Notas iniciais
Little Kat's, me desculpem a demora. Eu estou com ideias para todas as minhas histórias, menos essa. Aproveitem o capítulo :)

A casa era maior do que eu pensava. A menina subia e descia escadas e ia de cômodo em cômodo procurando pela mãe. Foi quando ouvi o grito de uma mulher.

A menina saiu correndo na direção do grito e eu a segui.

Quando chegamos ao quarto de onde veio o grito, ele estava com sangue no piso e nas paredes. Deitada morta no chão estava uma mulher de cabelos escuros e sujos; a mãe de Lutessa. Ao lado do corpo estava uma garota de cabelos escuros e pele pálida. Ela estava com uma faca ensanguentada nas mãos.

—Você não fez isso. — disse Lutessa.

—Ela não era a nossa mãe. — disse a menina de cabeça abaixada. — Tive que fazer isso...

—Não, VOCÊ NÃO DEVIA TER FEITO...

—ERA PRECISO!

Ouve um silêncio até a garota ao lado do corpo segurar a faca firmemente e dizer:

—Eles estão vindo.

—Eles quem? — perguntou Lutessa. — Você sempre diz que eles estão vindo mas eles nunca estão! — Lutessa olhou para a faca. — Me dê a faca.

—Não. — disse a menina.

Lutessa avançou para cima da garota e tentou tirar-lhe a faca, mas a menina enfiou a faca no coração de Lutessa, que caiu no chão morta.

Neste momento, uma figura com uma capa escura entrou na sala com uma faca nas mãos. A menina se encostou na parede e fechou os olhos. De repente houve um tiro e a figura da capa escura caiu morta no chão.

Na porta, ao meu lado, apareceu um garoto de mais ou menos onze anos com cabelos loiros e olhos verdes. Ele foi até a garota e se ajoelhou na frente dela.

—Tudo bem, está tudo bem. Eu vim aqui para te ajudar. — disse ele.

—Ninguém pode me ajudar. — disse a garota.

O garoto suspirou e disse:

—Olha, eu não posso te ajudar, não posso mesmo mas deixe-me tentar pelo menos. — ele se levantou e estendeu a mão para ajudar a garota a levantar. Ela abriu os olhos, eles eram azuis quase roxos. Ela segurou a mão de Andrew e se levantou. — Qual é o seu nome?

—Madelyn. Madelyn Rose.

—Prazer Madelyn, meu nome é Andrew. Sou do Covil 19 e vim te resgatar antes que eles venham te raptar.

—Quem são eles? Por que eles querem me pegar? — perguntou Madelyn.

A casa tremeu.

—Não posso te explicar agora. Mas conheço alguém que pode. Vamos! — ele pegou a mão de Madelyn e correu para fora da casa, onde um caminhão enorme os esperava.

—Andrew, venha rápido! — gritou um homem barbudo com uma roupa preta especial com armas na cintura e costas.

Andrew colocou Madelyn no caminhão e depois subiu. O caminhão saiu dali rapidamente. Logo depois a casa de Madelyn desabou em cima de mim.

Acordei assustada em minha cama. Eu estava suando e tremendo. Levantei e fui para o banheiro tomar um banho.

Quando me recostei na banheira, uma sensação estranha percorreu pelo meu corpo. De repente, tudo ficou branco e pude visualizar imagens estranhas. Primeiro eu via Missy, a garota enforcada. Depois Madelyn conversando com Andrew sozinhos em um quarto.

Quando percebo, estou quase me afogando na banheira. Mas parecia que ela estava maior. Espera, eu não estava em uma banheira; estava em um lago.

Tento chegar à superfície mas alguma coisa está ´presa ao meu tornozelo. Era uma corrente. Quanto mais eu me mexia, mais eu afundava. Então, decidi ficar parada.

Aos poucos meu coração parava, deve ser um sonho. Meus olhos estavam fechando, eu não podia ceder. Não podia deixar uma corrente me vencer.

De repente, Andrew desce e quebra a corrente. Ele volta, pega minha mão e me leva até a superfície.

Quando chegamos na grama fria, Andrew se levantou e me pegou em seus braços.

—Você ainda tem muito o que aprender Madelyn. — disse ele. Madelyn? Eu estou no corpo da Madelyn?

—Eu te conheço? — Perguntei. Andrew riu.

—Claro que você me conhece. Eu sou o seu melhor amigo há uns cinco anos, lembra? — não respondi. — E também sou o amor da sua vida há dois anos.

Coloquei meu indicador em seus lábios.

—Você sempre diz isso. — aquilo não pretendia sair, foi inesperado. Foi ai que eu percebi que não era eu falando, era Madelyn.

—Você não devia ter contado que me amava. — disse ele.

—Amava não, amo. — me aproximei de Andrew e o beijei. Meu coração estava acelerado.

—Emilly, acorda. Por favor, acorde. — pediu uma voz conhecida ao longe.

"Você nunca irá me deter"

Abri os meus olhos. Eu estava em meu quarto deitada no chão. Ghale estava ajoelhado ao meu lado.

—Oi. — falei com a voz baixa.

—Emilly. — ele parecia aliviado. — Que bom que você está viva.

—O que aconteceu? — perguntei. — O que você está fazendo aqui?

As bochechas de Ghale ficaram coradas.

—Eu...eu estava passando aqui em frente quando ouvi você gritando. Você estava tomando banho, eu não sabia... Eu te cobri com uma toalha e te trouxe para cá. — ele suspirou. — Emilly, você tinha parado de respirar, seu coração parou de bater. Você estava...

Me aproximei de Ghale, enterrei minha cabeça no peito nu dele e comecei a chorar, só que nenhuma lágrima saia. Eu deveria estar morta, mas não estou. Isso não é bom.

Desencostei minha cabeça e fiquei olhando para Ghale. Ele era lindo, mas eu não tinha percebido isso antes. Me lembrou Andrew...

—Olha Emilly, me desculpe por ontem. Eu não sabia o que eu estava fazendo. — desculpou-se Ghale.

—Está tudo bem, Ghale. — falei. — Só quero que você me responda uma coisa.

—Pode perguntar qualquer coisa.

—É sobre o Covil 19...

Ghale tampou a minha boca com as mãos.

—Fale um pouco mais baixo antes que alguém venha e corte a sua cabeça. — disse ele em um tom sério. Ele tirou as mãos da minha boca.

—Tudo bem, ok... — falei um pouco mais baixo. — Você já esteve lá?

Ghale suspirou.

—Emilly, eu era de lá mas desistir. Depois que eu vim para cá, eles me raptaram e me torturaram por causa de uma garota.

—Qual era o nome da garota?- perguntei.

—Eu não lembro. Acho que tinha alguma coisa a ver com Mary, Maria...

—Madelyn? — perguntei.

Ele olhou para mim surpreso.

—Com você sabe?

—Na verdade, não sei. — falei. — Continue.

—Eles mandaram eu procurar pela garota em todos os Covis e que se eu não fizesse isso eles destruiriam o Covil 17.

—Por que ela é importante? — perguntei.

—Eu não sei, eles não me falaram muita coisa. — respondeu Ghale. — Emilly, você está bem? Parece um pouco pálida.

Eu não estava bem. Uma sensação estranha percorria meu corpo. Uma sensação de culpa.

—Estou, estou sim. — menti. — Eu só preciso saber as horas.

—São quatro horas da manhã. — disse ele. — Acho que é melhor eu ir...

—Não, fique. Por favor. — pedi, chegando perto dele e me recostando no peito dele.

—Tudo bem, eu fico. — disse ele baixinho.

Era estranho, perto de Ghale eu me sentia mais segura mas ao mesmo tempo eu sentia que eu estava em perigo.