As aventuras de Chico Bonato
1 Capítulo 1 - Arre Chico!
Chico Bonato era um sertanejo como outro qualquer, pele morena por causa do sol forte, barba falhada e bigode grosso, um chapéu de palha e um saco nas costas com dois pares de roupas velhas. Andava rumo a pequena cidade de Tatuperanga do Agreste, suor descendo pela testa cheia de falhas e continuando o trajeto em seu rosto fino, se espalhando pelo seu pescoço cheio de pintas pretas. Seu cheiro era de mato queimado, andava sempre com sua cachorrinha Santana: cadela sabida que só o diacho, branca com algumas manchas pretas, orelhas levantadas e um olhar de bandido indo pra forca.
– Eita Chico tu só não é mais feio que a peste do rato — Um de dois capangas do Coronel Alcântara Dias falou vindo de encontro, surpreendendo o homem e a cadela com gargalhadas finas cheias de variações de tom.– Feia é tua mãe que nasceu de uma égua, seu bucho de capivara — falou Chico com um tom nervoso andando com seu jeito abestado e rápido.Continuou com os dois capangas o seu caminho, eles rindo do jeito matuto de Chico Bonato. Mais a frente pararam no boteco do Atanagildo. Gostavam de uma pinga como o Canabrava. Preferiam a 51 do que um copo de água.–Desce três doses ai Atanagildo, que Raimunda me largou, aquela filha de Messalina.–Ela te trocou mesmo por aquela forma de bambu do Eurico, homi? — perguntou Atanagildo com sua voz grossa e com um sorriso cínico e debochado, com um palito na boca e um cheiro de sarapatel. Chico deu uma cuspida na mão e arrumou o cabelo desarrumado pelo vento e duro como rapadura.– Larguei aquela bife do rato. Tomara que morra de sede mais aquele varapau do Eurico nessa seca do diacho. Casar com mulher bonita só serve pa levar chifre, homi. Agora só quero saber das feia, são horrivi como jumento com caganeira mas pelo menos não vai me colocar cornos, e vê uma pinga pra Santana também que essa cachorra tá com lombriga, óia o tamanho do bucho dessa moléstia do cachorro doido! Num tem verme que subeviva com uma cachaça. Por isso bebo sempre, Mode que nunca vi um bucho tão atrativo pa verme como esse meu. — Santana tomou a pinga em um prato marrom como cavalo com sede, e Chico tomava suas doses fumando um cigarro de palha, deixando a fumaça sair entre seus dentes amarelados bem devagar e sorrindo de uma história da mula sem cabeça de Botapira que Atanagildo sempre lhe contava. — Essas cosa de mula sem cabeça existe não cabra, isso é coisa de lelé. Se bem que dizem que a mulé é bunita que só o diacho, mas é muié de padre. E pa fica com ela teria que matá o homi sagrado, e matá padre dá um azar triste. Então é até mio que essa peste não exista né Atanagildo... — finalizou Chico, que andava como uma onda, de lá pra cá. Saindo e seguindo seu destino rumo a Tatuperanga do Agreste. A noite começou a dar seus primeiros sinais, um tom alaranjado tomava conta do céu sem nuvens do sertão, e pelo que bem conheço sobre Chico Bonato, ele já sabia que aquela noite não seria como qualquer uma. Algo inesquecível e fantasmagórico aconteceria. O frio na barriga e as tremuras das pernas de Chico deram o sinal de que algo estava por vir.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor