“ A pizza de quatro queijos havia se partido em milhares de pedaços ao entrar na atmosfera terrestre. Qualquer ser, em qualquer parte do mundo poderia provar a iguaria,qualquer um poderia ter o poder ilimitado que a pizza proporcionava …Como nossos heróis iram manter o universo a salvo?”

— Ah!... Acabei de terminar o último capítulo! – Dizia Pedro Lonix, um menino prestes a fazer 12 anos com um sorriso enorme no rosto.

Ele acabava de terminar o último capitulo de uma saga de uma história, a qual ele vinha escrevendo a 2 anos. Ele nunca tinha conseguido levar algum de seus projetos por tanto tempo… Aquela história realmente encantava o garoto,mesmo ele sendo o autor.

Os cápitulos dela eram inspirados em coisas que aconteciam no seu cotidiano, em todas as aventuras que ele vivia ao lado de seus amigos. A história era como uma espécie de diário… Mas com um detalhe pequeno, que encantava o menino: a história era narrada onde ele imaginava ser o universo perfeito, com criaturas fantásticas,onde o inexistente ganhava vida,onde tudo era possível: no pequeno universo de sua imaginação fértil.

— Oba! Até que enfim! Pensei que você não ia acabar nunca. – Dizia Ralph, um dos melhores amigos de Pedro. O principal leitor da história… Ou eu deveria dizer o único?

— É como dizem… “A pressa é a inimiga da perfeição”…

— Mas hoje você demorou 3 horas só pra escrever o primeiro parágrafo! Se você continuar assim, você vai acabar morrendo e a história não vai ficar pronta.

— Olha, ela vai perder 80 % da graça se eu escrever ela rápido… Eu vou me embananar todinho, as coisas vão ficar fora de ordem,ou nem se quer vão ter sentido… Outra coisa, eu de fato vou morrer e essa história não vai ficar pronta, afinal de contas, não vai ter como eu escrever o cápitulo contando como foi o dia em que eu morri.

— Bobagem. Você sabe claramente que quando uma pessoa morre sem conseguir concluir alguma coisa, ela vira um fantasma.

— Então por que você acabou de dizer que se eu morrer a história não vai ficar pronta?

— Por que você vai virar um fatasma e vai escrever ela até o fim dos tempos, e então vai chegar uma hora que a história vai ter tantos capítulos que ninguém mais vai ter coragem de começar a ler… Você não vai ter mais leitores novos e os seus leitores antigos vão morrer uma hora ou outra. Ninguém mais vai estar interessado na história, aí você vai desistir dela.

— É…

-Agora xispa da cadeira e deixa eu ver como ficou! – Disse Ralph com brilho nos olhos.

— Tá bom…

Pedro se levantou da cadeira lentamente e conferiu o relógio que estava na parte de cima do raque onde ficava a televisão. Eram quase 10 e meia da manhã, e por alguma razão aquilo o chateava.

Dois anos atrás

— Nossa… Então essa é a tal escola Paradise Place… É tão grande.

Trrrrrrrrrr! — Batia o sinal do intervalo

— Acho que deveria conversar com alguém… Talvez aqueles garotos... Mas acho que não tenho nenhum assunto bom… No mínimo eles me achariam infantil… É melhor eu só comer meu lanche por enquanto. – Pensava Pedro, caminhando lentamente em direção ao pátio,explorando sua nova escola e observando seus novos colégas, enquanto o vento canalizado fazia sua franja tremular e incomodar seus olhos,mas ele parecia não se importar com isso.

Ao chegar no pátio,Pedro puxou um pacote de bolacha do bolso de sua calça e o abriu, pegou uma bolacha e a devorou lentamente. Alguns segundos depois, um menino de pele e olhos claros se aproximou sem que Pedro percebesse.

— Hey Menino! me dá um biscoito desses? – Perguntou o menino mostrando levemente os dentes,um pouco ofegante.

— C-Claro!... – Respondeu Pedro um pouco assustado e com a boca cheia de bolacha – Aqui está.

— Valeu cara! – O menino sorria enquanto pegava o a bolacha, que ele chamava de biscoito.

Os dois terminaram de comer o doce, e ficaram alguns segundos em silêncio. Pedro não fazia contato vizual direto com o seu novo amigo, alguma coisa o incomodava.

— Ei! Você gosta de “Super-Onze”? – Perguntava o menino loiro,tentando quebrar o gelo.

— Mas é claro! É muito legal! Ano passado eu voltava correndo da escola só pra assistir… Eu e meus amigos vivíamos tentando fazer as técnicas especiais!

Pedro percebeu que tocou acidentalmente em um tópico que poderia fazê-lo sofrer bullying.

“Droga… Agora ele deve estar pensando que eu sou infantil… Ele vai espalhar isso pra escola inteira… Ele é bonito, concerteza deve ter muitos amigos…

“Olha só gente! É o cara que tá tentando fazer o Furacão de fogo! Hahaha! Volta pra quinta série muleque! Hahah!”

Eu me ferrei…” – Pensou Pedro.

— Cara… Vocês conseguiram?! A onde vocês jogam futebol? Quero tentar também! – disse o menino, eufórico.

— A-Ah! No quintal da nossa casa. – Respondeu Pedro Lonix, muito surpreso e aliviado.

— Ah… Droga… Meu tio não deixa eu ir pra casa de pessoas que ele não conhece.Vocês não jogam no campinho de areia as vezes?

— Não, as nossas mães não deixam a gente ir . Elas falam que gente perigosa vai lá. Fora que não conhecemos ninguém daqui do bairro direito… Vivemos trancafiados no quintal de casa, hehe.

O menino suspirou e olhou para baixo, como se estivesse lembrado de algo que estivesse o assombrando.

— …

— O que foi?

O menino estava tão feliz conversando sobre futebol,parecia até que tinha encontrado um baú cheio de moedas de ouro que ele tanto procurava… E do nada a alegria dele some como se alguém tivesse arrancado ela com as próprias mãos.

— Aí meu Deus! Não queria te ofender! Você sabe que não estou dizendo que todo mundo que vai lá é perigoso.

O menino continuou com aquele semblante triste, olhando para o chão até que levantou a cabeça como se estivesse acordado derrepente de um transe.

— Hahaha! Do que você tá falando,cara? Você não me ofendeu, não é nada disso. Não precisa ficar assim! Hehe

— Ufa… Você ficou tão sério que eu fiquei com medo. Não queria perder o primeiro amigo que eu faço aqui assim tão rápido. Hehehe! Mas me diga, o que te deixou assim tão triste?

— Ah… — O menino pensou um pouco e desviou o olhar – Não é nada…

— Olhe nos meus olhos, e diga que não é nada outra vez. Dá pra ver que tem algo te incomodando, e eu quero te ajudar, afinal de contas sou seu amigo,e é pra isso que os amigos servem…

— Tá bom, eu te conto… mas se espalhar… Eu mato você!

O garoto ter ameaçado Lonix em um tom sério,fez com que ele suspeitasse de que essa coisa que incomoava seu amigo fosse algo muito mais ruim do que ele imaginava.

— Tá… Dou minha palavra…

— Me siga então.

Os dois começaram a subir as escadas,sem que ninguém os notasse. Foram até o segundo andar, e entraram no laboratório de química, que estava cheio de caixas com materias espalhadas por todas as partes da sala. As lampadas estavam queimadas, o que deixava o ambiante sinistro. “O que poderia ser tão secreto assim?” pensava Lonix. “ Ele vai contar o que o incomoda, eu ajudo ele e ele vai tentar me matar pra ter certeza de que não vou espalhar o segredo obscuro dele? Ele não parece estar armado…”

— Sabe… Quando você falou sobre as mães de vocês tentando protege-los de coisas ruins, eu senti um pouco de inveja… — disse o menino loiro enquanto acariciava uma das caixas do laboratório. – Nem todas as pessoas tem mães boas assim… E eu sou uma delas… Eu queria que alguém se preocupasse comigo…

— Mas, você mora com seu tiu, certo? Ele não deixa você ir na casa de quem ele não conhece, então, acho que ele se preocupa com você, não é mesmo?

— Não! Ele não quer que eu vá para a casa de pessoas que ele não conhece por que ele não quer que saibam onde ele está… As pessoas sempre vão perguntar “quem é você?” “quem são seus pais?” quando você entra na casa delas...

— E por que ele não quer que as pessoas saibam nada sobre ele? Ele por acaso é algum tipo de agente secreto? – Lonix perguntou isso em um tom sarcástico .

— Na verdade… — O menino pensou durante alguns segundos.

O silêncio repetino deixava a cena ainda mais assustadora… Passaram mais alguns segundos e o menino ainda não havia completado a frase… E mais uma vez se encontrava cabisbaixo … Porém parecia bem mais carregado e triste do que antes.

Lonix começou a se aproximar da porta, a situação parecia estar saindo do controle.

— Acho que não deveria ter te falado sobre isso… — Disse o garoto loiro, quebrando parte do silêncio, porém sem expressão alguma. — O garoto começou a virar lentamente a cabeça em direção a Lonix. — Mesmo que eu não te conte o que há com meu tio, você só vai ficar cada vez mais curioso… E vai descobrir a verdade…

— Então diga ela logo, por favor!

— Parece que a essa altura do campeonato, não tenho mais saída… Ele já nos percebeu.

Lonix começou a se preocupar ainda mais. Pensou em simplesmente em sair pela porta e fugir do lugar o mais rápido que pudesse, nunca pensou que alguém tivesse tal habilidade, mas queria se previnir… Mas lembrou que o tio do garoto poderia castigá-lo severamente por ter falado coisas sobre ele, e não tinha nenhuma dúvida de que estava lhe dando com alguém perigoso,pelo menos era o que ele sentia.

— Como seu tiu faz isso?

— Nós vamos morrer agora. – Uma lágrima escorreu do olho do garoto — me desculpe… Amigo.

— Mano, para com isso, e me conta logo o que seu tiu tem!

— Ele… Ele é o cafetão de todos os criminosos da região… Assassinos de aluguel… Traficantes… Ladrões… Todos devem pagar parte do lucro para ele… Ele sabe tudo o que acontece, aconteceu ou que vai acontecer na região, por isso ele é uma peça fundamental para que os crimes sejam bem sucedidos… — o garoto apoiou a testa nas caixas — Tudo o que eu queria era ter nascido em uma família normal, com uma mãe, um pai, um irmão… Você nunca vai saber qual é a sensação de chegar em casa e ver pessoas sendo manipuladas pelo dinheiro destruindo outras famílias, roubando de quem se esforçou, transformando pessoas sadias em monstros, e não ter nem uma pessoa se quer para jogar uma partida de futebol… E quando uma pessoas dessas aparece, você coloca a vida dela em risco só por contar sobre os seus sentimentos…

Lonix suspirou, e andou em direção ao garoto e o abraçou.

— Na verdade, você não colocou minha vida em risco… Está tudo bem. Eu não vou morrer… Eu acho…

Ouvir aquilo acalmou o garoto, que abraçava Lonix, mais forte ainda.

— Eu queria acreditar que você realmente vai ficar bem… Foi muito bom ter te conhecido… — O garoto começou a chorar muito.

— Hey…Você já olhou para a minha sombra?

— Do que você está falando?

— Com licença…

Lonix soltou o garoto e andou em direção a porta outra vez. E a sombra que se projetava no chão, possuía o que pareciam ser 9 caudas.

— Acontece que seu tio não é a única pessoa a ter uma habilidade secreta… Hehe!

— Mas oquê?!

O garoto ohlou novamente para Lonix, que agora estava com uma aparência totalmente diferenteda anterior. Seu cabelo agora estava completamente branco, suas orelhas agora se assemelhavam as de um lobo,e o balançar de suas caldas fazia com que brasas azuis síssem das mesmas.

— O que você é?!

— Um renegado, mas sou um pouco diferente dos outros. Sou um youkai… Um kitsune pra ser específico. Só tem um geito de me matar, e não é a distância… O que acha?

— Wow… — O menino enxugou os olhos – Você me surpreendeu agora.

O semblante do menino começou a voltar ao estado normal. Aquilo deixava Lonix aliviado, e com uma sensação de “missão concluída”.

— Mas… Meu tio ainda pode querer me castigar de alguma forma… E acho que ele não vai gostar nada disso…

— Bem, agora seu tiu sabe que se ele fizer qualquer coisa com você, ele vai estar na minha lista negra… E aposto que ele sabe que eu sei como conseguir destruir todos os planos dele… Mas acho que você não vai mais precisar se preocupar com ele.

— Você não está pensando em tirar a vida dele,ou está? Olha eu não gosto dele, mais não quero que ele morra…

— Eu não quero e nem vou sujar minhas mãos,cara. Relaxa… Agora me diz, você quer viver uma vida normal,mesmo que isso significasse ficar longe do seu tiu?

— Sim!É claro!

— Então, vou precisar que você feche os olhos por uns instantes…

— Certo… — Disse o garoto fechando os olhos, sem nem se quer entender o que estava acontecendo.

— Agora vou poder te ajudar, meu amigo.

Lonix tomou a forma deuma raposa enquanto pulava pela janela da sala ao lado do laboratório de química e voltou rápidamente para sua casa saltando velozmente pelos telhados.

— Mãe! — disse lonix sentando no parapeito da janela da cozinha de sua casa, onde sua mãe lavava a louça — Preciso que você faça uma coisa.

— Menino, eu já te falei pra não andar assim pela rua! Entra logo e espero que você me de um bom motivo pra você ter feito essa peripécia!

Lonix entrou pela porta da frente e voltou a forma humana.

— Mãe, fiz um amigo novo…

O menino contou toda a história para sua mãe, e descidiu ajudar também no caso. A mãe de Lonix usou seus poderes psiquícos para apagar todas as memórias terríveis do garoto loiro. Atravéz de sua onisciência, ela descobriu o paradeiro do tio do garoto e também apagou parte da memória dele.

Rapidamente, pegou um certificado de adoção falso encontrado na residência do tio mafioso do garoto loiro , passando a guarda dele para uma família boa,também indicada pela onisciência da mãe de Lonix. Então, ela alterou a memória dos membros da família e do garoto também. Que acordou exatamente onde ele estava quando Lonix respondeu sobre o lugar onde ele jogava futebol com seus amigos…

— Hey… Você está bem?

O garoto loiro estava no chão, meio tonto.

— Ã-ãh?

— A gente estava falando sobre futebol e do nada você desmaiou… Acho que você precisa de um médico… — Lonix estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar.

— Me lembrei agora… Mas que coecidência, minha mãe também não gosta que eu jogue futebol na rua. Ela realmente se preocupa muito comigo…

Lonix abriu um sorriso de orelha a orelha. “Muito obrigado mãe…Seja lá como você tenha conseguido fazer isso…”… Saber que aquele garoto vivia agora em um universo totalmente diferente do anterior,enchia o coração do garoto de satisfação. Havia ajudado seu amigo, fazendo algo que nem ele mesmo acreditava ser possível.

De volta para a atualidade.

“E depois disso… Eu ainda consegui fazer uma leva de novos amigos… Infelizmente, eu não pude melhorar a realidade de todos, nem com a ajuda da minha mãe… Afinal de contas, se eu tivesse feito isso, eles talvez não seriam as pessoas que eles são hoje,e suas histórias teriam perdido a parte mais bela, que é a onde eles saúdam os problemas e a dificuldade com o sorriso deles…” – Pensava Pedro sentado no sofá de casa

Sabendo que faltava apenas 2 hora para ele ir se despedir dos amigos, o garoto continuou lembrando de tudo o que ele fez junto com eles, de todos os capítulos de sua história… De todos os momentos bons e ruins… Mas ele se animava,sabendo que boa parte de seus colegas eram vizinhos, então ele ainda poderia vê-los pelo bairro. Não seria um adeus…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.