As Três Lágrimas do Youkai.

46 Capítulo 46 – Astros.


Notas iniciais
Olá, mina! Desculpem a demora para postar, mas confesso que estava desmotivada a escrever semana passada. A fic possui mais de 60 seguidores, mas menos de 10 pessoas comentam sempre... Esse pedido de desculpas pela demora vai para essas sempre me apoiam! Vamos comentar possoal!!! Não precisa ser nada especial, apenas digam o que estão achando... Quero mandar boas vindas às leitoras, que leram a fic e comentaram semana passada pela primeira vez: thyagovz e nataliabarros! Muito obrigada, lindas!!! =D Também quero mandar um abraço a todas aquelas que se fizeram presente no último capítulo: Shirley Galiani, Gina Weasley POTTER, Thai Mendes, Uchiha Taciane e Belata. A fic só caminha por causa de vocês!!!

Tsukiyo acordou com o calor dos primeiros raios de sol batendo em seu rosto. Lentamente, ela abriu os olhos para encarar os quarto em que estava. Era um quarto simples, com uma janela com vista para o céu por onde o sol entrava. Havia uma escrivaninha de madeira ao lado e um pequeno baú de mesmo material aos pés da cama. Um quarto simples de uma taberna.

A jovem respirou o ar fresco da manhã e se espreguiçou entre os lençóis brancos que a cobriam. Seus olhos caíram sobre a figura deitada ao seu lado. Estava com os lençóis cobrindo-lhe as pernas, deixando o tronco nu exposto. Tsukiyo ficou a contemplar sua figura adormecida, banhada pelo sol da manhã que refletia em seus cabelos negros. Apenas sua presença era suficiente para acalmá-la e a jovem sentia-se a mais sortuda do mundo por tê-lo ao seu lado.

Devagar para não acordá-lo, ela se aproximou e se aconchegou em Akarin. Imediatamente sentiu o calor que dele emanava e sorriu, sabendo que estava ali, com ele.

– Bom dia, minha dama.

Tsukiyo levantou os olhos para encontrar os de Akarin. O rapaz despertara e a encarava serenamente. Diante daquele olhar apaixonado, sem barreira alguma, a jovem sentiu-se corar, como sempre acabava fazendo perto dele. Akarin fazia seu coração bater diferente e todos seus problemas pareciam desaparecer diante dos belos e profundos olhos negros, que mais pareciam uma noite sem luar.

Notando a reação dela, Akarin riu e se inclinou para depositar-lhe um doce beijo nos lábios.

– Bom dia. – respondeu ela. – Está uma linda manhã. – completou olhando a janela.

O rapaz acompanhou seu olhar, mas logo se voltou para ela novamente, dizendo:

– Hm, mas acho que gosto mais da vista que estou tendo.

Um brilho malicioso percorreu o olhar de youkai enquanto ele olhava lentamente o corpo nu da jovem. As imagens da ótima noite passada voltaram a sua mente e o rubor voltou a sua face. Rindo, Akarin a abraçou e rolou até ficar por cima dela. Ela lhe deu um sorriso travesso e beijou-o com paixão. Suas mãos corriam pelas costas do desenhando círculos sob a pele pálida. Ele por sua vez, ia acariciando a cintura da jovem, subindo as mãos lentamente.

TOC! TOC!

As batidas na porta os trouxeram de volta a realidade.

– Parem com indecências e desçam logo. Temos que ir. – falou uma Wendy brincalhona do outro lado da porta.

O casal deu um suspiro desapontado.

– Aiai, podíamos ficar aqui para sempre. – falou Akarin.

– Não acho que Wendy deixaria. – zombou Tsukiyo. Ela deu um rápido beijo no rapaz de começou a se levantar. – É melhor que tenham uma boa razão para nos interromper.

– Digo o mesmo. – concordou, não escondendo a decepção ao ver Tsukiyo recolocando a roupa.

Ao terminarem de se vestir, desceram para o andar de baixo. Da taberna que haviam se hospedado. Ao fim da escada, foram cumprimentados pelo dono do estabelecimento. Era um homem na faixa dos 40 anos, com barriga acentuada de anos de bebida e pouco exercício e uma barba grossa com alguns fios grisalha já despontando.

– Olá, bom dia! Espero que tenham tido uma boa noite. – falou o barbudo atrás do balcão de bebidas.

– Uma das melhores. – falou Akarin, sem se dar o trabalho de esconder as segundas intenções.

O homem sorriu. Era sempre estimulante ver um casal jovem apaixonado, parecia que a atmosfera ao redor desses casai tornava a vida mais bela.

– Tem certeza que não quer que paguemos pela estadia? – perguntou Tsukiyo tentando desviar o assunto.

– Ora, que isso! – negou o taberneiro, movimentando as mãos de forma agitada. – Por favor, nem tentem. Oferecer-lhes um quarto e um belo café da manhã era o mínimo que podia fazer após terem salvado a vida daquele youkai.

– Só fizemos o que era certo. – falou Akarin timidamente.

– Meu rapaz, isso é algo raro hoje em dia. – comentou o homem. – Está bem acompanhada, senhorita.

Tsukiyo sorriu e concordou com a cabeça, olhando de soslaio para Akarin. Sem perceber, juntou suas mãos e agradeceu o taberneiro por tudo. Em seguida, o casal seguiu para a mesa onde Wendy e Merioku conversavam animadamente.

– Ora, já era hora de acordarem. – comentou Merioku enquanto se sentavam. – O sol já está quase a pino.

– Não me surpreende... – comentou Wendy com um sorriso malicioso.

Tsukiyo fez força para não corar e franziu a testa para as amigas, mas Akarin não teve tanta sorte, ficando com as bochechas vermelhas ante ao comentário da irmã caçula. Fazendo um pigarro com a garganta para se recompor, o rapaz perguntou:

– Por que nos chamou, Wendy?

A expressão da garota tornou-se séria.

– Ele abriu a guarda.

Akarin e Tsukiyo se entreolharam, voltando a encarar a mais nova com seriedade.

– Como assim? – perguntou Tsukiyo.

– Bom, enquanto estavam vocês “não estavam dormindo no quarto”, eu e Meri-chan ouvimos boatos aqui na taberna. Ao que parece, o clã dos Tigres de Dente de Sabre, movimentou a maioria dos seus membros para a fronteira com as Terras do Oeste. Acreditam que finalmente fará o primeiro movimento para a guerra de território com o clã Inu.

– O que significa... – instigou Merioku.

– Que as defesas de seu castelo estarão baixas. – completou Akarin.

O grupo estava realmente concentrado. Desde que contara sua história de como perdera os pais, seus amigos e ela, fizeram um juramento de vinga-los. Portanto, haviam treinado por anos e planejavam há meses um ataque ao clã de seu avô. Os grupo de jovens movidos pelas chamas da imprudência, só esperava um momento oportuno.

E esse parecia finalmente ter chegado.

– Mas não estarão assim por muito tempo. Logo, o próprio comandante Kouhen se juntará as linhas de frente. – falou Merioku se recostando na cadeira.

– Então teremos que ser rápidos. – falou Wendy.

– Atacaremos hoje. – encerrou Akarin com o olhar sério.

– Esperem! – Tsukiyo olhou ao redor para conferir se ninguém prestava atenção a sua conversa. – Eu... Vocês realmente têm certeza disso? Quero dizer: a briga não é de vocês e mesmo em defesas, o castelo estará desabrigado e...

– Temos. – interrompeu o rapaz. – Tsuki, quantas vezes teremos que dizer? Isso foi uma promessa que fizemos juntos. Vamos vingar sua família e depois procuraremos quem mutilou a nossa. – ele olhou para a irmã, que junto com Merioku concordou com convicção.

Percebendo que era inútil argumentar, a garota lançou-lhe um sorriso preocupado e concentrou-se.

– Certo, mas deixemos uma coisa clara: se a situação apertar, fugiremos imediatamente. Nada, repito: Nada de heroísmo. – sua expressão séria atraiu a atenção dos presentes. – Vamos lutar o menos possível. Entraremos escondidos, encontramos o alvo sem alvoroço e finalizamos rápido e silenciosamente.

– Um assassinato limpo. – esclareceu Akarin meio receoso. Mesmo com essa promessa, tem dificuldade de tirar uma vida, não é, Akarin?

– E mais uma coisa. – a jovem respirou fundo antes de continuar. – Peço para que seja eu a matar Kouhen.

Um silêncio pesado tomou conta do lugar, até que a jovem de cabelos verdes tentou:

– Tsuki v...

– Não, é sério. Vocês já estão me ajudando na minha própria batalha, mas não quero que nenhum de vocês suje as mãos com isso. Não quero que se tornem assassinos. – falou com pesar.

– Mas já somos. Já matamos muitos youkais. –comentou Wendy.

– Não, sempre matamos youkais menores. Praticamente monstros irracionais. – negou à morena. – Dessa vez estaremos enfrentando Dai-youkais. Pessoas... – uma leve pausa. – Então eu quero fazê-lo.

Tsukiyo tentava transbordar o máximo de confiança que conseguia, apesar da situação. No fundo, a garota tinha medo que isso pudesse despertar seu lado obscuro que até aquele momento não se manifestara de novo. Percebendo a preocupação da amada, Akarin interpôs.

– Você não precisa fazer isso, deixe que e...

– Você conseguiria tirar uma vida?! – retrucou séria. – Seria capaz de pegar sua espada e atravessá-la em alguém sem a menor dúvida?!

O rapaz se encolheu, sabendo que se dissesse “sim” estaria mentindo. A ideia matar alguém era algo difícil para ele, que colocava a vida dos outros sempre em primeiro lugar.

E Tsukiyo conhecia bem os sentimentos do moreno.

– Eu... – tentou ele, mas sua voz não passava de um sussurro. – E você? Consegue sujar suas mãos de sangue?

Surpreendendo a todos, Tsukiyo deu um sorriso triste, ante de dizer:

– Elas já estão...

...

O grupo agradeceu a hospitalidade do taberneiro e tratou de tomar seu rumo. Pegaram seus equipamentos e mochilas e avançaram para seu objetivo. Durante o caminho, iam formulando o plano de ataque.

– Certo, considerando que já estamos nas Terras do Sul, não precisaremos nos preocupar com a vistoria da fronteira. Mas é melhor chegarmos ao castelo pela floresta do leste, assim não chamaremos atenção indesejada. – falou Akarin. – Se continuarmos nesse ritmo, chegaremos à floresta no início da noite, o melhor horário para se esgueirar por entre as árvores sem ser visto.

– Contamos com sua audição potente para nos avisar da presença de estranhos ou vigias no local. – falou Merioku se voltando para os dois irmãos, que concordaram prontamente com a cabeça.

– Tsuki, sendo a mais ágil entre nós, voará comigo até a janela da torre leste e nocauteie qualquer vigia que fique por ali. Merioku, use a famosa poção do sono nos seguranças do solo. Quando Wendy ouvir meu sinal, ela levará você para a torre conosco.

– Precisarei de 20 minutos para fazer uma poção decente. Mas farei o bastante para derrubarmos 50 guardas. Assim poderemos andar pelo castelo sem soar nenhum alarme. – falou a feiticeira.

– Enquanto prepara a poção, eu e Akarin vigiaremos os turnos dos guardas e esperaremos sua troca para avançar. – falou Wendy. – Tsuki fica com a Meri-chan e garanta que ninguém chegue perto dela.

A jovem concordou sem pestanejar. Tudo dependeria de como cada um executaria seu papel. O menor erro significava a morte de todo o grupo.

– Depois disso, só precisaremos avançar no castelo. Derrotando a maior parte dos guardas que conseguirmos sem causar alarde. – falou Tsukiyo.

– Capriche na poção. – Wendy piscou para Merioku, que retribuiu o gesto.

– O pior será nos guiarmos dentro do castelo. – falou Akarin.

– Isso não deve ser difícil. – comentou Tsukiyo. – Mesmo sendo da família, nunca visitei esse castelo por... bem, vocês sabem. Mas lembro-me de um comentário de meu pai sobre a previsibilidade da construção. Os corredores parecem sempre guiar para a sala do trono. Além disso: quanto mais perto estivermos, mais guardas encontraremos.

– Você se encarrega disso, Tsuki. Apesar de tudo, você tem o melhor olfato entre nós. Use-o para achar Kouhen.

– Ok, pessoal. Estamos entrando na floresta. A partir daqui faremos silêncio total, salvo uma situação de emergência. – atentou Akarin. – Quando estivermos a um quilômetro do castelo, pararemos para Merioku fazer sua poção. Tsukiyo, vá na frente e verifique se não há qualquer vigia ou armadilha. Se algo acontecer, ao menor de seus sussurros, Wendy e eu escutaremos.

A jovem concordou com a cabeça. Trocou um olhar de confiança com os amigos e adentrou na floresta. Ainda estavam no inicio dela, então provavelmente não havia segurança por ali, mas ela referiu ser prevenida. Saltou para um galho largo de uma árvore, rapidamente tentando se misturar as sombras das copas.

Certo. Vamos lá!

Ela flexionou seus joelhos para se impulsionar para outra árvore, quando sentiu seu braço ser agarrado. Por puro reflexo, puxou a espada e a apontou para a garganta do sujeito.

– Ei, ei, ei! Sou eu! – Akarin balançava as mãos excessivamente.

Tsukiyo suspirou e baixou a espada.

– Ora, não em assuste assim.

– Mal começamos e já está toda tensa. – brincou.

– Bem, o que você queria? Não estamos exatamente de férias.

– Hm, mas essa é até uma boa ideia. – falou pensativo. – O que acha? Depois que acabarmos com isso, sairemos de férias!

A jovem riu e se aproximou do rapaz, chegando perto o bastante para provocá-lo.

– Fala como se trabalhássemos normalmente. Mas diga, para onde me levaria?

Akarin sorriu travesso e deu-lhe um rápido beijo.

– Para onde você quiser.

– E o que faremos lá?

– Tudo... e nada.

Sorriram e se abraçaram. Tsukiyo apoiou o queixo no ombro de Akarin e sussurrando ao seu ouvido perguntou:

– Não se esqueceu da promessa, não é?

Após alguns segundos de silêncio, falou sério, apertando-a mais contra si.

– Vou cumpri-la. E você?

– Eu também.

Ambos sorriram, mas seus olhos não acompanhavam. Sabiam o que estava por vir e sabiam o que prometiam um ao outro. Mas não temos escolha. Eles se separaram e encararam o castelo que despontava por cima das árvores, do outro lado da floresta. Uma brisa soprou e Tsukiyo olhou para o céu cinzento que se formava.

Uma tempestade estava por vir.

– Estou com um mau pressentimento. Sinto como se algo fosse dar errado.

– Acho que isso se deve ao que estamos fazendo, principalmente você. Tirar uma vida não é algo simples.

– Não sei... Até os céus estão agitados, parecem que estão a beira do choro.

– É apenas uma tempestade. – tranquilizou-a. – Pode até nos ajudar a nos infiltrar melhor.

– Assim espero...

– Ei. – ele colocou sua mão no ombro da jovem e encarou-a nos olhos. – Vá com cuidado. Logo nos encontraremos.

Tsukiyo forçou um sorriso e o abraçou.

– Eu te amo, Tsuki. – soltou o rapaz, pegando a jovem de surpresa.

– Eu também. – falou com firmeza. – Lhe daria minha vida se necessário.

– Sempre cuido do que é meu. – ele se afastou e olhou intensamente nos olhos dela. – Não se preocupe, não deixarei que se torne ela. Depois de tudo, ainda será minha Tsuki, minha dama Lunar.

Ela enrubesceu e riu sem graça.

– Lunar? Por que me comparar à lua? Sempre a achei bela, mas... seu brilho sempre me pareceu frio.

Agora foi a vez de Akarin rir.

– Porque nos conhecemos no Festival da Lua. Além disso, não acho seu brilho frio, para mim ele é aconchegante.

– Então não seria o sol? Seus raios que nos aquecem.

– Mas na lua há elegância e sempre penso que existe um mistério a ser desvendado, e que só aqueles a quem ela decide banhar com sua luz prateada conseguem ver. Ela é beleza e mistério, e brilho é frio e aconchegante como nenhum outro. – ele corou um pouco antes de terminar. – É assim que me sinto sempre que olho em seus olhos.

Tsukiyo sorriu e sentiu o coração bater forte.

– Então você será meu Sol. – falou ela, surpreendendo o jovem. – Sempre iluminando meu caminho e me aquecendo quando precisa. Pois assim como a terra morreria sem o astro, eu não conseguiria viver sem você. Foi você que deu a vida que tenho e sempre está em meu céu trazendo luz e vida ao meu mundo.

– Isso nos faz iguais aos amantes da história do festival. Seremos o Sol e a Lua. – falou ele encostando a testa na da garota, num gesto puro e belo, que dizia mais que as palavras eram capazes.

– Sempre destinados a se encontrarem. – completou ela.

Passaram alguns segundos naquela posição, com as testas juntas e sentindo a respiração um do outro. Até que o rapaz deu-lhe um beijo de boa sorte e retornou para onde Wendy e Merioku estavam esperando.

A jovem seguiu seu caminho, atenta para qualquer possível armadilha ou vigia, e apesar da tentativa de Akarin de tranquiliza-la, algo se remexia dentro dela. Suas palavras de amor trocadas a trouxeram grande alegria, mas um pesar tomou conta de seu espírito sem que percebesse. Afinal, apesar da troca de palavras e confiança, quando Tsukiyo lhe dissera que tinha um péssimo pressentimento sobre aquela missão...

...Akarin não havia negado.

Nuvens negras de chuva cobriram o céu naquela noite. Não havia Sol. Não havia Lua.

Não havia sequer uma estrela cadente a cruzar o manto noturno...

...

Tsukiyo se sentou ao lado de Merioku. A feiticeira preparava sua poção e a morena permanecia de vigia. Até o momento, tudo ocorrera exatamente como haviam planejado. Devido a guerra, as tropas haviam sido todas deslocadas para a fronteira, restando alguns poucos guardas e nenhum deles havia se preocupado em vigiar a floresta. Salvo algumas armadilhas, passaram sem problemas pelo local.

Agora, enquanto os irmãos vigiavam as trocas de guarda da base do castelo e nos muros, as duas permaneciam na floresta, próximas dos castelos, mas não o suficiente para os guardas as enxergarem. As árvores ajudavam na camuflagem.

Tudo parecia correr bem, mas algo simplesmente não se aquietava em Tsukiyo. Por que se sentia assim? Tinham planejado e treinado por anos. Estava certa de que se utilizassem a tática de invasão discreta conseguiriam chegar a Kouhen. Tinha consciência de que sozinha não conseguiria enfrentar o avô, porém os quatros seriam capazes de incapacita-lo para ela dar o golpe final, ainda mais com a poção de Merioku. Então, por quê? Por que essa sensação ruim não vai embora?

– Por que a cara fechada?

A voz da amiga a tirou de seus devaneios. Tsukiyo balançou a cabeça para clareá-la. E colocou a máscara de um sorriso para não preocupar a e cabelos verdes.

– Não é nada.

A feiticeira largou o que segurava e olhou atentamente para a morena.

– Tsukiyo, eu te conheço. – sua voz era séria. – Não minta para mim. O que é?

– É só que... Estou preocupada, só isso. – para não mentir, preferiu uma meia verdade. – Como já falei, não queria que vocês viessem. Não têm que correr riscos por mim.

– Já comentamos sobre isso. A dor de um é a dor de todos. A vingança de um é a vingança de todos.

– Merioku, sei que acha vingança algo errado. Então por que está me ajudando?

Ela pareceu surpresa com a pergunta.

– Porque sou sua amiga. – sorriu. – Posso não achar certo, mas não deixarei meus amigos enfrentarem esse desafio sem mim. Se isso vai trazer paz ao seu espírito, então, terei prazer em ajudar.

Tsukiyo recuou perante sua resposta. Ela encarou o chão e perguntou, a voz era tão baixo que mal se escutava.

– E se não trouxer?

– Então você tem que se perguntar o porquê de estar buscando isso que não a paz.

– Eu acho... Não, eu sei que não vai me trazer paz, mas... É como se parte de mim tivesse ficado presa naquele dia para sempre. – refletiu, lembrando-se do dia da morte dos pais. – Eu preciso fazer isso. Mesmo que manche minhas mãos, preciso fazer isso. Caso contrário, não serei capaz de seguir em frente.

Merioku se aproximou e colocou uma das mãos no ombro da amiga. Com um sorriso sincero, ela falou.

– Faremos isso para você recuperar parte de si mesma. Apenas certifique-se de não se perder por completo no processo. – os olhos verdes pousaram sobre os amarelados. – Prometa que, se achar que deixará de ser quem é, não o matará. Prometa-me que não vai tirar a vida de Kouhen a custo de sua alma.

Tsukiyo encarou seus olhos verdes e prometeu com sinceridade. No fundo sentia dúvida que não seria capaz de cumprir aquela promessa, mas o futuro permitiria que ao menos essa ela cumprisse.

Não seria Tsukiyo a perder a si mesma naquela noite.

As duas sorriram e Merioku voltou sua atenção para o preparo da poção do sono. Quando terminou de engarrafar os 30 frascos, um farfalhar de folhas chamou atenção das duas. Tsukiyo nem se deu ao trabalho de desembainhar a espada, desta vez estava atenta e seu olfato havia indicado a intrusa.

– Certo, Meri-chan, espero que esteja tudo pronto porque a troca de guardas está para ocorrer. – falou a mais nova saindo de trás das árvores. – Vamos, meninas, Akarin está esperando por nós.

– Tome, Wendy. – Merioku entregou 10 frascos para menina e a mesma quantidade para Tsukiyo.

– Eh. – exclamou Tsukiyo ao se levantar. – Bem, hora de invadir um castelo.

O primeiro raio cruzou o céu e o trovão tremeu a terra.

Começara a chover.

...

As gigantes portas da sala do trono se estendiam diante do grupo. Tudo ocorrera como planejaram até agora, haviam entrado no castelo pela janela da torre leste e derrubaram cada um dos guardas a caminho daquela sala. Tinham mais guardas naquela noite e acabaram usando toda a poção de Merioku, apenas nocauteando os últimos sete vigias, rezando para que só acordassem no dia seguinte.

Se mover nas sombras por um enorme castelo, procurando aleatoriamente a sala do trono havia extorquido suas energias, além disso, os últimos guardas renderam certa luta que, aliás, teve que ocorrer com o menor barulho possível. Tsukiyo inspirou fundo e olhou para os companheiros. Assim como ela, eles arfavam e tinham uns poucos arranhões ganhados ao longo do caminho. A garota sentiu o coração bater forte. É agora ou nunca.

Atrás daquelas barras estava o homem responsável pela morte de seus pais: Kouhen, seu avô. O Dai-youkai que perseguiu sua família por preconceito e orgulho estúpido. Se não fosse por ele, eu não teria perdido o controle, e eles ainda estariam vivos. O vermelho preencheu a visão de Tsukiyo, ao relembrar os acontecimentos do passado.

Vermelho como o sangue derramado de seus pais.

A garota serrou as mãos e sentiu o sangue ferver. Por um instante sentiu como se algo pulsasse em sua cintura, levando a mão na espada. A sensação começou a diminuir, mas Tsukiyo sentia como se poder fluísse por suas veias e por mais que quisesse negar:

Ela gostou da sensação.

Um sorriso discreto surgiu no canto de sua boca e rapidamente ela se colocou mais a frente, para que os amigos não vissem. Sua movimentação quebrou o clima de ansiedade do grupo.

Ao sinal de Akarin, Merioku tirou um fraco verde de seu robe roxo. Uma poção do sono feita para se usar em área, altamente concentrada. Todos concordaram em sintonia e os irmãos se aproximaram das portas. Houve um segundo de puro silêncio, quando todos prendiam a respiração e então tudo ocorreu quase simultaneamente.

Akarin e Wendy escancararam as portas. Quando houve o mínimo de espaço entre as portas, Tsukiyo e Merioku avançaram. Havia três indivíduos no grande salão. Haviam três janelas, duas ao lado e uma ao fundo, feita com vitrais coloridos O restante do espaço era vazia, com nada mais que o trono iluminado pela luz de tochas na parede e dos relâmpagos que cruzavam o céus na tempestade. O próprio Kouhen, sentado no trono ao final de um lance pequeno de escadas de pedra, ao fundo do salão, e dois guardas.

O homem sentado no trono chegou a surpreender tamanha semelhança com seu pai. Vestia um quimono dourado e preto de seda. A face continha marcas negras de youkai na bochecha em forma de raio. A garota sabia que seu apelido era Raio da Morte devido justamente a essas marcas e a velocidade e força do Dai-youkai. Os olhos eram irritantemente iguais aos de Rihan e Tsukiyo e o cabelo era rebelde como de seu pai, mas diferia na coloração por ser amarelado. Tsukiyo cerrou os dentes. Como ousa ser parecido com ele? Pensou relembrando de seu pai.

Assim que ouviram a movimentação, os guardas avançaram, mas Merioku jogou o fraco na direção dos três. O vidro encontrou o chão e rachou, liberando uma fumaça verde. Os guardas ao serem atingidos começaram a cair na hora, mas Kouhen levantou-se e liberou yoki denso o suficiente para espantar a fumaça dali.

Percebendo que não fora atingido, a jovem sentiu novamente aquela sensação do sangue fluir por seu corpo e avançou veloz como nunca. Passou pelos dois guardas como se eles estivessem caindo em câmera lenta. Em sua mente, só havia um alvo a sua frente: Kouhen.

A jovem desembainhou a espada num piscar de olhos e concentrou energia na lâmina. Com a espada irradiando aquela energia azul, ela chegou a dois passos do Dai-youkai, que ainda terminava de se levantar e espantar a fumaça com yoki. Por um tolo momento, ela pensou: te peguei!

BLANK!

Duas espadas se chocaram e a onda de energia ricocheteou para trás e para os lados. Os vitrais coloridos se racharam e quebraram.

Sangue manchou as escadas de pedra.

– ...minha dama Lunar.

Notas finais
O que acharam do capítulo? COMENTEM!!! :P Consegui fazê-las gostar ao menos um pouquinho do Akarin? Gostaria que comparassem a imagem dele nesse capítulo com a dos anteriores. Espero que tenha ficado claro a mudança, não tanto da aparências, mas da feição e expressão em si... Isso indica o quanto sua personalidade mudou... Olha, eu sei que ele não é um Sesshoumaru da vida (até porque é difícil achar um tão sexy e gato quanto ele. kkk), mas esse olhar da imagem me derrete... Ele realmente parece como alguém que traz a luz para nossos corações (ao menos para o meu haha) Espero que tenha passado a impressão de um olhar apaixonado e cuidadoso =) E aí? Concordam ou discordam?