As Três Profecias
2 Odeio gregos.
Notas iniciais
Muito legal, eu não estava morta.
Por um segundo pensei que estivesse. Tudo estava preto, sem vida, até que submergi da escuridão como uma pessoa que é levada para a superfície pela maré.
A luz branca invadiu meus olhos me obrigando á fecha-los novamente. Tudo no meu corpo doía, inclusive a perna esquerda.Tudo na minha cabeça girava, não tinha idéia nem mesmo de quem eu era. Precisei de alguns segundos para me lembrar.
Tudo parecia estar bem, até eu me perceber que havia pessoas ao meu redor. Abri os olhos e lá estavam três semideuses que pareciam pessoas normais, mas ainda sim eram semideuses.
Dois deles eu conhecia. O garoto alto e de pele clara e uma das garotas que tentaram me matar há não sei quanto tempo. Se dependesse deles eu estaria morta. O outro era um garoto alto e de camisa laranja, onde havia o símbolo do Acampamento Meio Sangue. Os três me encaravam e pareciam assustados.
— Ei — disse o garoto de cabelos escuros. — Você está bem?
Ele não parecia o garoto que tentou me matar, nem mesmo um pouco assustador. Na verdade, estava parecendo se importar comigo, enquanto encostava os dedos gelados pouco abaixo do joelho, tentando me passar conforto.
— Claro, ela passou três dias desacordada, deve estar muito bem — disse a garota.Ela era a mais baixa e a que não me assustava tanto.
Não tentei responde-los, mesmo se tivesse não teria obtido sucesso.
Três dias era muito tempo. Olhei em vão para a janela e vi um sol matutino, era um belo dia e os três pareciam muito cansados. Senti minha perna melhorando subitamente, não pude deixar de sorrir ao sentir o alivio das queimaduras.
Me sentei na cama e senti uma leve pontada nas costelas. Soltei um leve gemido.
— Ela não está bem! — afirmou/zombou o garoto dos cabelos castanhos. Ele tinha um sorriso no rosto que insinuava algo do tipo "eu disse".
— Estou sim — disse, tentando me levantar. Me sentei na cama, virando as costas para eles, pode ter parecido grosseiro mas não foi minha intenção.
— Sou Daniel, ela é a Bonnie e o palhaço é o Travis — ele pegou no meu ombro e me ajudou a me levantar, eu me sentia perfeitamente bem. Dei um leve sorriso para ele e me virei novamente.
Eu estava vestindo uma calça folgada e uma camiseta — que cabia quase duas Lizas — do Acampamento Meio Sangue. Me sentia um ratinho em uma calça tamanho GG.
— Eu posso sair? — não tinha a mínima ideia do porquê estava perguntando, mas Bonnie assentiu.
Dei alguns passos, a cada instante eu sentia o meu corpo melhorando e me sentia bem com isso. Travis se perdeu em algum lugar da enfermaria enquanto eu caminhava e Bonnie saiu por outra saída.
— Posso te mostrar o acampamento? — propôs Daniel, com um sorriso boboca no rosto. Soltei um outro sorriso e assenti. Eu não tinha a mínima ideia do porque ele estava sendo tão legal, mas resolvi ser também.
Começamos a andar pelo acampamento. Daniel me mostrava os lugares dizendo poucas palavras sobre eles. Começamos pela casa grande, onde antigamente ficava o espirito de Delfos e mais um monte de blábláblá que ignorei o tempo todo, enquanto olhava para o enorme casarão de dois andares e tintura velha, etc.
Depois disso fomos para a forja de Hefesto, onde seus filhos construíam armas e mais um monte de blábláblá que Daniel falava. Sem duvida nenhuma, eu não estava com paciência para ouvir suas longas explicações, eu só queria um pouco de descanso, ou animação.
Depois disso passamos pelos campos de morango, estabulo de Pégaso e depois decidimos que estávamos cansados demais, fomos almoçar normalmente — contando os rituais — e depois fomos para a estreito de LongIsland onde passamos o resto da tarde conversando.
Ou melhor, Daniel ficou conversando o resto da tarde, pois eu ainda não me sentia muito bem ali, no acampamento. Ele falou de como era sua vida no acampamento, rotinas, diversão amigos, etc.
Percebi que nem tudo ali era tão chato como imaginávamos no Júpiter, mas não ousei falar isso. Também notei que Daniel não era tão chato e perigoso como imaginei no primeiro dia.
Depois de horas inteiras conversando, um crepúsculo lindo que deixou os cabelos de Daniel com um tom de roxo que daria inveja em qualquer filho de Vênus e ele confessar que passou três dias na enfermaria preocupado pois se sentia culpado — tudo o que consegui foi soltar um sorriso sem graça —, fomos para nossos chalés.
Ele me deixou na porta do 10 e partiu para o 1, onde passaria o tempo todo sozinho.,
Dei de cara com um chalé muito "uau". Ele era todo rosa pastel e haviam cristais pendurado nas janelas. Diversos canteiros com flores de todo estilo e cores que aninhavam-se nas paredes. Fiquei encantada assim de cara.
Entrei com passos leves no chalé que era igualmente rosa por dentro. A maioria sem duvida era garotas. Não prestei muita atenção no chalé, pois logo que pisei nele uma menina da minha altura e de cabelos castanhos me esperava à porta.
Ela era a única campista que não estava com a camiseta do acampamento, ela usava uma regata rosa e cheia de gliter com alguma coisa em inglês escrito, mas eu não conseguia ler, pois ela estava com as mãos na cintura, a coluna envergada para a frente e um olhar assassino.
Palavras deslizaram de sua boca como veneno.
— Olá, romana — tinha certeza que para ela isto não era nenhum tipo de elogio.
— Olá, grega — eu estava exausta, mas ainda sim mantinha meu senso de humor.
Me perguntei se meu charme funcionaria até mesmo com minhas irmãs, mas a obtive a resposta assim que olhei para ela com o meu sorriso mais doce e ela continuou com a carranca.
— Acha mesmo que isso vai funcionar comigo?
Droga.
Havia uma dúzia de garotas atrás dela que me encaravam igualmente feio. Permaneci em silêncio esperando alguém obriga-la á voltar para sua cama, mas o chalé inteiro permaneceu em silêncio.
Me virei de costas á ela e dei alguns passos até uma beliche que estava vazia ao lado da porta. Havia um papel com meu nome lá. Passei a mão de leve no lençol rosa claro e senti as mãos da garota tocando meu ombro. Uma onda de raiva subiu pelo meu corpo.
— Olha, não sei quem é você, nem o que você quer então...
Ela me interrompeu colocando o dedo na boca.
— Eu sei quem você é, e o que você fez. Ninguém te quer aqui.
— Desculpa, não posso fingir que me importo com sua opinião.
Sai e a deixei andando, ela deu alguns passos na minha direção, mas alguém gritou "Drew, não" e ela parou. Sai do chalé e comecei a andar sozina pelo acampamento, até que a noite caísse.
Fale com o autor