As aventuras de uma Docete Ciclope
125 Capítulo 120
Notas iniciais

. . . Quanto tempo faz que não mexo no diário ?
Um ano ?
Sinceramente estou sem noção de tempo trancada no quarto . . .
Armin insistiu continuamente pra que eu voltasse a escrever, mas minha vontade era nula.
Confesso que de tempo em tempo tenho mexido no diário, mas sem vontade alguma de escrever.
Inclusive eu joguei ele longe e acabei destruindo a capa inúmeras vezes . . . Armin consertou todas as vezes e sempre coloca perto de mim de novo.
Não tem graça.
Não tem graça nem ler as coisas que estão aqui . . .
Armin destacou as paginas antigas e guardou elas. Ele literalmente tirou todas as paginas anteriores e guardou como um bloco separado pra que eu não leia mais as coisas antigas.
Esse diário é como se fosse um novo.
Ele preserva a capa e os tipos de folhas porque sabe que tenho grande zelo por ele. . .
Armin insiste pra que eu escreva. . .
Ele é bem atencioso . . .
Ele fala que é importante e fala que isso pode me ajudar a por pra fora, ser algo terapeutico . . . Forma terapêutica sabe.
E bem . . . Tenho me esforçado mais ultimamente apesar de ser difícil.
Tipo agora, estou escrevendo . . . E já sinto vontade de jogar esse lixo na parede só de olhar pra ele.
Fora que ele queria que eu pudesse continuar com o diário. . .
Ele é muito atencioso . . .
Sinceramente não sei bem o que escrever, nem como escrever mais.
Já faz uns 6 meses que não saio de casa pra nada. Mal saio da cama pra ser mais exata . . .
Eu tento sair pros exames, tento não, eu saio, afinal, é importante.
Mas o medo de sair de casa me cerca.
O que vai acontecer ?
E se alguém morrer no caminho pro médico ?
E se alguma organização tentar me capturar ou capturar meus amigos ?
Muita gente deve achar que estou louca, fria, etc.
Mas. . . Se ponham no meu lugar !
Doí saber que sou um ímã de problemas . . .
Eu destruí a vida de todos que amo.
Ver a falta de braço do Dake, as coisas que o Nath e o Castiel passaram na infância.
Me doí.
Sei que fui a causa.
E o Armin?
Ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida . . . E olha o que fiz com ele !
Armin literalmente largou a casa e a família dele pra ficar na minha casa.
E pra que ? Pra ficar ainda mais depressivo do que já é.
Os pais dele vem na minha casa frequentemente . . . E incrivelmente, eles demonstram mais preocupação comigo do que com o Armin em si. . .
Sou patética né ?
Tenho medo do simples fato de me visitarem acontecer algo com eles . . .
O medo constante de que algo aconteça quando eu sair é maior . . .
Agora que sei que o Charlie é meu pai eu . . . Me sinto tão estranha.
Tenho 2 pais no mesmo teto.
. . . Minha mãe ia gostar de saber que meu pai está vivo . . .
Mesmo que no corpo de um cachorro.
. . . Quero minha mãe . . .
Meu pai se tornou mais atencioso e tem trabalhado bem mais pra compensar o baixo desempenho dele no trabalho.
Ele teme ser demitido.
Ele e Charlie agora se dão melhor.
Não são mil amores, mas. . . já é algo.
Maior parte do tempo só fica Armin e eu em casa.
Sem se falar, sem interação . . .
Eu evito.
Tenho medo.
Medo de prejudicar ele ainda mais.
Ele também tem medo . . .
Mas no caso dele, ele tem medo de que eu me mate. . .
Devo ter tentado umas 15 vezes já.
Sempre alguém me impede.
Nem isso eu tenho direito . . .
O que importa é que no momento, não pretendo me matar.
Eu realmente prezo pelo meu filho . . .
Isso tem me segurado e sido a unica coisa pra qual reajo. O único assunto que consigo esboçar interesse quando alguém puxa.
E infelizmente notei que Armin não se sente confortável com o único assunto que me causa conforto . . .
Por isso tenho evitado falar com ele.
Ele não tem culpa, de verdade. Eu entendo ele . . .
Acho que ele até reage bem. Eu estaria sendo um tanto quanto histérica e paranoica se soubesse que ele tem um filho com outra menina, confesso isso.
De qualquer forma, Armin teve grande avanço com suas pesquisas e Alexy também está MUITO dedicado com as dele.
É notável e lindo ver a união dos dois.
Pena que eu não me sinto segura mesmo sabendo dos avanços dos dois. . .
Pra mim, tudo se resolve com minha morte, meu desaparecimento.
Eu só sirvo pra ficar de ímã.
Fui a inútil que ficou o tempo todo só me isolando sem falar com ninguém, sem ajudar em nada, só sendo uma inútil no meu canto.
Tenho pena de todo mundo que tem tentado cuidar de mim, principalmente do Armin.
Ele largou a vida dele pra cuidar de uma ingrata feito eu.
Sabe . . . Eu to rindo muito agora. Rindo de desgosto.
Do quanto eu sou patética.
Seria ótimo que o Armin se livrasse de um peso feito eu, mas ele jamais vai assumir pra mim que eu sou um peso.
Ele é uma ótima pessoa . . .
E eu ?
Eu sou aquela pedra que amarram na perna das pessoas antes de jogar no mar.
No caso, eu tava arrastando todo mundo junto, mas o Armin deu um jeito de desamarrar todo mundo e foi o único que ficou amarrado a pedra . . . Agora ele está afundando aos poucos.
Acho que tá na hora dessas cordas que o prendem a pedra puírem e a pedra cair sozinha . . .
A casa é bem agitada atualmente.
Agora sempre tem gente.
Nath, Dake, Alexy, Rosa, Priya, Bia, Castiel, Ambre,Lys, Azriel . . . Nunca fico 100% sozinha em casa.
Azriel e Bia vão pra escola normalmente.
Azriel é o mais falante.
Mesmo comigo ignorando ele, ou fingindo no caso, pois gosto de ouvir ele mas ele não sabe, o ponto é, ele fala pelos cotovelos.
Fala sobre o dia dia dele.
Fala sobre a relação dele com Lys e Bia.
Fala sobre coisas que leu ou assistiu.
Eu fico só calada, mas ele ?
Tá sempre sorrindo e falante.
Ele não desiste.
Hoje, desci pra ir para o médico fazer meus exames.
Ao descer com o Armin, estava o Castiel na sala discutindo com a Ambre e o Nath.
A sala estava cheia como de costume.
"Porra ! Porque o Dake pode ter um braço mecânico foda e eu não ?! EU TAMBÉM QUERO UM !!" Castiel gritava.
". . . Ambre. . . Você tem certeza que quer que seus filhos tenham esses genes ?" Nathaniel dizia apontando pro Castiel enquanto Ambre estava impaciente com a estupidez dita pelo Castiel.
Ambre e Castiel realmente estão juntos.
Acho que eles combinam bastante.
A impaciência da Ambre e seu jeito autoritário podem ajudar ele a evoluir.
Fora que eles dois tem uma sintonia incrível.
É divertido ve-los interagindo.
Me lembra o que os outros dizem sobre Armin e eu . . .
Castiel continuava seu discurso.
"Todo mundo que perde alguma coisa fica foda aqui.
Nathaniel desde que perdeu o movimento das pernas virou o Xavier.
Ken depois que perdeu a memória ficou badass, agora o Dake perdeu o braço e tá badass também. Azriel perdeu a vida e é badass. Armin perdeu a sanidade e é todo badass . . . Também quero perder algo." Castiel berrava.
"Armin nunca teve sanidade. Então ele já entrou no grupo "badass" como você diz." Nathaniel dizia. enquanto o Armin empurrava ele rindo de leve.
"Castiel perdeu o cérebro . . . Isso torna ele badass ?" Ambre dizia.
"Não. Ele nunca teve, Então é algo natural dele já" Azriel dizia sorridente enquanto o Castiel socava o braço dele irritado.
"Sabe que nem fez cocegas né ?" Azriel sorria ainda mais . . . Dava pra sentir o deboche por trás do seu sorriso fofo.
"Eu perdi a masculinidade, por isso sou a bicha mais fabulosa do grupo." Alexy dizia cheio de pose.
"Mas . . . Pensei que você fosse a única bicha do grupo." Ambre dizia.
"Tem o Azriel . . . " Lysandre respondeu rispidamente sem sequer tirar seus olhos do livro de bolso que ele carregava.
"Tem você também né Lys ?" Azriel então sorrindo de forma muito meiga e claramente provocativa respondeu enquanto pude ouvir algumas pessoas segurando o riso.
E inclusive, fui uma das pessoas que ri.
Armin esbugalhou os olhos, ele estava com o braço entrelaçado no meu, enquanto segurava minha mão.
Ele apertou de leve levemente sorridente.
Após me cumprimentarem, eu fui em direção do carro do Nath.
O hospital para onde vou é sempre o do Nath.
Lá, tenho a vantagem de ter atenção especial.
Fora que ele quem me leva.
Armin sempre vai comigo, obviamente.
Não teve novidade nenhuma.
Nada de novo.
A criança está saudável, eu também.
Tudo normal.
Ao voltar pra casa, logo de cara Alexy falou desesperado para ele e Armin irem para a casa dos pais pois algo havia acontecido.
Na casa só estava o Azriel sentado no sofá fazendo seu dever como uma criancinha feliz que parou pra prestar atenção na conversa se adultos. No caso, Alexy e Armin.
Armin me olhou preocupado, eu sinalizei com a cabeça pra ele ir.
Armin hesitou muito.
"Pode ir ! Eu fico com ela." Azriel dizia sorridente.
Armin agradeceu antes de me abraçar e ir com o Alexy.
Ficou Azriel e eu ali, sozinhos na sala.
Azriel sorria pra mim.
"Eu só vou terminar o dever e falo contigo ok ?" Ele dizia sorrindo e voltando sua concentração ao seu material novamente.
Diferente de mim que sempre odiei essas tarefas escolares, ele parecia adorar.
Viver essa vida de colegial normal parece agradar ele demais.
Eu fiquei sentada no sofá o tempo todo, até que Charlie, ou meu pai, se deitou do meu lado.
É estranho olhar pro cachorro e pensar que é meu pai . . .
Azriel continuava sentado no chão fazendo seu dever.
Apesar do silêncio, o clima era agradável.
Imagino como se o Azriel fosse meu irmãozinho ou até filho.
Era agradável.
Após longos minutos ele se espreguiçou e soltou um "acabei".
Azriel sorriu pra mim se levantando.
"Vou fazer um lanche pra gente." ele dizia.
Azriel então se levantou e foi pra cozinha.
Como de costume ele estava bem falante.
Enquanto preparava algo ele falava pelos cotovelos como sempre.
Falava da escola, piadas, coisas banais.
Ele então finalmente veio pra perto de mim com um lanche.
Ele continuava a falar normalmente enquanto me servia.
E eu continuava calada como sempre.
Só sorria volta e meia pra algum comentário dele.
Então entre um gole e outro de suco, ele finalmente conseguiu me fazer falar com ele.
". . . Eu e a Bia transamos . . . " Azriel falava com um olhar de condenação a si próprio que parecia que ele ia chorar a qualquer momento só de falar isso.
Ele estava brincando com o os próprios dedos e de repente ele tomou copo em mãos e tomou um gole do suco. Parecia ansioso pelos seus movimentos.
"E isso é grave pra você ?" eu perguntei. Sinceramente já tinha tempos que eu coloquei na minha cabeça que os dois não eram mais sobrinha e tio. A argumentação do Armin foi bem lógica quanto a situação dos dois, e eu como sempre, terminei concordando com tudo.
Azriel expressou grande surpresa, ao mesmo tempo que parecia muito feliz.
Azriel sorria.
Foi a primeira vez em tempos que respondi ele.
Que demonstrei interesse no que ele falava.
Não que eu não me interessasse, pelo contrario, mas . . . Não conseguia responder.
"Quanto tempo eu não ouvia sua voz" Ele falava sorridente.
". . . Quando isso aconteceu ?" Perguntei ignorando a frase dele completamente referente ao meu "retorno de fala".
"Ontem . . ." Azriel falava ainda se reprovando. Ele ficou mais e mais cabisbaixo aos poucos.
Eu sei praticamente tudo que o Azriel passa.
Ele sempre me conta tudo constantemente, tudo mesmo.
E eu sabia como estava se desenvolvendo o relacionamento dele tanto com o Lysandre quanto com a Bia.
Mas . . . Estive quieta esse tempo todo.
Ouvir que ele teve esse avanço drástico com a Bia, me chamou muita atenção.
Até porque não fazia muito tempo que ele falava que os dois mal tinham coragem de se olhar, de repente ele diz que transaram ? Foi um baque pra mim.
Além de que, eu não esperava isso da Bia, confesso. Acho que minha visão santificada da Bia me enganou um pouco.
"Ontem ? Pensei que estava ocultando e fosse um acontecimento mais antigo. Confesso que fico surpresa por parte da Bia ." falei.
"Não . . . Eu normalmente te conto cada detalhezinho do meu dia pra ti. . .
A Bia é bem como ela mostra ser . . . Ela é uma menina gentil, meiga e realmente inocente.
Ela só se deixou levar pelo momento . . . Assim como eu fiz.
Desculpa ter te perturbado tanto esses dias com minha vida. Deve ter sido bem chato ficar me ouvindo né ?" Azriel falava sorrindo sem graça.
"Na verdade não . . . Me entreteve bastante. Sei que fiquei calada, mas acredite, prestei atenção em cada palavra sua e foi interessante e divertido de certa forma." respondi.
Azriel começou a rir de leve e perguntei o que se passava.
"Você tá falando cada vez mais parecido com o Armin. As palavras que você seleciona pras suas frases, a forma como formula as frases. E até a cara séria enquanto fala . . . Vocês estão ficando cada vez mais parecidos." Azriel dizia.
Confesso que fiquei pensativa e acabei soltando um riso.
É estranho pensar nisso mas tem sentido . . .
Tenho convivido com o Armin diariamente por meio ano.
Durmo, acordo e vivo o dia ouvindo e vendo ele.
Outras pessoas vem interagir comigo ? Sim.
Mas nenhuma passa tanto tempo quanto o Armin.
Isso porque ele fica dias as vezes só na sala fazendo as pesquisas com o Alexy.
Mas confesso que gosto de ouvir isso.
Ele é uma pessoa que sempre admirei muito, então saber que consigo me parecer com ele agora nem que seja um pouco chega a ser uma honra.
"Mas me conte mais sobre sua situação Azriel" falei interrompendo meus próprios pensamentos.
"Eu. . . To me sentindo muito culpado e um monstro com isso !" Azriel falava.
"E a Bia ?" questionei.
"Ela . . . Aceitou numa boa e disse que esta feliz de perder a virgindade comigo . . . " Azriel falava melancólico.
"E qual é o motivo dessa tristeza toda ?" perguntei.
". . . Bia não devia aceitar isso ! Ela devia me condenar ! Sou o tio dela !" Azriel dizia.
"Ah . . . Ainda isso ? Pensei que já tinha superado essa ideia toda depois das coisas que o Armin vem te falado sempre . . .
Se nem a Bia te vê como tio mesmo sabendo de tudo, se até ela está te vendo como reencarnação, porque não faz o mesmo ?" questionei.
". . . Não sei ! É muito confuso . . . E depois do que eu e Bia fizemos piorou !" Azriel parecia querer chorar.
Coitado.
"E o Lysandre ? Sabe ?" perguntei.
". . . Acho que ele vai brigar comigo se souber . . ." Azriel dizia.
". . . brigar ? Perai . . . Quando vocês se tornaram íntimos ao ponto dele brigar sobre esse tipo de coisa ??" falei espantada.
"Eu não acho que a briga dele tenha a ver com intimidade ou sentimentos recíprocos, mas sim porque ele vê Bia e eu como parentes . . . Ele vai brigar comigo por isso. Porque ele acha errado." Azriel dizia.
"Pra começar ele não tem que brigar com você. Ele pode até expor a opinião dele como Armin ou o eu fazemos, mas brigar com você é demais. Além do mais, ele não quer nada com você, isso tira ainda mais a credibilidade dele pra esse tipo de coisa." respondi.
". . . Pior que ainda gosto dele, e isso só piora nas minhas decisões . . . Talvez eu me deixe levar quanto a decidir 100% aceitar essa ideia de encarnação porque gosto dele também. Eu não quero escolher . . . " Azriel me lembrava eu algum tempo atrás.
É engraçado estar do lado da pessoa que aconselha e ver que ele está na mesma situação que estive.
Por um acaso, com o mesmo cara com quem fiquei assim, confusa.
Eu estava assim com o Nath e o Lysandre.
Agora a bandeira é do Azriel.
Pelo menos ele é sincero com todos nessa historia.
Ele não esconde da Bia que gosta dela e do Lysandre ao mesmo tempo assim como não esconde do Lysandre que gosta dele e da Bia.
Eu ? Fazia tudo errado e ficava tentando ocultar tudo . . . E no fim ainda enfiei um terceiro na historia, no caso, o Castiel.
Azriel comparado a mim na mesma situação que estive, está se saindo MUITO melhor.
"Azriel . . . Não dá pra você ficar nisso com os dois.
O Lysandre já deixou claro que não quer nada contigo, a Bia quer e você gosta dela tanto quanto gosta do Lysandre. Está tudo prático pra você." falei pro Azriel.
"Eu sei . . . Eu quero conseguir pensar dessa forma prática mas . . . Não consigo . . . " ele parecia cada vez mais deprimido.
"Vai esperar tudo desabar ? Cara aceita, você não é mais o Dylan. Só segue em frente.
Você consegue, e a prova é que você transou com a Bia. Se visse tanto ela como sobrinha e se visse tanto como Dylan não ia deixar isso acontecer, a menos que seja um daqueles tios pedófilos . . . Se bem que no seu caso nem dá pra te chamar de pedófilo." falei.
"A Bia e eu só fomos na casa dela. Ela ia me entregar uns papeis pra entregar pro Nathaniel. Ela pegou escondido da diretoria. Na verdade não era nada importante, mas precisávamos averiguar tudo né.
Chegando lá, ela começou a me encher de perguntas enquanto conversávamos sobre sentimentos e coisas do gênero.
Então de repente ela me beijou . . .
Eu afastei ela, discutimos um pouco mas . . . No fim quando vi ela quase chorando acabei cedendo.
Nos beijamos e tivemos caricias intensas das quais só li em livros . . . Eu não fazia ideia de como era viver esse sentimento, e sempre achei que fosse coisa de livro essa ideia de não conseguir se parar quando está em um momento desses com alguém que você gosta muito . . . Mas eu não conseguia me segurar, e ela nem se esforçava pra isso, pelo contrario, ela queria mais que tudo acontecesse. . .
Nos agarramos praticamente no quarto todo até que eu tentei parar . . . Mas a Bi me puxava mais e mais . . .
E dai foi ladeira a baixo . . .
Minha irmã . . . Digo, a mãe dela não estava em casa . . . E isso era o que nos freava . . .
Eu devia ter ido embora enquanto não tinha acontecido nada, mas . . . Não consegui.
Nós dois acabamos nos deixando levar pelo momento e . . . Eu me arrependo muito.
A Bia sabe que eu fiquei mal com isso . . . Não foi ruim, apesar de ser estranho já que é novidade esse tipo de coisa pra mim . . . Mas eu não conseguia parar de ficar triste com a situação toda.E mesmo ela estando feliz, ela claramente ficou triste por eu ter ficado triste.
Como ela não pensa sobre isso ? Ela perdeu a virgindade dela pro tio dela ! Que levemos a historia de reencarnação a sério . . . Eu lembro bem de ser irmão a Georgia, pensar que eu tive medo da minha irmã chegar e me pegar com a filha dela é horrível !
Mesmo sabendo que ela não iria me tratar como o irmão dela, mas sim como um moleque qualquer que estava com a filha dela, é horrível o conjunto de ideias referentes a situação." Azriel dizia.
"Ainda acho que devia se esforçar pra focar só na Bia . . . Eu mesma parando pra pensar esse tempo todo já aceitei bem você como uma reencarnação.
Não tem volta.
Sua vida antiga acabou. Você é o Azriel agora." falei.
Azriel pareceu pensativo.
Eu entendo a confusão dele, eu já passei por isso.
De certa forma o dele é mais complexo.
Pra mim, uma pessoa de fora, deve ser prático pensar "é só seu passado. Você reencarnou, aceita."
Mas . . . Imagine se eu descubro do dia pra noite que o Armin é meu irmão ou algo do gênero.
Eu ia ficar confusa . . .
Se bem que nessa altura do campeonato eu acho que ia arriscar um incesto.
Já estou tanto tempo com ele que nem tem sentido eu me prender a esses paradigmas sociais.
Iria ser estranho mas acho que eu aceitaria no fim.
No caso do Azriel só é mais complicado porque ele não chegou a iniciar um relacionamento com Bia.
"Desculpe te encher com meus problemas . . . Você mal voltou a falar e eu já to te usando de psicologa." Azriel dizia triste.
"Tá tudo bem. Eu me sinto feliz de ser útil e ajudar. De verdade.
Sei que passei muito tempo calada . . . E peço desculpa pelo trabalho que tenho dado." falei.
"Não deu trabalho nenhum !Pelo contrario ! Foi ótimo ajudar esse tempo todo ! Vocês são muito importantes pra mim !
Se eu to tendo essa segunda chance e uma vida tão maravilhosa é graças a vocês." Azriel dizia.
Ele é um menino tão gentil.
"Armin vai ficar bem contente de saber que você está falando." ele dizia sorridente.
Eu não sabia se aquilo era bom.
Eu nem sei se é bom eu estar escrevendo.
Estou tão confusa com tudo ainda . . .
Eu não acredito que eu vá escrever na mesma frequência que antes, sinceramente.
Estou nervosa, ansiosa e perdida.
Confesso que isso me ajudou um pouco.
A tal terapia do diário é valida pra mim, sempre foi, e eu sei disso tanto quanto o Armin sabe disso.
Mas ainda assim . . . Me sinto muito insegura.
"Falando em Armin . . . O que houve ? Alexy falou algo ?" perguntei.
"Ah, envolvia um acidente com o pai deles. Por isso ele estava desesperado. Não sei bem o nível de gravidade da situação." Azriel estava triste de não ter mais informações.
Ele e Bia tem muitas coisas em comum, uma delas é essa vontade de ser útil e ajudar.
A demonstração de frustração do Azriel em não saber a noticia completa pra me passar prova tudo que penso.
. . . Sou cercada por gente maravilhosa e não mereço isso, sou um ímã que vai destruir essa gente maravilhosa.
Azriel então levantou pra levar as coisas pra cozinha.
Enquanto ele lavava a louça eu decidi falar algo que estava entalado e eu precisava falar pra alguém . . .
Escolhi o Azriel porque ele demonstrou total confiança em mim, achei justo depositar a mesma confiança nele.
"Eu estou pensando em trazer minha mãe de volta com ritual . . . " eu falei pro Azriel que se virou assustado deixando um pouco de água do copo que ele lavava cair no chão.
"C-Como assim ?!" ele expressava surpreso.
"Isso mesmo . . . Trazer minha mãe de volta com ritual . . . " repeti.
"Quando decidiu isso ? Porque ?? Como ??? Quem vai usar ???" Azriel rapidamente largou tudo na pia e se aproximou.
Charlie rosnava, claramente era contra.
Mas nada ia me impedir.
Eu estava decidida . . .
"Pensei muito durante esses meses . . . E nunca pensei que faria um ritual desses.
Cheguei a conclusão de que o nível de importância da minha mãe é alto o suficiente pra que eu faça isso . . . " respondi séria.
"Boreal ! Como você vai ter certeza que a alma certa vai vir ?? Ninguém sabe como isso funciona !
E mesmo assim !! Eu sei que devo a minha vida ao ritual, mas . . . Sei que é perigoso !" ele dizia.
"Eu não ligo. Eu quero minha mãe de volta e farei o possível pra te-la do meu lado.
Por favor . . . Estou falando isso SÓ pra você Azriel. Não quero que conte pra ninguém." falei.
"NEM PRO ARMIN ?!" ele falou surpreso.
"Nem pro Armin. Ele me impediria.
E eu quero completar isso.
Já tenho tudo planejado . . . E já busquei tudo e planejei tudo. Se quiser me ajudar, aceito sua ajuda, mas se não quiser, não atrapalhe. Só queria que alguém mais soubesse o que pretendo e confio muito em você." falei.
Azriel mordia a lateral dos lábios arrancando pequenas pelinhas enquanto empurrava os lábios contra os dentes com os dedos.
Nessa hora o telefone tocou.
Eu atendi.
"Azriel ? Eu já to voltando . . . Só estou demorando porque teve um acidente na via que peguei e agora tá um pouco engarrafado. Mas a Boreal tá bem ?" Armin falava com uma voz cansada e parecia bem desanimado.
". . . Eu to bem sim. . ." quando respondi isso pude ouvir um silêncio súbito do outro lado.
Só podia ouvir a respiração do Armin e leves barulhos dele fungando.
"E seu pai ?" respondi.
". . . Eu estou a caminho, explico melhor quando chegar . . . O transito tá voltando a se movimentar." Armin falou pausadamente mas por algum motivo eu senti animo em sua voz.
Um animo que eu não sentia a tempos.
Eu sentia que ele estava bem abalado na ligação mas não parecia ser necessariamente algo negativo.
Eu estava confusa ainda.
Fiquei uns minutos aguardando o Armin chegar.
Azriel estava bem quieto.
Acho que estava pensativo com tudo que falei.
De repente a campainha tocou.
Azriel foi atender, era o Nath.
"Vim buscar o Azriel e resolver umas coisas pro meu pai em uma empresa aqui perto." Nath falava me cumprimentando.
"Ué, onde está o Armin ? No escritório ?" Nath dizia.
"Ele saiu pra ver o pai que sofreu um acidente e me deixou coma Boreal mas falou que já está a caminho." Azriel dizia nervoso.
"Ah, então vamos esperar o Armin." Nath dizia entrando aos poucos com a cadeira de rodas.
". . . E a empresa que você ia agora ?" respondi.
"Ah . . . Eles podem espera--- Boreal ???! Você falou ?!" Nathaniel dizia espantado.
É engraçado pensar no número de pessoas que tem espanto atualmente com o simples fato de eu falar.
"Sim, estou falando."
Nathaniel abriu um sorriso enorme e me abraçou feliz.
"O Armin vai ficar muito contente de ver isso ! Se sente melhor ? Nossa quanto tempo eu não ouvia sua voz !" Nath dizia com uma empolgação na voz que me fez rir.
"Ela riu ! Azriel !!!" Nath realmente parecia empolgado.
. . . Eu devo ter preocupado muita gente nesse período que me isolei de tudo . . .
"Sim ! Conversamos a tarde toda. Eu fiquei muito feliz também !" Azriel dizia sorrindo.
Nath se posicionou com a cadeira na minha frente e começou a fazer varias perguntas.
Nada inconveniente ou algo do gênero, só querendo saber como eu estava.
Logo começamos a falar do bebê.
Aquilo me empolgou bastante.
Comecei a conversar cada vez mais.
Das outras vezes eu ouvia a respeito e ficava calada, no máximo sorria e ficava feliz de ouvir a respeito.
Agora de fato estava interagindo e falando da minha empolgação em ter um filho.
Nunca pensei que ficaria tão animada com esse tipo de coisa, sinceramente.
Mas eu realmente estava cada vez mais animada.
Me atrevo a dizer que parte da minha recuperação foi graças a essa criança . . . Na verdade, tenho certeza disso. A empolgação em saber que terei ela tomou conta de mim.
Ficamos lá conversando e conversando.
E cada vez mais eu me soltava.
Falamos sobre os sintomas, sobre como eu me sentia quanto a tudo, sobre meus pensamentos referentes, essas coisas todas, e por fim falamos até dos nomes que eu havia pensado.
Acho que a melhor parte disso tudo é não ter eles querendo mandar nas minhas escolhas já que eu estava fragilizada.
Sinceramente eu pensava em dar o nome de Aurora caso viesse uma menina por causa de um trocadilho idiota que o Armin fez eu acabei gostando do nome, mas como eu já sabia que viria um menino e o nome que eu havia escolhido era Rémy.
Continuamos conversando, e conversando.
Então finalmente ouvi barulho na porta.
Armin estava chegando.
Armin entrou sorrindo enquanto vinha em minha direção, parecia que a cada passo que dava sua felicidade era diminuída e aos poucos parecia ter diminuído o sorriso dele.
Ele olhou pra todos na sala e veio até mim.
". . . Que bom que você tá sorrindo . . . " Armin falava sorrindo de forma serena pra mim.
"Bem, agora que você chegou Azriel e eu vamos embora." Nath dizia sorridente.
"Vão mesmo ? . . . . Deviam ficar mais . . . " Armin dizia num tom desanimado.
"Amanhã voltamos ! Sem falta ! Até porque quero conversar com a Boreal. E contigo também Armin." Azriel falava empolgado.
Armin só ficou em silêncio.
"Nathaniel tem que ir em uma empresa pro pai dele. Ele falou que só veio buscar o Azriel e terminou que ficaram aguardando você voltar . . . " eu respondi.
Armin ficou quieto e só se despediu rápido dos dois que saíram de lá animados.
Armin ficou quieto, sentado do meu lado.
"O que houve com seu pai ?" perguntei.
". . . Ele sofreu um acidente de carro, mas nada grave. . . Foi só susto." Armin falava rispidamente.
". . . E você ? Tá bem ?" perguntei.
". . . Eu quem te pergunto . . . Não escutava sua voz a tanto tempo . . . " Armin falava desanimado.
"Tive bastante tempo pra refletir. Me sinto melhor pra falar agora. Mas falar que estou bem . . . Não estou." eu respondi.
"ah . . . Vocês conversaram bastante enquanto eu estava fora ?" Armin perguntou com um tom estranho.
". . . Sim, conversamos bastante . . . " respondi.
Armin ficou em silêncio e eu também automaticamente.
O clima era denso.
". . . Eu vou voltar pro escritório pra continuar o que comecei mais cedo . . . " Armin falou virando as costas pra mim.
Eu sinceramente pensei em pedir pra ele falar mais comigo . . . Mas, ele estava tão frio e estranho que eu simplesmente fiquei lá no sofá.
Eu fiquei a noite toda mexendo no celular e até adormecer no sofá . . . Sozinha.
Normalmente, quando adormeço no quarto, eu acordo na manhã seguinte com o Armin ou do meu lado ou vindo me acordar pra me dar algo pra comer . . .
Nessa manha, eu não tive nem sinal do Armin.
Vi comida na mesa de centro . . . E só.
Confesso . . . Ver isso me deu desanimo.
E eu só forcei a comida pra dentro por causa do meu filho, nada mais . . . Por mim, eu viraria pra dormir mais.
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