As Sete Peças
2 Rotas e Rumos
Notas iniciais

Centenas de navios mercantis atravessam diariamente os mares neopianos objetivando chegar seguros em terra firme. Passam dias fugindo de tempestades e ventos fortes, alguns dos maiores empecilhos que eles têm de enfrentar. Mas não maiores que a ameaça pirata. Homens, ladrões, que em busca de dinheiro, saqueiam qualquer um que passar na sua frente. São conhecidos pela sua aparência um tanto grotesca, linguajar extinto e sua petulância. Seus navios, sempre armados, estão preparados para qualquer situação a que passarem. E estas podem ser as mais improváveis.
Os piratas, assim como qualquer outro navegador, precisam parar para descansar a tripulação e reabastecer os suprimentos. E essa é a especialidade da Ilha Krawk. Um vilarejo formado principalmente por piratas e seus descendentes. Lá aportam vários navios diariamente, e o comércio é a principal atividade ali praticada. Durante todo o dia ouve-se o barulho das ondas_ das gaivotas, dos passos, de gritos e estrondo de caixas sendo empilhadas graças aos braços fortes dos marinheiros recém chegados. Até quem não é daqui, se sente em casa quando chega. Não há lugar semelhante à Ilha Krawk.
Gary e Stan, dois ixis estocadores do bar Neptuno, uma taberna da Dona Amélia, passavam pelo cais para inspecionar os barcos recém chegados à ilha.
Gary: Veja Stan, mais um barco abandonado. Parece que os negócios não andam bem para ninguém.
Stan: Bobagem! Sempre teve esses amadores que tentavam seguir o ramo do mar achando que era fácil. Isso é inesperiência.
Gary: Não sei, não... O que tem de pirata pendurando o chapéu... Se duvidar daqui a pouco esse lugar ficará um deserto!
Stan: Vira essa boca pra lá! — Stan se benze — Tá jogando praga, é?
Gary: Que isso! Não. Mas quem sabe?
Stan volta a sua atenção aos barcos. Não imagina aquele lugar sem as movimentações e gritos. Ele suspira profundamente.
Gary: Noah! Meu chapa!
Noah: E aí Gary! — Os dois se abraçam e trocam dois tapinhas nas costas — Como vão as coisas?
Gary: Sabe como é! Na mesma. O bar sempre cheio, e a dispensa sempre vazia. É um corre-corre. Mas me fala de você! Como correram as coisas na Ilha do Mistério?
Noah: Melhor impossível. Estamos carregados de pedras — Noah aponta para o Tabuleiro.
Stan: As vermelhas? Eita, isso vai dar uma boa grana.
Noah: É o que esperamos.
Mae-Ying: Olá rapazes — Gary e stan a reverenciam com o seu chapéu.
Noah: Mae, o navio já foi descarregado?
Mae-Ying: Demoramos na parte de recolher as pedras que o P. tinha deixado cair, mas já terminamos — Noah se vira e vê sua tripulação. Alguns sentados e outros deitados sobre as caixas de madeira.
Noah: Bem meus amigos, desculpe mas tenho de seguir caminho. Nos vemos por aí. — Ele e Mae-Ying se despedem e seguem em direção à tripulação exausta.
O Cais de madeira da Ilha Krawk range sobre o peso dos dois. Jack está completamente jogado sobre as caixas enquanto conversa com o Hank. Christopher está sentado encostado a uma caixa com um chapéu sobre o rosto. E J. e P. estão sentados sobre as caixas enquanto tentam dividir, sem sucesso, uma garrafa de rum.
Noah: Levantem seus preguiçosos! Temos ainda muito o que fazer e carregar.
Jack: Mas chefe, estamos mortos!
Noah: Toma vergonha Jack! Vocês só tiraram elas do navio.
Christopher: Talvez tenha algo para carregá-las. Seria mais rápido e prático.
Noah: É claro que tem. Você tem os seus braços. Andem logo! Não vamos gastar magia em caixinhas bobas. — Noah levanta uma caixa como se não pesasse mais que um livro e sai carregando.
Mae-Ying: Andem rapazes! — Ela pega outra caixa com a mesma facilidade.
Hank: É melhor a gente se apressar.
Jack: Lá vamos nós.
Os cinco se levantam. P., J. e Christopher pegam uma caixa cada, enquanto Jack e Hank dividem o peso da última e aceleram o passo para acompanhar Mae-Ying e Noah.
Os sete cambaleam pela ilha com as caixas nos braços. Em meio as casas rústicas, muitas delas em estado de deterioração, andavam piratas. Em sua maioria eram capitães que outrora foram os terrores dos mares, mas que agora nada mais eram senão homens em busca de sossego e rum para viver o seus últimos anos de vida. A Ilha Krawk já foi um lugar sujo e "descivilizado", mas agora, com a chegada de neopianos de outras partes de neopia, a Ilha estava se tornando um lugar como qualquer outro. Estava perdendo a sua "peculiaridade".
É verdade que os moradores da Ilha Krawk tinham fama de grossos e mal-educados, mas eles também eram acolhedores. A maioria eram pessoas trabalhadoras, e só por quê não tinham etiqueta, não significava que fossem ruins ou más. Para provar isso a cada esquina que passavam As Sete Peças eram cumprimentadas. Noah principalmente estava constantemente tendo que parar para responder um "e aí?" ou um "bom vêlo de novo..."e outras saudações amigáveis. esse fato contribuiu para que uma caminhada rápida até a Angra do Contrabandista¹ durasse quatro vezes mais.
Após duas cansativas horas para cruzar a ilha, eles chegam a Angra do Contrabandista. Uma gruta repleta de piratas e seus artigos recém "adquiridos", que brigam para vender pelo melhor preço possível. Os contrabandistas os compram, e os revendem para os demais Neopianos por um preço mais baixo que os encontrados nas lojas. Ganhando sempre muito dinheiro.
Leon Dentedioro, o chefe do Pawkeet Negro, um grupo de contrabandistas do litoral da entrada de Moltara, avista as sete peças.
Leon: Ora, ora, ora! O que temos aqui? Irmãos Kracher! Que honra reencontrá-los. — Disse Leon exibindo os seus dentes dourados em um sorriso desdenhoso — Lembram daquela bússola que vocês me venderam?
J.: Claro!
Leon: Eu tentei vender para uma cliente mas não estava funcionando.
J.: É...
P.: Você apertou o botão vermelho embaixo?
Leon: Botão?
P.: Sim! Não me diga que não sabia? Acabou-se o tempo daquelas bússolas miseráveis. Agora só de última geração.
Leon: Hum... Vou checar depois. Noah o que te traz aqui? Mercadoria da boa, eu espero!
Noah abre um dos caixotes. Ele está completamente cheio de pedras místicas vermelhas.
Leon: Quanto quer por elas?
Noah: Isso é com os Kracher.
Ele se afasta em direção ao grupo, deixando P. e J. negociando com o Leon. O restante do grupo descansa atrás de contêineres.
Noah: Espero que ganhemos uma grana bem alta por essas pedras. Gastamos muito com o combustível. Sem falar que roubá-los não foi fácil.
Jack: Aqueles bando de ninjas super treinados!
Hank: Precisaríamos vendê-las por dois milhões de neopontos para termos uma boa margem de lucro.
Jack: Teve um que me deu um nocaute logo no primeiro golpe...
Christopher: Acho difícil... Com a nova arena de batalha, os preços estão caindo.
Mae-Ying: Talvez os Kracher consigam.
J. e P.: Não conseguimos.
P.: Desculpe galera. Mas mil e oitocentos dobrões foi o máximo que conseguimos.
Hank: É... As coisas estão difíceis.
Jack: Aposto que os ninjas conseguiriam por mais!
Noah: Precisamos vender algo mais valioso.
J.: Tipo o quê?
Noah: Não sei, talvez algo mais raro.
Hank: Talvez algo do Mundo das Fadas.
Christopher: Algo da Fyora.
Jack: Pera... Não vamos pegar nada da Fyora! Se pra pegar as pedras místicas daqueles ninjas filhos da mãe foi difícil, imagina da Fyora. Só conseguimos graças à Mae-Ying, e aqueles chutes loucos, e ao Christopher, com aquelas luzinhas mágicas dele. Se a Fyora nos pegar, ela vai nos incinerar, jogar nossos restos em um buraco e colocar aqueles Poogles malditos pra sambar em cima!
Noah: Relaxa Jack! Agente consegue. E além do mais o Castelo das Fadas não é tão protegido assim.
J.: Qual é! É o Mundo das Fadas. Os soldados são feitos de bala gummi e lá chove purpurina.
Christopher: Não sei, não. As fadas podem parecer inocentes e angelicais, mas são muito assustadoras quando querem.
P.: Falou o caça-fadas! — Christopher olha para o P. com um olhar de ódio, e P. corre para trás de Mae-Ying — Se tu me acertar, acerta ela! — Mae-Ying revira os olhos.
Mae-Ying: concordo com o Jack. Não podemos simplesmente ir achando que vamos entrar pela porta da frente e sermos recebidos de braços abertos por Fyora.
Hank: talvez haja uma passagem secreta.
Jack: Tá. Mas não sabemos onde é. É "secreta".
Noah: Um Mapa! Com um mapa poderemos saber as passagens secretas.
J.: Que mapa?
Noah: O da Jhudora. Ela deve ter. Eu a conheço. Talvez ela nos dê.
Mae-Ying: Ok. Vamos supor que temos o mapa, não vamos conseguir roubar a coroa dela. Ela é tipo, super protegida.
Noah: E quem falou em coroa? Não, com certeza deve ter uma sala de tesouros. Algumas moedinhas nos fariam ricos.
Christopher: Até que o plano faz sentido.
P.: Bem, então de volta para o Tabuleiro!
Jack: E torcer para que a Jhudora esteja de bom humor.
Fale com o autor