As Tears Go By
2 Tomorrow
Notas iniciais
Espero que gostem ;**
Maldita seja a ressaca matinal. Puxei o máximo de ar que pude para dentro dos meus pulmões, na esperança de que tudo fosse ficar bem. Meu coração vacilou. O calor da manhã já invadia meu quarto, dando uma sensação meio incomoda para quem estava no quarto. Os raios tinham começado a atingir minha pele, queimando um pouco, odiava calor e sol. Deve ser por isso que sou tão branca. Desgrudei meus braços do redor de Duff, com certa dificuldade já que minha mão tinha dormido junto à dele. O quarto estava uma gloriosa bagunça. Nossas roupas estavam jogadas de um lado para outro, cada canto tinha uma peça de roupa. Havia duas garrafas de uísque pelo quarto. Juro que pensei duas vezes antes de me jogar da janela do quarto, talvez expulsar Duff primeiro da minha casa. Inclinei-me um pouco sobre o corpo dele e pude vê-lo dormindo. Seus cabelos loiros estavam um pouco espalhados pelo rosto, a forma que seu corpo se movimentava apenas para respirar.
A coragem fugiu, não consegui acordá-lo. Sempre fui meio certinha e piedosa demais, era mesmo uma pena que ninguém valorizasse isso. Puxei a coberta um pouco pra cima dele e tirei os cabelos de seu rosto, bem devagar para não acordá-lo.
- Durma bem. – Sussurrei mais para mim do que para ele, então acrescentei. – Por enquanto.
Usei o resto de coragem que me sobrou para recolher as roupas pelo quarto, jogar as garrafas fora, arrumar tudo. Tinha horror a bagunça. Na verdade, só tinha horror a bagunça quando não era feita por mim. Na minha casa, bagunçar é uma tarefa que cabe somente a mim. Não me venha dizer que sou certinha, porque já sei que sou. Tomei um banho rápido e separei meu uniforme de trabalho. Trabalhava em uma loja de artigos de rock, gostava de lá, era um bom trabalho com coisas que realmente gostava.
- Merda. – Amaldiçoei-me ao ver o relógio apontando que já estava uma hora atrasada para o trabalho.
Dane-se. Uma vez não me faria mal algum se fosse avaliar meu período eterno sem uma única falha. Joguei-me sobre o sofá com uma xícara de café e resolvi ligar a vitrola que tinha na sala, começou direto em Ziggy Stardust, lembrei de que estava escutando antes de sair ontem a noite. David Bowie me lembrava minha infância. Minha irmã e meu irmão gostavam muito dele, ela tinha um carinho especial por essa música.
- David Bowie? – Perguntou uma voz sonolenta do corredor. – Isso é uma forma estranha de acordar.
- Bom dia pra você também.
- Bom dia. – Ele apoiou-se no sofá. – Já de pé?
- Com certa preguiça, mas sim. – Levantei-me e fui até a cozinha. – Com fome?
- Sim.
- Estou atrasada para o trabalho, mas acho que isso pode esperar. – Avisei, enquanto colocava um pouco de café pra ele. – Onde você mora?
- Não é tão longe daqui, com os caras da minha banda. – Explicou-se. – Vamos ser famosos um dia, baby.
- Claro, quem sabe. – Sorri, apoiando-me na bancada da cozinha, de frente para ele. – Prometo ir ao seu show se acertar meu nome.
- Lilian. – respondeu, diretamente.
- Bingo! – Comemorei, fazendo rir um pouco mais.
- Qual sua idade?
- Não é educado pergunta a idade de uma mulher.
— É por isso que não sou educado. – Duff levantou-se junto comigo, atravessei a bancada indo para frente dele.
- Sou maior de idade, não se preocupe.
- Você é meio misteriosa não é? – Começou a brincar com os dedos no meu rosto.
- Estou começando a aprender com você. – Afastei-me dele indo em direção a porta. – Seus amigos devem estar preocupados. – Abri-a sinalizando a saída. – Não vai querer que eles sejam famosos sem você, não é?
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