou a achar o Daniel interessante, por isso entende o porque da Melody ser insegura com a presença do Armin, mesmo que o Armin e o Daniel sejam pessoas diferentes.

Ela falou que basicamente a Melody me usa como trava de segurança quanto ao Armin já que ela é muito insegura.

Ela contou também que a Melody fugiu de casa pra viver com ela, pois seus pais não aceitavam o relacionamento das duas.

Era só o que me faltava, uma realidade que aceita incesto, mas ainda assim não aceita a homossexualidade? Sem sentido isso.

E Hyun dizia não ser muito experiente quanto a isso, mas ele falou que já teve um rolo com o Daniel anos atrás, mas hoje em dia são só bons amigos.

Confesso que fiquei em choque, mas achei interessante pensar nos dois juntos.

Então o tipo do Armin são meninos mais fofos, feito o Azriel e o Hyun é?

Desculpa… Lá vai minha imaginação como sempre…

Teve uma hora que começamos a falar de nossas experiências sexuais e foi bem engraçado quando a Priya começou a falar da Melody e ela apareceu puxando a Priya pra fora completamente corada e xingando horrores.

Essa nova Melody é uma graça. Não consigo sequer sentir raiva da Melody da minha linha mais depois de conhecer essa.

Azriel ria e brincava com ela falando coisas como”tá tudo bem amiga. Todo mundo aqui tem ponto fraco que faz gemer.” Eu só vi a Melody arremessar de longe a Bia, sim a Bia, na direção dele, que ficou corado na mesa hora e parou de falar essas merdas.

É, Azriel ta naquela fase de novo, de ficar com vergonha da Bia.

De certa foma, essa não era a Bia que ele namorava né… compreensível.

Foi um dia agradável. Pelo menos… parte dele.



Já estava bem tarde, quase na hora do desfile.

Não vi Daniel, Ken e Peggy o dia todo. Creio que tenha a ver com a tal surpresa que eles prepararam.

Eu então fui tomar banho.

Armin estava frio o dia todo e mal falava comigo.

Ele estava muito sonolento e eu conheço ele bem, sei que isso é sinal de exaustão, muita exaustão mental.

Ele até bagunçou meu cabelo algumas vezes como sempre, mas era notável que ele não tava bem e mal queria papo.

Quando eu saí do banho e fui onde estávamos dormindo, a loja de brinquedos, ouvi vozes vindas da ala de eletrônicos, era o Armin conversando com o Nathaniel.

E foi nessa conversa que eu fiquei bem abalada… Eu não devia ter ouvido…

“Eu amo a Boreal ou o magnetismo dela…?” Ouvi o Armin falando.

Não dava pra ver eles dois, mas pelo seu tom de voz… ele parecia triste.

“Armin, você ta sempre perguntando isso ultimamente, está na dúvida sobre seus sentimentos?” Nathaniel retrucou.

Quer dizer que o Armin tem perguntando isso habitualmente…Né?

“Eu só tô confuso… não sei mais quando foi que eu me apaixonei por ela. Quando tento traçar uma linha pra entender onde isso começou eu fico desesperado. Como você sabe se ama ela mesmo Nathaniel? E se ela perdesse esse magnetismo sobrenatural e eu perdesse o interesse??” ele dizia desesperado.

“Acho que está se questionando demais com coisas desnecessárias, Armin. Por que só não aceita seus sentimentos? Se for pra algo acontecer, vai acontecer e ponto. Não se questione tanto.”

“Mas e se eu só estou me sacrificando por merda nenhuma? Você e meu irmão eu sei que são importantes pra mim, mas… e a Boreal? Onde começa e onde termina meu amor? Existe amor?? Pelo que li eu me aproximei dela porque ela me trazia aventuras, e eu não me apaixonava por ela não importasse o que acontecesse, mas não conseguia sair de perto, pois usava ela pra sair da minha vida medíocre e pra me sentir importante. E agora?? Eu sinto que posso fazer qualquer coisa por ela, até morrer, mas até onde sou eu pensando e até onde é meramente a merda do magnetismo dela??” Armin falava exaltado.

“Acho que está pensando demais em coisas desnecessárias, Armin. Deixe seus sentimentos em paz e pare de tentar achar lógica pra tudo. Se o que sente por ela te faz bem, então só sinta, você tem que parar de questionar tudo o tempo todo. Ninguém entende com plenitude sentimentos, porque você quer ser a primeira pessoa a achar logica nisso?” Nathaniel respondia calmamente.

“Não é tão simples. Se o que eu sinto por ela não for amor, olha em volta o caos. Eu destruí o mundo por uma garota que eu nem sei se amo! No fim, se for só o magnetismo dela, se não for eu fazendo tudo isso, vai ser outro fazendo o mesmo. Estamos destruindo tudo por causa dela! E se não existir nada?! Olhe pra você. Você voltou no tempo por ela. E pior—-“ sinto que aquela discussão já rolava tinha um tempo, e eu não aguentei ouvir mais.

Ele insistia repetidamente na ideia de não me amar, de ser só meu magnetismo, e se ele estiver certo?

Eu simplesmente corri de lá…

Eu fui pro estacionamento e por lá fiquei esperando dar a hora, sozinha, no escuro.

Horas torturantes com minha própria mente questionando as mesmas coisas que o Armin discutia com o Nathaniel… Seria esse o motivo de sua frieza?

Ambre passou por lá e me viu sozinha.

“Garota, vai ficar aqui? Não te vi o dia todo.” Ela dizia me olhando sentada no chão.

“Eu só queria ficar um pouco sozinha…” respondi.

“Ah, se quiser, eu saio…” ela dizia já tentando se retirar.

“Não! Fica! Por favor.” Puxei seu pulso que logo se agachou ao meu lado.

Ficou um silêncio constrangedor no local. Puxei ela por mero impulso e no fim não sabia com lidar nem o que falar por um tempo.

Ela falou de estar quase na hora do desfile e tudo mais, mas o desconforto pairava.

“Você já se apaixonou Ambre?” perguntei cabisbaixa.

Ela pareceu bem surpresa com minha pergunta.

“C-claro! Que pergunta estranha!” Ela gritava.

“E… como é?” Perguntei.

“Você sabe ué! Você tá com o Armin mó cota, namorou meu irmão, Castiel... Você tem mais experiencia que eu.” Ela dizia tímida, porém, sorridente.

“Como saber a diferença entre amar mesmo alguém e só se sentir atraído? Digo, de forma paranormal, ou sei lá…”

Ambre parece que se ligou que tinha algo errado.

“Eu.. Não sei. Desculpa. Eu só gostei do Castiel na vida. Er…” Ambre ficou nervosa, me esqueci que essa Ambre nunca ficou com o Castiel.

“Desculpa se pareci estranha.” Quando falei isso, ela colocou a mão sob meu ombro e perguntou “quer conversar?”

Respirei fundo e quando decidi falar tudo, Kentin chegou de van com Daniel e Peggy falado: “Estão prontos pro evento?!” Muito empolgado.

Não deu tempo de falar nada, só, fomos chamar a todos e no fim foi todo mundo, em carros separados pra caso desse merda.

E ali teríamos nossa surpresa.

Confesso a apreensão.

Armin estava estranho e após o que eu ouvi não tive coragem de me aproximar dele.

Fomos sentados um do lado do outro mas nem ele nem eu nos encostamos.

Armin parecia nem ter notado minha frieza, ele é ruim com isso de qualquer forma, e bem, ele não sabia que eu tinha ouvido a conversa dele com o Nath.

Ambre notou e creio que o olhar dela fez com que o Nath percebesse também a situação.

Chegamos no local.

Estava cheio e parecia uma dessas marchas de comemoração a um presidente ou sei lá, revolução, eventos históricos, etc.

No caso, era meio que isso mesmo né, afinal, era referente aos líderes atuais do país.

Pessoas com bandeira da França, pessoas com fotos dos 3, e mais tudo que tem direito.

Carros alegóricos, e bem, tinha uma sacada bem destacada num castelo ali que era notável que os 3 (ou somente um deles) iria aparecer ali e fazer média com o povo.

Era visível que éramos os baderneiros, andávamos em bando e tínhamos roupas totalmente fora dos padrões conservadores do povo do Lysandre.

Ao longe vi os pais do Castiel com ele em uma cadeira de rodas, ele pareceu ter notado a gente.

Castiel do passado por sua vez, escondeu seu rosto no casaco pra não ser notado por seus pais e acenou para seu eu doente de forma discreta.

Era um evento bem animado, se não fosse a temática, teria sido legal sabe?

Perdemos o Kentin e do Daniel de vista, de novo, deviam estar preparando a surpresa, que por sinal, foi uma baita surpresa viu?

Durante o evento eu tentei me aproximar do Armin, que se isolou em um canto mais vazio e estava desesperado.

Ele DETESTA multidões e barulhos, né atoa que ele sempre se isolou no esconderijo no colégio.

Eu podia sentir que ele ia surtar a qualquer instante.

Independente de eu estar abalada com o que ouvi, eu não poderia deixá-lo sozinho na situação que nos encontrávamos.

Ele já estava mal, confuso sobre mim e ainda em uma situação mega desagradável pra ele.

Fiz o que o Alexy me ensinou: puxei o Armin até um canto ainda mais vazio e fiquei quietinha la, só fazendo companhia pra ele.

Ficamos em um longo e desconfortável silencio, até que ele me agradeceu, tímido, mas me amoleceu na mesma hora.

“Devia ter pegado algum abafador ou sei la, fones de ouvido no shopping.” falei.

“Sim… Eu não pensei nisso. Geralmente só evito esses lugares.” Ele dizia avoado.

Armin então se afastou de mim e foi até uma barraquinha de rua, adivinha só? Comprar doce.

Era uma barraquinha de crepes. Eu fiquei só observando de longe.

Ele então voltou com 2 crepes e me entregou um.

O dele obviamente era de chocolate, mas ele não trouxe nada doce pra mim, mesmo sendo algo pequeno e que ele faz com grande frequência até, que é lembrar de mim, aquilo me fez me sentir leve.

Eu agradeci e comecei a comer, era realmente muito bom.

Ele estava só apático olhando pra tudo como sempre faz.

Curioso, assustado e analítico.



Finalmente, após muita música, festa, marchas e afins, surgiu o Lysandre junto com Iris naquela sacada.

Houve uma gritaria intensa no local, parecia um show de uma grande banda famosa, mas era apenas um líder de um país.

Como pode existir fanatismo pra esse tipo de pessoa, sabe?

Nenhum fanatismo é saudável, mas, músicos, atores, e afins, entregam algo que eles se dedicaram e que pode nos tocar de alguma forma, eles estão fazendo um papel único.

Agora… um líder de um país faz o que além de… mandar e desmandar?

Sei que não é tão simples, mas ainda assim, não é como se fosse uma pessoa que faz algo ativamente pra ser clamado dessa forma, entende?

Não tem sentido algum pra mim…

Enfim.

Armin estava com cara de grande desconforto, como sempre, ele deixava transparecer bem como estava desconfortável com o som do local.

Eu só me aproximei dele e tentei dar conforto pra ele com minha companhia.

Incrível como ficamos em silêncio esse tempo todo, mas ainda assim sinto que estou mais próxima dele novamente. Nossa relação é bem… peculiar. Especialmente se eu comparar com meus relacionamentos anteriores com o Nath ou até mesmo com o Castiel.

De certa forma como o Armin é mais complicado, porém, por conhecê-lo bem, acaba sendo mais fácil.

Lysandre começou a fazer um pequeno discurso.

Eu sinceramente não quero escrever a merda do discurso hipócrita dele.

Falar palavras bonitas até ursinho de 1,99 fala.

Dizendo como amava o povo, coisas que melhoraram no passar dos anos, e aquelas ladainhas todas que só atingem gente inocente e cega mesmo.

Dava pra ouvir um misto de vaia e aplausos, claro que eu sabia bem de quem vinham as vaias…

Discurso vai, discurso vem, de repente algo atingiu o Lysandre, ou melhor, quase atingiu.

Assim que o Lysandre foi “atingido”, pude seguir com o olho de onde veio aquele feixe de luz e vi em cima de um prédio um rapaz armado com um rifle sniper brigando com alguém, parecia ser um segurança talvez? Ou um apoiador do Lysandre? Não importa, mas tentava tirar a arma da mão do outro rapaz.

Não sei bem…

Ficou uma gritaria intensa no local.

A bala tinha passado por pouco de acertar a cabeça do Lysandre, acertou seu ombro.

Ele sangrava, todo o povo gritava, e aos poucos algumas pessoas notaram que haviam duas pessoas bringando no prédio.

Um dos dois caíram do prédio, todos gritavam muito.

Armin estava altamente incomodado com a situação, mas ainda assim enfrentou isso pra tentar correr na direção de onde estava a van do Daniel.

Ele me puxava pela mão completamente em silêncio.

Eu segurava o óculos pra me assegurar que ele não cairia coma nossa corrida.

De repente havia um telão ali que passava as coisas pra quem não conseguisse ver, e apareceu o símbolo de nosso grupo.

Era uma mensagem provavelmente feita por Peggy e Daniel.

Enquanto a tela passava a mensagem de nosso grupo, o rapaz tentava atirar mais uma vez em Lysandre, mas dessa vez surgiu Nathaniel e rebateu a bala na direção do rapaz, em seguida, Armin abriu um portal e saiu com Lysandre, Nathaniel e Iris de lá.

No telão nossa mensagem continuava.

Os guardas tentavam controlar a situação, em vão.

O caos estava enorme.

Gente correndo, gritando, chorando.

Claro, acabaram de tentar matar o líder do país e havia um corpo morto no chão do prédio.

Os guardas tentavam fechar o tal prédio pra impedir que o rapaz fugisse e foi tudo uma zona.

Só deu tempo do Armin me jogar dentro do carro com ele e fechar todas as portas.

“Onde tá o Daniel??” ele falava procurando o rádio do carro pra tentar contato, em vão, só se ouvia chiado.

Nathaniel estava do lado de fora e batia na janela do carro desesperado, Armin abriu rapidamente e já trancou novamente.

“Viu o resto do pessoal?” ele perguntava.

“Não… eu me perdi do Rémy no meio da confusão toda.”

Finalmente o rádio ligou, era o Daniel.

“Tem alguém ai?” ouvíamos chiado.

“Daniel! Onde você está?!” Armin gritava.

“Tá um caos la fora! Não tem condição de ficarmos lá mais um minuto sequer!” Nath completou.

“Seguinte, pega a van e corre, dai assim que abrirem espaço nas ruas, vai direto pro shopping.

Encontro vocês lá e explico tudo melhor por lá” e ele desligou sem mais nem menos, claramente ignorando nossas tentativas de comunicação seguintes.

Armin estava no volante, Nathaniel e eu olhávamos pros lados apreensivos tentando achar uma brecha pra fugir.

A mensagem no telão não parava de repetir, era quase uma lavagem cerebral tentando entrar na cabeça do povo e falando mal do Lysandre.

“Ele é um ditador, precisamos acordar e se voltar contra esse homem. Ele está enganando vocês com palavras doces e ações falsamente gentis. Olhem a sua volta, quantos sofrem, quantas crianças passam fome.” E mais inúmeras coisas eram ditas e atrocidades mostradas.

Peggy e Daniel citavam sobre a doença, sobre como o Lysandre diluia a vacina pra ser menos eficaz e eles dependerem dele e verem ele como salvador da pátria, mas ainda assim tinham pessoas, as poucas pessoas que não gritavam e prestavam atenção, mas ainda se mostravam contra nós, arremessavam coisas contra a TV.

Foi quando, de repente, cortou a transmissão.

Era o rosto do Armin… o Armin deles dessa vez.

“Olá meu povo.

Sei que muitos de vocês que vieram para nos ver são de partes diferentes da França, e agradecemos muito a vinda de vocês.

Como puderam notar, existiam alguns baderneiros entre vocês.

Trágico não?

Mas tudo bem, esses baderneiros não entendem o meu… O meu não, o nosso objetivo.

Eles têm razão, o mundo está podre.

Vocês sabem que a tempos muitas coisas estranhas acontecem em nosso mundo.

E é aí que entra meu encarecido pedido.

Se virem uma garota ciclope de cabelos platinados andando por ai, por favor, denuncie ela para a corte mais próxima.

Não a matem, precisamos dela com vida.

Mas saibam que estarão fazendo um bem não só para seu país, mas para o mundo todo.

Essa garota tem sido uma grande ameaça que estamos caçando, e acreditamos que os rebeldes tenham dedo em sua localidade.

Ela não é dessa dimensão.

E agora um recado para você, querida Boreal.

Eu não construí a máquina que vocês usam, mas construí algo que pode alcançar outras dimensões. Se quiser dar uma olhada, podermos acordar e chegar em algum lugar quanto a isso.

Gostaria de resolver tudo de forma pacifica, mas caso não consiga, serei obrigado a atacá-los.

Entendam, não quero o mal de ninguém nem que ninguém morra de forma desnecessária, mas se for necessário, infelizmente terei que tomar uma postura mais truculenta.

Sabem onde me encontrar, estarei no aguardo.” ele então se retirou.

Suas palavras me tocaram muito, como um dedo cheio de sal em um machucado.

Armin acelerou desesperado assim que abriu caminho e assim que ele recobrou sua consciência quanto a tudo que foi ouvido.

Ele seguiu as exatas instruções do Daniel e foi direto pro shopping.

“Tá tudo bem?”Nathaniel perguntava claramente notando algo estranho em mim.

Eu continuei calada e só balancei a cabeça positivamente enquanto olhava pra ele nervosa, ele parecia muito preocupado.

Eu então voltei a abaixar a cabeça e pensar sobre o que o Armin disse na TV…

Será que…É verdade?

E se eu me entregasse, tudo acabaria?

Armin entrou desesperado no estacionamento já ligando todas as travas que o Daniel ensinou pra ele como fazer.

Assim que ele digitou e ligou tudo, ele veio correndo até mim e me abraçou.

Após esse silencio longo do dia todo, ele tinha finalmente tomado alguma atitude física comigo.

Eu sentia seu coração disparado pelo seu pescoço, que estava colado no meu ouvido.

Sua respiração era completamente ofegante.

“Você não ouse pensar em se entregar ouviu?” ele falava como se pudesse ler meus pensamentos. Armin sempre foi bom em ler meus pensamentos, havia esquecido disso.

“...” eu me mantive em silêncio.

“Boreal… Por favor.” ele então me afastou um pouco e começou a me encarar.

“Eu não falei nada…” respondi.

“Eu te conheço o suficiente pra saber o que está pensando. Boreal, vamos terminar isso tudo juntos, com todo mundo ok? Chegamos muito longe pra jogarmos tudo pro alto agora.” Armin dizia.

As palavras dele de mais cedo ecoavam na minha cabeça, sua dúvida quanto a mim.

Eu só confirmei com a cabeça e sai de perto, foi mais pra fazê-lo parar.

“Vamos subir e esperar o resto do pessoal. Pierre deve estar na praça de alimentação com o Alexy.” falei virando minhas costas pro Armin e Nathaniel sem sequer olhar pra trás.

O clima estava muito estranho, na realidade, tudo tem estado estranho tem tempo.

Armin me viu jogada em uma cadeira na praça de alimentação, sozinha e desanimada, ele subiu da garagem junto com o Nathaniel e se sentou na minha frente quase na mesma pose que eu e ficou me encarando em silêncio.

Nossos dedos se tocavam de leve, pra um Armin que detesta toque na mão independente de se sou eu ou não, ele aproximou ainda mais os dedos deles até tocar minha mão por completo.

“Você tá bem?” ele dizia.

“... Porque a pergunta?” falei desanimada.

“Você acha que eu sou idiota?” ele dizia, no automático, só respondi um “acho” e ele já deu um chute na minha canela, recebendo, obviamente, um chute de volta.

“Quero saber de mais nada também não.” Ele então virou o rosto completamente pra fora da mesa, mas em momento algum retirou a mão de cima da minha, mesmo com a cara emburrada.

Confesso que inconscientemente sorri e virei minha palma pra cima pra segurar a mão dele.

Pude sentir o suor dele de nervoso que sempre fica quando damos as mãos, e bem, esse pequeno momento me fez me sentir um pouco mais leve sabe.

Esquecer um pouco das ameaças dos 3 lá e até mesmo esquecer que o Armin havia conversado coisas que me chocaram mais cedo.

O banco era daqueles bancos redondos ao redor da mesa, como se fosse mesa de piquenique, eu então deslizei até o lado pra onde o rosto do Armin estava virado e me sentei encarando ele da mesma forma, e segurei sua outra mão, ainda de mãos dadas com ele, ele fechou a mão, segurando a minha com força.

Sei que provavelmente ele queria soltar, ele detesta isso, mas reconheço o esforço que ele fazia ali por mim.

Eu podia ver claramente seu rosto vermelho.

“Só não vai desmaiar de vergonha viu?” falei rindo enquanto o encarava.

Ele rosnou de leve e mordeu minha bochecha, me fazendo dá um tapa no braço dele.

Era um momento único, que se ler com atenção em meu diário notará que o intervalo entre esses momentos doces tem sido cada vez maiores…

Nossas vidas não tem nos deixado ser leves e felizes.

Sinto falta disso…

“Eu fiz algo Boreal?” Armin finalmente perguntou quando paramos de brincar.

“...Não necessariamente. Podemos nos falar depois? Agora eu gostaria de me manter calma. Mas fica tranquilo que não aconteceu nada não tá? É coisa minha.” respondi calmamente e tentando não deixar ele ansioso pensando que foi algo que ele fez.

Conhecendo como o conheço, ele iria com certeza me encher o saco até eu falar se eu deixasse a culpa toda nele. Ele já vai me encher de qualquer forma…

Ficamos lá mais tempo nos encarando em silêncio, eu brincava com seus dedos e ele se mantinha estático, pescando volta e meia, ele parecia bem sonolento, acho que foi muita coisa acontecendo pra ele.

Sempre que nosso dia é agitado ele fica sobrecarregado muito fácil.

Além de irritadiço… dessa vez ele só está melancólico.

Foi quando ouvimos muitas vozes no andar de baixo subindo desesperadamente pra loja de colchões.(onde transformaram em enfermaria)

Armin e eu levantamos de uma vez e corremos até a loja.

“O que houve?” já entramos gritando.

“Ken se feriu! Precisamos tratar logo!” Daniel gritava.

Porém, o Ken só sorria, dava pra notar que ele sentia muita dor, mas ele estava bem sorridente(e bem sujo de sangue).

“Se eu morrer, você pode ficar com minhas economias Daniel, e com a liderança do Hórus!” Ken dizia rindo enquanto o Daniel puxava o cabelo do Ken com força pra trás.

“Se tu falar essas merdas de novo eu mesmo vou enfiar o dedo no buraco dessa bala e abrir ele a força até você desmaiar de dor! E VOCÊ SABE QUE EU FAÇO SEU IMBECIL!” Ken falava vários ais tentando tirar a mão do Daniel de seu cabelo enquanto ria mais.

“Como isso aconteceu??” Melody gritava desesperada vendo todo o sangue.

Hyun vinha logo atrás com várias coisas de primeiros socorros.

E Bia estava tentando limpar os rastros de sangue rapidamente.

“Foi meu queridíssimo Nathaniel rebatendo.” Ken respondia.

“Pera… Você era o rapaz de cima do prédio com o rifle??” perguntei.

“Sim? Gostaram da surpresa?! Pena que não dei o presente completo, da próxima vez não vou falhar. Agora sabemos que temos que tomar mais cuidado ainda.”

“O rapaz que caiu do prédio seria?” Priya questionava retirando suas roupas junto com Hyun.

“Um seguidor do Lysandre que me seguiu, nada de mais”

Nathaniel então se aproximou e pediu licença pra ver o ferimento do Ken.

“Ah é verdade, né! Nathaniel é medico, havia esquecido.” Ken ria.

“Você é líder de muita gente, precisamos arrumar isso urgente…” ele dizia.

"Por aqui não temos bactérias feito as do Alexy pra regenerar logo. Teremos que ser pacientes…" Armin falou.

"Sim, eu sei, mas podemos acelerar um pouco o processo. Eu sei como." Nathaniel então começou a tratar o ferimento do Ken normalmente, sem problema algum.

Foi quando após minutos de silêncio, ele simplesmente colocou a mão sob a bandagem do Ken e começou a rezar.

Sim, isso mesmo, rezar.

"AH NÃO! PUTA QUE PARIU!! CHEGUEI AGORA E TÁ ROLANDO CULTO NO SHOPPING?! VAI SE FODER NATHANIEL! VÔ EMBORA!" Castiel tinha acabado de entrar na sala e já estava se retirando.

É, não é tão diferente do que eu esperaria do meu Castiel.

Nathaniel continuou lá rezando, e era estranho, tinha uma vibe meio da vez lá que ele me exorcizou na praia, quantos anos eu não sentia isso…

“Devo concordar com o Castiel, por que diabos tá rezando Nathaniel? Isso é hora??” Armin questionava.

Após mais alguns segundos, Nathaniel retirou a bandagem e, sim, a ferida ainda estava ali, mas parecia que já haviam passado dias.

Nathaniel só olhou pro Armin com um olhar que transmitia muita paz, e disse uma única palavra: “Fé”.

Armin se aproximou.

“Não é possível… Isso é obra de mais um desses pactos.” Armin insistia.

“E os pactos nada mais são do que fé também Armin. Mas em outros seres.” Nathaniel retrucava.

Ken estava bem feliz com seu braço praticamente inteiro já.

Nathaniel apesar de pleno parecia cansado.

“Quando aprendeu isso Nath?” Questionei.

“Foi graças a você. Se lembra que me ajudou com minha irmã? Depois daquele dia, eu comecei a pesquisar mais as coisas que me passou e comecei a treinar esse tipo de habilidade relacionada a cura, ainda me sinto muito fraco quando tento, mas, já tive uma grande evolução.” ele falava calmamente.

“E você vai vir me dizer que é o poder de Deus?” Armin insistia muito bravo.

“Sim. Puramente fé Armin.” Nathaniel se mantinha pleno.

“NÃO PODE SER! DEUS NÃO EXISTE!!” Armin gritava claramente muito alterado.

Vir pra essa linha mexeu muito com ele, e desde que o receptor foi roubado não só ele como o Armin do futuro ficaram ainda mais exaltados.

“Armin, respeito sua descrença e sinto muito se minha resposta não lhe é satisfatória, mas, é a plena verdade.”Nathaniel insistia.

“NÃO É A PLENA VERDADE! SERÁ QUE NÃO ENTENDE QUE ISSO FUNCIONA SÓ COMO OS PACTOS DO CASTIEL?! BASICAMENTE VOCÊ SÓ ESTÁ PUXANDO MAGIA DE OUTRA DIMENSÃO, TIPO A DIMENSÃO DA BOREAL!!” ele gritava indo pra cima do Nathaniel. Parecia irritado de ter que “acreditar” em nas habilidades do Nathaniel vinham de uma suposta divindade.

“Se isso está funcionando, porque ao invés de ficar tentando quebrar a fé do Nathaniel que nos é muito útil, não colabora e cala a porra da boca?!” Armin do futuro então se meteu, de forma já alterada, ele só estava no canto em silêncio até então.

“NÃO TEM COMO EU ACEITAR QUE ESSA MERDA VEM DE UM DEUS!” Armin gritava de volta com o Armin mais velho.

“Porque Armin? Por que está tão alterado quanto a isso?” Nathaniel genuinamente tentava entender.

“Se existisse mesmo a merda desse Deus… Porque a gente tá passando por isso tudo?!” ele tremia, era um misto de desespero, raiva, tristeza…

“Por sua causa. Isso tudo é consequência das suas escolhas. Me perdoe, eu não queria dizer isso, mas… É necessário. Você quis brincar de Deus e decidir quem vivia e quem morria, criar imortalidade, e inúmeras coisas, mudar o destino das pessoas, isso pode ser meramente um castigo.” Nathaniel respondia.

“Ah claro! Então, o senhor perfeito também voltou no tempo pra manter a Boreal viva, e ai??”

“E ai eu sofro as consequências também.” Nathaniel respondia o Armin que estava a um palmo de seu rosto esbravejando muito.

“E quando falamos de gente inocente? O que o Castiel tem a ver com isso?! Ele era só uma criança e sofreu na mão dos seus pais a vida toda.

E o Lysandre?? Ele era só uma criança quando foi jogado no lixo!

Melhor! O Dakota!! Você viu tudo que ele sofreu?! Ele nunca teve paz desde a infância!! Qual foi o pecado dele?? Nascer?? Faça me o favor! Se seus poderes realmente vêm de algo divino feito Deus quero que ele se foda! EU NÃO ACREDITO QUE EXISTA UM CARA SADICO DESSE JEITO QUE DEIXA TANTA GENTE SE FERRAR POR NADA!!” Quando o Armin terminou de falar isso, estava um silêncio total na sala e o Nathaniel, em um movimento rápido, enfiou um bisturi na perna de Armin.

Foi muito rápido, espirrou sangue pra todo lado e Armin já caiu com a mão no local tentando estancar.

Todos gritavam, mas Nathaniel calmamente pegou mais bandagens, Armin esperneava e se contorcia no chão, era muito sangue.

Nathaniel envolveu o ferimento do Armin a contra gosto do mesmo e em seguida começou a fazer a mesma coisa que fez com Ken: Rezar.

Armin estava muito irritado, mas isso não abalou o Nathaniel que continuou.

No fim, o mesmo se repetiu.

Ainda havia uma cicatriz ali, mas o ferimento estava em perfeito estado.

“Fé” ele repetiu.

Ele parecia ainda mais cansado agora, e se retirou pra repousar.

“Agora que todos já voltaram e parecem estar seguros, me deem licença. Esses pequenos ferimentos tiram completamente minha energia, preciso repor.” e assim ele saiu.

Armin saiu de lá praticamente batendo o pé e indo pro andar mais alto se isolar.

Tava um clima horrível.

Eu decidi ir atrás dele após horas ajudando o pessoal, Armin do futuro veio comigo dessa vez.

Sei que parece errado, mas acredito que o Armin precisasse desse tempo sozinho… Foi tudo muito intenso, digo, o dia todo, e a “facada” do Nath fechou com chave de ouro.

Decidi sair como falei, e Armin do futuro me seguiu.

Chegando lá, Armin estava sentado alisando sua nova cicatriz.

Armin estava muito abalado ainda com a facada que Nathaniel deu nele, mesmo após horas. Ele não tirava a mão da cicatriz que ficou ali.

“Deus existe Armin” Armin do futuro falou sem mais nem menos.

“Serio? Eu me tornei um cara crente em seres fictícios?” Armin mais novo respondeu.

“Armin, Deus existe. Mas ninguém sabe como é. Religiões existem para dar uma forma pra ele. Mas podemos chamar de Deus o que criou a gente. É uma força superior que deu vida e consciência a esses seres vivos.” Armin continuou a falar calmamente.

“Me diz, o que você quer com isso? É sua justificativa por eu questionar os poderes do Nathaniel? Vai realmente me responder que é algo divino e que um homem barbado deu pra ele?” o Armin estava muito incomodado com toda essa situação referente ao Nathaniel já tinha algum tempo, afinal, o Nathaniel de nossa linha já havia perdido esses poderes após ter transado comigo, mas o que se encontrava conosco ainda tinha tudo intacto, e ele era definitivamente uma arma muito poderosa conta o trio do Lysandre.

“Armin… Nunca ninguém esteve de frente com Deus, e se alguém esteve, nunca voltou pra contar história ou sequer mencionou isso. O ponto é, seja um Big-bang ou um homem barbado como você falou, essa energia existe. E é por isso que digo que Deus existe. Não importa a forma que ele tem, ele pode ser sei lá, um inseto gigante alienígena sem consciência alguma que criou o universo por um acaso, como pode ser só uma energia pairando ou até mesmo uma garotinha de cabelos rosas que fechou contrato com um gatinho alienígena, o ponto é, essa energia é “Deus”. Acrescentar religião, rituais e todos esses paradigmas é a forma mais prática que seres humanos encontraram pra tentar compreender o que acontece e tentar não entrar em desespero. Cada um dá a forma para Deus que lhe é mais confortável. Nunca saberemos quem está certo. Junto disso tudo vem as crenças, sejam na ciência ou em religião, o importante é, Deus está ali. Entende meu ponto? Entende onde quero chegar?” Armin falava sereno.

Eu terminei me metendo na conversa justamente porque aquilo me chamou atenção pra algo que vem gerando muitas brigas entre nós dois: A tal força pensamento.

“Essas crenças são onde entra a tal força pensamento que você tanto vem enchendo o saco?” questionei irritada, porem, curiosa.

“Sim. A crença do Nathaniel em sua visão de Deus é tão poderosa que o permite fazer tudo o que ele faz. Caso não conheçam, na própria bíblia Jesus já dizia: “Tua fé te curou” e sim, sem a fé nada teria acontecido. É um conjunto de crenças. Dizer que acredita não quer dizer ter a fé inabalável. Poucas pessoas no mundo conseguem ter essa fé inabalável, e o Nathaniel é um deles. Não tem a ver com religião, tem a ver com acreditar. E nós acreditamos nele também, isso potencializa a força dele. Ele consegue mover montanhas graças a sua fé. E isso não é porque um ser mistico deu poderes pra ele, mas porque ele realmente acredita que pode fazer isso.”

“E onde entra Castiel e seus pactos? Vimos que é funcional.” perguntei

“É obvio que tem algo que não conseguimos identificar. Temos que estudar esses padrões, mas talvez uma contra parte? Ou talvez a mesma energia que da poderes pro Nathaniel de pra ele. Não sei, são muitas possibilidades.” Armin do futuro continuou.

“... Os poderes do Nathaniel me fazem questionar se existe ou não um Deus, e eu odeio isso… Não tem sentido a crença dele! Não tem sentido Sabe?? Quer dizer que… Deus realmente nos abandonou?” Armin parecia realmente frustrado.

Eu sinto como se ele quisesse acreditar em algo devido a seu desespero, mas quanto mais ele tentava, mas frustrado ficava.

“Se Deus for um ser inconsciente que nos criou por um acaso, ele nunca sequer esteve conosco, agora se colocarmos em cheque o Deus que o Nathaniel crê, talvez ele só esteja respeitando o livre arbítrio, o que tecnicamente é um abandono, afinal, se ele se meter pra mudar algo vai de contra a própria lei que ele crio,o que torna orações inúteis. Ele não pode parar o efeito dominó que uma pessoa causa sozinha a sua volta. Ou talvez ele realmente nos abandonou e o que dá poderes pro Nathaniel é outra coisa, pode ser que ele sequer tenha uma consciência e de poderes pro Nathaniel de forma inconsciente, assim como quando criou tudo, ele pode ser só uma bola de energia, talvez nunca saibamos Armin. O ponto é: Não abale a fé de um aliado tão importante que temos. Pensa um pouco antes de explodir.” Armin do futuro então encerrou a conversa.

Ficamos mais um tempo sozinhos ali contemplando nossos pensamentos antes de entrarmos.

Sinceramente, esse dia foi um caos.

Não que fosse ser muito diferente dos próximos, mas… Ao fim do dia eu mal lembrava da raiva que fiquei do Armin.

Em compensação, tudo que o Armin da cicatriz disse me deixou pensativa.

E agora? Me entrego? Me mato? O que eu deveria fazer…?

Aquela noite eu tive muita dificuldade de dormir pensando sobre isso a noite toda.

Mas no fim, Armin me ajudou com um abraço apertado enquanto enterrava seu rosto em meus cabelos ao topo da minha cabeça.

Me senti sua pelúcia… Uma pelúcia com muitas dúvidas e pesadelos…

Notas finais
Agregador de links: https://doceteciclope.kazumitakashi.com/ Meu webcomic Weather Child: https://weatherchild.kazumitakashi.com/ Askblog: http://askdoceteciclope.kazumitakashi.com/ —---------------------------------------------- Pré despedida: https://asaventurasdeumadoceteciclope.kazumitakashi.com/post/691750026913988608/pr%C3%A9-despedida Resumo sobre a vida (2018): https://blog.kazumitakashi.com/post/176585416472/vida REalizaçOes (2019): https://blog.kazumitakashi.com/post/187648001512/realiza%C3%A7%C3%B5es Sobre o ban da fic: https://www.facebook.com/groups/338241216529957/permalink/905302189823854/