As aventuras de uma Docete Ciclope
127 Capítulo 122
Notas iniciais

Apressadamente Armin me levou pro médico.
Alexy dirigia.
Armin ficou do meu lado o tempo todo. . . Na verdade ele parecia nervoso, mas disfarçava bem pra passar a confiança de sempre, eu só sei disso porque já conheço cada trejeito dele.
Assim que chegamos no hospital, Nathaniel estava na porta com seu pai.
Apressadamente priorizaram toda a atenção em mim.
Fui levada para uma sala enorme e isolada, era como se tivessem separado uma sala exclusivamente pra mim . . . Confesso que achei tudo isso incrível.
Eu simplesmente fiquei por lá.
A ultima coisa que vi foi o Armin indo falar com o Francis e o Nathaniel.
Dake foi com ele e o Alexy.
E eu estava sozinha no quarto ate então.
Algumas enfermeiras entraram e ajustaram uns equipamentos.
Sinceramente eu não fazia ideia do que estava acontecendo nem do que ia acontecer . . .
Armin a meses atrás dizia que eu devia ler a respeito de gravidez pra ficar preparada, mas eu fiz ? Não . . .
Francis entrou após um tempo todo sorridente e simpático como de costume.
"Ansiosa ?" Ele falava ajustando umas bolsas do meu lado.
". . . Sei lá . . . " respondi perdida.
Não falamos muito, na verdade eu estava um pouco tonta e nem prestei muita atenção no que ele dizia.
Acho que era nervoso . . .
Ele fez mais algumas coisas no quarto antes de sair e o Armin entrar.
Armin veio até mim.
Ele estava frio, bem frio . . .
Perguntou de forma seca se estava tudo bem, e eu respondi sem graça.
Tentei descontrair e falar de maneira natural . . . Mas ele estava tão rude que eu murchei em minha tentativa.
"Armin tá tudo bem ?" perguntei.
"Sim . . . Só estou ansioso . . . Não se preocupe." ele falava se levantando.
Armin em momento algum encostou em mim.
"Agora vou me retirar, o pai do Nathaniel disse pra não ficarmos em cima de você e não ficarmos no quarto atrapalhando todo o processo pelo qual você vai passar." Armin completava se retirando da sala.
Aquilo me deixou muito, MUITO mal . . .
A vontade de chorar era intensa.
Fiquei me lamentando mentalmente até que muitos minutos depois, Alexy entrou empolgado na sala.
"Ahh eu vou ser semi tio, nem acredito." Alexy dizia empolgado alisando minha barriga.
". . . Semi ?" perguntei.
"É ! O filho é do Nathaniel, mas você vai casar com meu irmão e ai ele vai ser semi pai, o que vai me fazer semi-tio" Alexy falou se sentando em uma cadeira do meu lado.
Soltei uma pequena risada, confesso.
"Falando em Armin, onde ele está ? Ele falou que não podia ficar aqui por conta das ordens que o Francis deu. . . Acho que logo você terá que sair também" falei.
"Do que você tá falando ??
Assim que chegamos o Francis falou que ia nos dar mais liberdade do que ele da pros outros pacientes, que bastaria você dar permissão.
Ele falou que só em alguns casos seremos obrigados a sair.
Pro Armin ele deu um passe livre até maior por ser seu namorado." Alexy dizia.
Ao ouvir aquilo bateu um desanimo e tristeza instantaneamente.
". . . Ele já tem andado estranho . . . E agora isso . . . Será que . . . Ele cansou de mim ?" falei desanimada.
Alexy parou um tempo e ficou pensativo.
Ele é sincero em seus movimentos corporais, não inventa, ele para pra pensar ao invés de dar uma resposta genérica pra me por pra cima.
"Conhecendo ele como eu conheço, eu duvido que ele tenha cansado de você.
Acho que ele tá muito estressado ultimamente.
E bem, vamos combinar, você tá grávida do Nathaniel, não dele. Ele é bem possessivo." Alexy falava rindo.
"Eu tenho questionado a naturalidade que ele tratou o assunto a principio, e realmente cogitei dele ter mentido . . . Você falando isso só reforça quanto a ele não ter aceito minha gravidez numa boa . . . " falei respirando fundo.
"Não é que ele não tenha aceito. Ele aceitou com certeza, mas pesa né.
Armin é MUITO possessivo desde criança com tudo.
Objetos, pessoas, animais, TUDO.
E bem, era de se esperar que ele fosse ficar assim com você.
Ele sabe que exagera por isso ele da todo espaço pra pessoa, e como ele é bobo ele fica camuflando muita coisa com piada . . . Coisa que ele deve ter feito esse tempo todo com sua gravidez.
Mas como vocês dois estão passando por péssimos momentos, ele não tá conseguindo esconder.
Eu sinceramente entendo sem entender.
Eu entendo o que ele tá passando e as possibilidades de pensamentos.
Eu entendo bem, mas ao mesmo tempo sinceramente eu não entendo.
Pra mim é bem mais prático, primeiro porque nunca vou engravidar menina nenhuma ou sofrer por namorada gravida né.
E segundo porque eu não sou monogâmico igual vocês dois.
Se eu estivesse nessa situação do Armin eu provavelmente ia estar te dando parabéns normalmente e chamando o Nathaniel pra casar comigo e contigo." Alexy ria.
Confesso que acabei rindo.
O jeito que o Alexy encara a vida é tão sem estresse.
Pra tudo.
Afazeres, relacionamentos, estudos . . .
"Talvez se eu e ele conseguíssemos ser polígamos como você fosse mais fácil pelo menos a parte de relacionamento." eu falei rindo.
"Com certeza seria. E olha que eu tenho ciumes viu ? Principalmente do Pierre." e voltamos a falar desse Pierre . . .
Acho que se o Alexy tivesse que escolher só um dos namorados dele ele escolheria esse Pierre.
Eu estava me sentindo bem, só tinha umas contrações bobas volta e meia mas nada que me parasse de conversar com o Alexy.
Inclusive, Alexy tem me ajudado muito, sou muito grata a ele.
Ele ficou do meu lado o tempo todo me fazendo rir e conversando.
Me distraiu bastante.
De certa forma o Alexy me lembra bastante o Armin.
Uma enfermeira entrava volta e meia pra ver como eu estava e ela media as tais contrações.
Serei sincera, a dor podia até ser forte, mas eu me tornei bastante tolerante de uns tempos pra cá . . .
Acho que sirvo pra ser soldado e ser levada para uma câmara de tortura.
Os intervalos de cada contração estava cada vez mais curto.
E estava começando a ficar mais irritante.
Digo irritante sim . . . Minha vontade era de enfiar uma faca na cabeça pra desligar igual aqueles brinquedos de criança.
Até porque meu corpo todo estava meio dolorido.
Pela forma como os médicos tratavam algo estava ocorrendo errado.
A forma como tudo estava ocorrendo estava errada.
Sinceramente eu não sei até agora o que foi, só sabia que as dores estavam mais fortes e com intervalos mais curtos e que era constrangedor ser examinada da forma como eu era examinada a todo momento.
Sim, meu pensamento estava focado no constrangimento e não no resto.
Alexy por sua vez ficou comigo o tempo todo.
Nathaniel finalmente entrou na sala e sua primeira pergunta foi onde estava o Armin.
Eu me calei e virei o rosto, não queria pensar no Armin naquele momento pois eu estava mal com a situação.
Alexy só falou aquela situação era complicada e pediu pra ele não tocar no assunto naquele momento.
A sala tinha estrutura pra tudo já, aparentemente eu não precisaria trocar de quarto nem nada.
Era tudo perfeitamente estável.
Ficou Nathaniel e Alexy conversando comigo, entretanto, Nath estava conversando enquanto prestava atenção em mim, em como eu estava.
Claramente ele fazia uma avaliação médica enquanto falava . . .
Confesso que sempre acharei estranho.
Como consegui conhecer 2 prodígios ao mesmo tempo ?
Armin e Nathaniel são gênios.
Armin só não é formado porque não quer, sinceramente.
As coisas se tornaram mais tranquilas com a presença do Nathaniel, confesso.
Saber que ele estava ali me deixou bem calma.
Não só pela companhia mas porque eu sabia que se algo acontecesse ele saberia bem o que fazer, quem chamar e tudo mais.
Por sorte o Nathaniel estava sendo responsável por todo o acompanhamento e eu estava sendo tratada com os melhores médicos.
Nathaniel não deixou faltar nada pra mim.
Ele sabia bem cada sintoma e cada coisa que eu sentia, e com seus conhecimentos medicinais ele sabia como agir . . . Assim como o Armin que não se encontrava no local . . .
Mesmo ele não sendo médico ele sabia bem tudo que passei esse tempo todo. . . .
Alexy parecia um pouco mais tenso quando conversava com Nath e as enfermeiras.
Alexy entende bem de assuntos biológicos então aquilo me deixou ainda mais inquieta.
O numero de pessoas preocupadas aumentavam . . .
Sinceramente eu sentia dores constantes mas ainda assim nada insuportável.
Aquilo me fez questionar muito se eu era forte demais ou se as pessoas eram frescas demais quando descreviam as tais contrações.
Rapidamente todos começaram a se posicionar pra fazer o trabalho de parto.
Sinceramente eu não entendia o que estava acontecendo.
Alexy disse que ficaria na sala com a permissão dos médicos.
Ele literalmente teve essa permissão ao pedir pro Nathaniel e em seguida pedir pra mim.
Alexy justificava que queria ver de perto e demonstrava fascínio pela situação.
Naquele momento ele me via como um simples material de estudo . . .
Era constrangedor, confesso, mas não disse não pra ele.
Um parto que ia ser normal terminou se tornando uma cesária.
Em momento algum me explicaram algo, as coisas só aconteciam rapidamente.
Fui anestesiada e sinceramente, que anestesia, porque eu apaguei.
Literalmente apaguei completamente.
Eu pensava que seria uma anestesia local ou algo do gênero, mas foi algo mais forte.
Não fazia ideia de quanto tempo havia passado, mas eu tinha finalmente acordado.
Nathaniel estava na sala sentado e adormecido.
Foi minha primeira visão.
Sem sinal de Alexy, Armin, enfermeiros, só do Nathaniel.
Eu estava um pouco tonta e sentia dores leves na região da barriga.
Estava confusa.
Aquela barriga enorme havia sumido.
Eu estava dormindo, Nathaniel também . . . O que aconteceu ?
Meu primeiro pensamento foi:"onde está meu filho ?"
Primeira coisa que fiz foi acordar o Nathaniel calmamente.
Ele acordou e cuidadoso como sempre já saiu perguntando como eu me sentia.
Eu não respondi ele, só perguntei sobre meu filho.
Nathaniel parecia triste, e aquilo me apavorou.
Meu primeiro pensamento foi que ele havia morrido ou algo do gênero.
"Ele está na UTI do hospital. Tivemos que tirar ele as pressas pois faltava oxigênio pra ele.
Ele está bem e a respiração está ficando estável, porém, ele precisa de mais tempo pra se recuperar.
Houveram mais complicações do que o esperado.
Além do cordão estar pra fora o que impedia a passagem, teve essa falta de oxigênio." ele dizia.
"E quando vou poder ver ele ??" eu falava desesperada.
"Em breve, eu espero . . . " Nathaniel parecia mais triste de não poder me entregar a criança naquele momento do que outra coisa.
Confesso que aquilo me acalmou.
Ficamos em silêncio.
Eu estava pensativa com tudo . . .
Então decidi perguntar pro Nathaniel.
"Era um menino mesmo né ? Ele está bem ?" eu estava realmente curiosa.
Eu queria lembrar de tudo que aconteceu enquanto eu dormia, mas como não tinha como . . . Então só me restava ouvir a respeito até que eu pudesse vê-lo.
"Sim é um menino mesmo.
Bem . . . Fora o problema de oxigeno, ele nasceu MUITO saudável. Acredito que parte daquela bactéria que te injetaram realmente alterou algo nele." Nathaniel falava com um sorriso sereno. Ele passava tranquilidade, e aquilo me acalmava.
Estava com grande medo de algo acontecer com ele.
"E como ele é ?" perguntei curiosa.
Confesso que eu têmia que ele fosse igual a minha mãe e eu . . . Ter a mesma "deficiência".
"hmmm Ele ainda não tem muitas características na aparência dele. O cabelo dele é loirinho.
Ele não ficou de olhos abertos então não posso dizer qual é a cor. Mas . . .ele tem um rosto arredondado feito o seu." Nathaniel dizia gentilmente.
"Olhos ? No plural ?" quando perguntei isso Nathaniel pareceu confuso por uns segundos.
Ele realmente trata meu olho como algo natural.
"Sim. Ele tem dois olhos." Nath ria.
Confesso que na hora deu um alivio enorme . . .
Eu sei quanto eu sou complexada de ter apenas um olho nesse mundo de gente de dois olhos.
E não queria que ele sofresse o que sofro . . .
Em meio aos meus pensamentos eu tentei imaginar como seria a criança.
Loira . . .
"Acho que é mais um loiro pra família né ? Puxou o pai no fim das contas" eu falava brincando e rindo.
Nathaniel parecia feliz.
O clima estava bem agradável no quarto . . .
Eu e Nathaniel então começamos a encarar um ao outro.
Confesso que aquilo mexeu comigo naquele momento . . .
Passaram muitas coisas na minha cabeça.
Sabe, ver que o Nathaniel é o pai do meu filho, que ele cuidou de mim mesmo eu estando com outro, que ele estava ali do meu lado o tempo todo e mais do que tudo, que ele era a pessoa gentil de sempre por quem eu havia me apaixonado, me deixou abalada.
Muitos "e se" passaram na minha cabeça.
Eu sabia que ele tinha terminado comigo só por conta do aviso que o Armin do futuro deu.
Eu sabia que ele provavelmente ainda gostava de mim . . .
Eu sabia que ele não tinha como ficar com a outra Boreal já que ela pertence a outra linha . . .
E não parava de ecoar na minha cabeça o fato do Armin ter virado as costas pra mim.
Não ter ficado nenhum pouco no quarto comigo . . .
A primeira pessoa que vi foi o Nathaniel, o pai do meu filho.
Eu esperava que seria o Armin, talvez o Nathaniel e o Armin . . .
Esses questionamentos ficaram ecoando na minha cabeça.
E cada vez mais "e se" passavam nela.
"E se" eu voltasse com o Nathaniel ?
Agora que sei da situação toda seria mais fácil de convence-lo.
Não é como se tivéssemos terminado porque um magoou o outro.
Nos forçaram a essa separação.
"E se" eu largasse o Armin ?
Ele não ficou do meu lado em momento algum, ele não se importa . . .
Essas coisas passavam na minha cabeça e me deixavam mais e mais confusa.
Eu não tinha dúvidas do que sentia pelo Armin, e com certeza era mais forte do que muito sentimento que tive por ai.
Mas eu também tinha certeza que eu tive momentos maravilhosos com o Nath e que eu realmente gostava muito dele . . . E agora, eu tenho um filho dele.
Sabe, era como se tudo apontasse pro Nathaniel no fim das contas.
Ele voltou no tempo pra tentar me salvar, me conheceu, descobriu que eu não era a namorada dele, se apaixonou por mim sendo do jeito que sou.
Dedicou a vida dele pra preservar a minha . . . E ao acordar, a primeira pessoa que vejo é ele.
Totalmente dedicado.
E se for meu destino ficar com o Nathaniel ?
Pensar nisso sempre me vinha a imagem do Armin em mente . . .
Armin.
Ele largou a vida dele por mim.
Ele depositou todas as esperanças dele em mim.
Ele me protegeu de muita coisa . . .
Me ensinou e me guiou.
Eram 2 pesos fortes. . .
Eu sabia que o Armin estava mal.
Sabia que ele precisava de um tempo pra assimilar tudo.
Sua namorada teve um filho de seu melhor amigo.
Armin tem motivos pra estar assim . . . Não tem ?
Parte de mim queria voltar com o Nathaniel, principalmente naquele momento que eu me encontrava tão fragilizada.
Mas eu não consigo me imaginar mais sem o Armin.
Seria uma dependência ?
Sabe, ele sabe o que estou pensando, ele entende meu humor, ele tem os mesmos gostos que eu.
Se quando ele perdeu a memória eu sentia falta de virar pra ele e soltar um comentário que só ele entenderia, imagine agora que temos tanta sincronia !
Mas e se eu só tiver acostumado com ele ?
Eu . . . Não consigo parar de me questionar com tudo.
Principalmente depois de ter sido tratada tão bem pelo Nath.
". . . E o Armin ?" perguntei desanimada finalmente.
Nath ficou em silêncio.
"Desculpe . . . ele não queria entrar de jeito nenhum. . . Pedi pra ele vir te ver ma ele recusou incansavelmente.
Ele tá chateado porque o filho é meu né . . . ?" Nathaniel dizia triste.
". . . Eu não sei . . . Mas também acho isso . . . " respondi olhando pro lençol.
"Vocês vão se resolver, eu tenho certeza." Nathaniel dizia isso mas ele parecia incomodado.
. . . Eu posso imaginar ele pensando algo como "espero que não se resolvam e volte pra mim" e em seguida pensando "não pense nisso Nathaniel ! É errado ! Deseje a felicidade deles."
É prepotência minha pensar isso ?
Nathaniel e eu nos encaramos mais um pouco em meio a um silêncio intenso.
Olhar pros olhos dele me traziam lembranças . . .
Nathaniel então repentinamente saiu falando pra eu descansar.
Ele dizia que qualquer coisa era só apertar o botão na lateral.
Nathaniel é bem branco e era fácil de ver seu rosto corado.
Confesso que senti um pequeno disparo no coração quando ele saiu nervoso daquela forma . . .
E por ali fiquei . . . Pensativa até adormecer.
No dia seguinte meu pai havia ido me visitar.
Fazia algum tempo que eu não o via e ele estava bem acabado . . . É horrível ver ele daquela forma.
Eu estava cercada de pessoas empolgadas falando comigo.
Rosa, Azriel, meu pai, todo mundo.
Estava uma bagunça aquele quarto, mas um clima de descontração grande.
E nenhum sinal do Armin . . .
Até que Armin parou na porta, e de longe me via.
Ele estava com um olhar sério e penetrante.
Em seguida ele virou as costas e saiu.
Ao ver aquilo na mesma hora eu me calei . . . Não consegui continuar conversando animada. . . foi quando finalmente uma enfermeira trouxe meu filho.Eu finalmente ia conhece-lo.
Era meu filho.
Aquela coisa no meu colo tinha saído de mim e era muito estranho de assimilar.
Eu confesso que achei ele uma graça.
Ele era loiro e tinha bastante cabelo até.
Frágil e pequeno. . .
Na hora eu fiquei toda boba com ele.
Alexy parecia o mais empolgado.
Porém Bia e Azriel pareciam histéricos.
Eles estavam com os olhos brilhando, era algo engraçado.
Pareciam duas crianças vendo um brinquedo novo ou um irmãozinho . . . Isso me faz pensar mais e mais nos dois como filhos meus, meu Deus.
O clima parecia até ter ficado mais leve depois que me entregaram a criança.
"Será Rémy mesmo ?" Nathaniel perguntava.
"Por você tudo bem ?" questionei ele, afinal, ele era pai, acho justo dividir essa decisão.
"Por mim está ótimo." Nathaniel falava empolgado olhando pra criança.
Alexy então soltou algo que foi constrangedor.
"Vocês parecem um casal de marido e mulher que acabaram de ter um filho . . . Nem parece que não estão juntos" ele falava cm um tom que era confuso pra mim definir se ele estava com raiva ou rindo.
Sei que Nathaniel e eu nos constrangemos muito com o comentário do Alexy.
Ficamos falando o dia todo e eu pude ficar com meu filho o dia inteiro.
Nunca pensei que eu fosse gostar tanto dessa ideia de ser mãe.
Meu pai pareceu empolgado, acho que foi uma das poucas coisas que deixou ele feliz.
Eu insistia pra que não levassem meu filho de volta pra incubadora na hora de ir, já que eles ainda queriam cuidar da saúde dele.
E Nathaniel, como dono de tudo, improvisou um jeito.
Ele avaliou bem a situação de nosso filho antes pra ver se não teria problema libera-lo da incubadora. Ele se preocupava muito ainda com o problema de falta de oxigênio que ele sofreu.
Nathaniel não só deu permissão como adaptou o quarto para Rémy e eu para casos de emergência.
Que realmente demonstrava ter uma saúde maravilhosa apesar das complicações em seu nascimento.
Aquele dia, mesmo "brigada" com o Armin, eu me sentia em paz e tranquila.
Pedi para que Nathaniel apagasse as luzes antes de sair, eu tentaria dormir.
Ele estava dormindo no hospital.
Fiquei com meu filho no colo até meus braços cansarem e eu finalmente coloca-lo em deu devido lugar, um pequeno berço plástico do meu lado.
No que eu estava pra por ele no pequeno berço do meu lado
Eu ouvi um som no quarto, quando eu olhei pra cima . . . Era o Jade.
Eu só via a lux da janela batendo na lateral dele.
"O que está fazendo aqui . . . ?" falei surpresa me segurando mais no meu filho.
Jade sorria gentilmente enquanto se sentava na cadeira que ficava ao lado da minha cama.
"Vim te visitar. Ver se está tudo bem." ele falava realmente de forma muito gentil, mas eu me sentia acuada e com medo . . . Eu não sabia o que ele queria, eu nunca sei o que ele quer.
Eu peguei o botão pra chamar alguém do hospital desesperadamente e fiquei apertando.
Jade olhou todo meu movimento e continuou sorrindo.
"A qualquer hora eles vão vir . . . Vai ficar aqui sorrindo feito bobo ?" eu falei irritada e com medo.
"Não vão vir não. O botão está desligado." Jade continuou com a mesma postura sorridente apoiado em suas duas mãos.
Eu então vi que o fio estava partido e fiquei ainda mais em pânico e agarrada ao meu filho.
"E-Eu vou . . . Gritar e alguém vai vir me socorrer." eu falei me afastando aos poucos mas totalmente limitada já que eu estava na cama.
"Te socorrer do que ? Eu não estou nem encostando em você.
Não vim pra te fazer mal, só pra ver se está tudo bem. Fico feliz que ocorreu tudo bem na operação. A proposito, você não vai gritar . . . Não ainda. Está curiosa com a minha presença e não vai me afastar até ter mais respostas certo ?" Jade calmamente apoiou a cabeça sobre a mão e continuou com aquele semblante tranquilo.
"Vamos, pergunte o que quiser."
Eu estava com medo.
Meu filho havia adormecido no meu colo e eu estava apavorada. Instintivamente eu acabei empurrando ele contra meu peito.
"Vamos fazer assim. Você quer que eu vá embora logo certo ? Que tal eu te conceder 3 perguntas ?" Jade sorria.
"Porque quer tanta que eu te pergunte algo ?" falei desconfiada.
"Porque sei que tem dúvidas e quero ajudar você. Você pode não acreditar mas eu gosto muito de você sabia ?" Jade ainda sorria gentilmente.
Eu me segurei e decidi realmente fazer o que ele mandou, eu comecei a questionar ele.
"O que você fez com o Armin quando raptou ele ?"
Jade sentou escorado pra trás e enquanto se jogava ele respondia.
"Eu só contei coisas pra ele. Coisas do futuro.
E passei alguns auxílios sobre a maquina.
Ele ficou um pouco chocado ne ?" Jade falava se fazendo de dissimulado.
"E que coisas foram essas que você falou pra ele ?? O que exatamente ?!" questionei.
"Sobre meu futuro, seu futuro, futuro de todos.
Minha conversa com ele foi longa com ele, não tem como eu resumir tudo. Viu quanto tempo ele ficou comigo ?" Jade dizia.
"Você e o Nathaniel são a mesma pessoa ?" perguntei apreensiva.
Ele então começou a rir.
"Não mesmo !" Jade dizia ainda rindo.
"Então quem é você afinal ? Porque vocês dois se parecem ? Porque você me protege ?" eu questionava desesperada.
"Calma ! Acabou sua cota de perguntas. São só 3." Jade falou olhando o receptor e se arrumando para se levantar.
". . . . Era sério o número ??" perguntei assustada.
"Era. Eu cumpro o que digo.
Bem agora que te respondi e já vi que está bem . . . Vou embora." Jade se levantou de uma vez.
"Pera . . . Você realmente só veio fazer isso ? Ver se estou bem ?"
"Sim." Jade então se afastou.
"Ah é mesmo ! Já ia me esquecendo de um detalhe." Jade se aproximou aos poucos de mim, eu estava tensa mas olhava fixamente para seus olhos verdes.
Ele então tomou a criança do meu colo de uma vez.
"Isso não te pertence mais." Jade ainda com aquela calma dele de sempre usou o receptor e sumiu na minha frente de uma vez.
Eu comecei a gritar da forma mais histérica possível.
Armin entrou desesperado no quarto seguido do Alexy e do Nathaniel.
Todos em pânico.
Eu gritava e chorava muito.
"MEU FILHO ! MEU FILHO !!" Eu não conseguia completar uma frase sequer . . . O desespero tomou conta de mim. . .
"O que tem seu filho ?" Alexy falava desesperado enquanto me segurava nos ombros e tentava me acalmar.
"O J-JADE !! MEU FILHO !! ELE LEVOU !!" Eu gritava desesperada.
Doía muito minha barriga.
Eu contraia a barriga com meus gritos e movimentos bruscos.
Era horrível a dor física, mas mais horrível era a dor que eu estava sentindo ao ver meu filho ser levado.
Eu . . . Não pude passar nem um dia com ele direito !
Aquela criança . . . Era minha cura.
Era o que estava me dando forças . . .
Jade levou !
Pude ver o Nathaniel se desesperar muito.
Ele estava sem reação.
"Não temos o que fazer . . . Ele usa um receptor . . . Meu Deus . . . Eu não acredito . . . " Nath dizia apático quase chorando.
Ele estava com os braços apoiados no encosto de sua cadeira e segurava seu rosto frustrado.
Eu sentia muita dor, muita vontade de gritar, chorar, de tudo.
Alexy me abraçava com uma cara assustada e tentava me acalmar.
"Armin . . . Vem aqui." Alexy dizia abrindo espaço pra que Armin me abraçasse.
Então repentinamente ele comentou algo do qual notei assim que Alexy chamou atenção pra situação.
". . . Armin . . . Sério que depois do filho da Boeal ser levado você vai ficar aí apático ?" Alexy dizia desconfiado.
"Não temos o que fazer. Como o Nathaniel falou, ele tinha um receptor. Ele levou a criança sabe-se lá pra que época." Armin falava calmamente e naturalmente.
"OK ! VOCÊ TEM RAZÃO ! MAS NÃO VAI FALAR UM NADA PRA SUA NAMORADA ?!" Alexy gritava.
"Ele não vai voltar." Armin falou friamente.
"Como pode dar certeza disso ???" Alexy gritava.
Armin se manteve em silêncio.
Então me toquei de algo e coloquei pra fora.
"Jade me contou que falou coisas do futuro pro Armin . . . " eu estava frustrada e a ficha começou a cair aos poucos.
Alexy então completou meu raciocínio.
"Armin . . . Porque não está espantado ? Você sabia de tudo ?" Alexy falou olhando fixo pro Armin.
Armin respondeu um simples "sim" . . . Ele estava com aquela cara apática de sempre.
Eu comecei a chorar da forma mais intensa possivel na mesma hora.
Em poucos minutos já tinham enfermeiros no quarto pra verificar a confusão.
Se eu pudesse levantar com certeza iria bater nele . . .
"COMO PODE ESCONDER ISSO DE MIM ?! VOCÊ ERA CÚMPLICE DELE ?! EU NÃO ACREDITO !! EU CONFIEI EM VOCÊ ARMIN !"
Armin não respondia nada . . . Só ficava quieto ouvindo meus berros . . .E eu acho que o silêncio dele me machucou mais do que se ele tivesse rebatido minhas acusações.
"ISSO TUDO É RAIVA PORQUE O FILHO ERA DO NATHANIEL E NÃO SEU ??? VOCÊ CHEGOU AO PONTO BAIXO DE SE JUNTAR AO JADE SÓ PRA SUMIR COM ESSA CRIANÇA ???" Alexy levantou e segurou o Armin no ar.
Ele não respondia absolutamente nada.
"Julguem como quiser. Foda-se" assim que Armin falou isso o Alexy deu um soco com tudo no rosto do Armin.
Os enfermeiros separaram os dois.
Armin caído no chão com o rosto inchado foi socorrido por um enfermeiro.
Ele saiu de uma vez com movimentos bruscos e se retirou do quarto batendo a porta.
A dor estava aguda, muito aguda.
Abriu alguns pontos da minha barriga o que gerou sangue.
Me socorreram apressadamente e novamente . . . tudo apagou naquele momento.
Quando eu acordei, Nathaniel estava novamente do meu lado.
Nathaniel é muito perfeitinho e sua pele é sempre impecável, sem marcas ou qualquer coisa d gênero, além dele ser bem claro.
Então quando algo estranho acontece é facilmente notado.
Já que a pele dele sempre está em perfeito estado.
E se a cor dele muda um pouco é logo notada por ele ser bem branco.
Nathaniel estava com olheiras . . . E parte de seu rosto estava vermelhado.
Ele estava com um olhar cansado.
"Nathaniel ?" falei desanimada.
". . . Fiquei esse tempo todo esperando que acordasse . . . E esperando que o Jade voltasse . . . "Nathaniel dizia.
Quando ele falou aquilo . . . Veio a lembrança toda de novo.
Minha vontade de falar tinha voltado a ser nula . . .
Refizeram meus pontos e eu fiquei por lá.
Nathaniel ficava do meu lado o tempo todo em silêncio, apático . . .
Se fosse outro rapaz talvez fosse mais leve essa perda . . . Mas o Nathaniel estava muito empolgado com a ideia de ser pai.
Alexy então chegou.
"Vai lá comer Nath . . . Você precisa de forças." Alexy teve que insistir.
Nathaniel não queria sair do quarto.
Mas ele sabia que o Alexy tinha razão.
Alexy perguntava como eu estava e simplesmente me fazia companhia calado . . .
Eu fiquei quase semana naquele hospital.
Pensava no meu filho o dia todo e nos intervalos eu pensava no Armin.
Alexy foi TODOS OS DIAS me ver.
Meu pai ? Ele quando chegou lá e soube que roubaram meu filho , ficou arrasado.
Foi como ver ele vendo minha mãe morrer . . .
Quantas perdas . . .
No último dia de estadia do hospital . . .
Alexy chegou como sempre.
Ele trazia uma sacola na mão, e outra no olho.
"O que houve . . . ?" perguntei assustada.
"Eu e o Armin discutimos feio essa manhã . . . " Alexy dizia mostrando o olho MUITO roxo.
"Meu Deus ! Isso tá horrível." Alexy então colocou a sacola no meu colo.
"Coisas pra te distrair . . . Ele quem mandou isso." Alexy dizia.
". . . Armin mandou você me entregar essas coisas ?" quando abri a sacola tinha 2 portáteis, e uma case com vários jogos.
"Sim . . . E foi por isso que discutimos" Alexy dizia.
"Não entendi."
"Armin agora só fica trancado no escritório. Ele não sai pra nada.
Ele aquele dia saiu daqui e foi direto pro escritório.
Hoje eu estava saído pra vir te ver como de costume, quando ele apareceu na porta do escritório como nunca mais tem feito.
Ele então me entregou essa sacola e pediu pra te dar, falando que era pra te distrair.
Eu falei pra ele mesmo levar, que você sentia falta dele, ele então me ignorou e já ia voltar a se trancar no escritório.
Ai eu me irritei.
Puxei ele e comecei a gritar e discutir com ele.
Armin se irritou de volta e no fim começamos a nos bater.
Mas dessa vez não foi aquelas discussões que você vê nossas, o Armin realmente me bateu pra machucar. . .
Quando ele me derrubou e eu notei como ele estava agressivo, eu fui embora . . .
Já chorei de ódio no caminho pra cá." Alexy dizia com um olhar de raiva e olhos cheios de água.
Cada vez mais meus pensamentos ficam mais confusos quanto ao Armin . . .
Passamos um dia mais estranho que o normal.
Normalmente Alexy tenta me animar, mas o Alexy estava muito abalado.
Alexy passou um pouco de maquiagem no olho e disfarçou.
Ele saiu pra falar com o Nathaniel . . . Acredito que ele foi falar das atitudes do Armin. . .
Médicos vieram cuidar de mim novamente, e bem, me deram alta.
Eu poderia voltar pra casa caso quisesse.
Digo caso quisesse porque o Nath me dava liberdade total de escolha, e bem, caso minha escolha fosse voltar pra casa, eu continuaria tendo acompanhamento.
Eu escolhi voltar.
Contei pro Nathaniel e para Alexy a respeito de minha escolha.
Alexy então me acompanhou até em casa.
Nathaniel dizia que iria lá mais tarde, e que especialmente, queria falar com Armin . . .
Alexy me levou de carro e bem, no caminho eu pedi para que ele me levasse no parque.
Eu precisava disso . . . Precisava desse momento pra mim.
Respirar um ar puro que não respiro a tempos.
Ver a rua.
Ver a grama.
"Tá tudo bem ?" Alexy dizia atenciosamente.
". . . Se eu falar que sim é mentira . . . " minha vontade de chorar era intensa . . .
O que tá acontecendo ?
Cada vez mais minha vida piora MUITO . . .
"Que tal um sorvete ? Eu sei que você tem que comer coisas saudáveis mas . . . Um sorvetinho só pra tentar por mais alegria na sua cara." Alexy dizia puxando minha bochecha carinhosamente.
Alexy tem sido uma pessoa maravilhosa . . .
Assim que ele trouxe o sorvete pra mim ele se sentou sorridente.
Era forçado mas era gentil.
Então ao olhar pra direção do Alexy vi no canto do olho, entre as arvores a silhueta de uma pessoa.
Me virei pra ver quem era e . . . era o Jade.
Eu olhava fixamente, não sabia como reagir.
Alexy seguiu meu olhar e viu o Jade entre as arvores.
"JADE ?!" ele levantou de uma vez e foi na direção do Jade.
Jade deu um passo pra trás e colocou a mão no relógio.
"Lembrem-se que tenho um receptor e tenho o bebê comigo." nessa hora Alexy recuou.
Era visível que ele trincava os dentes de raiva.
"Que você quer ?!" Alexy falava.
"Eu soube que os pontos abriram e queria ver se estava tudo bem . . . Pelo visto sim. Segui vocês aqui." Jade falava com olhar realmente preocupado.
"Jade . . . Devolve meu filho." eu supliquei chorando.
Senti que Jade engoliu seco e u pouco sério antes de por um sorriso no rosto e voltar com seus joguinhos . . .
"Vamos fazer o jogo de novo ? Como você passou por mais complicações eu decidi que vou dar direito a uma única pergunta dessa vez como prêmio de consolação. Use ela bem." Jade falava sorrindo.
"Porque pegou meu filho Jade ?!" eu estava já quase gritando de tanto chorar.
Eu não estava perguntando sério, era uma pergunta retorica. Eu só queria meu filho de volta . . .
Entretanto a resposta foi surpreendente . . .
"Porque eu só te conheci quando entrei no colégio como jardineiro . . ." Jade estava com um olhar mais melancólico apesar do sorriso. E ele foi embora sem mais nem menos.
Eu não parava de gritar e chorar enquanto chamava por ele.
Alexy estava chocado enquanto me segurava.
Eu gritava "volta Jade ! ", "Devolva meu filho" e coisas do gênero.
Era horrível . . . Eu só queria meu filho de volta
SÓ ISSO !
Alexy estava mudo e desesperado.
Ele então segurou meus ombro e começou a me sacudir.
"Você ouviu o que ele falou ??" Alexy dizia.
"EU OUVI ! EU QUERO MEU FILHO !! O QUE ELE VAI FAZER COM MEU FILHO ?!" Eu gritava.
"Boreal ! Seu filho tá bem !!" Alexy dizia desesperado.
"Tá de complô com ele igual o Armin !? " eu falei empurrando o Alexy com raiva.
"BOREAL ! PRESTA ATENÇÃO !! O JADE RESPONDEU !" Alexy dizia.
"RESPONDEU O QUE ?! QUE VAI DEVOLVER ? QUANDO ??" perguntei irritada.
"Boreal . . . ELE É SEU FILHO !! JADE É SEU FILHO !! Você não entendeu isso ?!" quando o Alexy falou isso, eu gelei.
Fiquei muda na mesma hora . . .
"Do que você tá falando . . . ?" eu estava em choque.
Sentia dificuldade pra montar sentenças.
Alexy então repetiu: "Ele falou que só te conheceu quando entrou na escola quando você perguntou porque ele levou seu filho . . . Boreal, ele é seu filho."
Sabe quando você acha que sua vida não tem como ficar pior e fica ?
Então . . .
E agora eu só consigo dizer simples palavras a respeito disso tudo:
Eu odeio meu filho.
Desculpe Debrah . . .
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