As aventuras de Fleamont Potter
4 Realizando sonhos
Notas iniciais

Harry estava adorando ouvir histórias da juventude de seu avô. De certa forma, eram um pouco parecidos. Além da semelhança física, Fleamont também era repleto de amor. Amava a seus amigos e a sua esposa, assim como Harry amava os seus. Achou que o amor de seus avós era parecido com o dele e Gina. Mas ficou abismado com uma coisa: seu avô era muito bom em Poções! Como é que Slughorn não lhe falou disto? Será que não sabia que ele, Harry, era neto de Fleamont? Ou simplesmente se esquecera? “Depois perguntarei a Slughorn sobre meu avô”, pensou.
— Meu avô era mesmo muito... Digamos, corajoso! Levou bastante a sério o lema da Grifinória!
— É... – Leonard sorria – Meu velho amigo sabia o lema de cor e salteado.
— O mais engraçado é que a única coisa que eu sabia dele até então era sobre a Poção alisante que ele criou.
— Ele fez muitas poções importantes, mas a Poção Sleekeazy não foi só a sua poção mais famosa. Foi a criação de sua vida. Flea começou a inventá-la ainda na escola e trabalhou nela durante anos até conseguir aquele resultado. Mas adivinhem quem foram os primeiros cobaias...
“Fleamont Potter estava farto de ouvir piadinhas a respeito de seu cabelo. Era a coisa que mais odiava em seu corpo – mais do que suas pernas finas. Sua mãe Edwina tentava, em vão, deixa-lo liso e penteado para trás, mas nunca conseguiu.
— Esse cabelo não tem jeito. Deve ser um mal de família!
Seu pai, Henry, também tinha os mesmos cabelos desarrumados, porém totalmente brancos, mas nunca se importou muito com isso.
— Ah, eu até gosto de ter um cabelo assim, filho. Torna-me diferente! E eu gosto de ser diferente!
Mas isso não era o suficiente para Fleamont. Os olhares de desaprovação dos professores, dos colegas e das meninas – especialmente Euphemia – faziam com que ele tivesse que tomar medidas extremas.
Slughorn, o seu professor favorito, ou pelo menos o único que gostava dele, talvez pudesse ajuda-lo. Mas ele já estava perdendo boa parte de suas madeixas e temeu que um de seus melhores alunos tivesse o mesmo destino.
— Potter, creio que seus cabelos sejam os únicos do mundo. Sua marca registrada. Está certo de querer mudar isto?
— Sim, eu...
— Cabelos tão brilhantes, tão vastos, quer mesmo mexer? Pode ser que fique pior!
— Eu sei, mas...
— Já tentou todas as possibilidades? Talvez seja necessário apenas um pouco mais de vaselina...
— Basta, professor! Eu estou farto deste cabelo! Dos olhares das meninas me censurando! Só queria poder ser elegante às vezes...
— Pois bem, se quer tanto, posso te dar umas dicas. Gomas Barbadenses são boas para diminuir o inchaço do cabelo, mas nunca foram misturadas à vaselina, então não posso dizer o efeito disto, mas se quiser tentar, faça com cautela e evite testar em si mesmo ou em seus amigos! Aliás, evite testar em qualquer ser humano!
— Obrigado, professor Slughorn! Depois te direi o resultado.
Fleamont escreveu a seus pais pedindo por gomas barbadenses e a coruja chegou em três semanas, com um pote cheio. Leonard, Septimus e James já estavam exaustos de tanto ouvir Fleamont falar sobre a poção que estava preparando.
— Sim, Flea, sabemos que essa poção ficará fantástica, maravilhosa, sensacional quando ficar pronta! – afirmou Leonard, irônico.
— Quantas vezes você disse isso? – Septimus pôs a mão no queixo, olhou para cima e franziu o rosto – Hum... Umas cinquenta e sete?
— Certamente ficará pronta depois que você preparar!
— Obrigado, Rocky, é por isso que eu gosto de você! E terá a honra de ser o primeiro cobaia da minha experiência! – exclamou Fleamont, em tom solene.
— Eu? – James ficou nervoso. Não queria ser o primeiro a testar a poção – Não, eu não...
— Sei que está nervoso, meu amigo – disse Fleamont, batendo no ombro de James — mas tenho certeza de que ficará ótima! Acalme-se e espere até depois do jantar. Se vocês também quiserem me ajudar e ver a minha maravilhosa invenção, estão convidados!
Os grifinórios estranharam que Fleamont pouco comeu durante o jantar. Ele, que sempre foi um dos últimos a sair da mesa e adorava coxas de frango, sequer tocou nelas. Saiu antes de todos e ficou preparando os últimos detalhes de sua poção até os amigos terminarem.
Os quatro amigos foram até um banheiro desativado. Fleamont carregava o caldeirão com o pote de goma barbadense e o pote de vaselina dentro.
— Muito bem, meus amigos! Vai começar a festa!
Fleamont pôs a vaselina e foi colocando as gomas barbadenses aos poucos. Mexeu algumas vezes, um pouco trêmulo de ansiedade, sob os olhares aflitos de Leonard, Septimus e James, que torcia para que a poção não fizesse maiores estragos.
— E agora – Fleamont pôs a mão em um dos bolsos das vestes e tirou um pequeno frasco – minha arma secreta!
O frasco continha um punhado de pelos de dragão verde-galês, que Fleamont roubou da sala dos professores em uma de suas saídas noturnas em busca de ingredientes para suas invenções. Sempre coberto por sua capa de invisibilidade, ele costumava sair à noite, procurando se manter bem distante de Apollyon Pringle, que adorava lhe colocar em detenção e seu castigo favorito era pendurá-lo com correntes em sua sala e lhe chicotear dezenas de vezes. Fleamont costumava ir à sessão restrita da biblioteca, procurando livros sobre poções, sobre os maiores duelos e melhores duelistas da história e sobre quadribol. Fleamont abriu o frasco e colocou os pelos de dragão verde-galês aos poucos. Isto deixou James ainda mais preocupado.
— Flea, será que isso vai dar certo? Nunca misturaram pelos de dragão verde-galês com nenhuma poção de cabelo! E o cheiro não está ficando muito bom...
Fleamont teve que dar razão ao amigo. A poção estava ficando verde-musgo, com um aspecto gosmento e um cheiro de esgoto. Septimus começou a regugitar. Leonard tentava tampar o nariz com o casaco. Fleamont tentava disfarçar, mas não conseguia conter o nojo e a apreensão com o que poderia sair dali.
— Muito bem! Acho que assim está bom! Rocky, está pronto?
James começou a suar frio. Estava lívido.
— Acalme-se. Sei que este é um momento importante, mas estou certo de que o máximo que poderia acontecer era o seu cabelo ficar verde – ao dizer isso, sorriu nervosamente, mas seus amigos não o acompanharam – Bom, tome um pouco e passe em uma mecha do cabelo.
— Só uma mecha? – questionou Septimus. Por que não passar logo de uma vez?
— É melhor assim, se der errado e o cabelo cair, não vai dar pra perceber muito – interveio Leonard, deixando James ainda mais desesperado – Sugiro que passe em uma mecha na parte do meio da cabeça, vai dar pra esconder melhor.
Nada disso parecia acalmar James. Ele apanhou uma mecha no alto da cabeça e Fleamont passou a gosma delicadamente.
— Vamos esperar um pouco, para ver se a poção fará efeito.
Cerca de trinta minutos se passaram, e Fleamont olhava James com ansiedade. O outro também estava ansioso, mas para tirar aquilo de seu cabelo o quanto antes.
— Sente algo de diferente em seu cabelo? – Fleamont perguntava a cada minuto – Alguma sensação anormal em sua cabeça?
— Não, nada. Acho que não funciona, é melhor tirar!
Quanto mais o tempo passava, mais Leonard ficava aflito com a possibilidade de Pringle pegá-los em flagrante e pendurá-los nas correntes que guardava em sua sala. Da última vez, Pringle fez questão de falar que tinha comprado correntes novas para castigar os quatro amigos ao mesmo tempo.
— Já devem passar de meia-noite, não? Estou com sono... – Leonard bocejava sempre, para tentar fazer com que os amigos voltassem logo ao dormitório, mas até agora não estava tendo êxito. Isso porque Septimus começou a fazer coro ao loiro.
— Por que não continuamos amanhã? Teremos aula de Herbologia logo cedo e o professor Beery não gosta de atrasos.
— Está bem... – disse Fleamont, contrariado, e apanhou uma luva escondida em um bolso da calça para fazer uma última avaliação na mecha com a poção aplicada.
— Hum... Nada de muito diferente. Pode lavar, Rocky. Acho que falta algo. Amanhã irei à biblioteca novamente ver o que posso acrescentar.
James lavou o cabelo numa pia próxima, feliz da vida. Fleamont escondeu o caldeirão com a gosma no último box. Os quatro se encolheram para caber na capa de invisibilidade e se dirigiram ao salão comunal da Grifinória.
No dia seguinte, os alunos estranharam ver James Rockwood usando um chapéu, com cara de poucos amigos. James, que era o novo monitor da Grifinória junto com Juliet Doller, não tinha o costume de usar chapéus e ficou vermelho ao ver Abraxas Malfoy e seus amigos rindo dele da mesa da Sonserina. Fleamont ficou preocupado.
— Rocky, aconteceu alguma coisa com seu cabelo?
James se encolhia, envergonhado. Septimus e Leonard se aproximaram, com olhares apreensivos. Abraxas cochichava no ouvido de um aluno do primeiro ano da sonserina, que correu na direção de James e derrubou o seu chapéu.
Todos se espantaram ao ver que o cabelo de James estava com uma coloração esverdeada. A mecha na qual Fleamont aplicou a gosma estava com uma tonalidade de verde mais brilhante. Os alunos da Sonserina riam sem parar. Abraxas estava vermelho e quase sem fôlego de tanto rir. Fleamont ficou rubro de fúria, sacou sua varinha e fez um feitiço que deixou a língua de Abraxas colada ao céu de sua boca. O sonserino parou de rir imediatamente e tentou berrar por ajuda, sem sucesso. Foi a vez dos grifinórios rirem. Até James sorriu um pouco, e Fleamont correu antes de ser pego por alguém que pudesse lhe aplicar uma detenção em flagrante.
Horas depois, o cabelo de James foi ficando menos verde. Os amigos tentavam encontrar uma explicação para o fracasso.
— Vai ver seu cabelo ficou todo verde porque você lavou na pia, Rocky – teorizava Leonard – A poção pode ter se espalhado e você lavou muito rápido, pode não ter saído tudo...
— Acho que o maior problema foi o pelo do dragão – sugeriu Septimus – Verde-galês não foi lá uma boa escolha, talvez se fosse um focinho-curto sueco ou um meteoro-chinês o resultado tivesse sido melhor...
— Exatamente! – disse Fleamont, triunfante. Ele estava usando um chapéu e tinha uma expressão de vitória – O pelo verde-galês foi o responsável por ter deixado seu cabelo assim, Rocky, me desculpe se eu lhe causei problemas. Refiz tudo, aproveitei umas sobras das gomas barbadenses e misturei com a vaselina, pelos de dragão norueguês e suco de abacate. Apliquei em mim mesmo e o resultado vocês verão agora.
Fleamont tirava o chapéu bem devagar. Septimus cochichou ‘ao menos o cheiro é mais agradável’. Os três ficaram de queixo caído, mas o resultado não foi o que Fleamont esperava.
— F-Flea...
— Ficou ótimo, não foi Leo? – questionava ele, orgulhoso.
— É... Bem... Olhe-se no espelho...
Leonard conjurou um espelho de mão e entregou a Fleamont, que ficou tão pálido que parecia que iria desmaiar. Seu cabelo estava todo duro, esbranquiçado e enrolado. Nenhum pente entrou por semanas. Fleamont tentou deixar sua cabeça de molho, mas além de seu pescoço não suportar ficar tanto tempo numa mesma posição, não parecia haver sinais de melhora. O único jeito foi leva-lo à enfermaria, e lá ele ficou cerca de um mês. Quando saiu, seu cabelo estava menos branco e menos duro, mas ainda estava difícil de manusear.”.
— O cabelo de Flea só voltou ao normal perto do Dia das Bruxas. Mas ele não desistiu de tentar encontrar o ingrediente que faltava para sua poção alisante. Testou várias vezes na gente, nele mesmo e em calouros, pagando dois galeões a quem se voluntariasse. Pobres coitados... – o velho Leonard sorria, saudoso – Um desses calouros, Linus Jordan, nunca mais teve os seus cabelos de volta.
Harry e Gina sorriam, impressionados.
— Quando foi que o sr. Potter finalmente conseguiu terminar a poção?
— Alguns anos depois, ainda não tinha se casado com Euphemia porque ele queria estar elegante para a cerimônia. Ele passou um ano viajando pelo mundo, em busca do tal ingrediente secreto que daria o toque final à sua poção. Quando voltou, fez mistério a todo mundo que conhecia e não mostrou nem mesmo aos pais a sua poção. Até o dia de seu casamento.
“Fleamont pediu Euphemia em casamento no Natal de 1936. Ela, que tinha se contundido e desistido de sua carreira como apanhadora das Harpias de Holyhead, fez que estava surpresa, mas no fundo, estava chateada com tanta demora. Praticamente todos os colegas e professores de Hogwarts foram convidados. Obviamente, nenhum aluno da Sonserina estava na lista, exceto Cedrella Black, que já namorava Septimus e rompeu com a família para ficar com ele. Fleamont escolheu Leonard e sua prima Alice Potter para serem seus padrinhos, e Euphemia escolheu James e Millicent Edwards, a nova namorada dele. James, aliás, estava em um ótimo momento em sua vida: além da namorada nova, com quem tinha intenção de se casar em breve, tinha acabado de ser aprovado nos exames para ser auror e mal podia esperar para o seu primeiro dia de trabalho.
— Soube que Grindewald tem feito muitas vítimas fatais na Bulgária usando uma varinha com propriedades impressionantes. Espero poder detê-lo, mas tenho certeza que só Dumbledore é quem poderia fazer isto.
— Dumbledore?
— É, Flea, Dumbledore. Está mais do que provado que o nosso bom e velho professor de Transfiguração é o único que pode parar os crimes de Grindewald. Sei que não confia muito nele, pois os dois foram amigos quando jovens, mas Dumbledore já deu provas de ser de inteira confiança, mesmo de longe, sem se envolver plenamente no conflito. Sem contar que ele é um bruxo extraordinário, creio que se não for o melhor, tem tudo pra ser um dos maiores de todos os tempos.
— Bom, Rocky, se você, que tem informações privilegiadas está me dizendo isso, quem sou eu para duvidar? – dizia Fleamont, ainda um pouco incrédulo, enquanto ajeitava a gravata azul-marinho. Seu pai estava com os olhos marejados de emoção ao ver o filho se casar.
— Meu filhinho querido... Você era tão pequenino... Tão levado...
— Calma, papai... – Fleamont dava tapinhas nas costas do velho Henry – Eu sempre vou ser o seu filhinho querido, só não sou mais tão pequenino assim! – Henry sorriu – E nem levado! Embora eu continue aprontando bastante. Vocês, meus bons camaradas – disse ele, olhando para James, Leonard e Septimus, que estavam no quarto – devem se lembrar de todas as minhas tentativas para criar uma poção que domasse meu cabelo.
— Ô se lembro! – falou Septimus, risonho – uma vez eu quase fiquei careca!
Todos riram. Fleamont continuou.
— Nesse ano que passei fora, viajei os quatro cantos do planeta em busca do que eu chamo de toque final, elemento surpresa, o ingrediente chave que faltava para minha poção ficar perfeita. Até que numa viagem à Ásia, conheci um sujeito adorável, Newt Scamander, um magizoologista que me ajudou muito e lá eu encontrei as coisas que faltavam para minha poção. Deveria ter pensado antes que pelo de dragão asiático traria muito mais êxito do que pelo de dragão verde-galês ou mesmo norueguês – os rapazes riram – mas achei outro ingrediente, ainda mais fundamental, que não revelo nem que algum de vocês me ponha uma Maldição Cruciatus! Testei em uma mecha minha há alguns dias e o resultado foi excelente. Agora farei um segundo teste, para ver como será o efeito em todo o cabelo, e se a poção for aprovada, começarei a produzir!
— Ela já tem um nome?
— Sim, papai. Sleekeazy. Foi Scamander que escolheu, disse que soaria diferente, exótico. Achei que ficaria bem, já que é uma poção para pessoas como eu, não, papai?
Henry sorriu alegremente. Fleamont pegou um pote com um líquido claro, quase transparente e passou quase tudo em seus cabelos. Os outros ficaram impressionados com o que viram. Fleamont estava com os cabelos tão lisos quanto os de James e se divertia penteando para um lado e depois para outro. Fazia vários tipos de penteados possíveis, arrancando gargalhadas dos amigos e do pai, que desta vez chorava de tanto rir. Só pararam quando Edwina abriu a porta para avisar que estava quase na hora do casamento. E ela também se impressionou com o que viu.
— Filho... Nossa! Como você está...
— Bonito, mamãe?
— Sim! Bonito! Um galã! Galã de filme americano!
James, Leonard e Septimus acharam graça na reação de Edwina. A mulher, que era alta e tinha cabelos amarelo-esbranquiçados, estava com um belíssimo vestido lilás, sua cor favorita. E seus olhos castanho-claros estavam brilhantes de emoção.
— Ah, Harry, ele se parece tanto com você na idade dele... Exceto pelo cabelo, que o deixou muito mais garboso e elegante. Isso me lembra de que estamos atrasados para a cerimônia! E não convém que o noivo chegue depois da noiva!
O novo visual de Fleamont era mais o assunto mais comentado. Superou até o belíssimo vestido de noiva de Euphemia, todo branco e rendado, com uma cauda de quase três metros e cheio de babados nas mangas e na anágua. Ela também estava radiante ao ver o seu amado Fleamont com o cabelo todo penteado para trás.
Depois da cerimônia e da festa, Fleamont e Euphemia ficaram a sós num chalé perto da praia, uma cortesia de seu velho pai.
— O que você fez com o seu cabelo, querido? É aquela poção que você vivia falando?
— Ela mesma. Finalmente domei minha juba. Só não te pedi em casamento antes porque queria terminá-la a tempo da cerimônia. Queria estar elegante para você, minha princesa!
Euphemia corou e seus olhos brilharam.
— Ficou perfeita! E seu cabelo ainda está liso. Você está lindo! Meu príncipe!
Os dois se beijaram e se amaram mesmo depois que o efeito da poção de Fleamont passou”.
— Ainda acho estranho saber que nem sempre Dumbledore foi unanimidade – disse Gina, que até então achava que só comensais da morte e simpatizantes da supremacia sangue-puro não gostavam do mago.
— Mas Fleamont passou a admirar e respeitar Dumbledore depois que ele duelou com Grindewald. Ele estava lá e forneceu a maior parte das informações para o Profeta Diário. Era maravilhoso vê-lo contar o duelo. Ele descrevia cada detalhe com uma empolgação que só se igualou ao dia em que me contou que seria pai e contava sobre o duelo a qualquer um que o perguntasse com o mesmo brilho nos olhos. Depois daquele dia, ele só encontrou Dumbledore uma vez, por acaso, e fez questão de lhe agradecer por proporcionar o melhor duelo que ele já viu, por ter terminado com aquele conflito e ter derrotado o homem que contribuiu para o assassinato de um de seus melhores amigos.
“Fleamont Potter passava por acaso em frente ao Ministério da Magia quando encontrou Alvo Dumbledore. Já haviam se passado trinta anos desde a formatura de Fleamont, e vinte em que ocorreu o famoso duelo entre Dumbledore e Grindewald. Fleamont lutou bravamente contra os seguidores de Grindewald, mesmo com os protestos da esposa Euphemia, e foi testemunha ocular do maior duelo entre bruxos de todos os tempos. Mas Fleamont nunca teve a oportunidade de dizer a Dumbledore tudo o que pensava.
— Professor Dumbledore!
O bruxo sorriu bondosamente e fitou Fleamont, com seus olhos azuis penetrantes.
— Sr. Potter, não sou mais seu professor. Pode me chamar simplesmente de Dumbledore.
— Desculpe, Dumbledore, mas é que eu queria muito falar com o senhor. Queria muito me desculpar por todas as minhas travessuras dos meus tempos de estudante, agora que estou mais velho, reconheço que agi sem pensar. Também gostaria de lhe agradecer por ter derrotado Grindewald naquele duelo. Não sei se o senhor me viu lá, mas eu estava, com a perna ferida e bastante cansado. Aquele homem terrível matou um de meus melhores amigos, James Rockwood, e eu depositei todas as minhas esperanças no senhor. Em meu período em Hogwarts eu não lhe prestei o devido respeito, afinal sabia que o senhor e Grindewald eram amigos, ou melhor, foram amigos, e temia que o senhor se unisse a ele. Claro que foi uma insensatez da minha parte, mas naquele tempo eu era um jovem inconsequente...
— Fleamont — interrompeu Dumbledore, pacientemente — Eu nunca tive qualquer raiva de você. Mesmo quando te repreendia. Não precisa se desculpar por isso, muito menos me agradecer por ter duelado com Grindewald. Era o que eu deveria fazer naquele momento.
Fleamont suspirou, aliviado, e continuou:
— Obrigado por tudo, professor. O senhor é mesmo um homem sábio. Se houvesse justiça nesse mundo, o senhor é que seria o Ministro da Magia. Mas fico feliz em saber que o senhor, além de continuar em Hogwarts, é o novo diretor. Sabia que sou pai? Minha amada Euphemia me deu um belo filho, chama-se James, em homenagem ao bom Rockwood que agora descansa em paz. Ele tem apenas cinco anos, mas já escolheu a casa que quer entrar: a Grifinória, casa dos corajosos e destemidos!
— A nossa casa... — disse Dumbledore, sorridente. Fleamont continuou:
— Eu vou ensiná-lo a te admirar, a te respeitar e a odiar com força as artes das trevas, esteja certo disto!
— Obrigado por tanta admiração, Fleamont, você realmente deve ser motivo de orgulho para seus pais. Saiba que o velho Harry ouvia às gargalhadas as suas peripécias enquanto aluno de Hogwarts? — Fleamont acenou a cabeça negativamente. Seu pai, Henry Potter, sempre se mostrou rígido e intransigente com o seu comportamento na escola.
— É, acho que ele nunca te disse, mas ele se orgulhava de você! Harry falou-me que sua avó diria que você é um verdadeiro Fleamont. E pedia que eu não fosse tão duro contigo.
Fleamont tentou segurar as lágrimas, mas não conseguiu. Tinha perdido os pais pouco tempo depois do casamento e queria muito que eles tivessem conhecido o netinho. Dumbledore prosseguiu:
— Tenho que ir, vou ver o que o Ministro da Magia tanto quer de mim. Espero revê-lo novamente. E que o jovem James Potter tenha mais juízo do que o pai. Fleamont sorriu e se despediu do velho professor. Dumbledore era realmente um homem extraordinário”.
— Nunca soube que meu avô lutou contra Grindewald...
— É, você não tinha como saber, creio que a família trouxa que cuidou de você não sabia de nada a respeito de seus avós. Foi uma participação pequena, comparado ao que você fez na Segunda Guerra Bruxa.
A conversa foi interrompida por Louis, que sempre ouvia as histórias da juventude de seu pai e sabia todas de cor.
— Hora do remédio, papai!
— Puxa! – exclamou Harry Potter, olhando para o relógio – Já são quase cinco horas! Temos que ir, querida, os meninos devem estar deixando sua mãe com os cabelos em pé!
Gina sorriu e disse a Leonard:
— Muito obrigada, Sr. Thompson, por nos ter contado tantas histórias de nossos avós. Acho que meu pai não sabia de nenhuma delas, vai adorar ouvir também! Voltaremos para te visitar sempre que tivermos tempo.
— Por nada, querida. Vocês também têm filhos?
— Ah, claro! Temos dois garotos e minha esposa está esperando mais um. Ou mais uma. O mais velho chama-se James. James Sirius Potter, homenageando meu pai James e meu padrinho Sirius Black. O do meio é Alvo Severo Potter, homenageando Alvo Dumbledore e Severo Snape. E este aqui, ainda estamos vendo os nomes...
— Será Lílian Luna Potter. Em homenagem à minha sogra que nunca conheci, mas que certamente foi uma mulher formidável, e à Luna Lovegood, uma grande amiga nossa muito especial.
Harry olhou surpreso para Gina. Ficou contente em ver que ela se lembrou de sua mãe, ele tinha pensado em dar o nome de Lílian para a filha que tivessem juntos, mas não achou que ela quisesse homenagear Luna também. Estava certo de que ela preferiria nomear a filha de Lílian Molly Potter, ou mesmo Lílian Hermione Potter, ou então Lílian Ninfadora Potter...
— A mocinha tem certeza de que será menina... É, caro Harry, as mães quase sempre acertam o sexo do bebê. Eu digo quase porque minha amada Louise estava certa, absolutamente certa de que teríamos uma menina, e não podem imaginar a cara de espanto dela ao ver que em vez de Leona, quem estava nascendo era o Louis!
O casal sorriu e se despediu dos Thompson. Harry disse à esposa:
— Lílian Luna. Gostei do nome.
— Eu sabia que você iria gostar. É uma combinação melhor do que as que você tinha sugerido. Mas se o senhor Thompson estiver certo? E se for um menino? Não seria melhor fazer o exame dos trouxas para termos certeza? Temos que pensar nos nomes.
— Gosto de Arthur. Que tal... Arthur Fleamont Potter?
Gina sorriu. Era a vez dela se sentir orgulhosa por ver que Harry se lembrou de seu pai.
— Excelentes nomes! Gostei.
Os dois voltaram para casa e contaram as histórias para os Weasleys. Meses depois, os bebês de Hermione e Gina nasceram. A primeira teve um menino, a quem nomearam Hugo Weasley.
— É um nome bonito, e eu queria que tivesse as mesmas iniciais da minha adorada esposa – disse Rony, tascando um beijo apaixonado em Hermione, que segurava um bebê ruivinho adormecido em seus braços.
E a segunda teve uma linda menininha, a quem nomearam Lílian Luna Potter. No Natal, membros da Armada de Dumbledore e da Ordem da Fênix se reuniram novamente e os Potters apresentaram a nova herdeira.
— Obrigada pela homenagem – disse Luna, bastante emocionada – vocês são mesmo ótimos amigos para mim, farei o possível para que eu e Rolf tenhamos vários filhos para darmos seus nomes a cada um deles!
Todos sorriram, e Teddy Lupin insistiu tanto que conseguiu fazer Gina lhe dar Lílian para segurar um pouco. Victorie estava logo ali, e tentava ajudar o amiguinho.
Harry e Gina sorriam e observavam as crianças. James já estava correndo pelo salão e brincava com as outras crianças. Alvo dormia nos braços de Molly Weasley, que o acalentava sob o olhar protetor de Arthur. E Lílian parecia ter adorado Teddy e Victorie, pois sorria para eles, que faziam caretas para que ela sorrisse ainda mais.
— Olhe para eles, querido, tão felizes...
— Acha que eles vão gostar das histórias dos bisavós?
— Claro, quem não gostaria de ouvi-las? O Sr. Thompson poderia ter escrito um livro sobre o assunto, todos iriam adorar.
—— FIM ——
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