As aventuras de uma Docete Ciclope
180 Capítulo 175
Notas iniciais

Sei que não tenho vínculos com a Charlotte, na realidade nunca nos falamos direito e ela sempre foi muito grosseira comigo além de nariz em pé, mas . . . foi chocante.
Eu senti meu cérebro desligar ao ver a cena, era horrível e me "gatilhou" o Armin enforcado. . .
A sensação de ver aquilo era horrível, principalmente depois de já ter passado por algo similar.
Li entrou na hora chorando.
Ela empurrou todos no caminho e os professores vieram atrás dela.
Creio que mesmo com a briga toda que as duas tiveram, a Charlotte continua sendo uma pessoa importante pra ela, afinal, as duas conviveram bastante tempo de suas vidas juntas. . .
Até a Lety com quem tenho briga atualmente eu não gostaria de perder, sabe, passamos coisas juntas e querendo ou não, ela foi minha amiga.
Armin e eu ouvíamos murmurinhos de pessoas falando da Charlotte . . . Maior parte se referia a ela como "Kévin".
"Viu ? Kévin morreu !"
"Pobre Kévin"
Era meio desconfortável . . . Confesso.
E se tornou ainda mais desconfortável depois que o Armin se meteu.
Até o momento essa informação foi irrelevante, mas mais a frente, se tornou altamente importante lembrar que chamavam ela pelo nome "Kévin".
Ele encarava o corpo da Charlotte sério, não parecia triste nem nada do gênero, na realidade sua expressão foi uma incógnita pra mim por um bom tempo.
No fim das contas se eu fosse definir o Armin por um sentimento que surgiu em seu rosto, sua expressão seria definida como "ira".
Ele se aproximou do corpo.
Os professores que barravam a entrada dos alunos tentaram tirar ele, e naquele momento ouvimos um anuncio pedindo para que todos os alunos retornassem para suas salas.
Armin estava bem irritadiço.
Ele saiu de uma vez da sala com passos pesados me deixando para trás, que rapidamente, me pus a seguir ele.
"A-Armin . . . " no que tentei falar com ele, o mesmo me encarou com certa raiva, não parecia ser concentrada em mim mas sim na situação.
Eu entenderia melhor seus pensamentos mais tarde.
Ele então foi andando direto pra uma das salas de aula, não entendi bem o que ele fazia.
Nessa sala se encontrava o Lysandre.
"Pode me acompanhar um instante ?" ele dizia invadindo a sala e parando em frente ao Lysandre.
Todos encaravam o Armin.
Lysandre se levantou calmamente e seguiu o Armin.
"O que deseja ?" ele dizia.
"Você estuda aqui esse tempo todo e tem vindo pro colégio certo ?" Armin falou.
"Sim. Porque a pergunta repentina se sabe a resposta ?" Lysandre dizia frio.
"Porque quero saber se veio esses dias. Azriel tem estado fora de casa frequentemente mas eu não sei pra onde vocês dois vão, se vem pra cá ou vão pra outro lugar." Armin dizia.
"Com exceção de ontem, ele veio para o colégio todos os dias como um aluno normal.
Maior parte das vezes ele vai comigo pra minha casa e depois vai pro apartamento de vocês." Lysandre dizia.
Ao ouvir não pude deixar de me questionar . . . Se ele dizia a verdade, porque TODO dia o Azriel chega tarde ?
Eu comecei a falar a respeito, não pensei nas consequências.
"Mas porque o Azri---"
"Obrigado pela resposta Lysandre, é útil." Armin me cortou enquanto entrava na minha frente.
Lysandre arqueou uma sobrancelha surpreso ao notar a interrupção.
"Mais 2 questionamentos, sabe se as pessoas tem pego muito pesado com a Charlotte ?" Armin dizia.
"Está bem interessado no estado dela pelo visto, bem, sinto muito mas não tenho o que responder, eu não acompanho esse tipo de acontecimento insignificante no colégio." Lysandre dizia.
"Hmm . . . Mas não tem nada anotado a respeito em seu bloco ? Você anota tudo nele certo ? Até coisas irrelevantes." Armin dizia apontando pro bolso em que o Lysandre guardava seu bloco.
"A-Ah . . . Sim . . . D-deve ter algo no bloco. Vou dar uma olhada." Lysandre dizia puxando o bloco e olhando com atenção enquanto bloqueava a nossa visão com o corpo.
Ele sempre foi cauteloso com esse bloco . . .
Ele folheava e passava rapidamente os olhos pelas paginas, era interessante notar que ele quase não vinha usando o bloco, mas deve ser porque não ando grudada com ele, não como no "passado" . . . Ou futuro dependendo da interpretação.
"A-Ah tem aqui sobre . . . Só detalhes básicos de que praticaram bullying com ela ao descobrirem seu nome registrado no nascimento e que biologicamente ela nasceu do sexo masculino. Nada além disso." Lysandre dizia.
Armin encarava ele em silêncio e não esboçava nada de mais.
"Deseja mais alguma coisa ? Tinha outra pergunta não ?" Lysandre falava.
"Sim . . . Porque tem olhado tão pouco para seu bloco de notas ?" ele questionou.
"Você não convive comigo pra saber se olho pouco. Pergunte a respeito para o Azriel, ele sim convive comigo maior parte do dia. Se já terminaram gostaria de voltar para minha sala." Lysandre dizia nos encarando e se retirando rapidamente no local.
". . . Sim, obrigado pela colaboração." Armin dizia.
"Pera ! Lysandre ! . . . Azriel não veio hoje ?" perguntei repentinamente.
"Não. Porque ? . . . Não viram ele em casa ?" ele perguntou desconfiado.
"Não dormimos em casa essa noite então não sabemos. " Armin tomou frente.
"Ah sim. Ele disse ontem que estava se sentindo mal, foi mais cedo pra casa e não sabia se viria hoje. Pretendia passar lá pra ver se ele melhorou. Talvez seja o corpo ficando fraco por conta do pacto, afinal, ele não adoece." Lys completou calmamente.
"Tem sentido . . . Agora fiquei preocupada . . ." falei assustada.
"Tá tudo bem. Logo vamos pra casa e vemos se ele está bem ok Boreal ?" Armin dizia.
Lysandre finalmente voltou a seu lugar, pude ver ao longe ele digitando no celular, talvez mandando mensagem pro Azriel pra saber se ele estava bem, não sei.
"Armin, porque me interrompeu sempre que eu falava sobre o Azriel ?" perguntei quando nos afastamos.
"Porque ele namora o Lysandre, mas ele gosta da Bia também esqueceu ? Não sabemos até onde tudo dele é uma enorme mentira e ele está traindo ou fazendo algo escondido do Lysandre, precisamos saber das coisas antes." Armin falava.
"Pera . . . Você acha que ele tá com a Bia ? Mas eles mal se conheciam nesse tempo atual em que estamos ! E ela namora . . . " falei.
"Ela namorar é o de menos já que existe traição. Mas no caso dela, eu já soube que ela terminou com o Samuel. Isso abre mais as portas pro Azriel.
Azriel quando estava com a Bia no nosso tempo ficava investindo pra cima do Lysandre se esqueceu ? Que garantia temos que ele não fará o mesmo sendo que ao contrario ?
Até porque não notei a Bia na sala de aula . . . " quando ele falou eu me toquei que tinha razão, ela não estava em lugar nenhum do colégio . . .
Azriel . . . Você está se envolvendo com dois ao mesmo tempo de novo ?
Pior que o Lysandre é mil vezes mais possessivo . . . Bia sempre foi mais aberta, mas o Lysandre é intolerante e possessivo.
"Ainda pretende ir até a diretora ?" ele perguntou interrompendo meus pensamentos.
"Sim, porque ?" questionei.
Assim que perguntei notei que o Armin se afastou de mim, ele então foi até o grêmio, estava tudo lotado.
Nathaniel estava lá tentando resolver aquela confusão com a Melody.
"Nathaniel ! Posso falar contigo um instante ?" Armin dizia se metendo no lugar.
Os dois sumiram da minha visão em segundos que me virei em meio a confusão que ocorria no grêmio, eu realmente não sabia pra onde eles haviam ido.
Eu preferi não me afastar, sai, olhei pros lados e ao notar que não estavam por perto, preferi esperar no canto com os armários.
Sem Ken.
Sem Nath.
Sem Lys.
Sem ninguém.
Antigamente eu era sempre tão cheia de amigos o tempo todo . . . É tão estranho isso tudo.
Agora alguns ficaram no passado, outros no futuro, outros mesmo no meu tempo não interagiam mais comigo . . . Tudo tão estranho . . .
Vi o Nathaniel retornar pro grêmio sozinho e achei estranho.
Armin e ele pareciam ter ido só pro pátio.
Mas ele estava sozinho agora . . . eu precisava ir até ele perguntar a respeito.
"Onde está o Armin ?" Perguntei.
"Ele foi falar com o Dakota lá no ginásio." Nath respondeu sorrindo pra mim serenamente.
"O que ele queria contigo ? Pode me falar ?" falei meio que me impondo. Que feio Boreal. Agindo feito uma namorada paranoica.
"Era só saber sobre o Dakota." Nath falava.
Ele nunca foi bom escondendo coisas, sei que ele escondia algo de mim.
Me retirei sem questionar mais e fui até o ginásio, sim, ele estava lá como me foi dito, Dake e Armin.
Na hora não me pareceu nada suspeito o ato de arrumar a blusa do Armin, mas como todo o resto, esse ato seria muito relevante no futuro.
"Aconteceu algo ?" Perguntei olhando pros dois.
"Pergunta pro teu namorado." Dake respondeu ríspido se retirando do local.
SAUDADES DAKELICIA.
Esse Dake antes de me conhecer é tão Dajan 2.0.
Ele sequer me encarava.
Eu então encarei o Armin.
"Vamos Boreal" ele dizia me envolvendo com o braço no pescoço.
Fiquei encarando ele mais e mais até ele me olhar.
Quando ele finalmente perguntou o que houve eu só soltei brincando: "Está tendo um caso com o Dake ?"
Ele me soltou de uma vez só na mesma hora.
"PORRA BOREAL ! TÁ ME ACHANDO COM CARA DE ALEXY ?!" ele dizia.
"Bem . . . Vocês tem o mesmo rosto . . . Além de serem a mesma pessoa de linhas diferentes então, é, te acho com cara de Alexy" respondi enquanto ele se irritava e eu terminava por rir da situação.
Quando caminhávamos para o patio ouvimos o anuncio da diretora mandando todos irem até o auditório que se encontrava na quadra da qual tínhamos acabado de sair.
"Velha idiota. Porque não avisou que ia chamar todo mundo no palco. Viemos pra falar com essa velha mesmo, se eu soubesse nem saia da quadra." Armin reclamava.
Reclamação super necessária por sinal, nossa.
Já estávamos próximos a quadra, então foi um pulo pra voltarmos.
Fomos os primeiros a chegar no auditório, afinal, estávamos mais próximos como eu havia dito.
Assim que chegamos lá aguardamos.
Aos poucos o local foi enchendo.
Uma pessoa, duas, três . . .
Logo estava lotado de alunos.
Mas a diretora ainda demorou pra falar algo ou sequer aparecer.
"Ai vai ela chamou todos pra nos matar coletivamente." eu dizia em tom de brincadeira.
"Sendo ela não acharia estranho." Armin respondeu sério.
Ele está bem sério quanto a diretora desde o dia anterior no qual pegamos a carta . . .
Após longos minutos de espera, a diretora surgiu.
"Bom dia alunos." Ela dizia enquanto todos a respondiam.
"Venho trazer-lhes a triste noticia que todos já notaram e devem saber, Charlotte veio a falecer essa manhã." na hora que a diretora disse isso pude ouvir algumas pessoas "corrigindo" ela e gritando "Kévin".
Armin pareceu bem irritado e pressionava seu próprio punho.
Eu me aproximei dele e abracei sua cintura.
Mas . . . notei algo estranho e duro que não devia estar ali em sua cintura.
No que fui levantar sua camisa com a mão para apalpar e descobrir o que era ele se afastou de mim e foi até o palco onde a diretora se encontrava.
"Notei muitos por aqui abalados com a perda de Charlotte, seja por proximidade ou por choque ao ver a cena, mas venho pedir para que o alarde diminua.
Vim também para libera-los por hoje.
Pedi para que viessem para cá porque o corpo está sendo retirado e uma equipe de psicólogos está a caminho daqui para conversar com todos que tiveram contato com o corpo." a diretora dizia coisas lógicas, e ela realmente parecia preocupada com o bem estar dos alunos.
Talvez seja impressão minha e eu esteja abalada com tudo por conta das coisas que li . . .Talvez não.
Enquanto a diretora continuava o seu discurso e explicando as atitudes que seriam tomadas no colégio a respeito de toda a situação da Charlotte Armin subiu no palco e tomou o microfone da diretora.
Ela estava assustada e nenhum aluno esperava por aquilo.
"VOCÊS SÃO UM BANDO DE HIPÓCRITAS !!
OUVI MILHARES DE VOCÊS AGINDO COM PENA E TRISTEZA QUANTO AO SUICÍDIO DA CHARLOTTE PORÉM CHAMANDO ELA DE KÉVIN OU TRATANDO ELA COM DESPREZO !!
CADA UM DE VOCÊS SÃO UNS MERDAS !!
SEI QUE ELA ERA UMA PÉSSIMA PESSOA, MAS VOCÊS ESTÃO SENDO MUITO PIORES QUE ELA !!
TINHA MILHARES DE COISAS PRA ATACAR DELA, MAS PREFERIRAM ATACAR ELA DIRETAMENTE DESSA FORMA !! EM MASSA E DE FORMA MUITO COVARDE !!
TINHA GENTE QUE NUNCA TEVE PROBLEMA COM ELA QUE SE METEU NESSA COISA TODA SÓ PORQUE DESCOBRIRAM O SEGREDO DELA !!!
VOCÊS SEMPRE TRATARAM ELA COMO CHARLOTTE PORQUE ESSA MERDA AGORA POR ELA SER ELA MESMA ?!
SAIBA QUE CADA UM DE VOCÊS QUE CHAMARAM ELA DE KÉVIN FORAM RESPONSÁVEIS PELO SUICÍDIO DELA !!
VOCÊS MATARAM ELA !" Armin estava muito irritado, ele gritava no microfone.
Nunca pensei que o veria nesse estado, principalmente por alguém feito a Charlotte, que teoricamente além de seguir passos diferentes dele, ela se enquadra no povo que "pratica" o bullying que ele tanto despreza.
Uma menina então gritou da segunda fileira.
"SAI DAI SEU DOENTE MENTAL. CARA RETARDADO, PENSA QUE É QUEM PRA FALAR COMO DEVEMOS AGIR ?! KÉVIN TE COMIA POR UM ACASO ??" parecia ser uma das meninas que vi mexer com a Charlotte da outra vez.
Armin então encarou ela irritado e colocou a mão no local duro que eu não pude ver o que era anteriormente, ele puxou uma arma e apontou pra menina.
Todos ficaram assustados na mesma hora.
Mas todos ficaram estáticos.
Era por isso que ele estava arrumando a roupa mais cedo ?! Provavelmente !
Muitas coisas e atos do Armin começaram a fazer sentido depois daquela "cena" com o microfone.
Armin atirou sem dó na direção da menina.
A menina estava assustada e eu corri de uma vez pro palco pra parar ele.
"Esse tiro foi um aviso. O próximo não vai ser aviso.
To bem puto com essa merda toda já.
Ela só queria ser reconhecida como ela era de verdade, e o que ela é não tem influencia alguma com os atos dela !
Se queriam devolver o que ela fez, que devolvessem na mesma moeda não usando algo assim e distorcendo ela completamente !!
PORQUE ELA ERA UMA MULHER TRANS ISSO NÃO TINHA NADA A VER COM COMO ELA AGIA OU DEIXAVA DE AGIR !! O MINIMO QUE PODERIAM FAZER É RESPEITAR ISSO DELA !" Armin dizia descendo do palco e jogando o microfone no chão.
Aquela altura estava tudo um caos.
Ele saiu da quadra, e eu fui correndo atrás dele.
A diretora chegou a chamar por ele, mas ele ignorou.
Estava caótica aquela área.
Gente correndo, gritando, fazendo ligações.
"ARMIN !!" eu gritei indo correndo até ele.
Segurei seu braço e ele parou me encarando.
"Quando pegou essa arma ?! PORQUE FEZ AQUILO ?!" eu dizia.
"Peguei mais cedo com o Dakota. Queria me prevenir quando fossemos falar com a diretora, nada mais." ele dizia sentando no meio fio do lado de fora do colégio.
"E se descontrolou lá dentro ! Me de essa arma agora !" gritei com ele enquanto puxava seu braço.
"Não Boreal. Eu não me descontrolei.
Eu não ia matar ninguém lá dentro, não é obvio. Simplesmente quis assustar eles.
Essa situação toda da Charlotte . . . Não me fez nada bem . . . " Armin falava manso e colocando sua cabeça entre as pernas em uma posição encolhida.
Ele realmente parecia abalado. . . Mas eu não entendia bem o que era.
Mesmo ouvindo o que ele disse no palco, pareceu tudo confuso, acho que nem ele raciocinou direito quando falou aquilo . . . Ou eu sou realmente muito ameba como ele fala e por isso não entendi suas palavras.
Nunca entendo bem essas coisas psicológicas, as vezes nem depois que me explicam . . .
"Mas porque isso ?" perguntei.
". . . A Charlotte era como eu.
Sabe, queria ser aceita por quem ela era e não por como viam ela.
Todos tratavam ela de uma forma, e ao descobrirem seus segredos começaram a tratar ela completamente diferente e se basearem nas descobertas que tiveram pra definir toda a personalidade dela. . .
Exatamente como foi comigo.
São coisas diferentes mas com o mesmo desfecho.
Ela nasceu geneticamente homem, mas ela sempre foi uma mulher, e levando em conta que sabe o quanto eu me importo com a explicação cientifica, eu sei com total clareza que seu cérebro envia essas informações, de que o corpo dela não era correto para sua formação cerebral.
Essa desconexão ocorre durante a gestação, a formação de identificação de sexo é a ultima área do cérebro a ser formada, por conta disso, grande numero das pessoas transexuais nascem pre-maturas, porque pre-maturo as vezes falha na hora de formar essa área.
É cientificamente explicado, ela é a Charlotte.
Mas as pessoas não entendem isso . . .simplesmente começaram a julgar ela pelo que eles ACHAM que tem que ser e de como é.
Assim como cientificamente falando meu cérebro foca em um assunto especifico, não me causa super inteligencia nem algo do gênero, só um foco maior em assuntos específicos de áreas do meu interesse além de me causar certos maneirismos mas quando as pessoas descobrem meus diagnósticos começam a me julgar e me tratar diferente.
Tanto ela quanto eu se temos nossos segredos revelados as pessoas param de nos respeitar como o que somos pra nos tratar como nossos segredos . . . Por como elas acham que tem que ser.
Eu passei todo o processo da Charlotte.
Eu tentei suicídio.
Eu . . . Entendo o Kentin ter se revoltado a um ponto em que queria matar todos no colégio por conta do tratamento que as pessoas dão." Armin falava.
. . . Por mais que eu nunca entenda transtornos e afins, eu entendi bem o que ele quis dizer.
Será que o fato de eu ser leiga é bom ?
Eu nunca julguei ele pelas coisas que vi naqueles papeis.
Até porque eu não entendo bem elas.
Sei que elas ajudam em certos "traços" de personalidade, algo do gênero, mas . . .Não sei como funciona de verdade.
Na verdade nem sei se entendi ou se falei certo . . .
A mente é algo muito confuso pra mim.
E no caso da Charlotte, bem, eu não sei como é essa coisa de ter um corpo mas pensar como outro, deve ser como trocar de corpo né?
Igual foi com meu pai quando ele era cachorro talvez . . . Mas, sei lá, sempre tratei ela daquela forma, porque eu mudaria agora ?
Ela continuava sendo a mesma pessoa pra mim. Então eu não entendo bem como funciona isso tudo.
Talvez aquela frase esteja certa, sobre ignorância ser uma benção . . .
Ouvir a situação do Armin me deixou bem pensativa.
"Sabe, meu irmão nunca teve problemas com aceitação.
Tanto que ele se assumiu gay ainda bem novo, e como meus pais sempre foram muito de boa quanto a esse tipo de coisa, foi bem tranquilo.
A maior preocupação deles sempre foi nossa proteção, e claro que tendo um filho gay em uma sociedade que poderia ver isso como algo errado, eles tentaram dar armas pro meu irmão, por isso desde criança nossos pais nos obrigavam a ir pra treinos e aulas de defesa pessoal.
Meu irmão perdeu muita gente quando ele se abriu.
Muita gente quando descobriu o 'segredo' dele, se afastou dele simplesmente.
Mas meu irmão sempre foi forte e simplesmente não se importou.
Muita gente julgava ele falando que ele só tem esse jeito de ser por conta da sexualidade dele, e eu sempre me irritei muito.
Interessante notar que somos 'a mesma pessoa' mas que no caso dele ele aceita tudo melhor que eu.
O Alexy é o Alexy e ponto.
Assim como o Azriel também gosta de meninos e não age como meu irmão.
São uma questão simples de personalidade !
As pessoas criam estereótipos e mudam seu tratamento por conta de ilusões que criam na própria mente.
Ele nunca se incomodou e sempre falou que eu devia ver que mesmo que traços da minha personalidade saiam dos meus transtornos, eu devia abraça-los pois fazem parte de mim . . . Mas é tão difícil.
Eu não consigo ser como ele e mandar um foda-se pra isso. Mas admiro e entendo o que ele quer dizer . . . Tá, eu to com sono, acho que já estou falando nada com nada, desculpa." Armin então jogou sua cabeça sob meu ombro enquanto fechava os olhos.
Serei bem sincera . . . Eu não entendi quase nada.
Talvez eu ainda seja muito ameba, mas . . . Acho que o ponto mais importante eu entendi, e particularmente, aprendi com isso.
Bem, eu nunca passei por algo assim e não sei como é de verdade . . .
Ficamos ambos em silêncio.
"Viemos falar com a diretora e no fim não conseguimos . . ." falei retirando fios de cabelo do rosto do Armin.
"Teremos mais chances Boreal." Armin respondia ainda com a cabeça em meu ombro e olhos fechados de cansaço.
"Vamos pra casa então ?" perguntei.
"Melhor . . . Até porque temos muito o que perguntar pro Armin do futuro." ele dizia esfregando os olhos em meu ombro com força.
As pessoas e sua mania de aparecerem por trás fazendo surpresa, quando íamos levantar meu olho viu de relance alguém atrás de nós, era a diretora.
"O que querem falar comigo ?" ela perguntava.
Provavelmente ouviu que falamos a seu respeito rapidamente.
Armin levantou-se de uma vez já se virando pra ela.
Eu encarei ela e coloquei a mão no bolso.
Ela estava sozinha.
"O que quer ? Porque veio aqui ?" Armin disse.
"Você atirou na direção de uma aluna de meu colégio, como não queria que eu viesse até aqui verificar ?" ela respondia.
Eu então puxei a carta e mostrei de uma vez pra ela, sem rodeios.
Armin teve impulso de me impedir, na realidade, Armin tentou me impedir mas era tarde.
"Onde . . . VOCÊ QUEM INVADIU MEU QUARTO NA ULTIMA NOITE ?!" a postura da diretora estava completamente diferente, nunca a vi com aquela expressão.
"Cécile Shermansky estou aqui para conversar. Ou devo chama-la por Sophie de L'Espée ?" falei séria.
"NÃO CHAME POR ESSE NOME !" ela me encarava irritada enquanto o Armin tomava frente.
"Desculpe. Como devo chama-la ?" perguntei.
"Não me trate como se fosse uma conhecida sua só porque leu minha vida !" ela falava mordendo os lábios.
"Vamos para minha sala." ela dizia comigo já acompanhando ela e sentindo um puxão na mão.
"Não vamos. Que garantia teremos que não nos fará algo ?" Armin dizia.
". . . E queriam falar comigo como ? Por um alto-falante ?" a diretora dizia.
Ela parecia outra pessoa pra mim . . . Será que estou me deixando cair no que o Armin havia acabado de reclamar sobre descoberta de segredos e mudanças de tratamento ?
"O que podemos fazer ? Levar a diretora pra um outro lugar ?" perguntei.
"Eu nem queria ter essa conversa pra começar, mas entrar na cova dos leões é burrice." Armin dizia.
"Você me parece astuto diferente dela." a diretora dizia sorrindo.
. . . Até a diretora tem que me tratar como ameba ? Acho que é um fardo que carregarei pra sempre . . .
"Olá Cécile !" ouvi vindo do Armin do futuro que chegava repentinamente.
"Olá. O que faz aqui ?" ela perguntou surpresa.
"Vim buscar meu irmão mais novo que tinha me ligado pedindo pra leva-lo pra casa." Ele dizia puxando o Armin do presente.
"Ah sim, vocês são irmãos, havia me esquecido." ela sorria pro Armin do futuro.
É bizarro demais falar que tenho ciumes dela ? Ela trata o Armin do futuro tão bem . . .
"Mas nós íamos falar com a diretora e--"
"Cécile, você pode conversar com eles depois ? A mãe realmente tá bem irritada querendo falar com ele." ele a interrompeu.
"Sim mas eu ia falar somente com a Bor--"
"OBRIGADO ! Vamos." Ele falou interrompendo a diretora e nos empurrando pro carro.
"Estávamos indo falar com a diretora Armin !" Foi a primeira coisa que gritei ao entrar no carro enquanto me apoiava em seu banco.
"Me diz que não falaram nada pra ela." ele dizia.
"Essa ameba mostrou a carta que roubamos da casa dela pra própria roubada, e a carta só conta a vida toda da diretora." Armin do presente dizia abrindo a janela e se escorando.
"TINHA QUE SER A AMEBA !" Armin do futuro exclamou enquanto dirigia.
"Mas . . . eu queria resolver conversando e--"
"BOREAL ! VOCÊ TEM QUE ANALISAR A SITUAÇÃO TODA MIL VEZES ANTES DE TOMAR UMA ATITUDE !!" ele gritou.
"Mas . . . Ela é como eu e--"
"SEM MAIS BOREAL ! Meu Deus . . . eu tentei ligar pra vocês a noite pra não deixa-los fazer nada toda mas só dava desligado." ele dizia.
É . . . acho que a hora que ele ligou estávamos ocupados demais no quarto do hotel . . . Lembro que desligamos o celular por conta de chamadas indevidas justamente na hora que estávamos transando.
OK . . . erro nosso.
Mas porque o Armin estava tão agressivo ?
"Pra onde estamos indo ?" perguntei ao notar que ele estava indo na direção de minha casa.
"Boreal e Armin do passado sumiram, ninguém sabe onde eles foram parar.
Ultima vez que foram vistos foi ontem saindo juntos para o parque perto da "minha" casa, Alexy me informou.
Quero perguntar coisas para sua mãe Boreal." ele dizia voltando sua atenção novamente para o volante.
O que eu posso fazer agora ?
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