As aventuras de uma Docete Ciclope
193 Capítulo 188
Notas iniciais
Lysandre definitivamente não tem escrúpulos. . .
Sabe, eu tenho raiva de inúmeras pessoas, admito isso, chego a ter ódio, até porque na minha situação é praticamente impossível não sentir ódio de certas pessoas e situações das quais me envolvi, entretanto, se tem algo que jamais me imagino sequer vivenciando é esse tipo de vingança, esse tipo de chacina.
Mesmo quando minha vida dependia de matar pessoas, eu não conseguia simplesmente acabar com vidas alheias.
Mas o Lysandre demonstra total frieza e irresponsabilidade com todo tipo de situação.
Ele não tem escrúpulos, não precisa ir muito longe pra notar como ele é. Basta olhar em volta. . .
O que é esse mundo?
Mas obviamente, mesmo em cima de todo esse reflexo referente ao Lysandre eu não serei hipócrita, devo admitir que o choque de me ver acaba superando todo e qualquer sentimento de raiva e desespero que senti ao notar o mundo em que me encontro.
Lysandre "me matou" e simplesmente me pendurou como um troféu.
Eu não sabia mais o que estava fazendo ali.
Eu realmente apaguei.
"Boreal ? Responde ! Temos que ser rápidos !" eu sentia um sacolejo no corpo. Era o Armin.
"E-Eu--"simplesmente não saia o som. Completar raciocínio e palavras estava beirando ao impossível.
"Boreal ! Se concentra em mim ok? Olha bem nos meus olhos e respira. Não olha pra frente." Armin falava tentando me fazer tirar o foco da lareira.
Meu corpo travava como na época que fiquei de cama, era como se eu tivesse ficado ali, estática olhando aquela cena por 4 anos em pé.
Armin então me abraçou com força e segurou meu rosto firme contra seu peito, mesmo com super força eu não fiz nenhuma força contra, nem tinha vontade ou sequer força de vontade pra isso.
“Não acha melhor irmos embora. . . ?” ouvi a voz do Ken falando.
Gradualmente eu recobrava a consciência do que estava acontecendo e do porquê de estarmos ali.
Sei que me vi morta já no passado, mas é muito mais chocante me ver pendurada como um troféu do que simplesmente usada em um ritual.
É estranho comparar as situações e achar uma pior, ou melhor, que a outra, mas é a verdade, infelizmente.
“N-Não. . . “Eu finalmente falei, respirava fundo e tomava ar, sentindo o cheiro do peito do Armin em desespero, porém, recobrando a consciência.
“Boreal, tem certeza disso ? Não sabemos o que será visto quando nos aprofundarmos na casa do Lysandre. . . Acho que está tudo muito recente pra você e–” Antes que o Ken pudesse continuar, eu me levantei firme e comecei a vasculhar aquela sala.
Eu fazia em silêncio e desviava o olhar o máximo de cima da lareira.
Armin sem questionar começou a fazer o mesmo, pouco tempo depois notei que Ken também estava procurando por mais informações.
“Afinal, estamos procurando algo especifico ? É só pra eu ter em mente” Ken perguntou nos encarando.
“Precisamos de algo que nos ajude a saber alguma fraqueza deles, um receptor, um documento, qualquer coisa que seja uma informação que ninguém tenha publicamente. Eles não são idiotas, provavelmente viemos atoa, mas vale a pena tentar.” Armin respondia o Ken.
“Ah, ele tem uma sala secreta, mas eu nunca consegui entrar por que precisa de um código pra entrar, se quiser tentar. . . “ Armin parou pra ouvir o Ken e pediu pra que Ken o levasse no local.
Por motivos óbvios, eu não me afastei deles, e fui colada com os dois.
Kentin ia à frente, ele parecia conhecer bem a casa do Lysandre, parece que já andou por lá inúmeras vezes anteriormente.
Irônico. O Kentin que era um tremendo medroso, agora lidera um grupo e invade a casa de um psicopata enquanto vai pra cama com a mulher desse mesmo psicopata ditador.
Muito atrevimento.
Ken então olhando pros lados e sempre nos chamando depois, nos guiou até uma sala enorme que parecia um escritório.
“Não tem câmeras por aqui Kentin?” Armin perguntou olhando pra todos os cantos.
“Tem sim, mas sempre que eu invado o Daniel desliga as câmeras previamente e põe pra passar umas imagens repetidas até eu dar sinal pra ele que saí. Já fazemos isso tem anos.” Ken sorria respondendo e apontando pras câmeras nos cantos.
Ele então levou o Armin até a parte de trás de uma poltrona que tinha no escritório.
Havia um vão muito discreto que mal dava pra notar como porta ali, mas havia um local digital como se fosse um fecho moderno de cofre.
“Iris já me contou que viu o Lysandre entrar em um buraco aqui com os outros 2.”
“E como faz agora Armin ?” perguntei apreensiva enquanto olhava o Armin encarando aquele mecanismo.
“O Lysandre não é idiota. . . Provavelmente só de tentarmos ele vai saber que estivemos aqui. Isso sem contar que eles têm um Armin no grupo, ele com certeza se precaveu disso ou tem no mínimo dedo na segurança desse local. Seja lá o que for, deve ter algo grande aí dentro. . .” ele então pegou seu celular e começou a fotografar o fecho de vários ângulos diferentes.
“OK, fora aqui, tem mais lugares suspeitos ?” Armin questionou ainda olhando o escritório e mexendo em papéis que pareciam ser só documentações sem importância, pelo menos pra gente. Contratos e coisas govermentais apenas.
Notei que o Lysandre parecia ser quem tomava frente desses assuntos burocráticos. Ele parecia ser o que estava na linha de frente como líder do país, os outros dois eram só seus acompanhantes.
“Ele tem uma câmara de tortura, mas não acho que vai encontrar algo útil lá. No máximo se traumatizar um pouco se tiver alguma vítima la.” Ken dizia.
Eu olhava o vão de cada porta pra ver o que tinha nas salas, até que me deparei com uma sala que o Ken veio correndo tentar me impedir de olhar, mas já era tarde, eu vi. . .
“Boreal ! Não ol–” Ele não me impediu de abrir a porta de uma vez e olhar em panico.
Era uma sala com vários “trofeis”
Mas a sala se resumia a imagens minhas.
O silêncio se instaurou ali.
Era demais pra mim.
Eu sentia que o vomito estava na minha garganta.
Sai correndo de lá pro corredor tomar um ar.
Era repulsivo.
Como o Lysandre se tornou isso ? Ou melhor, ele sempre escondeu isso ??!
De repente o rádio do Ken começou a apitar muito, Ken atendeu desesperado, pudemos ouvir, era o Daniel avisando pra corrermos de lá.
Estávamos na parte de cima das escadarias da mansão de Lysandre e tentamos correr de lá.
Ouvíamos a voz da Iris vindo ao longe, bem alta.
“LYS ! EU QUERIA TER FICADO MAIS POXA ! POR FAVOR ! VAMOS VOLTAR !” ela falava bem alto e parecia uma criança mimada.
Mas entendemos bem o que ela fazia, ela queria chamar nossa atenção.
“Desculpe Iris, eu estou muito cansado. Eu falei que você podia ficar.”Lysandre falava com ela gentilmente, nem parecia uma pessoa que teria uma sala cheia de gente morta pendurada. . .
“Mas é mais divertido com você, Lys ! Vamos lá, só mais um pouco por favoooor !” ela insistia.
Estávamos andando lentamente pra porta de volta da sala por de onde viemos.
“OK, Iris, eu volto, mas só um–” quando estávamos entrando na porta enquanto o Armin me puxava, ele acabou arrebentando o meu colar, aquele de coração que ele me deu, que caiu.
Eu tentei pegar, mas não deu tempo.
Ele notou algo estranho e começou a tentar identificar de onde veio o som.
Entramos correndo no esconderijo.
O caminho todo eu fui puxada pelo Armin, não conseguia me mover nem tirar minha cabeça do meu colar.
Aquele cordão era tão precioso . . .
Tinha fotos importantes, era um presente importante e o pior: tem prova pro Lysandre que estivemos lá.
Assim que saímos estávamos respirando fundo quando o Ken perguntou o que houve la dentro já que ele não entendeu nada.
“M-Meu colar. . . Armin arrebentou ele sem querer e ele ficou pra trás, agora ele sabe que estivemos lá, desculpe !” eu falava em panico.
“Tá tudo bem. Já cometi esse tipo de vacilo no início também. Vocês dois vão precisar aprender como lidar com esse mundo aqui antes de tentarem qualquer outro movimento.” Ken falava com calma.
Armin notou que minha maior preocupação era ter perdido meu colar, não o Lysandre em si.
“EU TAVA MANDANDO MENSAGEM INCANSAVELMENTE PRA VOCÊS SEUS MERDAS ! PORQUE NINGUÉM ANTENDEU ?!”Daniel se aproximava gritando.
“Mals, estávamos distraídos”Ken ria.
Parecia que essa comunicação era comum entre eles.
“É EM UMA DESSAS QUE VOCÊ MORRE SEU MERDA ! E SE O LYSANDRE TIVESSE TE PEGO ?! VAI FICAR ETERNAMENTE SE GARANTINDO NA TUA NAMORADINHA ?” Daniel gritava e dava um socão no braço do Ken que só ria se desculpando.
A relação dos dois é realmente muito agradável de ver, e senti que o Armin parecia sentir o mesmo, mas ao mesmo tempo, olhava pros dois com melancolia.
“Aconteceu algo ?” questionei.
“Nada não. Vamos torcer pro colar não entregar a gente de mais. . .” Armin falava ainda melancólico.
“Vamos voltar então? Por hoje acho que não tem mais nada pra fazer. Até porque o Lysandre já voltou pra mansão dele.”Daniel dizia irritado.
“Posso só fazer um negócio antes ?”Ken dizia sorrindo e olhando pra uma estátua do Lysandre na praça.
“AH, LÁ VEM VOCÊ DE NOVO . . . NÃO ME CHAMA QUANDO DER MERDA OK ? CANSEI.“ Daniel só se escorou em um carro no canto e ficou mexendo em seu celular a muito contra gosto.
Ken então puxou uma corda e uma latinha de spray da mochila enquanto corria pra praça.
Eu acompanhava seus movimentos apenas olhando.
Ele subiu na estátua do Lysandre e começou a amarrar a corda no pescoço da estátua, então ele começou a fazer vários desenhos com o spray por toda a estatua.
Bem vandalismo clássico sabe ?
Então de repente surgiram guardas que gritavam com o Lysandre e alguns civis comuns olhavam pra ele.
Uns cochichavam, outros riam, e tinha um clima muito caótico no local.
Daniel não dava a MENOR atenção pra situação.
Ken gritava várias frases contra o Lysandre e mandava o povo acordar, pois ele era um ditador.
Uma das senhoras que se encontravam no local gritou “SE ELE REALMENTE FOSSE DITADOR, JÁ TERIA TE MATADO MENINO ! OLHA O ABSURDO E DESRESPEITO QUE VOCÊ FREQUENTEMENTE FAZ !” ali notei que seu rosto já era conhecido.
“VOCÊS SE CONFORMAM COM MIGALHAS ! ABRAM OS OLHOS E VEJAM QUE ELE ESTÁ OS MANIPULANDO !”
“Manipulando ?! ENTÃO NOS DEIXE SER MANIPULADOS ! Ele nunca deixou seu povo passar fome ou qualquer necessidade !” outra senhora gritava.
“PORQUE AS SENHORAS JÁ TEM DINHEIRO PRA ISSO ! MAS OLHEM A VOLTA QUANTAS CRIANÇAS TEMOS NAS RUAS PASSANDO FOME ! ELE SÓ AJUDA A MISÉRIA DO POVO NA FRENTE DOS OUTROS PRA FAZER MEDIA ! POR TRÁS ELE NÃO LIGA !!”Ken gritava ainda mais.
Os guardas então começaram a apontar as armas de choque em sua direção, Ken desceu de uma vez escorregando pela corda que ele colocou ali, puxou a ponta da corda em uma velocidade absurda e amarrou no carro que o Daniel estava apoiado.
Daniel só empurrou Armin e eu de uma vez pra caçamba do carro, que era um modelo estilo caminhonete, e acelerou, assim derrubando a estátua do Lysandre em nossa corrida.
Eu estava muito assustada com a situação que parecia muito recorrente e comum pros dois.
“VIDA LONGA AO DITADOR SEUS MERDAS !” Ken ria gritando na direção dos guardas que desistiram no meio do caminho.
Ele então se jogou pra trás da caçamba com um sorriso de satisfação.
Daniel dirigia a toda velocidade em direção a um beco além do shopping.
Armin e eu encaramos Ken, mas Armin parecia de alguma forma achar tudo interessante.
Nós então descemos da caminhonete e fomos em direção ao shopping a pé.
Pelo visto eles deixam os veículos ativos longe do shopping, apesar de o estacionamento do shopping também ter veículos funcionais.
Daniel brigava com Ken o caminho todo, e os dois pareciam realmente ter uma conexão forte.
Então, finalmente chegamos no shopping. Já era tarde da noite e maior parte estavam dormindo.
Pude notar que tinham mais pessoas nas áreas inferiores do shopping que o normal, Ken cumprimentava a todos normalmente.
Era como estar, sei lá, no esconderijo secreto do Peter Pan.
É uma comparação estranha, eu sei, mas foi o mais próximo que consegui.
Ken era vivo, ativo e parecia adorar provocar o “capitão gancho” Lysandre.
E ele liderava vários “meninos perdidos”
Seria o Daniel seu Sininho ?
Estou rindo de meu próprio pensamento.
Eu fiquei pensando a noite toda a respeito da confusão toda, do meu corpo pendurado, daquela sala perturbadora. . . Essa realidade é assustadora.
Foi muito difícil esquecer aquilo.
Armin parecia bem pensativo também.
Ele me fez companhia por um tempo, mas logo se isolou nas pelúcias e ficou estudando as fotos que ele tirou do painel na porta do Lysandre com o Daniel.
Não pareciam ter progresso, na verdade, mas isso uniu os dois e preferi deixa-los sozinhos.
Eu então saí pra dar uma volta do shopping quando notei que Ken estava em uma loja de eletrônicos vendo TV e me aproximei.
“Ken. . . Porque você chama atenção deles ? Não devia ser mais discreto ? Assim está chamando atenção pra sí !” Perguntei me aproximando e vendo ele assistir às notícias em que ele aparecia pichando a estátua na rua principal.
“Sim, eu deixo isso pro resto de nossos companheiros. . . Sabe. Se eu fosse discreto, não teríamos tantos aliados. Tem muita gente que quer se voltar contra o Lysandre, mas falta coragem. Ao verem um rapaz novo feito eu se rebelando publicamente e expondo meus ideais assim, eles simplesmente sentem força pra fazer também. Quem já queria fazer toma coragem pra se voltar contra o governo dele, e quem nunca pensou sobre, pode vir a pensar a respeito.
Temos que usar a arma que temos em mãos. Eu não quero que todos os rebeldes se exponham feito eu, mas precisamos de pessoas que tenham a coragem de expor publicamente a raiva de tudo que está acontecendo.” Kentin falava enquanto polia sua bota.
Eu então me sentei ao seu lado e continuei a conversa.
“Mas aí entra outro perigo . . . Se alguém da oposição fizer o mesmo ? Eles não conseguem mais aliados também ? Eu vi aquelas senhoras defendendo cegamente o Lysandre. Eles são mais comportados de qualquer forma, isso também chama atenção e até mais positiva.”
“Sim Boreal. É assim que o mundo funciona. As pessoas expõem suas opiniões e o que expõe mais forte ganha. Se não fizermos barulho, ninguém vai nos ouvir. Eles já são a maioria, não precisam fazer barulho, ser educado é o suficiente pra eles. É por isso que temos que torcer pra que quem consiga poder de se expor assim sejam pessoas com boas intenções. Guerras são criadas com base em influências grandes desse tipo. Por isso é perigoso dar voz pra pessoas extremistas. E por isso, por mais radical que eu possa parecer, eu deixo claro que não sou extremista. Eu quero liberdade. Eu quero que o povo pare de temer ao Lysandre. Não é justo um povo com medo de seu líder da forma como nosso povo tem.”
“Mas eu notei que muita gente gosta dele. Se ele é tão assustador assim, ninguém iria gostar dele.” retruquei.
“Sim. Quando você não faz parte do grupo que sofre, é muito fácil gostar de um ditador. Diga isso pros judeus, por exemplo. Não sei se conhece o nome Hitler ou se é algo exclusivo da minha linha, mas, Hitler era um homem que caçava judeus, e certas raças e padrões e os matava, e ainda assim ele tinha vários apoiadores também, em sua maioria, pessoas que não faziam parte dos que eram caçados. Quem apoia o Lysandre não sofre na mão dele. Ele apesar de tudo faz muito pelo nosso país, mas fica na cara que é unicamente pra ter seguidores. Tipo o que o Castiel disse que ele faz.
Ele está constantemente arrumando sua imagem pública, doando comidas e coisas do gênero. Mas só quando é na frente do povo ou pra pessoas que vão espalhar como ele é incrível. Entre quem realmente precisa ele sequer dá o ar da graça.” Ken dizia pausando sua atividade e me encarando.
“Independente do que, isso não é bom? Digo, independente de suas intenções serem sujas, ele tá ajudando alguém como consequência disso. Ajudar tem que partir de nosso coração e tudo mais, mas ainda tem gente ganhando com isso.”
“Eu entendo seu ponto, e até concordo Boreal, mas pensa comigo: essas mesmas pessoas que ele ajuda, ele espera devoção em troca. Se elas não forem devotas, ele as descarta.
Ele dá um prato de comida em troca de devoção a sua imagem. Sem devoção, sem comida. Basicamente.
Ele só não nos matou ainda pra mostrar benevolência, pra mostrar que as pessoas têm liberdade de expressão, mas quando as câmeras estão desligadas e ninguém está olhando, não é assim que ele age. Enquanto o povo for fiel, ele ajuda, quando viram as costas, assim que ninguém estiver olhando, ele destrói os desobedientes. E eu, sou destaque. Eles sabem que eu sumindo significa que me pegaram, e seu benevolente líder Lysandre jamais faria isso.”
“Mas e os boatos de torturador dele ?” questionei.
“Todos ignoram e acham que é mais um exagero de nós, oposição. Fazer o que, nem tudo são flores.” ele sorria melancolicamente.
Fiquei pensativa.
De todas as realidades que pisei, essa era a mais distorcida.
Eu teria que acostumar com tudo.
Era tudo muito novo. . .
E esse dia foi o estopim pra minha decisão.
Quando achei que nada poderia ficar pior, Armin do passado entrou desesperado pela porta.
“Armin ? Tá tudo bem ?!”perguntei.
Ele me olhou surpreso como se não esperasse me ver ali.
Em seguida entrou o Armin do futuro logo atrás dele com uma arma apontada pra ele.
Ken levantou na mesma hora já olhando pra ele assutado.
“ARMIN ! DEVOLVE É SÉRIO !” ele gritava pro Armin do passado.
“Não.” o Armin do passado respondeu calmamente.
Então o Armin do futuro atirou contra o Armin do passado.
O som ecoou por todo shopping e eu dei um grito assustada.
Passou de raspão no rosto do Armin já sangrando muito.
Ele fazia cara de dor, mas não movia um músculo.
“O próximo vai ser na sua cabeça se não me devolver.” Armin do futuro dizia com um tom de raiva que nunca vi.
“Eu não tenho medo de morrer, você sabe.”Armin do passado disse calmamente levantando sua mão e mexendo no pequeno relógio, sim, o receptor do Armin do futuro estava em suas mãos.
Armin do presente, Daniel, Ambre e mais algumas pessoas apareceram assustadas no local, pessoas que estavam naquele andar.
Só deu tempo de verem um clarão e o Armin do passado desaparecendo.
“Ele roubou o receptor !! MERDAAAA !” Armin do futuro gritava arremessando o primeiro objeto que ele viu na frente no chão com toda força.
“O que houve ?”Armin do presente perguntou já indo correndo até mim.
“ESTAMOS PRESOS NESSA REALIDADE ! NÃO TEM COMO IR NEM VOLTAR NO TEMPO AGORA ! SE ESSA LINHA SE DESFIZER VAMOS TODOS MORRER !” Armin do futuro estava muito histérico.
“Mas porque ele fez isso ?” Ken perguntou.
“Estávamos conversando sobre soluções pra essa confusão toda quando ele sugeriu que se a Boreal morresse tudo se resolveria. Ele insistiu sem parar nisso e por fim, quando menos notei e pensei que tava tudo resolvido, ele roubou o receptor ! Sabe-se lá o que ele vai fazer com essa merda !!”
“Ele. . . Quer que eu morra ?” falei espantada.
Aquilo me deixou ainda mais tonta.
Tantas pessoas que me querem morta. . . Será que a errada sou eu por insistir em viver ?
Todos estavam tensos no local, e cada vez apareciam mais pessoas.
Eu só me mantive estática, sem a mínima reação quanto aquilo.
Depois desse dia vi que teríamos que aprender a nos virar nesse mundo novo . . . Teríamos que sobreviver ali, agora com novas leis, um novo mundo, com medo frequente dos líderes desse local, sem um receptor pra fugir se essa linha se desfizesse, sem ter como avançar ou voltar no tempo, com um Armin que acha que minha morte vai resolver tudo e após ver a sala do Lysandre eu tive certeza que não estávamos brincando com o fogo…
Não tínhamos mais o que fazer a não ser sobreviver até acharmos uma saída.
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