Notas iniciais
dsculpe a demora. to de volta.

Já escolhi como podem me chamar.

Saudação, agora podem me chamar de chara. Não se fala xara e sim cara mesmo, pose ser ironia, não é meu nome de verdade mas se aproxima muito dele. Realmente é irônico, cara significa amiga em gaélico mas com sua pronuncia pode ser demônio em hebraico, posso me fazer a pergunta mil vezes, você pode ser amigo de seus demônios? Acho que pode ser possível, dês que as pessoas sem sombra aparecem para mim penso que talvez tenha alguma coisa a ver com isso, é tão normal para mim quanto seria anormal para qualquer outro. Deixe-me finalizar isso. Meu nome agora é chara assim como minha imagem no espelho e meu nikname.

Já posso começar a contar mais uma parte desta narrativa aparentemente sem sentido. As pessoas sem sombras sumiram e, durante uma viagem nas férias, eu comecei a sentir alguma coisa, uma pessoa me olhando mas não uma pessoa, eu mesma? Não? É, não era eu. Era alguma coisa dormindo dentro de mim, é um fato registrado em algum lugar onde só deixarei as pessoas a quem realmente chamo de amigos verem. Qualquer um pode ver mas poucos vão saber se é verdade. Eu engano muito. Eu e minha sombra podemos ser difíceis de decifrar.

Por que está contando tanta coisa?

Porque quero que mais alguém saiba, entre tantos sonhos quero ter fatos para me segurar, eles podem entender apenas como uma historia ou como um relato de uma vida nunca vivida mas sempre presenciada, quero que gente como eu saiba que não estão perdidos.

É isso, antes de contar um relato por completo conto coisas para depois telespectadores entenderem o que se passa na cabeça de uma pessoa como um, uma pessoa chamada dualidade, poderia ser meu nome. Mas vou contar. Eu não deveria? Desculpe, estou um pouco confusa com tudo.

Minha vida acabou faz 45 dias, parece mais tempo. O ano virou e parece que tudo ficou escuro, algumas musicas ainda aparecem em minha mente dizendo, escolha-me, eu sou sua representação, sua vibração e cor de alma. Quando me vejo em algum espelho sempre ouço algumas estrofes e quando sonho comigo me vejo em algum lugar que não teria como me lembrar ou imaginar, lugares que já conheço de alguma outra vida, que eu carreguei de alguma outra vida, as vezes penso que sou um fugitiva de minha vida passada e que eu já era uma prisioneira por ter fugido de minha anterior, por que seria?

Um dia a sombra veio falar comigo. Me perguntou a razão de insistir em me esconder e negar minha natureza. Respondi? Acho que não. Não sabia o que dizer, se soubesse seria algo como, porque sou diferente. Eu não quero magoá-la mas as vezes parece que ela quer me destruir. Ela me diz que já me contou coisas, que eu a estou arrastando, que as pessoas sem sombra não deveriam existir para mim. Mas um ainda quero as pessoas sem sombra e as pessoas brancas, elas foram minha única companhia até algum tempo atrás.

Foi assim, minha mãe saiu e me deixou em casa, eu tinha três anos e morava em uma rua isolada de tudo em uma cidade pequena na serra gaucha, caxias, vários já ouviram falar mas poucos conheciam, já mudou muito. Eu estava no canto do quarto quando me chamaram.

“garota Você é nova aqui?”

me agastei mais para o canto. “quem é?”

“posso te fazer companhia” eu aceitei, nunca tinha tido um amigo, e nunca tive até dez anos depois. Ela foi a primeira pessoa branca que vi. Depois vieram as pessoas sem sombras.

Foi uma historia solta mas logo ela fara sentido. As pessoas brancas são fantasmas que aparecem quando solitários e querem falar. Se me perguntar se existem outras pessoas brancas, varias, muito mais do que eu pensaria possível, todas as que querem ficar e as quais ainda possuem pessoas rezando por elas então tem força para ficar. Eu as amo e admiro mesmo que saiba que apenas vão se machucar ficando ente nós, os vivos. Posso dizer que elas nunca mais serão as mesmas. Ainda assim elas tem mais sorte do que as pessoas sem sombra, elas não sabem que já morreram e ainda andam entre nós perdidos sem ninguém ve-las, apenas pelas pessoas perdidas, as que tomei a liberdade de chamá-las de sombra, tomei a liberdade de me chamar de sombra. As pessoas como eu, que consegue vê-las, mas ninguém vê. Existem vários nomes para as pessoas como eu, mas médium ou adivinho não seriam as melhores no meu caso, eu não sou nada disso, sou apenas uma sombra, não uso a minha sombra, meu poder, para meu favor, apenas o deixo livre. Meu erro, foi por isso que passei a vê-las.

Se me perguntar como eu sei disso. Me contaram, ah muito tempo, não tanto contando minha idade como sombra, mas como pessoa muito, quatro anos para uma pessoa de quinze é muito. Tinha voltado para uma praia cercada por rochas brancas, uma enseada, podia olhar o mais longe para o mar pela abertura nas rochas e só veria o verde azul do mar sem nuvens mas o céu era desenhado com as próprias cores e ondulava, eu não sei explicar, mas posso dizer que com certeza vocês nunca viram um lugar como aquele, porque ele não pertence ao nosso mundo. Foi la que vi as pessoas brancas, as reconheci, pessoas que foram noticiadas como assassinadas e conhecidos que haviam morrido. Depois de andar pela praia atravessei um 'mato' posso chamar assim eu acho, me encontrei em campos verdes, aroma de baunilha e cereja, terra molhada e nanquim, chocolate e vidas colidas, não sei porque conheço este cheiro mas conheço, não parece muito errado para mim mesmo que pareça para muitos. É claro que seria a entrada para o céu, o éden ou paraíso. A cortina cinza deste mundo se desenrola e você vê, praias brancas, e o além, campos verdes, longínquos sob um belo amanhecer. Realmente não é tão ruim. Se esta reconhecendo a frase, parabéns, você viu um filme incrível. E eu vou dizer que é verdade, me levaram até la mas não me deixaram passar, me disseram que era onde deveria estar, com “eles” mas ainda não, tinha muita coisa para fazer, disseram que eu fui um dos vários presentes. Quais presentes? Sabia que, num passado eternamente distante a vida e a morte se apaixonaram? A vida manda inúmeros presentes para a morte, e ela os guarda para sempre. É um novo jeito de encarar a vida e vê-la passar. A morte ama as borboletas, as borboletas que barregam muitas almas no coração e este é o presente da vida. Acho que nunca vou saber qual o presente da morte para a vida.

Notas finais
chara é um personagem de undertale. espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.