As Vizinhas - Interativa
2 Dança do Acasalamento, Cuca, Roubo A Absorventes, Caveira Negona da Macumba.
Notas iniciais
Quando acordei, tive a certeza que tinha algo errado. Tudo calmo, muito silencioso. Tem alguma coisa errada nisso, é um fato, essa casa nunca foi silenciosa.
Dei um bocejo e retirei as cobertas de seda vermelha, calçando minhas pantufas de panda (Problema? Sou super macho.) dando uma espreguiçada básica. Lembrei-me que Laito disse que teríamos novas vizinhas, então fui dar uma espiada na janela só para constar se não haviam aberto os portões do Inferno.
E para minha enorme decepção, o apartamento estava silencioso, parecia até que ninguém morava lá. Estava tudo com um ar morto, silencioso...
— Ayato! Ainda tá dormindo? Faça o favor de tirar essa sua carcaça daí e venha aqui agora. — Escutei a voz de Reiji, provavelmente da cozinha.
Revirei os olhos, tirei as cobertas e dei uma espreguiçada básica. Caminhei até o banheiro cantando
— AYATO! VOCÊ AINDA NÃO CHEGOU AQUI? VENHA LOGO, ANTES QUE EU LHE DÊ UMA SURRA DE PIROCA! (?) — ele berrou. Mano, até me esqueci de escovar os dentes, fui até lá na velocidade do flash. Se uma coisa que me dá medo é a piroca do Reiji. Aquilo é coisa de outro mundo. Asiático, com certeza, ele não é.
— Que foi desgraça?! — gritei, chegando à cozinha, ofegando por causa da corrida. Tudo pra não ver aquela coisa de outro mundo.
Se eu não estivesse meio ofegante, eu ia morrer de tanto rir. Quando cheguei à cozinha, todo repete TODOS os meus irmãos estavam com aventais floridinhos, pareciam uns baitolinhas. Kanato e Laito tinham até lencinhos na cabeça, das suas cores favoritas e Kanato dançava com uma vassoura, só que mais parecia que ele tava num baile funk, estuprando a pobre vassoura (?).
— Ah, finalmente você chegou. Eu pensei que ia ter que usar minha piroca antes da hora! (?) — disse Reiji, com um avental azul escuro, cheio de babadinhos brancos e flores violetas, segurando uma colher de pau.
— Tá, tá, tá. Ninguém quer ver esse bicho de sete cabeças aí, então pode tirar esse fogo do cú. O que foi? — indaguei, puxando uma cadeira e me sentando.
— As novas vizinhas já chegaram, Laito me avisou. Então, resolvi que já era hora de colocar vocês e suas bundas moles pra trabalharem e me ajudarem a preparar algo decente para elas. — ele explicou, mexendo em algumas panelas.
— Ué, por quê? São elas que deveriam preparar algo para nós. Elas que são as mulheres, elas que vestem os aventais floridos e ponhem a barriga no fogão pra cozinhar gororobas, e não nós. — disse, simplesmente. Mas depois olhei para Kanato, que parecia fazer uma dança do acasalamento com a vassoura e mudei de ideia. — Corrigindo: e não isso. — corrigi, apontando para Kanato.
— Hm. — Reiji pareceu pensar um pouco — A questão é: elas são as novas vizinhas, não a gente. Então devíamos dar algo de boas vindas ou parecido… Mas é claro que, alguém sem educação como você, não iria entender. — emendou, empinando levemente o nariz.
— Você irá ver o sem educação quando tu estiver escorregando na minha linguiça... (??) — sussurrei, pegando uma cenoura e fumando ela.
Ele estreitou os olhos e ajeitou os óculos.
— Que papo é esse?
— Nada, nada, hihihihi. — falei, rindo feito uma mocréia.
— Certo, vou fingir que acredito… — ele suspirou, lavando a colher. — E, aliás, você não deveria estar nos ajudando?
— Não quero e não vou. Quem é você pra me fazer vestir um avental de Maricota mal comida? — perguntei, largando a cenoura no balcão e cruzando os braços. — Por favor, só porque o Laito não se importa de se travestir, não significa que todos nós estamos de boa! — prossegui, apontando para Laito e Kanato, que continuaram no seu baile funk, praticamente fazendo umas orgias com as vassouras. Eu mereço...
Reiji olhou para os dois, que dançavam felizes com uma cara de nojo, só faltou tampar o nariz (?).
— Repugnante! — exclamou separando os dois da vassoura. — Sinceramente, Kanato, o que está acontecendo com você nesses últimos dias? — últimos dias, ou últimos anos? Por favor, nunca notou que esse energúmeno é mais fumante que o povo da ‘Crackolândia’?
— O que foi? — indagou Laito, nos olhando confuso. — Vocês nunca ouviram falar da grande dança do Acasalamento? — depois dessa eu me matava. Oh, mundo cruel.
— É o que de quem? — perguntou Subaru, de algum lugar do além.
— Ah, isso é muito simples. Basta você ter uma vassoura, uma pessoa e se esfregar da forma mais sexy possível (?). Desse jeito, você consegue arranjar mais mulheres, entenderam? — explicou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Kanato só assentia da maneira mais debilóide possível. Às vezes eu me arrependo de ter que ter dividido o mesmo ovário que os meus irmãos (?).
— Churros! — gritou a criança mal acabada. — Churros, churros, churros!
Shuu e Subaru pegaram uma frigideira e bateram na cabeça de Kanato, que desmaiou feito uma minhoca morta no chão da cozinha (?).
— Ótimo, melhor assim. — murmurou Reiji.
— O quê?! Meu bebê! Eu perdi meu bebê! — gritava e esperneava Laito, abraçando Kanato e passando a mão pela barriga (?). Oush. — Seus monstros! Ayato! Eles mataram nosso filho! — gritou ele, se agarrando no meu tornozelo. — Não vai fazer nada? Esses marginais tem que serem presos!!!
— O QUÊ? — eu berrei, balançando minha perna e chutando sem querer o Laito. — NÃO TIVE PARTICIPAÇÃO NA HORA DE FAZER ESSA CRIANÇA BUGADA!
— Ei, ei, ei, Ayato! Pode parar! — interveio Shuu, agarrando meus braços. — Lei Maria da Penha, brother. A delegacia vai adorar saber que você estava maltratando sua esposa.
— Ah, vai se fuder na diagonal, Shuu. — esbravejei, pegando a cenoura e fumando ela de novo. Saí daquele lugar cheio de gente asquerosa com estilo, indo para meu quarto, dormir de novo.
[...]
E aqui estou eu, Ayato Gostoso Sakamaki, indo entregar a merda de um bolo de chocolate para as nossas novas vizinhas. Não sei que macumba fizeram, mas esse bolo está… Apresentável. Deve ter dedo do Kanato nisso, só acho. qq
Enfim, eu tava lá em frente a porta do apartamento das vizinhas. Baguncei levemente meus cabelos para ficar mais fodelícia que o normal e bati na porta.
— Quem incomoda? — ouvi uma voz suave antes de ver a porta sendo aberta por uma garota de estatura mediana, com cabelos castanhos e olhos verdes. Ela bebia uma caixinha de Dolly Citrus no canudinho e me encarava com uma sobrancelha arqueada, tentando me encarar, mas não estava funcionando nem um pouco, já que ela era mais baixa que eu (Não tão baixa, mas nem tão alta.) — Tem pão velho não.
Encostei-me A e na porta e dei meu sorriso mais melador de calcinha possível (?).
— Olá… — comecei.
— VAI EMBORA, TESTEMUNHA DE JEOVÁ! — a menina berrou, fechando a porta na minha cara. Na minha cara. Ninguém bate a porta e me deixa no vácuo. Essa menina acabou de entrar na minha lista negra, um lugar na qual ela realmente não gostaria de estar. Vou arrancar o esôfago dela pelo cú (??).
— ABRE A PORTA, DESGRAÇA! — berrei, batendo com força.
— MEU DEUS! A TESTEMUNHA DE JEOVÁ TÁ POSSUÍDA. CREEEDO! MEU DEUS! MINHA SANTA NAZARÉ, BUDA, MAOMÉ, SALOMÃO, NOSSA SENHORA DAS CALCINHAS CAGADAS, A TESTEMUNHA TÁ POSSUUUUUUUUUUÍDA! — ela gritou lá de dentro. Juro que visualizei uma cena dela se descabelando toda. Outra esquizofrênica mereço.
— Que porra. Não basta eu ter um irmão travestido e outro baitolinha, tenho essa menina das trevas. — revirei os olhos. Só me falta eu não conseguir entregar a merda do bolo, por que se eu não fizer isso, Reiji vai espremer uma limonada no meu anus (?).
“Hmm, a guria não quer atender a porta… Como vou dar isso a elas?” pensei. E então, tive a ideia mais genial do mundo quando vi que tinha uma janela aberta. Perfeito.
Annie
Suspirei de alívio quando senti que a Testemunha de Jeová havia ido embora. Eu acabei de me mudar para cá, não conheço ninguém. Vai que ele quer meu corpo nu? Nunca se sabe. q
— Annie? — chamou Yui, tirando um de seus fones de ouvido e deixando o rock reverberar pelas paredes. — Quem era? — indagou.
— Ah, ninguém... Só uma testemunha de Jeová querendo entregar um bolo de chocolate. Eles ficam mudando as táticas todas as horas! — exclamei, irritada. Joguei-me no sofá de couro e tentei me decidir entre as várias opções de anime.
— Que táticas? — perguntou ela novamente, franzindo as sobrancelhas.
— As táticas de fisgamento dos fieis, mulher. Eles batem na sua porta, sorriem todo felizinhos e te oferecem bolo! Vai que aquilo está envenenado? Ou misturaram soda caustica com Diabo Verde para deixar o bolo bonito e cheiroso? — falei rapidamente, um pouco pensativa.
— Hmm, quem sabe... — Yui murmurou, voltando sua atenção à música e começando a rir do nada. É doida HAHAHAHAHA. (?)
— Olá HAHAHAHA — Miyuki, a dona da casa apareceu na sala, fantasiada de... galinha. E não é que realmente combina com ela? q
— Pra quê essa fantasia, diacho? — perguntei, estreitando os olhos.
— Dãã, fazer uma homenagem a minha diva, aquela que inspirou a minha vida...! — ela dizia dramaticamente. -... A Galinha Pintadinha!
E então ligou o DVD, onde já havia colocado o CD, e começou a cantar:
“A Galinha Pintadinha e o Galo Carijó… A Galinha usa saia e o galo Paletó!” e começou a rebolar, cacarejar e bater as asas.
— Eu mereço. — resmunguei, revirando os olhos.
— Olá amigas, paz e amor… — Kemille apareceu na sala, com uns dreads no cabelo, um cachimbo e uma roupa que deve ter arranjado no brechó, por quê… — Como estão nesta linda e ensolarada manhã de Segunda-feira? Espero que estejam com vibrações positivas. — ela dizia calmamente, massageando as têmporas. — Sintam as boas energias que mando para vocês!
— Mille, ainda com esse grupo de magia negra? Saí dessa, querida! — Akira falou, enfiando alguns doces na boca enquanto colocava uma bandeja com mais doces na mesinha de madeira da sala.
— Respeitchee a minha religião, bruaca! — ela exclamou, irritada — Morra! HAHAHAHAHAHAHAHA! — exclamou, pegando algumas ervas feitas para chás e jogando em Akira, que ODIAVA aquele tipo de coisa.
— MNRJHERJEJERBPREP! (?) — Akira tentava formar algumas palavras, mas foi impedida por que uma punhada verde tava indo goela abaixo pela garganta dela. Ela tentava cuspir, mas sem sucesso e tava até mudando de cor. Inicialmente era um vermelho leve, passando a um azul, roxo e… Cinza. Morreu e se esborrachou no chão que nem uma jaca dura.
— ALGUÉM ACUDE A MUUUUULHER! — berrei, me descabelando.
— NÃO TEMAM, ESTOU AQUI COM VOCÊS! — gritou Kotori, saltando do sofá e indo até Akira, que continuava tossindo consecutivamente, e apertando seu pescoço com força. Por um segundo, eu REALMENTE estava achando que ela ia terminar de matar a nossa pobre amiga, ela e a Tae seriam condenadas a prisão por homicídio culposo e todo mundo ficaria infeliz para sempre. Só que antes disso tudo acontecer, Akira cuspiu aquilo tudo de uma vez, que nem uma bolinha de pelo. Credo, vamos com calma amiga. q
— Ai meu Desu! Acho que acabei de ressuscitar! — ela exclamou, retomando o fôlego e respirando lentamente.
— Se você tivesse ficado com a boca quieta e não tivesse metido o nome da minha religião nisso, nada teria acontecido. — falava Kemille, fechando os olhos e começando a meditar — Você atraiu as energias negativas, Zzzzzz, venha aqui que irei te desinfectar com Protex, Zzzzzz….
— Saí de perto, bicha louca! — Akira deu um chute no pâncreas da Mille que doeu na minha alma e a fez cair com tudo para trás.
— Morri. — ela gemeu de dor enquanto Akira ria malignamente.
— SOOOFRA, MOCRÉIA! — ela gargalhava. Ri discretamente e revirei os olhos, não existe ninguém normal nessa casa. #fato
E enquanto isso, Anne, Lia, Meikai, Yumi vieram correndo até a sala saber o que havia ocorrido. Só sei que haviam voadoras, fios de cabelos por todos os lados e tinham até rins voando (?).
Resolvi ir até o meu quarto para jogar algum videogame ou assistir a animes em paz, já que minhas queridas amigas não paravam quietas durante um único segundo miserável.
— QUEM É VOCÊ??? — gritei, ao abrir a porta do meu quarto, e me deparar com um estranho, todo enlameado e cheio de galhos e folhas.
— MASOQ? — ele berrou, tropeçando no lençol e batendo a cara no chão, surpreso em me ver. — EU… EU SOU CUCA E VIM TE PEGAR, XA LÊ LÊ, XA LALA…! — ele cantava todo destrambelhado.
— NEM É ASSIM QUE SE CANTA SEU SEM INFÂNCIA! — falei alto — E O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI NO MEU QUARTO, SEU ARROMBADO?
— EU VIM… PEGAR… HM… — ele tentava formular uma frase coerente — UM ABSORVENTE! É ISSO! TÔ… MENSTRUADA! HAHAHAHAHAHAHA! — uma Cuca veio assaltar meu quarto atrás de um absorvente? WTFFFFF. — BYE, AMORE! DURMA COM LORD TAKEROTO AHEAEHAHEHAE! — ele riu indo saltar a janela. Por impulso, pulei de onde estava e agarrei ao tornozelo dele. — MASOQ? LARGA DO MEU PÉ, SEU BEELZEBU!
— NINGUÉM ROUBA MEU ABSORVENTE E SAÍ IMPUNE! — bradei, tentando me equilibrar no parapeito da janela, para não cair, só que a Cuca se agitava bastante e como eu só o segurava com uma mão, deixei-o cair lá no chão. Deve ter quebrado a medula óssea, sei lá. BEM FEITO. MORRA!
— VOOLTE AQUI! — gritei, erguendo um braço. A Cuca se levantou, riu com os dentes cheios de repolho (?) e desapareceu do nada. Tipo PUUF!
Virei-me para meu quarto, meio atônita e após alguns segundos, notei um bolo de chocolate em cima do criado-mudo. Então tudo fez sentido.
“Testemunha de Jeová… bolo de chocolate… boas-vindas… Cuca… absorvente.”
Aquela Testemunha de Jeová me paga, vou arrancar todos os cabelos daquele pinto cabeludo dele. Ele declarou guerra. E fez isso com a pessoa errada.
Me aguarde MDMBDNFBHJDBEJJWHE (?)!
[...]
Ayato
Olhei pro relógio, impaciente. 01hrs23min da manhã e nada daquele boi asiático do Laito chegar. Eu estava esperando há quase uma hora e estava irritado para caramba com aquele acidente com as vizinhas e tinha que combinado com ele de nos encontrarmos meia noite e meia. Mano, aqui na quebrada é o seguinte: Se você quiser em um lugar, vá sozinho.
— Cheguei! — disse Laito, caminhando para o meu lado, meio ofegante, colocando as mãos nos joelhos.
— E onde você estava Laito? — indaguei, irritado.
— Eu tava alimentando o Garibalda, pô. — ele se defendeu, dando de ombros. — Você não sabe como é difícil alimentar aquele bode... ele quase mastigou minha cueca (?).
— Tá, me poupe de detalhes sórdidos. — revirei os olhos. — E, aliás, o que significa essa roupa toda preta aí, Laito? Você não tá sabendo que a Black Friday já passou? — perguntei, analisando Laito, que tava todo trabalhado na negritude. qq
— Porra, man! Já te disse que quando a gente tiver indo fazer as parada, meu nome não é Laito, é Mister Achocolatado! (?) — ele resmungou irritado. — Por favor, Ayato... Precaução é tudo. — ele emendou. — por isso, tenho que manter minha identidade cem por cento anônima. — e para complementar, ele tirou um óculos escuro. Pronto. Tava mais embrulhado que uma idosa (?).
— Se alguém te perguntar, fala que tu é um neguinho dum grupo de pagode e eu vim te tirar da rua para você arranjar sucesso. – suspirei. Laito ajeitou seus óculos escuros e atravessamos a rua, prontos para enfrentar os espírito de Capiroto do terreiro de mãe Xandinha.
Aquele lugar era meio estranho. Os corredores eram escuros, iluminados pela luz fraca de algumas velhas. A tintura estava meio descascada e haviam vários quadros de diferentes pessoas. Juro que vi minha tataravô num quadro alheio (??). Andamos mais um pouco e achamos a recepção. A recepcionista era nada mais nada menos que uma caveira negona das macumba. Sério, ela tava usando um troço na cabeça like a judeu (acho que o nome disso é quibe, não sei por que, mas isso me lembra de salgado. q) e um vestido branquérrimo bem rodado, até parecia que era a noiva do Capiroto (???).
— Olá, em que posso ajudá-los? — a mulher perguntou docemente. Acho que Laito ouviu algo como “Olá, sou a perdição e vim comer sua alma” por que ele já tava quase correndo de volta.
— Então, negona, digo, moça. — sorri amarelo. — Temos uma sessão marcada com Mãe Xandinha para meia noite e meia.
— Meia noite e meia o quê? — perguntou ela confusa.
— A sessão… — respondi pacientemente.
— Que sessão? — ela perguntou novamente.
— Com a Mãe Xandinha…
— Quem é essa?! — ela exclamou.
— DEIXA DE SER BESTA, MULHER. — eu gritei, exaltado. — EU TENHO CONSULTA MARCADA COM MÃE XANDINHA PRA HOJE, A MEIA NOITE E MEIA. SACOU? OU VOU TER QUE ENFIAR UMA CENOURA NO SEU ANÛS PRA TU ENTENDER?
— Calma, calma… — ela dizia sorrindo. CALMA? Eu tô calmo, vocês tão vendo. — Quem são vocês?! — ela indagou, confusa. Essa velha deve ter Alzheimer num nível crítico. Tô deduzindo que vou ter que matar pessoas antes da hora. Isso que dá contratar gente que nasceu na época da fundação do mundo (?).
— Tu já era, tia… — eu comentei, quase dando uma voada naquela lambisgóia.
— Eita, Ayato! Quanto tempo, cabrito! Se escafedeu lá pro Judas e se esqueceu de mim! — mãe Xandinha apareceu na porta. Senhor, desconfiguraram a cara da idosa, nem doctor Rey consegue resolver isso, essa merda (???).
— Ainda bem que você chegou a tempo de evitar a morte da sua secretária… — resmunguei — Onde tá a Cleuzodete? — perguntei, me referindo a antiga secretária da Mãe Xandinha. Mano, a mulher parecia um mequetrefe, mas ela me dava biscoitos. E eu adoro biscoitos. qq
— Se mandou lá pro lado dos gringos… — ela disse, fitando as unhas pintadas de preto. — E aí, veio para fazer a consulta? Se não, pode rapar daqui moleque, tenho que trabalhar.
— Vim aqui pra fazer a consulta mesmo. — revirei os olhos e arrastei Laito junto, até a salinha particular da MX.
— Hmm, Ayato, venho sentindo umas vibrações negativas vindo de você… Sinto que há um espírito na sua vida… — MX dizia, enquanto passava as mãos por uma bola de vidro, cristal, diamante, sei lá. Essas porcaria são tudo compradas na 25 de Março. qq
— COMO VOCÊ SABE, MX? — berrei, arregalando os olhos. Mano, essa velha é das macumba mesmo. — OS ORIXÁ NÃO TÁ PRO SEU LADO NÃO?
— Aquieta o facho, homi. — ela sussurrou. — Eu estou vendo… Eu estou vendo! Vejo uma mancha preta disforme ao redor da sua casa, e ela está presente em suas vidas… — eu já começando a suar frio, tava transpirando mais que uma Coxinha (?). — Usem Vanish e confiem no Rosa. q — ESPEREM! EU VEEEEEEEEEJO! ESTOU VENDOOOO! ALGUÉM ME SOCORRE, BUDA ALÁ, SANTA NAZARÉ, POWER RANGERS, ALBUMOHADEPSKPENIS (?)! — ela gritou, se jogando no chão que nem uma jaca mole.
— ALGUÉM SEGURA QUE A VELHA VAI TER UM INFAAAAAAARTO! — Laito berrou.
— MX, CÊ TÁ BEM? — indaguei.
— Ai, ai… Que viagem mais louca do além, cara. Minha visão tá meio embaçada, acho que injetaram Dolly Citrus nas minhas veias… — ela resmungou, se apoiando numa cadeira e levando a mão livre até as têmporas, massageando-as. — Parece que o caso de vocês é sério… Só há uma maneira de derrotar esse espírito do Capiroto…
— Fazendo o quê, oferenda, macumba...? — sugeri, estreitando os olhos.
— Macumba nada, meu filho! Exorcismo!
— E donde é que vou arranjar um exorcista?! — exclamei, exaltado. — Cê acha que meu dinheiro saí de onde? Prostituição?
— Bom, não que eu não duvide, né… — MX sussurrou pra ela mesma, mas consegui escutar. — Acho que é só você dizer “U mo bugai fei di tal” que o espírito volta lá pras banda donde veio, sei lá (???). — ela disse.
— Qualé MX, tu vai me dar uma foda dessa justo quando preciso da tua ajuda? — implorei, suspirando.
— Joga sal grosso que os exu evapora… Faz uma oração, um treinamento para exorcismo, ah, sei lá! Tu acha que eu tenho cara de Irmã Dulce?
— É o seguinte coroa, ou tu me ajuda ou eu irei te transformar fisicamente na Irmã Dulce na base da porrada, falou? — ameacei, sorrindo maleficamente.
— Tá certo… — MX me olhou irritada — Porra mano, tanta merda pra eu fazer e tenho que ensinar exorcismo prum ruivo baitola. — pigarreei, para lembrá-la de que ainda estava ali.
[...]
Três horas haviam se passado. Consegui gravar mais da metade das frases do exorcismo, tava tudo indo bem, até.
— Pronto, agora nós podemos ir para a parte prática. — MX murmurou, cruzando as pernas, e fazendo alguns sinais com as mãos.
— Que parte prática? — eu e meu irmão exclamamos, ambos surpresos.
— Sim. O que eu estou ensinando a vocês é só a parte teórica, precisamos ir para a prática, se você quiser que tudo dê certo, claro. — a velha disse, revirando os olhos.
— Certo, certo. — falei, ainda desconfiado — faça logo isso...
— Sim, por isso fiquem quietos e concentrados, irei começar a entoar algumas palavras, então relaxem. — MX sussurrou baixo. Então começou a cantar rapidamente, enquanto mantinha os olhos fechados com força — U mo bugai fei di tal, U mo bugai fei di tal, U mo bugai fei di tal, U mo bugai fei di tal, U mo bugai fei di tal! — o clima na sala começou a ficar estranho. De repente, tudo ficou num silêncio infinito, os ventos cessaram. Tudo o que ouvíamos era a velha entoando…
— Olá… — disse MX, ou o espírito que tava possuindo a veia, já que a voz que seria supostamente dela estava grossa e profunda — HOJE É UMA BELA NOITE PARA ADORAR O CAPIROTO E VOCÊS IRÃO VER O RENASCER DO GRANDE LORDE CAVEIRA NEGONA DA MACUMBA. MEU OBJETIVO É, E SEMPRE SERÁ A CONQUISTA! — ele exclamava, com os olhos de MX completamente negros e escorrendo sangue, enquanto subia pelas paredes e tentava avançar em mim e no Laito, com a língua maior que um Tamanduá pra fora e correndo baba pela boca. Eca. q
— SAAÍ, BICHO RUUUUIM! — Laito gritou como se fosse o último dia de sua vida (e quem sabe se realmente não era) e tacou um taco de madeira na testa da MX, que caiu parede abaixo e tava se contorcendo toda.
— Cê tá louco? — indaguei exaltado a meu irmão.
— Não sei! Mas aqui que não fico! Tô vazando! — e correu sala a fora. Eu, como não sou idiota nem nada, fui atrás, deixando a recepcionista um tanto confusa e beijei até o chão quando consegui escapar dali.
— Ai, acho que…. Menstruei oerkeroejriejre (?) — Laito comentou ofegante e eu ri.
Quase borrei minha dignidade, mas ao menos achei um meio de salvar a pobre alma do Kanato. E irei exorcizar aquela garota das trevas também. qq
Fale com o autor