As Três Lágrimas do Youkai.

16 Capítulo 16 – Espelho de Culpa. (Atualizado)


Notas iniciais
Olá mina! Mais um lindo capítulo para vocês! Antes de tudo quero agradecer a nov leitora Larinha, que começou a ler a fic e está comentando desde o primeiro capítulo! Muito obrigada, linda! Aliás agradeço não só a você, mas a todas que andam comentando. A propósito, estou muito satisfeita em ver as suposições que colocam nos comentários. Algumas podem estar certas e outras não, mas fico feliz em ter leitoras tão espertas!!! ;) Bem, esse capítulo aprofundará os conflitos que afingem Tsukiyo e para os mais atentos, dará algumas dicas de como tudo aconteceu. Além disso, vai servir de ponte para contar mais sobre ela. Sem mais spoilers, vamos ao capitulo rsrsr ;)

Tsukiyo observou Sesshoumaru fechar os olhos e imediatamente adormecer. Dessa vez ela tinha certeza que ele estava apenas dormindo, sua respiração era lenta e profunda, o corpo relaxado. Está exausto. Tsukiyo tinha uma expressão preocupada e solidária. Ele está assim por minha culpa.

Culpa... Esse sentimento corroía sempre que mencionava os pais. Aquilo também foi minha culpa sentiu as lágrimas surgindo e agradeceu por Sesshoumaru estar em sono profundo. Por eu ser fraca, as pessoas sempre se machucam.

Secou as lágrimas insistentes e engoliu o choro. Precisava provar que havia ficado mais forte, que poderia proteger aqueles importantes para ela. O rosto de Akarin lhe veio à mente. Num momento de fraqueza, Tsukiyo olhou tentada para as espadas na bainha de Sesshoumaru. Imediatamente afastou o pensamento. Não poderia fazer isso com ele. Não agora que havia arriscado a vida para salvá-la.

Precisava pensar num outro plano... mas e se não houvesse? Seria capaz de manter a ideia original e traí-lo depois disso tudo? Não seja tola, você não pode abandonar Akarin. Precisa fazer isso!, tentava em vão se convencer. Além disso, você não significa nada para Sesshoumaru. Por que hesita em traí-lo?

Lembrou-se da resposta dada por ele, “Você me lembra alguém que conheci.” Seu tom fora tão sincero. Talvez fosse isso que a fizesse hesitar. Aquela demonstração de vulnerabilidade de Sesshoumaru mexeu de alguma forma com ela, a ponto de não ter tanta certeza se ela não significava nada para ele. Afinal, por que teria salvado sua vida arriscando a própria?

Cheia de dúvidas e contradições, Tsukiyo adormeceu pelo cansaço.

...

Quando abriu os olhos estava em um lugar completamente escuro. Não havia sequer uma presença. Alarmada, ela olhou em volta.

— Sesshoumaru? – chamou, a voz ecoando pelo vazio.

Uma luz surgiu atrás de si. Uma figura apareceu. Um homem de longos cabelos negros com um roupão vermelho com um quimono amarelo-esverdeado por cima caindo pelos ombros.

Pai?

Uma sombra cobria os olhos, impedindo de ver sua expressão. De repente, milhares de espadas surgirão acima dele. Seu pai estendeu a mão. Sua boca mal se mexeu e a expressão permaneceu impassível, mas o som saiu como um grito, parecendo vir de muito longe.

– Corra, Tsukiyo!

Desesperada, ela fez o que mandou, correndo pelo vazio negro na direção contrário à dele. Olhou para trás a tempo de ver as espadas descendo com uma velocidade surpreendente na direção de seu pai. Ela travou quando viu o corpo perfurado pelas lâminas, o sangue se espalhando pelo chão.

Tsukiyo virou o rosto, sentindo as lágrimas se formarem. Continuou correndo até enxergar uma mulher a sua frente. Seus cabelos eram negros e tinha duas orelhas no topo da cabeça. Seu quimono era rosa e tinha as mãos estendidas para a jovem.

– Mãe! – se jogou nos braços da mulher em meio às lágrimas – O papai foi...

Tsukiyo levantou o olhar para sua mãe. Ela tinha a expressão neutra, assim como o pai os olhos estavam cobertos por uma sombra. Assustada, Tsukiyo se afastou, apenas para constatar que o quimono rosa estava encharcado de vermelho.

– O que você fez? – perguntou-lhe a mãe sem qualquer emoção.

Olhando para as próprias mãos, Tsukiyo constatou que pingavam vermelho. Era o sangue de sua mãe. Desesperada, a jovem começou a se afastar, mas sentiu o chão ceder a seus pés. Fechou os olhos enquanto caía pela escuridão.

Sentiu chocar-se com algo.

Abriu os olhos e viu-se em um espaço completamente branco. Tsukiyo estava caída ao lado do mesmo banco que sentara no Festival da Lua. De repente, ouviu passos atrás de si. Um garoto se aproximava. Tinha os cabelos curtos e negros carregando um sorriso no rosto.

– Akarin...

Ele se aproximou e estendeu a mão para ela, mas no momento em que Tsukiyo a tocou ela se transformou em pó, sendo levada pelo vento juntamente com o resto do garoto. A jovem olhou em volta a procura dele.

Escutando um gemido de dor Tsukiyo se virou. Atrás de si, estava Akarin caído. Já não tinha a aparecia de garoto, estava mais velho, como dá última vez que o vira. Para sua surpresa, ele tinha lágrima correndo pelo rosto e a mão estendida em direção a Tsukiyo, como num pedido de socorro.

– T-Tsu-kiyo. – a voz dele saiu baixa e rouca.

Atrás dele, o espaço branco começou a ser preenchido pela escuridão, que engolia tudo por onde passava. Logo, ele também seria tragado. Tsukiyo começou a correr, mas não importa o quanto acelerasse, não saía do lugar. Impotente, ela o escutou gritar enquanto era engolido pela escuridão.

— Akarin!!!

Ele foi levado! Ele foi levado de novo!!!

Sentiu as pernas bambearem e caiu de joelhos. A escuridão tomou conta de tudo a sua volta, deixando apenas um círculo branco abaixo de onde ela se encontrava. Vindas da escuridão, vozes começaram a ecoar.

Pareciam distantes, baixas como o sussurro de espectros.

– O que você fez? – falou uma voz que parecia com a de sua mãe.

– A culpa é sua. – falou outra parecendo o pai.

– Por que não pôde me salvar? – agora Akarin.

– Você é fraca! – falaram em uníssono.

– Por sua culpa estamos mortos – falaram os pais.

– Deixou que eu fosse levado pelo demônio.— falou Akarin. – Por sua culpa Wendy se foi!

Tsukiyo chorava e cobria os ouvidos com as mãos.

– Não! – berrou ela. – Eu...

– É sua culpa. – falaram juntos. – É sua culpa! É sua culpa!

A vozes gritavam repetindo a mesma frase. De repente, um espelho surgiu na frente de Tsukiyo. Sua imagem pareceu ganhar vida e lentamente saiu do espelho. Diante de Tsukiyo estava ela própria, não apenas uma imagem, mas uma cópia idêntica. Sua imagem estava de pé, coberta de sangue, carregando um sorriso sombrio nos lábios.

Tsukiyo olhou ao redor e percebeu que o lugar começara a se inundar de sangue. O líquido vermelho escorria pelas paredes e a tomava todo o local.

A cópia a sua frente lambeu os dedos cobertos de sangue e, sorrindo, falou:

– Não negue quem você é! Apenas aceite e me liberte de novo.

Tsukiyo já estava coberta até o peito pelo líquido escarlate, o cheiro de ferro inundando suas narinas. As vozes continuavam a repetir a mesma frase, “A culpa é sua”, e agora a besta a sua frente, sua própria cópia, avançou com fúria para ela.

– Vamos! Liberte-me!

Tsukiyo fechou os olhos e berrou o mais alto que conseguiu. Sentia o sangue cobri-la até seu pescoço. Desesperada ela tentou nadar, mas seus músculos não obedeciam. Ela inclinou a cabeça para trás para respirar. Em segundos a piscina de sangue a cobriu por completo. O ar foi expulso de seus pulmões. Ela fechou os olhos desesperada. Por favor, alguém me ajude!, suplicou.

Ao longe escutou uma voz. No início era tão distante que mal podia ouvir, mas foi aumentando até alcançar seus ouvidos:

– Acorde!

...

Tsukiyo despertou subitamente. Estava ofegante e sentia o suor escorrendo pela face. Suas bochechas estavam molhadas pelas lágrimas derramadas. Demorou alguns segundos para se situar. Estava na caverna, deitada sob o chão, em frente à fogueira. Sesshoumaru estava ao seu lado, com uma das mãos em seu ombro, sua expressão era quase... preocupada?

Tsukiyo respirou fundo e buscou acalmar o coração que batia compulsivamente. Um sonho... foi apenas um pesadelo. Apenas isso...

—_________________________ XXXXX __________________________

Sesshoumaru havia acordado há alguns minutos e percebeu a movimentação da jovem. Ela virava de um lado para outro, em clara agonia. Estava ofegante, suando e... chorando! O estopim para fazê-lo se aproximar e fazer alguma coisa, foi o grito proferido por ela. Um som carregado de dor e desespero.

Ele a sacudiu levemente e gritou.

— Acorde! Vamos, acorde!!!

Num pulo, ela despertou. Olhou em volta confusa, parando o olhar nele. O peito subia e descia rapidamente, as pupilas dilatadas e olhos molhados pelas lágrimas. As orelhas e marcas no rosto haviam ressurgido. Era uma hanyou novamente. Bem... quase isso.

— É apenas um pesadelo. – falou ele.

Nunca imaginou vê-la naquele estado e irritou-se por ver-se incomodado por isso. Para sua surpresa, ela começou a chorar. Desabou em lágrimas e agarrou a manga do quimono branco de Sesshoumaru em busca de conforto. Ela se aproximou e encostou a cabeça em seu peito.

Em choque, Sesshoumaru não sabia o que fazer. Não buscou consolá-la e tampouco a afastou. Ficou ali, parado. Completamente estático. Sentia o quimono molhar-se com as lágrimas da jovem.

— M-me desculpe... a culpa é toda minha. – balbuciava em meio ao choro. – Me desculpe...

Ela chorava como uma criança. Como uma alma que segurou tanta dor por tanto tempo que já não aguentava mais. Ela chegara ao seu limite. Não era um choro de medo ou um choro que temia pela vida. Era um choro que temia pela vida de outros. Que se cobrava algo impossível e inalcançável.

Era um choro de culpa.

Algo que, por acaso, ele conhecia bem... Talvez justamente por isso, não a afastou. Dessa vez, Sesshoumaru não via Rin refletida na jovem como já vira diversas vezes.

Ele via a si próprio.

Esperou até que ela se acalmasse. Levou alguns minutos, mas a respiração foi se regularizando, os soluços diminuindo. Lentamente, ela soltou sua manga e se afastou, recostando-se encolhida na parede.

Passaram algum tempo em silêncio até que ela disse:

— Eu... sinto muito pelo meu descontrole. – com o tom formal, buscava recompor-se.

Sesshoumaru nada disse. Sentou-se ao seu lado. Não a julgava pelo choro, muito pelo contrário. Sabia tratar-se de algo pessoal e não pretendia abordá-la sobre o assunto. Havia um limite para sua curiosidade.

— Deve estar me achando uma tola, não? – falou cansada, com desprezo na própria voz.

Toda a sua parte racional, aquela que sustenta sua máscara de indiferença e que erguia barreiras ao redor de si, queimava para concordar. Queria a todo custo dizer que ela não passava de uma tola, fraca e instável demais para se controlar. Mas algo dentro dele o impediu, matando as palavras antes que chegassem à boca.

Inusitadamente, contrariando a si mesmo, ele falou.

— Não. Não acho...

Ele viu surpresa cruzar a expressão dela. Ele próprio o estava. E se surpreendia mais ainda com o que estava prestes a fazer.

— Estamos presos até a nevasca passar. – começou sem olhá-la. – Dizem que a melhor forma de passar o tempo é contar histórias. Por que não conta a sua?

— A minha...? – exclamou perplexa.

Indiretamente era um convite para ela desabafar. Sesshoumaru lembrava-se das palavras que Hiryu lhe dirigira no passado: “Falar sobre o assunto ajuda a superá-lo.” Na época ignorara completamente o conselho do amigo, mas pensou que, agora, talvez fosse ajudá-la.

— Hm, deixe para lá. Acho que a história de alguém como você possa ser entediante de qualquer forma. – fingiu superioridade, mantendo a costumeira indiferença.

A jovem sorriu fraco, o olhar distante.

— Talvez possa surpreendê-lo.

Satisfeito por obter sucesso na operação, ele continuou, mantendo a pose.

— Duvido. – mantinha o olhar a frente, sem encará-la.

— É um desafio? – perguntou a garota.

Bastou um olhar de Sesshoumaru para que ela aceitasse. Então ela começou a contar sua história, enquanto Sesshoumaru fingia não ouvir ou sequer se importar. Não podia sentir-se mais diferente por dentro.

Principalmente após ouvir seu passado...

Tsukiyo adormecida.

Notas finais
E aí? Estou doida para ouvir as suposições de cada uma. O que acham que o sonho representa para cada um deles? Não deixem de comentar!!! Beijos. S2