As Super Agentes e o Livro das Magias
6 Capítulo 5 – Começo das aulas e da missão
Notas iniciais
Depois de saberem e entenderem mais sobre “O Livro das Magias”, as meninas fizeram a viagem de volta à agência. Julia ficou para tentar desvendar o pouco que faltava sobre a profecia, que era a coisa mais importante para se descobrir quem eram as crianças escolhidas, porém algumas das palavras ainda estavam indecifráveis.
O motivo de o livro estar na ABIN era justamente a aproximação de muitos interessados em roubá-lo. Antes, o livro permanecia no subsolo do prédio onde é a agência e cada de Julia. E, apesar de ter alguns sistemas de segurança, deixar na Central era mais seguro, pois ali há mais pessoas vigiando e mais sistemas para quebrar e chegar ao objeto. Bem mais do que uma simples porta com senha, leitor de retina e impressão digital. Era essa a forma que a sala com os artefatos e coleção pessoal de Julia e de Marlin, que também estava presente em boa parte dessas missões, era protegida.
A mesma viagem longa, só que dessa vez de volta, se seguiu. Diferente da ida, num silêncio até constrangedor, contrariando a visão que os mais velhos tiveram das meninas quando as conheceram. Suas pequenas cabecinhas ainda estavam processando e matutando tudo o que lhes foi jogado de informação em um curto intervalo de tempo. Era dessa forma que elas tinham aprendido! Porém, o quebra-cabeça ficaria pela metade, pois os outros detalhes da missão só seriam revelados assim que chegassem.
Já era praticamente a hora do almoço quando pararam na frente da porta. A agência estava “aberta”, com a secretária Ariana já em seu posto, que cumprimentou-os assim que chegaram e disse logo após:
— A comida de vocês está lá na copa. Como percebi que estavam fora, tomei a liberdade de pedir quentinha para todos.
— Obrigado, Ariana. – agradeceu Jerry – Vamos comer lá em cima!
Ela apenas assentiu. Então, os cinco subiram e almoçaram no mesmo clima do carro, o que já estava até deixando a pobre Marlin encabulada. Ela tentou puxar algum assunto com as meninas, contudo elas foram apenas monossilábicas em suas respostas.
Após comerem, todos se encaminharam para o escritório do Jerry. Era finalmente a hora de receber a primeira missão plenamente e de começar mesmo a trabalhar como agentes.
A sala de Jerry era relativamente grande e até bem cinza, mas com alguns pontos de cor aqui e ali. Havia uma mesa grande no centro da sala, com uma cadeira ao fundo e mais duas a frente. A isolada pertencia ao CEO da agência, Marlin parou em pé ao lado dele. Joana e Camila se sentaram nas outras duas e Amélia pegou um assento que ficava por ali, perto da enorme poltrona e se ajeitou perto das amigas. Então, ao ver que estavam atentas, o chefe começou:
— Bom, meninas, primeiro desculpas pela surpresa de manhã. Mas, depois de conversar um bocado com a Marlin e a Julia, percebemos ser importante que vocês vissem o artefato e depois recebessem as informações da missão. Depois, se quiserem, elas podem lhes contar como conseguiram. Enfim, como a Julia falou, o dever de vocês nesse momento é proteger as crianças escolhidas, porém ninguém sabe quem são com certeza ainda. Então, nós fizemos um mapeamento e com alguns dados que a Julia não levou a público, conseguimos mapear e escolhemos três potenciais, com base em seus signos e meses de nascimento. – e mostrou os papéis diante de si – Aqui estão as fichas deles. Podem pegar e ler por si.
Eram apenas três pastas, mas Julia dissera que eram quatro crianças, ou melhor, disse ser sobre os elementos e que claramente são quatro. As meninas estranharam esse detalhe:
— Mas aqui só tem três. Não são quatro? – Camila questionou
— Ao que parece um deles será encontrado sozinho, já os outros três estão juntos. E esse foi um dos motivos que fez estes garotos serem nossos escolhidos. – Marlin explicou
— Samuel... – disse Amélia
— Serafim.... – disse Joana
— Ícaro... – disse Camila
— Amigos desde a infância, moram próximos, os signos e meses de nascimentos batem com o que a Julia nos disse. Podem ser eles sim! – Jerry completou
— E com o período de aulas se aproximando, vocês serão matriculadas na mesma escola que eles, para poderem ficar de olho. – Marlin falou – Qualquer movimento suspeito que perceberem ou até se acontecer uma manifestação de poder deles. Enfim, fiquem de olho!
— Cada uma fica responsável de observar um dos garotos. Tomem a liberdade de escolher quem vão observar, desde que façam o pedido.
— Vamos ficar com que pegamos na pasta mesmo. – falou Joana – Tudo bem, meninas?
— Por mim, ótimo! – respondeu Amélia
— Perfeito! – Marlin dessa vez – Então, vamos cuidar da matrícula de vocês na escola imediatamente. Vou pegar seus documentos e vamos até lá, porque logo as aulas começam na próxima semana.
Imediatamente, Marlin pegou o próprio carro e dirigiu até o colégio, que não era tão distante da agência. Chegaram lá e foram pedir informações, com a história de que Marlin era uma prima delas. Conheceram a instalações da escola, que estava recebendo os últimos retoques antes da chegada dos alunos, que seria já na primeira semana de Fevereiro. E secretamente, tanto Marlin quanto as jovens agentes já foram mapeando a escola pensando em possíveis locais de pudesse ser usados como pontos para se esconder. Era bem improvável que algum atentado acontecesse ali, mas a probabilidade havia e tinha que se pensar em todas mesmo.
Era um dos melhores colégios da região e também particular. Mas, dinheiro não era problema para pagar as mensalidades. Da mesma forma que Rose fazia, Jerry também oferecia boa educação para as agentes em sua tutela e com as três mais novas não seria diferente. A escola era bem equipada, com biblioteca, sala de informática, laboratório de ciências, várias quadras. E o programa curricular era bem extenso, Marlin própria o havia conferido.
Depois do passeio, que demorou um pouco, elas finalmente fizeram a matricula. E já na semana seguinte, as meninas começariam a nova vida delas e a primeira missão na carreira de agentes.
Agradeceram e saíram. No caminho de volta, Marlin comentou:
— Aproveitem a única semana de férias de vocês, pois semana que vem o trabalho começa. Aproveitem e estudem o dossiê de cada um deles.
***
O resto da semana acabou passando muito rápido. E também foi corrida, pois também tiveram que comprar o material inteiro, todos os livros da lista e os uniformes, junto com algumas roupas novas para as meninas. Foi um dia inteiro só nisso!
Aproveitaram para treinar um pouco no salão de treinamento que havia, para se familiarizarem ainda mais ao ambiente que era agora sua casa/agência. Também descansaram e fizeram coisas que jamais fizeram no centro de treinamento ou no orfanato. Teve uma sessão de filme com pipoca, refrigerantes e chocolates junto com Marlin e Julia. Uma coisa só das garotas!
Amélia, Camila e Joana estavam adorando toda a sua nova vida. Nunca imaginaram que podiam ter tanta coisa só para elas, a começar pelo quarto que logo ia ganhar a cara delas, só que naquela semana não deu tempo.
E mal dormiram de domingo para segunda, pois era o primeiro dia de aula em uma escola nova e finalmente o começo da missão delas e de boa parte de tudo aquilo que elas passaram anos treinando para fazer.
Não foi preciso despertador, mas mesmo assim Julia foi ao quarto de cada uma chamá-las para tomarem café. Dava para notar o quão ansiosas estavam.
— Animadas para o primeiro dia de aula? – Julia perguntou
— Acho que é tudo junto, querida. – Marlin comentou – Também ficamos assim no dia que tudo começou.
— Fiquem tranquilas, meninas. – Jerry falou – É só fazerem o que sabem e claro, quero que estudem. Não foram colocadas nessa escola só por causa da missão, mas para a educação de vocês.
Elas apenas assentiram. Arrumaram-se e comeram. Como Julia iria a ABIN de novo para tentar decifrar o livro, foi ela quem levou as meninas. Estacionou na calçada e desceu do carro para se despedir das meninas.
— Tchau. Venho vocês mais tarde! Marlin quem vem pegá-las ok? Bom primeiro de aula!
— Tchau, Julia. – e a abraçaram
E rumaram ao portão da escola que estava aberta. Apesar da pouca diferença de idade entre elas, as alturas faziam uma escadinha certinho. Julia ficou observando as meninas entrarem e se recordou de tudo o que viveu quando tinha a mesma idade que elas, junto com a melhor amiga e agora sua companheira: Marlin. Só quem é agente tão jovem sabe o que é! E infelizmente, aquelas pobres meninas só entenderiam isso quando mais velhas!
A entrada já estava bem cheia de pessoas, mas quando atravessaram o portão que as meninas viram aquele pátio enorme e que visitaram na semana anterior completamente lotado de alunos. Elas ficaram impressionadas, pois era a primeira vez delas estudando num colégio desse porte, pois sempre estudaram em colégios menores enquanto estava no orfanato e depois no centro de treinamento. Era tanta gente que elas nem podiam contar.
Por um tempo ficaram estagnadas, analisando o lugar, tentando absorver tudo e também procurando seus alvos em meio a multidão. E então, elas levam um esbarrão e são quase atropeladas por um grupo de três garotas.
— Ei, não fica parada ai, sua tonta. – falou a garota do meio para elas
E aquele grupo se aproximou de três garotos — um de cabelos castanhos, um ruivo e outro com o cabelo pintado de azul — e que as agentes reconheceram por se tratarem justamente de Samuel, Serafim e Ícaro. Essas garotas não estavam nas informações que receberam sobre eles. O que será que elas eram? Talvez só colegas de classe. Porém, a intimidade indicava outra coisa. Bem, elas tinham que verificar isso.
Haviam vários quadros enormes espalhados em cantos do pátio e alguns alunos iam lá para buscar seus nomes. Era a listagem de nomes de cada uma das turmas, que iam desde o 6º ano ao 3º ano do médio. Agora vinha o outro medo: Será que elas estariam na mesma turma? Na outra escola isso nunca acontecera, pois era apenas uma turma por ano, pois era poucos alunos.
Amélia usou sua pequenez para ir abrindo caminho para as amigas e logo elas acharam o quadro com os 6º anos. Joana e Camila se esticaram e buscaram seus nomes. A terceira fez isso logo depois. E para a alegria delas, estavam na mesma turma: 602. Elas gritaram e se abraçaram! Uma reação não tão estranha, pois muitos a fizeram antes delas.
Então, resolveram se sentar um pouco e esperar o sinal tocar para que pudesse subir para a sua sala, que também tinha sido informada no quadro. Porém, o que aconteceu foi que chamaram todos para entrar em forma. A diretora pegou o microfone e subiu no pequeno palco que foi instalado a frente e se pronunciou:
— Bom dia, alunos! Sejam bem-vindos a mais um ano. Vamos entrar em forma para alguns avisos e também para cantar o hino. E depois podem ir para suas aulas.
As meninas ficaram lá no final da forma, depois de sei lá quantas pessoas. A turma pelo visto era grande, assim como todas as outras. E lá no meio, dava para ver um pontinho azul, que elas agradeceram por existir, pois só assim elas iriam identificar os meninos nos momentos em que precisavam.
Os avisos foram dados, o hino nacional foi cantado e logo as turmas se deslocaram para suas salas.
E era assim que começava o ano letivo da escola e também a primeira missão das novas agentes: Amélia, Camila e Joana.
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