As aventuras de Polar - Fim de férias
4 Data: 05/02/14
Ontem eu não escrevi no diário, mas estou cheio de coisas pra contar. Tivemos um afogamento, um assalto e um mico.
Vou contar um de cada vez, na ordem. Vamos lá!
O AFOGAMENTO.
Logo depois que chegamos no Hotel, mamãe e papai disseram que nós poderíamos ir à praia enquanto eles arrumavam tudo. Eu e Vítu fomos. Estávamos doidos pra surfar e tal!
O problema era que não sabemos surfar... Mas o que importa?! Sempre há uma primeira vez. Vítu alugou uma prancha pra nós revesarmos. Ele foi o primeiro a (tentar) surfar. Subiu na prancha com as pernas tremendo mais que gelatina, e não ficou em pé nem por 20 segundos.
O problema do Vítu é que ele é muito persistente. Ele não desiste fácil. Tentou mais uma, duas, cinco vezes e não conseguiu nem sequer ficar em pé.
Eu sugeri que a gente fosse mais pro fundo. Ideia de doido, eu sei... Nós fomos. Eu já não alcançava mais a areia no fundo, muito menos Vítu que é menor que eu. Segurei a prancha pra ele tentar subir, quando DE REPENTE, UMA SUPER ONDA GIGANTESCA engoliu a gente por inteiro.
Eu saí rodando e rodando, até que percebi que já estava de volta a areia. Foi aí que vi que nem estávamos tão longe. Por sermos pandas baixinhos, bem na frente já parece que o fundo não existe! Mas tudo bem...
Foi aí que eu me lembrei que VÍTU NÃO SABE NADAR!
Não me pergunte porque tivemos a incrível ideia de botar um panda que não sabe nadar pra surfar...
Eu entrei em pânico e comecei a gritar seu nome. Ele não respondia.
Daí eu vi que ele tava do meu lado. A onda também o levou pra areia. Eu já tava mais tranquilo, mas ele parecia desacordado! Eu, não sabendo o que fazer, comecei a sacudir e bater no seu rosto. Não adiantou muito.
Um gordão que viu a cena toda, veio correndo, fazendo sua pança peluda pular. Ele ajoelhou ao lado de Vítu e disse que ele precisaria de uma respiração boca a boca.
Nesse exato momento, Vítu arregalou os olhos e começou a gritar "SAÍ DE PERTO DE MIM, PANÇUDO! EU TO BEM!". Na hora foi hilário, mas agora que eu parei pra pensar... Como Vítu acordou tão rápido?
Enfim, esse foi O AFOGAMENTO de Vítu. Aposto que ele nunca mais vai esquecer.
O ASSALTO.
Pela primeira vez na minha vida, vi um assalto! Mas antes que fique mal entendido, deixa eu contar a história.
Depois que saímos da praia e voltamos ao hotel, mamãe e papai pediram pra nós levarmos Gabi pra conhecer o lugar. O hotel era enooorme, mas nós sabíamos como não nos perder, usando o mapa.
De mãos dadas com Gabi, Vítu e eu fomos parar na sorveteria do hotel. É claro que aproveitamos a oportunidade! O meu era de creme, o de Gabi de chiclete e de Vítu de morango. Sentamos em uma das mesas porque Gabi já estava se sujando toda.
Quando acabamos, eu tentei dar uma limpada no vestidinho de Gabi, pra ela não sair de lá com uma mancha enorme na roupa. Fui buscar mais guardanapos, quando alguém entrou na sorveteria correndo e dizendo:
"PARADOS, ISSO É UM ASSALTO!"
Eu gelei na hora! Estava longe da minha irmã e o cara estava armado! Ele bem pequeno pra um assaltante, mas eu vou discutir? O carinha, todo de preto, segurando uma arma e com mascara no rosto, andou em direção a Gabi e Vítu, calmamente. Gabi estava lambendo as patas e nem se deu conta do que estava acontecendo. Vítu pôs o rabo entre as pernas e fico calado. O pessoal que também estava lá parecia tranquilo demais pra um assalto...
O assaltante nanico chegou até minha irmãzinha e disse:
"ESTOU ROUBANDO..."
Fez uma pausa e botou a mão atrás da orelha de Gabi.
Eu estava quase chorando, já lamentando a morte de minha irmã...
Mas então, o carinha tirou de trás da orelha dela um coração.
"ESTOU ROUBANDO SEU CORAÇÃO!"
Ele disse e tirou a máscara. Era um menino. Um pouco mais velho que Gabi, mas mais novo que eu.
Ele deu uma mordida na arma e ofereceu a Gabi, que aceitou e mordeu também. Era feita de chocolate...
O pessoal da sorveteria aplaudiu o pequeno espetáculo do garotinho, inclusive Vítu, pra disfarçar o medo que tinha sentido. Parando pra pensar, como tudo estava bem, eu aplaudi também! Foi o assalto mais fofo que já vi.
O MICO.
Depois que voltamos ao nosso quarto e contamos ao papai e mamãe sobre o "assalto", fomos para o restaurante jantar. A comida de lá é maravilhosa por sinal!
Nós cinco fomos pra uma mesa perto do parquinho de crianças pra Gabi brincar enquanto a comida não chegava. Ao lado da nossa mesa, tinha uma outra com duas pandas gêmeas que não paravam de olhar pra nós.
Quando eu percebi, contei pro Vítu e ele confirmou pra ver se eu não estava maluco.
Elas eram duas gracinhas, com lacinhos na cabeça e vestido de bolinha. Estavam idênticas. Duas fofuras!
Vítu disse pra eu olhar e sorrir, pra ver se elas iriam responder. Eu fiz. Olhei, sorri e esperei. Elas olharam e sorriram de volta!
Eu olhei e pus as mão atrás da cabeça. Elas olharam e deram um suspiro fofo.
Eu olhei e dei uma jogada de cabelo. Elas olharam e deram risadinhas.
Tudo ia bem. Já estávamos combinando de chamá-las pra dar mais volta mais tarde...
Elas levantaram e meu coração acelerou, pensando que iriam vir falar com a gente.
Estavam chegando perto, beeeem perto, e eu resolvi dizer...
"E AÍ GAROTAS!"
Mas... Elas passaram direto e foram até o parquinho. Quando me virei, vi que estavam sorrindo pra Gabi. Elas falavam baixando o quanto ela era uma gracinha.
Me senti constrangido naquele momento, mas eu não ia deixar assim.
Levantei e fui até Gabi. Fingi que estava brincando com ela, sempre dizendo "minha irmãzinha", pra chamar a atenção das gêmeas. Parecia que estava dando certo. Elas são paravam de olhar, cochichar e sorrir. Agora sim!
Fui caminhando até elas, calmamente. Elas olhavam pra mim e sorriam.
Quando encostei na parede em que estavam, elas saíram e foram reto. Eu olhei na direção em que elas andavam e vi que, alí, tinha um cara cuidando do seu suposto irmão. Eles começaram a conversar e rir. Parece que em poucos minutos já tinham se tornado amigos. O cara e seu irmão tinham recebido vários beijos de cada uma delas.
Voltei à mesa vermelho de vergonha e batendo os pés. Emburrado, sentei e fiquei quieto.
Pra piorar a situação, Vítu, morrendo de rir, me disse que elas eram vesgas! Por isso achei que estavam olhando pra mim, quando não estavam.
Esse foi um dos piores micos que passei na minha vida.
...
Pulo do Polar!
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