Dois meses depois...




Som áspero e curto de algo sendo cortado. Batidinhas ritmadas do facão na pedra de mármore. E uma serena melodia sendo assoviada.

Arv sorriu, levantou-se da cama e seguiu o timbre afinado da canção.

Ele se aproximou por trás de uma mulher de cabelos presos, que soltou um gritinho de surpresa, mas que o abraçou com ternura logo em seguida. Salsa, sálvia, alecrim e tomilho. Podia sentir o aroma nas mãos dela quando seu toque gentil lhe alcançou o rosto. Amava sentir o cheiro das plantas e ervas que se misturavam em sua pele, seus cabelos, seus lábios...

Um tranco brusco da carruagem retirou Arv de seu sonho reconfortante. O perfume natural dando lugar a um cheiro de cavalo e vinho barato. Ainda meio desorientado, ele se arrumou no estofado e abriu as cortinas da cabine, e a cidade-capital de Finareia se revelou.

— Parece-me que chegamos, Dshef — disse Arv para o jovem rapaz que estava sentado defronte. — Finalmente! Não esqueça sua mala e nosso baú. Ajudarei a carregar.

O cocheiro abriu as portas da cabine com um longo cachimbo de madeira no sorriso da boca. Porém, assim que deu de cara com Arv, seus olhos se fixaram na notável marca de nascença do homem, uma mancha de pele rosada que tomava todo o lado direito do tronco e rosto, começando pelo pescoço, subindo pela bochecha e circulando o olho. Arv não o recriminou pela clara falta de etiqueta, simplesmente sua marca chamava deveras atenção por conta do contraste com sua pele pálida, e desde que saíram de seu longínquo vilarejo, o humilde cocheiro se mostrou pouco capaz de ignorar tal fato.

— Er... chegamos a capita-real! Eu... eu espero que tenham aproveitado a viagem. Seu salvo conduto funcionou em todos os lugares, inclusive aqui nos portões da cidade. Para mim, foi uma honra!

Aquele devia mesmo ser o maior trabalho que o simples homem já recebera entre suas locomoções por vilas de camponeses, o sorriso transmitindo todo o orgulho por viajar pelas estradas de Valennas com um passe livre fornecido pela Coroa. E realmente, já estavam muito além dos portões da cidade, na verdade estavam diante da longa rampa de pedras que levava para dentro do primeiro muro da Fortaleza Avalennas. O palácio se encontrava após o terceiro e último muro. Na entrada da rampa estava o Lorde da Cidade conversando com um trio de guardas reais, deviam estar a mando da Rainha para recebê-los. Arv deu seu melhor sorriso e pagou o cocheiro com um saquinho de ouro valennense, depois voltou para ajudar Dshef com a bagagem. Não eram muitas, uma mala para si e outra para o jovem, além do baú no qual havia alguns instrumentos peculiares que utilizava em sua profissão.

Ele era o que chamavam de Investigador Real. Já havia prestado seus serviços para os reinos de Balennas, Daskareen e até mesmo a reclusa e gelada Vasoimpar em Ximalashuf. Com uma habilidade particular em descobrir certos mistérios do qual os comandantes reais não são capazes, aceitou viajar até a capital de Valennas para um novo caso. Mesmo passado pouco tempo desde aquele reino sofrera uma derrota significativa em uma guerra por território no qual o bravo Principe tombou, ele sabia que não podia negar serviço a alguém como Mirillian Avalennas, a famosa Rainha de Púrpura. Só esperava que novos confrontos não eclodissem tão logo. Pelo menos deveria ter mais um mês para isso se confiassem nos Códigos Absolutos, que proclamava que uma declaração de disputas para um país que acabara de sair de uma, tinha de se esperar noventa dias. Sem falar que os inlicianos ainda precisariam vencer disputas contra lordes locais antes de chegarem a Finareia. Ainda assim, não gostava da ideia de ficar muito por ali, teria que realizar seu trabalho o mais rápido possível.

Arv não era mais um menino e suas costas doíam, mas a viagem não foi de todo ruim, as estradas até ali eram descentes. Todavia, sentia-se cada menos propenso a aventura, sua meia idade gritando com algumas rugas já brotando no rosto, enfeiando ainda mais sua aparência, tinha de admitir. Pelo menos tentara se vestir adequadamente para aquele encontro com a Alta Classe, mesmo não tendo nenhum nome forte ou possuindo terras valiosas. Trajava um gibão de couro enegrecido com as ombreiras acolchoadas, e por baixo uma túnica de linho amarelo com longas mangas que lhe cobriam os braços. As calças eram simples de camponês e as botas estavam gastas, mas esperava que não notassem isso. Seu penteado era em forma de cuia, e seus cabelos desciam lisos e negros por todos os lados da cabeça.

Seu assistente, por outro lado, estava na juventude dos dezessete anos, cheio de energia. Dshef era magro e alto, com um cabelo curto e castanho, combinando com a pele mais corada e com as sardas rubras que tomavam parte do nariz. Mas eram em seus olhos azuis que as donzelas se perdiam apaixonadas. Ali não devia ser diferente, embora o garoto fosse inocentemente respeitador. Até demais às vezes.

Debruçado sobre as ameias de uma das inúmeras pontes curtas que ligavam os bairros do povo local ao início da fortaleza, o garoto estava completamente encantado com o que observava. Essas pontes ficavam numa área elevada da cidade e sobre riachos de água cristalina a ponto de se ver a areia brilhando como ouro nos lugares mais rasos. As casas se amontoavam sobre as outras do outro lado, sempre seguindo um padrão arquitetônico belíssimo e extravagante, com as paredes de madeira se misturando com uma argamassa amarelada e telhados de vidros tão límpidos por conta da areia fina particular daquele lugar, que dava a impressão de que eram feitos de cristais, espelhando magicamente o sol vermelho. Os valennenses gostavam de seus tetos-vitrais, permitindo que a luz sempre estivesse presente de dia, e a noite dormiam debaixo das estrelas. Dali, também, Dshef podia ver a praça principal tomada de gente vendendo e comprando itens diversos nas barracas de tendas douradas, pois apesar da derrota militar, o povo não sofrera tanto com o comércio local, o que não podia se dizer o mesmo dos vilarejos litorâneos que foram tomados. Valennas era um país conhecido por seus quilômetros de dunas em diversas regiões, em outras era preenchida por biomas desérticos ou de enormes cânions rochosos, como o Grande Maltês, palco da última guerra com a Inlícia. Mas era no litoral em que se encontravam os verdadeiros oásis com suas praias invadindo os montes arenosos, perdidos aos inimigos.

Arv se aproximou pouco impressionado. Já estivera naquela cidade antes, e gostava de seu povo caloroso e gentil, mas a verdade era que não gostava de areia em excesso, e torcia para que não houvesse nenhuma tempestade de vento. Se lembrava amargamente da última que enfrentou. Acreditava que devia ter grãos até hoje nas orelhas.

Pousou uma das mãos no ombro do assistente e fez um sinal para que o acompanhasse ao encontro do Lorde da Cidade. O sujeito já havia dispensado os guardas e estava chamando por um guia de riquixá que aguardava um pouco acima na rampa. Riquixás ou liteiras eram comuns dentro dos bairros, enquanto as carruagens eram usadas nas estradas. Os guias desses transportes ganhavam dinheiro de seus passageiros rotineiros, mas a coroa possuía um tipo de frota particular. O homem que chegou puxando o carrinho era musculoso o suficiente para que carregasse três pessoas sem maiores problemas, mas Arv preferiu somente colocar as bagagens como carga, e seguiu a pé.

— Depois de passar não sei quantas horas sentado, preciso esticar as pernas — falou Arv esticando a mão destra para o homem. — Arv Armstrong, ao seu dispor, Mi Lorde. Este é meu assistente, Dshef.

O homem claramente não gostou da ideia de seguir andando para o palácio, mas deu de ombros e cumprimentou o convidado. De massa corpórea robusta e expressão séria por trás de óculos quadrados, possuía mais sobrancelha do que cabelos, mas demonstrava uma postura firme, provavelmente fora militar antes de Lorde da Cidade, título esse equivalente a prefeito de uma cidade normal do reino, mas que ali o fazia ser parte do Círculo Real ao lado dos Lordes da Escritura, Moeda e Ciência. Uma honraria que o deixava a par das reuniões do conselho, como também lhe trazia grandes responsabilidades para com Finareia em todos os âmbitos.

— Naturalmente. Meu nome é Irvic Solon, Lorde da Cidade há dez anos por decreto direto de Vossa Graça Ligtar Aval…

— Precisamos mesmo de todas essas apresentações? Sem querer ofender.

— Claro, claro. Sigam-me, a Rainha deseja-lhes dar as boas-vindas antes de repousarem em seus quartos.

— Bem, se Vossa Graça não estiver ocupada, espero começar meu trabalho antes de ir aos meus aposentos.

— Não será possível. Recebi informações de uma reunião do conselho para se iniciar há alguns minutos. O senhor e seu assistente ficarão em seus quartos até o jantar. Em seguida poderá ter uma melhor conversa com Vossa Graça.

Arv suspirou desanimado, seguindo o homem rampa acima, era praticamente uma ladeira. Enquanto caminhavam, percebera que apesar de tomar cuidado para não demonstrar, Irvic não apreciava sua presença ali. Estava acostumado, uma vez que seu trabalho meio que significava que os guardas e comandantes não estavam fazendo direito suas tarefas, e eles respondiam diretamente ao Lorde da Cidade na maioria das vezes. Pelo menos, diferente do cocheiro, ele não ficava encarando sua marca de nascença como se fosse uma maldição dos demônios.

— Não reparei em uma bainha, senhor Armstrong. Não foi ensinado nas artes da guerra? — perguntou o homem depois de um tempo. Ele próprio vestia um colete militar sobre um gibão de linho nobre, e na cintura balançava uma espada embainhada.

— Tentaram me ensinar, sim. Mas quase acabei me apunhalando sozinho. Admiro os soldados e cavaleiros, mas é melhor eu me manter longe de lâminas.

— E seu assistente?

— Dshef? Não, o garoto não saberia qual lado segurar de uma espada. Mas não pense que somos totalmente indefesos. Carrego uma balestra de família no baú, e modéstia a parte, atiro muito bem!

— Interessante… e o que mais tem nesse baú? Ouvi falar que possui alguns métodos não convencionais em suas investigações.

— Ah, os mistérios e invenções a cerca de meus métodos são pura fantasia, Mi Lorde. Não há nada demais ali, porém creio que só devo falar disso na presença da Rainha.

— Hunf, naturalmente.

Chegaram à entrada do primeiro muro. Ele tinha cerca de cinco metros e era feito de pedra ajuntada com aquela argamassa amarelada que se repetia nos edifícios da cidade. Dois guardas protegiam o portão, que precisava ser abaixado como uma ponte sobre o pequeno fosso cavado no solo. Neste fosso em específico continha somente água, mas era fundo o suficiente para que, se um invasor caísse ali, não subisse de volta. Alem disso, arqueiros guardavam as ameias no alto.

Ao atravessarem, passaram a subir mais uma rampa, que depois dava em outra rampa, seguindo para mais uma num zigue-zague até o segundo muro. Este era mais alto que a primeira e em seu fosso havia estacas de madeira bem afiadas. Arv bufou ao reparar que precisariam caminhar mais um pouco até o último muro, o mais alto de todos, pelo menos já dava para ver as primeiras torres de parede branca do palácio real.

— Arrependido de não ter subido no riquixá, senhor?

— Devo admitir que é preciso ter muita força de vontade para se tentar invadir essa fortaleza com todo o peso de uma armadura no corpo.

— Ninguém ousaria. Podem conseguir quantas Majestosas quiserem, a Fortaleza Avalennas é impossível de ser derrubada.

— Aprecio sua confiança.

Arv puxou um caderninho do bolso da calça, e depois um lápis.

— O que está fazendo?

— Tomando notas — respondeu de forma sincera, escrevendo no papel.

— Não estou autorizado a falar sobre o caso.

— Não se preocupe, gostaria de saber outras coisas, como por exemplo, sobre como está a família Avelennas depois da perda do Principe.

Irvid levantou uma sobrancelha carrancuda.

— Peço perdão, obviamente estão todos enlutados ainda. Foi algo deveras horrível. Não quero parecer insensível, apenas gostaria de ter uma noção sobre como isso os afetou. Ajudaria muito em minhas tarefas futuras.

— Muito bem, se for para benefício de seu trabalho, direi o que sei. O Rei ficou arrasado nos primeiros dias, mas Ligtar é um homem sábio e de luz, e ele sabe que sua luz ilumina esse reino, por isso tratou de se recompor o mais rápido possível, agindo como um soberano deve agir.

— Compreendo. E a Rainha?

— Bem… nos primeiros dias se tornou reclusa, mas depois surgiu com os olhos sempre chorosos, e depois raivosos. Ela se tornou mais ácida do que nunca. Admito que tive medo em alguns momentos quando sua vingança descontrolada falava mais alto nas reuniões do conselho. Mas eu entendo seu sofrimento de uma mãe que perdera o filho de forma trágica. Devo aconselhá-lo a não a provocar de forma alguma, sei que fora ela que o convocou, por isso siga suas instruções sem pestanejar.

— Naturalmente – concordou rabiscando com agilidade o papel – E os irmãos do Príncipe? São dois, não? Estão com idades suficientes para entenderem o luto?

— Certamente. Ambos são mais novos que o finado Oriel, mas Maya possui vinte anos, enquanto o caçula, Lief, tem onze. Mas surpreendentemente, eles agiram de forma muito madura. Maya se colocou a disposição da Corte para consumar alianças através de casamentos benéficos ao reino. E Lief adiantou seus estudos nas seis artes para estar preparado quando chegar a hora de assumir o trono. Ele não esperava que fosse o próximo herdeiro direto, porém sem dúvida em suas veias corre o sangue Avalennas! E está bem protegido com um Guardião. Se bem que devo me corrigir, Guardiã seria o adequado.

— Guardiã? Isso é novo. Muito bem, acho que é tudo. Tenho informações que o tio de Oriel, único irmão do Rei está em missão em Enderghar, por isso não tenho interesse nele no momento. Já os parentes por lado de mãe são todos de Balcan, o que também não tem utilidade por agora. Obrigado, vejo que Mi Lorde é completamente leal a família Avalennas.

O homem parou e encarou Arv nos olhos.

— I-Isso é bom, muito bom — completou Arv controlando o gaguejar.

O olhar julgador do Lorde da Cidade saiu de Arv e foi para Dshef. Eles estavam na metade da última rampa, e nessa havia jardins florais nas laterais. O garoto se esticava para tentar pegar uma única flor de pétalas lilases.

— Ei, jovem! Não mexa aí! — esbravejou Irvid com impaciência.

Porém, Dshef o ignorou e continuou esticando o braço até obter a flor nas mãos com um sorriso triunfal.

— Mas o que? Esse garoto não escuta?!

— Na verdade, não — explicou Arv, realizando uma linguagem de sinais com as mãos para o jovem assistente. — Não devia ter feito isso, Dshef.

O garoto, que também era mudo, assentiu pesaroso.

— Argh, tudo bem — disse Irvid um pouco sem jeito. — Mas o avise para não tirar mais. É bem difícil fazer essas coisinhas nascerem no clima daqui. Vamos, estamos quase chegando.

De fato, o clima de Valennas podia ser bem cruel às vezes, principalmente com a vegetação no geral, mas pelo menos ali na cidade as coisas eram mais brandas por conta de estarem mais ao centro do supercontinente. Ainda assim, Arv podia ver as linhas do horizonte tremendo sobre as casas por conta do calor. Estavam em um terreno cada vez mais superior aos bairros, e agora até mesmo as estradas a fora podiam ser observadas.

Passaram, finalmente, pelo derradeiro muro, este praticamente uma muralha com dez metros de altura, e seu fosso estava vazio, possivelmente para ser preenchido com óleo ou piche se fosse necessário, para então ser incendiado.

Se havia flores já do lado de fora, ao avançarem pelo portão encontraram um extenso jardim colorido com as mais diversas plantas e árvores frutíferas. Pelo jeito não era tão complicado para cultivá-las assim. Tudo brotava muito lindo e vivo, em contraste com a argamassa branca do piso, paredes e estatuas artísticas. Havia até uma grande piscina natural no centro. Era mesmo de se ficar maravilhado. Passado o jardim ficava a entrada para o palácio, com sua estrutra imponente de torres elevadas e enfeitadas com os estandartes de Valennas em laranja e preto.

— Vossa Graça, Arv Amrstrong e seu assistente Dshef — apresentou Irvid com alta disciplina.

Arv e Dshef estavam tão encantados com aquele lugar que não perceberam uma mulher colendo maçãs em um dos cantos. Mas assim que ela chegou, com sua cestinha no braço e o longo vestido roxo cobrindo os pés descalços, era difícil não olhar para outra coisa. Ambos se prontificaram a fazer uma digna e longa mesura.

— É uma honra conhecê-la, Vossa Graça — disse Arv visivelmente nervoso.

Ele já conhecera outras rainhas no passado, e esta era somente um pouco mais velha que ele, mas era um sonho de se admirar. Simplesmente não havia outra descrição para Mirillian Avalennas. Entretanto, também devia ser um pesadelo se assim quisesse, sua expressão felina garantia isso. Vestia um chapéu de longa aba para se proteger do sol, e os cabelos levemente grisalhos estavam presos num único coque bem apertado. Possuía uma atitude de nobreza, um olhar perspicaz. Mas seu sorriso era de uma camponesa. Que mulher era aquela?

— Estão terrivelmente atrasados — disse ela por fim, fechando a cara.

— Foi ideia do senhor Armstrong caminhar até o palácio, Vossa Graça — avisou o Lorde da Cidade.

— Mesmo? Espero que não tenha feito isso por bondade para com nossos serviçais. Eles não são escravos, pagamos pelos seus serviços sem exploração. Estão mais do que preparados a subir e descer essas rampas carregando as pessoas — argumentou, fazendo um sinal para que uma das criadas que estava ali perto viesse pegar a cesta de maçãs.

— Não, claro que não, Vossa Graça. Meus pensamentos nunca foram estes, apenas precisava esticar minhas pernas depois de uma longa viagem. Mas admito que a subida foi mais demorada que o esperado. Sinto muito.

— Hmm — avaliou Mirillian com alguma demora. — Pelo menos me parece ser um homem sincero. E voce, jovem, não vai falar nada?

— Infelizmente meu assistente sofre de problemas auditivos, Vossa Graça. Isso também afetou sua fala. Nos comunicamos por uma linguagem de sinais que aprendi em Avin.

A Rainha franziu as sobrancelhas com aquela informação, tentando pensar em alguma resposta menos abrangente, porém foi surpreendida por Dshef que lhe presenteou com a flor lilás do qual havia colhido antes. A mulher abriu um inesperado sorriso na mesma hora, pegando a meiga planta nas mãos e a colocando sobre a orelha esquerda. Era sabido que Mirillian amava a cor púrpura ou afins de forma exagerada, então se este tenha sido o plano desde início do garoto para desmontar a fera, Arv não tinha certeza, mas ficou grato por isso.

Irvid rolou os olhos mais atrás.

— Mas o que raios aconteceu com seu rosto?! — a voz veio de outra parte do jardim. Maya em muito se parecia com a mãe, mas claro, bem mais jovial e de menor estatura, e suas roupas estavam mais deleixadas. O cabelo preto corria solto com uma franja na testa. — Você se queimou quando bebê? Já sei, seus pais o queimaram!

— Maya, por favor — repreendeu-a a mãe. — Eles são nossos convidados, trate-os bem.

— Estou só brincando — disse piscando de forma travessa para Arv. — Espero que não tenha ficado ofendido, ó grande Investigador Real!

Arv sorrio e balançou a cabeça em negativo. Preferia aquele ambiente de troça a um mais apreensivo. Mirillian, por outro lado, bufou irritada.

— O que deseja, filha?

— A reunião, mãe. Papai já está se movendo para lá.

— Muito bem, então. Receio que o Lorde Solon já o tenha lhe avisado sobre este meu compromisso. Por ora, o senhor e seu assistente serão levados aos seus aposentos por um dos criados. Poderão transitar pelo palácio, mas peço que não saiam da fortaleza até conversamos sobre o motivo pelo qual o chamei, senhor Armstrong. Logo após o jantar teremos essa oportunidade, até lá sintam-se à vontade.

— Agradecemos a hospitalidade, Vossa Graça — respondeu Arv com outra mesura.

— Vamos, Lorde da Cidade, o Rei nos convoca — convocou a rainha para em seguida girar nos calcanhares e se afastar.

Assentindo, Irvid seguiu mãe e filha para dentro do palácio, enquanto criados passavam apressados para pegar as bagagens da dupla visitante. Arv suspirou aliviado e olhou para Dshef que deu de ombros de forma inocente.

— Pois é — disse Arv por fim.

Notas finais
Ola! A Leitora Ursula deu a ideia de eu responder os comentarios nas notas finais dos caps. Nao gosto, mas é um quebra galho e serve para agradecer tambem quem está acompanhando, embora eu saiba apenas de 3 pessoas haha Vamos la Ursula: nao entendi mt bem seu ultimo comentario. Nao conheço o autor que mencionou e por isso nem sei como mandar sua mensagem haha Ele te bloqueou? Ou quando falou de bloqueio quis dizer criativo? Enfim, espero que siga acompanhando minha historia e que isso lhe ajude de alguma forma haha obrigado. Leo_pedragon: obrigado pelos elogios! Espero que siga acompanhando. E nao, ainda nao tenho um final totalmente claro na cabeça haha É isso, desculpem me os erros e o cap maior