As Três Lágrimas do Youkai.

20 Capítulo 20 – Estranhos no Limbo. (Atualizado)


Notas iniciais
Olá, gente!!! Primeiramente quero me desculpar por não ter postado um capítulo na semana passada. Não fiz devido a uma série de coisas: problemas de saúde, falta de tempo e bloqueio de ideias. Me desculpem por não ter avisado, mas peço paciência. Estou entrando agora no mês mais corrido da minha vida, com a chegada do ENEM tenho que estudar ao máximo, e isso inclui fins de semana... Portanto, me desculpo previamente, pois não tenho certeza se durante este mês conseguirei escrever toda semana, mas garanto que assim que tiver passado essa maldita prova, usarei todo meu tempo livre para me dedicar à fic, e quem sabe fazer mais de um capítulo por semana.... Quero agradecer à todas que estão acompanhando e comentando, e quero dar as boas vindas à leitora Jack O Frost, por ter começado a ler o fanfic e comentar em todos os capítulos desde o primeiro! Muito obrigada pelo apoio de todas vocês!!!!

Tsukiyo foi acomodada num quarto ao lado do designado a Sesshoumaru. O cômodo era destinado a visitas, tendo apenas um futon com cobertores de pele dobrados em cima, além de uma pequena mesa no canto com alguns papeis em branco e uma pena num tinteiro do lado. Tsukiyo colocou a espada, devolvida mais cedo, apoiada na mesinha e deixou-se cair no futon.

Ao seu lado, estava um par de roupas novas para ela. Eram roupas simples, brancas por fora e revestidas com peles por dentro para aquecer. Por isso não não tão grossas, refletiu lembrando-se de quando viu os youkais do gelo na caverna. Além de estarem adaptados ao frio, essas roupas enganam, mas são muito quentes. Um capuz pendia do casaco adornado por pelo de animal que o faziam parecer muito macio. Uma calça justa para permitir mobilidade e aquecer acompanhava o casaco. E, por último, vinham botas de sola grossa e muito flexíveis, para permitir a mobilidade dos pés. Imediatamente, ela se trocou, suas roupas antigas tinham rasgos, sangue e sujeira.

Encarando o teto, a jovem pensava em como fora parar naquela situação.

Tudo aconteceu muito rápido. Num momento estava aceitando o desafio de Koba para ajudar Sesshoumaru, no outro se via apostando a vida.

Quando o youkai impôs um duelo até a morte, Tsukiyo sentiu um tremor percorrer o corpo, nunca havia pensado que uma das condições seria esta e pela reação dos demais, ninguém esperava. O desespero se aprofundou quando se viu sem opções, caso recusasse o desafio não era sua honra que estava em jogo e sim a de Sesshoumaru. Se ela falhasse o acordo entre os clãs ia por água abaixo, mas recusar-se a participar causaria piores danos a Sesshoumaru.

Tsukiyo lhe devia muito para seque cogitar causar tamanhos problemas para ele.

Quando finalmente se decidiu e estava prestes a se pronunciar, a pessoa mais inesperada tomou a frente.

– Isso é mesmo necessário, Koba? Não acha que seja demais? – perguntou-lhe Shiro. Apesar da pergunta, seu rosto não demonstrava qualquer emoção.

– Com todo o respeito, Shiro-sama, acredito que seja a melhor opção. Afinal, as pessoas só demonstram quem realmente são quando confrontam a morte. – olhou desafiante para Tsukiyo. – Se o objetivo é revelar o caráter de cada um, o melhor é julgar por quem realmente somos.

– E pode afirmar que o motivo de ter escolhido tal condição é apenas esta? – Sesshoumaru aparentava indiferença, porém seu tom era amargo e Tsukiyo já o conhecia bem o suficiente para saber que o youkai tentava conter sua raiva. – Não tem nenhuma relação com sua antipatia para conosco, não é?

– Suas palavras, não minhas. Desejo apenas ajudar minha mestra. – falou arrogante, Koba. – Por quê? Tem medo que a hanyou perca? – o tom era carregado de desdém.

Tsukiyo sentiu vontade de atacá-lo ali mesmo, mas sabia que isso só pioraria a situação para ela e Sesshoumaru. Ela olhou para o Lorde e percebeu que tinha as mãos cerradas e um olhar assassino estampado o rosto em direção a Koba. Parece que ele sente o mesmo que eu. Sesshoumaru a olhou rapidamente. Não se preocupe, dizia Tsukiyo com o olhar, prometo arrebentá-lo no duelo. Não vou perder para esse idiota.

— Sua resposta? – reforçou Koba. – Vai desistir ou aceitar?

Com um olhar determinado e desafiador para o youkai do gelo, Tsukiyo respondeu com voz firme.

– Eu aceito.

Shiro que pareceu perceber o clima de tensão se instalando no local, tratou de tomar uma atitude. Acenou para a criada mais próxima.

– Apresente os quartos aos nossos hóspedes. Todas as refeições serão servidas no cômodo para vocês, portanto peço que não saiam de seus aposentos. – falou para os dois e então se virou para a multidão ao redor. – Ninguém está autorizado a se aproximar dos quartos sem que eu ordene. – Olhou para Koba. – Guardemos as hostilidades para amanhã.

Seu tom era absoluto, não abrindo espaço para contestação. Sesshoumaru agarrou suas armas e tomou-as para si.

– Se não é capaz de perceber o poder dela, – falou ele, passando pelo guarda. – quem está fadado a perder é você.

Sesshoumaru começou a seguir a criada, dando as costas para um Koba vermelho de raiva. Tsukiyo pegou logo sua arma e pôs-se a segui-lo, escondendo um sorriso que insistia em aparecer no canto dos lábios. Bem falado, Sesshoumaru.

Agora, encarando o teto e refletindo sobre o ocorrido, a última fala do youkai perdeu a graça para dar lugar à surpresa. Não esperava que Sesshoumaru tivesse tamanha confiança nela. Koba era um idiota, mas não era um qualquer. Tsukiyo percebia facilmente que em termos de habilidades de luta ele a superava, entretanto, depois de ouvir Sesshoumaru sentiu-se um pouco mais confiante. Mesmo o Lorde tendo a salvado várias vezes, ele ainda confiava em suas habilidades.

Ou pelo menos parece..., pensou.

Sentiu um leve rubor nas bochechas e balançou a cabeça para afastar a sensação. Eu devia agradecê-lo... Fez menção de se levantar quando percebeu o corpo pesado e dolorido. Não havia imaginado que estaria tão cansada depois daquela viagem, mesmo sabendo de não ser tratar de uma viagem qualquer.

Olhou para a janela e constatou que o sol já se escondia no horizonte. Com um suspiro, Tsukiyo se rendeu ao cansaço e fechou os olhos. Talvez amanhã...

...

Tsukiyo estava num campo florido, com o vento batendo em seu rosto. Um aroma agradável de lírios preenchia o lugar. Ela deitava entre as flores que transformavam o campo num belo tapete a mercê da brisa. Ela encarava o céu azulado, daqueles que só se via na primavera, num delicioso torpor que a mantinha num estado de completa paz e tranquilidade.

Apoiou-se preguiçosamente nos cotovelos para olhar melhor a paisagem, percebeu do outro lado do campo uma figura. Uma mulher. Daquela distância, Tsukiyo não conseguia ver maiores detalhes. Movida pela curiosidade, ela se levantou e foi em direção à estranha.

Ao se aproximar, viu que ela colhia flores e as trançava numa delicada coroa. Mesmo de perto, a imagem da jovem parecia desfocada, meio transparente, quase como se não estivesse realmente ali. Poucos detalhes eram visíveis. Tinham a mesma altura, ela usava um longo quimono alaranjado e possuía lisos cabelos negros que escorriam pelas costas até a cintura.

A estranha, ao perceber Tsukiyo, se aproximou. Seu rosto indecifrável. Sua face mal podia ser vista, devido a uma névoa que parecia encobri-la. Curiosamente, nenhum movimento dela produzia som. Não se escutava seu pisar sobre a grama nem o vento parecia tocá-la como fazia com Tsukiyo. Ela se aproximou até ficar a dois passos de Tsukiyo e estendeu-lhe a mão com a palma voltada para cima.

Tsukiyo hesitou por um momento e estendeu a mão para tocá-la. Levou um susto quando sua mão atravessou a da estranha, como se ela fosse feita de fumaça. Como se não estivessem no mesmo plano. Tsukiyo recuou alguns passos, mas a mulher não pareceu se abalar. Pelo contrário, voltou a se aproximar e estendeu o braço novamente, desta vez oferecendo a coroa de flores que estava fazendo.

— O que você quer? – perguntou Tsukiyo, confusa. – Quem é você?!

Tsukiyo percebeu a estranha mexer a boca, mas nenhum som saiu. Ela sacudiu levemente a coroa, num incentivo para que pegasse. Lentamente, a jovem esticou a mão e agarrou a coroa. Imediatamente, sentiu um puxão e foi impelida para frente. A estranha puxava a coroa e acenava com a mão livre para que a seguisse.

— Quer que eu a siga? – perguntou Tsukiyo transtornada.

A jovem balançou a cabeça em sinal afirmativo e pôs-se a correr. Tsukiyo logo a seguiu, tomada por uma curiosidade cada vez maior. A estranha corria por entre as flores com seus pés descalços sem produzir som algum, como se flutuasse por elas.

— Onde quer me levar?! – gritou Tsukiyo ao seu encalço.

Não obteve resposta.

Elas cruzaram o campo e a estranha parou quando chegou aos limites do mesmo. Tsukiyo parou logo atrás. A hanyou ofegava enquanto a figura a sua frente não demonstrava qualquer sinal de cansaço. Ela estava de costas, olhando para algo. Tsukiyo se aproximou e ficou ao seu lado.

Tratava-se de uma lápide de pedra.

— Era isso que queria me mostrar? – sou tom era solidário.

A estranha nada falou, permaneceu olhando para o túmulo de pedra. Olhando mais atentamente, Tsukiyo notou que havia um nome gravado na pedra, mas assim como as feições da jovem estava desfocado. Tsukiyo se aproximou para ver melhor.

Enquanto avançava, três estrondos ressoando como trovões a despertaram.

...

Tsukiyo levou alguns segundo para recordar onde estava e o que estava acontecendo. Escutou três batidas, reconhecendo, agora, serem batidas na porta. Estava de volta ao seu quarto na vila dos youkais do gelo. Do outro lado da porta, uma voz familiar falou baixo:

– Está acordada?

– Pode entrar. – respondeu.

A porta deslizou para o lado e Sesshoumaru entrou no cômodo. Tsukiyo notou que estava de noite e a falta de luminosidade destacava os cabelos e roupas do youkai. Graças ao seu contraste com a escuridão da noite, ele parecia brilhar, quase como que um ser etéreo.

Quase tão silencioso quanto a estranha do sonho...

Com o pensamento, sentiu o corpo tencionar e milhares de dúvidas invadirem sua cabeça. Quem era ela? O que havia naquela lápide? Foi mesmo apenas um sonho? Pareceu tão real...

— O que foi? – Sesshoumaru a encarava confuso, fazendo Tsukiyo se perguntar qual expressão estaria fazendo para ele lhe perguntar isso.

– Não é nada. – negou. – O que veio fazer aqui?

– Vim checar se está preparada para amanhã. Não preciso dizer que só tem uma chance.

Sesshoumaru, que permanecia de pé, recostou as costas na parede e cruzou os braços junto ao peito.

– Não preciso ser lembrada disso. – falou com receio evidente na voz.

– Se tem medo, por que aceitou? – falou com um toque de preocupação na voz.

— Sabe que não tinha outro jeito. – ela respondeu o que ele já sabia. – Além disso, alguém tem que ensinar boas maneiras àquele idiota do Koba. Uma boa surra vai fazer bem a ele. – falou irônica.

— Não é uma brincadeira. – repreendeu-a. – Sei que já deve saber, mas não posso interferir no duelo. Estará sozinha desta vez. Apesar de tudo, Koba não é fraco. Em vez de gastar tempo brincando, deveria estar se preparando e descansando. Garanto que será mais produtivo.

Foi a vez dela irritar-se.

– Eu estava até você bater na minha porta!

Tsukiyo o viu retesar levemente o corpo e imediatamente se arrependeu. Sesshoumaru estava ali porque se preocupava com o resultado de amanhã. Não posso culpá-lo. Os acordos dependiam do resultado amanhã e Tsukiyo sabia o quanto isso significaria para Sesshoumaru na guerra.

Ela respirou fundo e amenizou a fala.

— Mas estou feliz que tenha vindo... Meus sonhos não têm sido exatamente agradáveis ultimamente.

Sesshoumaru a encarou com seus profundos olhos âmbar.

– Outro pesadelo?

– Não, apenas um sonho... estranho. – falou. – Não sei como explicar.

– Nesse caso, vou deixá-la descansar. – ele começou a se dirigir à porta.

– Sesshoumaru... – começou devagar. – Obrigada por me defender contra o Koba mais cedo. Não precisava fazer aquilo.

Tsukiyo sentiu-se corar e agradeceu por estar escuro. Sesshoumaru parou com uma das mãos já na porta, ainda de costas.

– Você... acha mesmo que posso vencer? – perguntou ela a Sesshoumaru.

Alguns segundos de silêncio de passaram e Tsukiyo começou a achar que Sesshoumaru a havia visitado para se despedir. Ele acha que não conseguirei amanhã. Um sentimento de decepção e desamparo se abateu sobre ela.

De repente, ele respondeu.

– Quer saber, acho que está certa em brincar. Para você, que teve a audácia de desafiar este Sesshoumaru para um duelo de espadas, uma luta contra aquele idiota será uma brincadeira...

Com isso, ele abriu a porta e saiu, deixando para trás uma Tsukiyo corada e muito surpresa.

...

Com a chegada da aurora, a luz inundou o cômodo, despertando Tsukiyo que permanecia deitada. Não havia conseguido dormir depois que Sesshoumaru saiu, apenas manteve os olhos fechados e relaxou, se concentrando para o que viria.

Ouviram-se três batidas na porta.

Tsukiyo levantou-se e abriu a porta. Mal pôde esconder a decepção quando viu se tratar apenas de uma serva. Ela fez uma pequena mesura e falou.

– A senhorita está sendo aguardada, por favor, me acompanhe. – a serva deu um passo para o lado permitindo a passagem de Tsukiyo.

A hanyou pegou sua espada, prendeu-a firmemente no cinto e começou a seguir a serva. Passavam por entre as casas, as pessoas encarando enquanto passava. A cada passo Tsukiyo sentia um aperto no peito, a respiração pesando. Sentia o corpo tenso e, apesar do clima frio, sentia gotas de suou se formando. Inconscientemente, dirigiu a mão à espada. Segurar a arma sempre a ajudava a se acalmar.

Caminharam por toda extensão da vila até que a serva indicou uma espécie de campo aberto, coberto por uma camada fina de neve. Um grupo de pessoas se reuniu nos limites da vila, abrindo caminho quando passou. Apenas três pessoas estavam no campo: Shiro, indiferente, e ao seu lado estava Koba, sustentando uma expressão de desgosto. Mais atrás, Sesshoumaru, que o olhava com a face indecifrável. A visão daqueles olhos âmbar a acalmou.

Tsukiyo se aproximou de Sesshoumaru e se posicionou ao seu lado da mesma forma que Koba se colocou ao lado de Shiro. Nenhuma palavra foi trocada entre os presentes, todos estavam tensos e focados. Shiro andou até a metade do espaço que separava as duas duplas e Sesshoumaru fez o mesmo.

– Seguindo todas as condições impostas e aceitas, por ambas as partes, iniciaremos o duelo que decidirá o futuro de nossos clãs. – falou Shiro em alto e bom som para que a multidão que se reunia no limite da aldeia também escutasse. – Que os competidores se aproximem.

Koba começou a avançar e Tsukiyo imitou o gesto. Ambos chegaram ao centro, ficando em lados opostos. O clima de tensão aumentando. Shiro retirou uma adaga do cinto, fez um corte na palma de sua mão e estendeu a arma a Sesshoumaru, que fez o mesmo.

Eles apertaram as mãos cortadas e proferiram em uníssono:

– Eu reconheço o competidor como meu campeão e, perante os deuses, mantenho o juramento de não impedir o cumprimento das condições impostas anteriormente. Que a sorte acompanhe os campeões e os deuses decidam seus destinos!

Tsukiyo sentiu o sangue gelar. Está na hora, é agora ou nunca. Os líderes se afastaram. Shiro passou ao lado de Koba e acenou para ele com a cabeça, se posicionando no final do campo de batalha, atrás dele. Sesshoumaru fazia o mesmo do lado oposto, e ao passar por Tsukiyo, falou de maneira que apenas ela escutasse:

– Não ouse perder para ele.

A jovem surpreendeu-se mais uma vez. Sentiu o coração bater mais rápido, mas não de nervosismo. O tom de Sesshoumaru, ao contrário do que parecia, não era de imposição. Era um tom de preocupação. A jovem sentiu-se tentada a olhar sua expressão, mas sabia que o momento era crucial. Um simples desviar de olhos do inimigo poderia custar sua vida. Tsukiyo continuou encarando Koba. Quando ele levou a mão à bainha, ela fez o mesmo.

Os sons dos passos de Sesshoumaru cessaram. Shiro levantou sua espada e gritou:

– Comecem!

Notas finais
E aí? O que estão achando? A partir de agora, ocorrerá um aprofundamento na relação de Tsuki e Sesshy... espero que gostem ;)