Teu olhar é como um camarote

Dos fenômenos naturais

Mostra-me o ausente

Mantém-me presente

.

Vão de consciência

Natura-me os sonhos

Afogando-me em águas

Da consciência vã

Destes olhos

Portas do luar

.

Em teus olhos hei de naufragar

E em minha presença hei de ausentar

Esquecido em teus olhos

Naufragado em teu azul cintilante

Em vitória constante

Por ti, naufragar

.

Inconstantes marés

Jogar-me-ei aos teus pés

E em pés tornar-me-ei prisioneiro

Do naufrágio passageiro

Que teus olhos, traz

.

Tu camarote

Vós naturais

Naturais jornadas

Em teus olhos jangadas

Maleável em ventos

Levado por terras

Que um dia hei de alcançar

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