As Sete Jóias de Uaset

15 Capítulo 15: Primeiros acertos


Momentos antes da chegada de Nefertite e os outros ao campo batalha.

O incêndio estava controlado, Akhenaton enviara vários soldados para ajudar na reconstrução da cidade. Miro ajudava a tirar o entulho de algumas casas enquanto Hatshepsut cuidava de alguns feridos. A portadora não o olhava diretamente, mas percebia claramente os olhares dele para cada mulher que passava na rua. Estava com muita raiva, apesar de saber que era melhor que a situação ficasse daquele jeito. Miro iria embora e nunca mais o veria novamente, contudo...

- \"Ele me paga.\" — pensou.

Hatshe caminhou em direção a ele, o escorpião piscava e dava sorrisos a duas meninas. A portadora ao passar por ele deu-lhe um belo beliscão.

- Ai! — Miro levou a mão ao braço. — doeu.

- Pois vai doer mais ainda se não ficar quieto.

- Ficou com ciúmes? — indagou sorrindo. Adorava essas manifestações vindas dela.

- Eu?! Jamais! Sou uma portadora.

Ele aproximou, passando a mão no cabelo dela.

- Esqueceu que eu te amo? — disse no ouvido dela.

- Pois não parece. — abaixou o rosto, era duro ouvir aquilo.

- Quer que eu prove? — sorriu malicioso. — pode ser aqui mesmo.

- Não. — disse afastando-se. — vou ajudar as outras pessoas. — saiu.

Miro ficou sem entender. Ao longe Kamus e Nefertite observavam a cena.

- Miro é um idiota. — disse Kamus.

- Por quê?

- Ainda não percebeu que o cosmo de Hatshe diminuiu.

- É... — abaixou o rosto. — é uma pena.

- Pena?

- A existência dessa lei. Ele parecem gostar tanto um do outro... seriam felizes.

- É... — Kamus a olhou. — \"nós também seriamos.\" — pensou. — Nefertite.

- Sim?

- Eu... eu queria... é que... — Kamus tentava pedir desculpas a ela, mas seu orgulho não deixava.

- Fale.

- Não é nada. — levantou. — vou ajudar o Miro. — saiu.

Afastados dali Nefertari terminava de curar algumas pessoas. MM usava seu cosmo. Realizavam suas tarefas em silencio.

- Pronto. — disse Tari ajudando a ultima pessoa.

- Obrigado sacerdotisa.

- Acabei. — disse MM.

- Obrigado cavaleiro de Atena.

Os moradores saíram. Seguiu um silencio.

- Não deveria está aqui. — disse Tari quebrando o silencio que era torturante.

- Eu sei que não. — MM fitava algum ponto.

Ela não disse nada, era Isis e o lugar dela era ao lado de Osíris e não ao dele.

- O que acha que seu irmão vai fazer conosco?

- Com você nada. Ele não sabe. — ela o olhou.

- Será? — MM a fitou. — seu cosmo pode até não estar muito afetado, mas o meu está. Ajudei pessoas, coisa que nunca fiz na vida. Você me mudou.

- É melhor eu ir.

- Quando cheguei aqui te achei antipática e arrogante. Era a reencarnação de uma deusa, um ser intocável e superior. Uma pessoa que não merecia minha atenção, ou melhor, uma pessoa que não teria o trabalho de olhar para um pecador como eu.

- E o que te fez mudar de opinião?

- Naquele dia que Seth atacou a cidade e ajudamos a reconstruí-la. Foi paciente, humilde e caridosa. Atributos que eu não tenho. Fascinou-me.

Tari de pé o olhava.

- Eu preciso ir. — estava saindo, mas MM segurou sua mão.

- Não vou desistir de você.

Ela estremeceu, contudo não disse nada, foi embora.

Depois de deixarem as coisas arrumadas partiram rumo ao encontro com os outros.

Palácio de Uaset, depois da derrota.

Akhenaton e Atena foram recebê-los, ficaram alarmados ao ver Akya, Isi e Ishitar sendo carregadas.

- Perdemos as jóias.. — disse Isi, não sabendo o que era pior a derrota ou a dor na perna.

- Como vocês estão?

- Conosco não aconteceu nada. — respondeu Tite ao deus.

- Ank você está bem? — Afrodite aproximou, achando estranho Mu não estar por perto.

- Estou...

Saga trazia Ishitar nos braços.

- Ishitar? — o deus aproximou dos dois.

- Estou bem.

Akhenaton olhou para Saga, ficaram se encarando por um tempo.

- Sofremos mais uma derrota! — gritou.

- Levem-nas para a sala de cura. — disse.

Shaka tomou a frente, seguido por Shura e Saga. Ank foi caminhando sozinha e Mu pouco atrás. Todos estranharam o comportamento do ariano e a expressão de seu rosto. Aioria ia indagar, mas foi impedido por Kamus.

Arrumaram quatro leitos, separados por biombos.

- Está sentindo dor? — o ariano a ajudou a se deitar.

- Não... — ela não conseguia olha-lo.

- Que bom. Com licença Tefnut.

Saiu. Ank abaixou o rosto, Mu jamais a tratara daquele jeito e temeu por isso. Ele nunca a perdoaria.

Shaka deitou Isi de forma cuidadosa. As sacerdotisas aproximaram e iniciaram os trabalhos. O virginiano afastou um pouco, tinha os olhos fechados, mas observava Isi nem notando que sua mão ainda sangrava. A portadora de Hathor não o fitava, contudo estava preocupada com a mão dele.

-Vá cuidar da sua mão. — disse olhando para outro lado.

- Não se preocupe. — respondeu ríspido sem tirar o olhar dela.

- Não precisava ter entrado na minha batalha. Conseguiria vence-lo rapidamente.

- Com o cosmo que tem? — cortou-a.

Ela não disse nada.

- Diga Isi por que seu cosmo diminuiu?

- Está delirando.

- Senhorita Isitnefert terminamos.

- Eu a levo. — Shaka aproximou.

- Não precisa vou sozinha.

- Como quiser Hathor.

- Vá cuidar dessa mão, não quero ser responsável pelo que te possa acontecer.

No outro biombo.

- Está confortável? — perguntou Shura deitando Akya.

- Sim.

- Sente algo?

- Não. Obrigada por ter me ajudado.

- Não foi mais que minha obrigação. — disse seco. — descanse.

Saiu. Akya o fitou sem entender, o motivo de tanta indiferença.

Ishitar estava calada, veio protestando, mas por fim calou-se, não conseguiria fazer Saga solta-la.

- Vou chamar as sacerdotisas.

Bufou virando o rosto. Logo duas sacerdotisas apareceram e iniciaram o trabalho. Saga afastou-se.

Apesar de ser portadora, elas estavam com receio de ficar perto de Ishitar. O geminiano de longe as observava.

- “Todos a tratam como se ela fosse o próprio Seth, sempre com olhares amedrontadas a espera que ela se volte contra eles... — deu um meio sorriso. — vão sempre desconfiar dela e sempre vai carregar a culpa. — lembrava de si mesmo e da forma que as relações com os outros cavaleiros ficaram depois que foram ressuscitados. — eu pelo menos tive culpa do que fiz, mas ela...”

Akhenaton entrou na sala, vendo que Saga não estava perto de Ishitar foi até ele.

- O que aconteceu a ela? O que fez a ela? — praticamente o prensou contra a parede.

- Sabe muito bem que não faria nada.

- Não tenho essa certeza.

Saga o pegou pelo colarinho invertendo a posição.

- Quero conversar com você, mas não como Akhenaton, cheio de sentimentos humanos como o ciúme, pela irmãzinha dele, quero conversar com Osíris.

O deus o olhou.

- O que quer?

Saga o soltou.

- Ishitar nos últimos dias está estranha. Quando treinávamos ela subitamente parou o ataque e foi de joelhos ao chão, seu olhar era vago, como se tivesse fora de si. Ontem a noite na hora da conversa notei o mesmo estado, mais a noite desmaiou nos meus braços.

- Desmaiou?

- Sim. Hoje na luta contra Akin, ela certamente conseguiria defender do ataque dele porem sentiu-se mal e recebeu o ataque. Minutos antes Seth tinha aparecido.

- Seth?

- Os olhos dela brilharam em vermelho e ela parecia em transe.

- Isso quer dizer que...

- Seth fez alguma coisa a ela.

- Mas eles nunca se enfrentaram diretamente... — o rosto dele ficou alarmado. — ah não ser que... — lembrou do dia que Ank perdera a jóia. — Ishitar lutou com ele. \"Problemas.\"

- Aquele miserável fez alguma coisa a ela. — disse cerrando o pulso.

- Saga. — Akhenaton caminhava para a porta, precisava pensar em algo. — cuide dela.

- O que..?

- Cuide da Ishitar, quem está pedindo é Akhenaton.

Menefer...

Seth estava sentado em seu trono, ganhara mais duas jóias, mas havia um empecilho na sua caminhada rumo a vitória.

- Pensei que poderia poupá-lo, mas... aquele homem pode arruinar os meus planos. Akin!

- Chamou meu senhor? — o guerreiro da traição apareceu na mesma hora.

- Sim. Traga a caixa negra. Vamos enviar tempestade a Uaset.

- Tempestade? — indagou Akin sem entender, mas logo seu rosto ficou surpreso. — meu senhor... vai usar...

- Será preciso Akin. Vá.

Obedecendo Akin desapareceu, aparecendo em seguida a frente de uma porta que tinha desenhado nela um escorpião vermelho.

- \"Se Seth vai usar tempestade é porque algo ameaça os planos dele.\"

Uaset...

Depois de deixar Ank na sala de cura, Mu tinha dirigido para uma das varandas do palácio. Queria ficar sozinho e pensar na cena que havia presenciado. Ank assim que se recuperou foi para o quarto, antes porem queria tomar ar puro. Foi para a mesma varanda que o ariano estava.

- \"Mu.\"

Ele estava debruçado no muro de proteção e ainda trajava sua armadura. Ela deu alguns passos e parou. O ariano percebeu a presença dela. Fitaram por um tempo até que ele começou a caminhar para a saída, passou por ela sem dizer nada.

- Mu.

Parou, mas em dizer nada.

- Desculpe-me... mas ele...

- Não precisa dizer nada Ankhesenamon. Já entendi tudo.

- Deixe-me explicar.

- Não há nada a ser explicado. — a olhou. — nada.

- Mas...

- Com licença portadora de Tefnut.

Os olhos dela encheram de água.

- Não precisa sair, eu saio. — disse saindo correndo.

O ariano deu um longo suspiro.

O clima estava pesado no palácio, Seth já tinha cinco jóias e a cada minuto Osíris ficava mais fraco, a esperança que essa batalha teria um final positivo para Uaset diminuía. Na cidade os mesmos temores afligiam a população que lotavam os templos dedicados a Ré. Nefertite em um jardim refletia sobre isso. A situação estava critica e tudo estava a favor de Seth. Não conseguiam levantar mais as barreiras, o djed estava com ele assim como cinco jóias. Somado a tudo isso os cosmos delas enfraquecidos.

Kamus escondido atrás de uma arvore a observava, sabia que estava sofrendo por tudo que estava acontecendo.

- Por Ré, Uaset vai ser esmagada. — derramou algumas lagrimas. — tudo vai ser destruído.

- Não se dê por vencida. — disse alguém tocando o ombro dela.

Tite sentiu a pele esfriar.

- Ka-mus?

- Não fique aflita. — sentou ao lado dela.

- Tudo está a favor de Seth.

- Sei que a situação é critica, mas ainda têm duas jóias. Ishitar e Nefertari são poderosas e o cosmo delas...

- Continuam intactos. — abaixou o rosto. — queria ser igual a elas. Queria... por minha culpa minha cidade vai ser destruída — algumas lagrimas caiam sobre os joelhos.

Kamus não disse mais nada, queria demonstrar o tanto que se importava com ela, mas sentimentalismo não era seu forte. Sentia-se também responsável por tudo que estava acontecendo, se Tite estava naquele estado tinha sua parcela de culpa. Não dizendo nada, apenas a amparou nos braços, ao contato, Tite deixou o restante das lagrimas escaparem.

- Eu tenho medo... medo que tudo seja destruído, que todos sejam mortos... inclusive você.

- Nada disso vai acontecer. — a abraçou mais forte. — não vou deixar que encostem em você.

- Kamus...

- Me perdoe.

Ela se soltou dos braços dele e o fitou.

- O que?

- Me perdoe. Não queria ter dito aquilo. Fui grosso com você.

Tite sorriu.

- Está tudo bem. — limpava as lagrimas.

- Não me disse se me perdoa.

- Perdôo.

O aquariano aproximou, tocando o rosto dela. O corpo dela arrepiou diante do contato gélido.

- Eu te amo Nefertite. — disse ao ouvido dela.

- Eu também... — murmurou.

Ele deu sorriso e aproximou seus lábios nos dela. Tite correspondeu com ardor, esperava a muito por aquele momento. Ao ouvir aquilo de Kamus, deu lhe forças para não fraquejar, lutaria até o fim por Uaset, por seus amigos e por ele. Seth não venceria.

Kamus tinha o mesmo pensamento, Uaset ate não poderia ser seu lar, mas era onde Tite vivia e faria tudo para protegê-lo. Mesmo sabendo que iria embora, lutaria para que ela vivesse em paz. Depois do contato a olhou, não quis dizer nada, mas estava claro: o cosmo dela havia diminuído um pouco mais.

Isi acendia mais um incenso, desde que saiu da sala de cura tinha ido direto para o templo de Hathor. A situação estava critica, havia perdido a jóia e seu cosmo... ajoelhou diante da estatua e a prantos rezava. Estava com muito medo, de tudo que poderia acontecer certamente Seth esmagaria a cidade e tudo que ela lutara para proteger tornaria cinzas. Sentia-se impotente. Prometera na sepultura de sua família, que destruiria todos os sitis e traria paz a sua cidade natal, no entanto...

- Hathor eu imploro. — dizia em meio a lagrimas. — tire isso de mim, antes que seja tarde.

Shaka recolhido num jardim meditava ou pelo menos pensava que estava meditando porem seus pensamentos estavam na batalha de mais cedo. Só agora se dera conta de tudo que fez. Simplesmente derrotou Imotep de maneira cruel e tudo porque viu Isi machucada.

- \"Perdi o controle. — pensava. — e tudo por causa do que sinto por ela.\"

Segurando o rosário começou a meditar, tinha que encontrar a melhor opção para os dois.

Akya fora direto da sala de cura para seu quarto. Deitada na cama fitava a corrente que pertencera a seu irmão.

- Perdi a jóia, Hakor...- derramou uma lagrima. — meu cosmo... o cosmo de Osíris.. tudo... sou uma imprestável, que nem consegue cumprir as promessas que faz... agora.. agora... — as lagrimas desceram grossas. — Shura... Shura... — chamava por ele enquanto segurava firmemente a corrente.

Mu continuou sentando na varanda por um longo tempo, fitava o rio enquanto tentava entender o que tinha se passado. A imagem de Hawa beijando Ank era demais, nada que ela pudesse dizer poderia apagar aquela imagem. Nada.

- Por que fez aquilo? — murmurou. — por qual motivo?

Lembrou-se do primeiro dia juntos, de seu olhar sincero, das coisas que ela dissera, da forma carinhosa que acariciava seu rosto.

- Era tudo mentira. Mentira. — disse fechando os punhos. — agora quero ver os dois ficarem juntos.

Ank no seu quarto fitava o chão, tudo estava condenado. Seth certamente ganharia e Uaset seria destruída, assim como seus amigos e ela. Preocupava-se com eles, pois para ela, não valia mais a pena. Pensava que Mu confiasse nela, no entanto...

- Tudo será destruído por minha culpa... eu e meus sentimentos... coloquei todos em riscos...

Nefertari estava reclusa no templo dedicado a Ré. Tentava pensar friamente, pois estavam numa posição critica. Mesmo com as duas baixas, Seth contava com cinco jóias, aliado a isso os demais problemas.

- Ishitar ainda continua com seu cosmo intacto. A única... — a portadora de Isis notara que seu cosmo diminuira um pouco, assim que percebeu tentou dissimula-lo ao maximo para não preocupar os demais. — não podemos envolver Atena e seus cavaleiros. Se mesmo tentando, não der certo, só me resta...usar meu cosmo de Isis.

Ishitar no seu local de treinamento despejava toda sua raiva.

- Mais duas! — bradou. — mais duas jóias! Aquele miserável vai acabar com Uaset.

- Fique calma Ishitar. — disse Saga aproximando.

- Cale-se! Cale-se! -gritou.

- Ishitar. — ele a segurou.

- Me solta! — o empurrou. — está nessa calma toda porque não é seu planeta! Porque não é você que vai ser acusado por tudo que acontecer! Vai ser eu! A sith odiosa!

Ele não disse nada.

- Está vendo? Seu silencio comprova tudo! Até você me acharia culpada.

- Nunca pensaria isso.

- Saia daqui!

- Não, está muito nervosa.

- Eu não preciso da sua preocupação! Eu não preciso de você, eu não preciso de ninguém! Eu sozinha vou mandar Seth e seus guerreiros para Anúbis! Sai daqui!

Saga a encarou, ela estava bastante alterada e aquilo não era bom.

- Está bem, eu saio.

Foi saindo calmamente. A portadora de Toth deu lhe as costas e socou uma arvore.

Hatshe estava em seu templo. Olhava fixamente para a estatua da deusa Maet, queria uma auxilio, estava desesperada, as coisas tomavam um rumo sombrio, apenas duas jóias não seriam suficiente para derrotar Seth. Somado a isso os cosmos.

- Minha deusa, ilumine para que tudo de certo.

Miro sentado em seu quarto olhava o céu pela varanda. A situação de Uaset complicara-se e muito. Os guerreiros de Seth não eram tão fracos assim e pode comprovar quando lutou contra Kaimah.

- Preciso proteger Hatshe de qualquer maneira.

O restante dos dourados reuniram-se na sala de refeições, sentiram a falta dos demais, mas haviam percebido o que se passava entre seus amigos e as portadoras. Conversavam sobre a situação de Uaset e da guerra que fatalmente aconteceria.

Depois da refeição do meio dia Akhenaton acompanhou Atena até seu quarto.

- Entre um pouco. — disse a deusa.

- Obrigado.

- Sente-se.

- Só nos resta duas jóias... — Akhenaton desabou no sofá. — fora o problema de Ishitar e o cosmo das portadoras. Não consegui separa-los e temo por isso. Está tudo caminhando para o caos.

- Ainda a esperança. — disse Atena sentando ao lado dele.

- Estou quase não acreditando mais nela.

- Eu ainda acredito. — a deusa segurou a mão dele entre as suas. — onde está o jovem esperançoso que eu conheci naquela festa. — sorriu.

- Se lembra daquele dia? — indagou surpreso.

- Claro, foi o inicio de uma bela amizade.

- Foi um dia memorável.

- As famosas confraternizações do meu pai.

- Sim.

Shaka queria conversar com Atena, já ia bater, quando sentiu o cosmo de Akhenaton. Pensou em ir embora, mas algo na conversa o fez permanecer ali.

- Estava Baco, Odin, Apolo, Vishnu e eu, como sempre conversando sobre banalidades, até que tivemos a idéia de realizar um concurso de beleza.

- Como assim?

- Escolheríamos a deusa mais bonita entre todas.

- Seu pervertido. — Atena deu um leve beliscão nele.

- Fala isso porque não conhece direito Baco, ele sim é um pervertido.

- Acredito, mas como foi o concurso? Você não me contou.

- Baco disse que a deusa mais bonita era Afrodite, Apolo concordou com ele. Vishnu disse que era Hera e Odin, Amaterasu (n/a: deusa do sol na mitologia japonesa). Foi então que perguntaram a minha opinião. As três eram bonitas e estava indeciso entre elas, até que olhando o salão vi uma jovem de longos cabelos dourados e olhos da mesma cor sentada sozinha numa mesa com olhar vago, mas o mais bonito que já vira. — ele sorriu lembrando da cena. — Eros me flechou e eu nem percebi.

- Ele é esperto.

- Apenas apontei para você e sai.

-----------------------------------------------------FLASH BACK-----------------------------------------------------

Osíris passava por entres os convidados sem ser notado, era mais um deus em meio a vários.

- Posso me sentar?

A jovem o olhou.

- Pode. — disse timidamente.

- Creio que não fomos apresentados. Meu nome é Osíris, deus egípcio. Muito prazer.

- Sou Atena, deusa grega. Prazer.

Atena estendeu a mão, Osíris tomou entre as suas e a beijou. A deusa estremeceu diante do gesto e dos olhos prateados que a fitavam com tanta intensidade.

-----------------------------------------------------FIM DO FLASHBACK------------------------------------------------

- Ficamos conversando a noite toda. — ela sorriu.- me salvou da chatice dessas festas.

- Pena que depois dela só nos reencontramos um tempo depois.

- Tem sido assim a séculos. Encontros e desencontros.

Shaka ouvia atentamente, não imagina que os dois se conhecesse a tanto tempo. Atena e Osíris eram velhos amigos ou pelo menos era essa imagem que queriam passar aos outros deuses, principalmente a seus pais Zeus e Ré, mas na verdade desde o dia que se conheceram eram mais do que isso. Estavam apaixonados um pelo outro mesmo assim não podiam ficar juntos, as leis eram severas para esse tipo de relacionamento. Tanto ela como Osíris eram deuses protetores e para tanto não podiam ter outro sentimento a não ser compaixão para com seus protegidos.

- É muito difícil ter você tão perto ao mesmo tempo tão distante. — suspirou.

- É a nossa sina Osíris. — ela levantou indo para a varanda. — não a nada que possamos fazer a não ser aceitar.

- Eu sei, mas...

- Sei que é difícil, acredite. — voltou a sentar perto dele. — vê as meninas na mesma situação que a nossa é de cortar o coração, mas são leis. Nós punidos por toda eternidade e elas perder seus cosmos.

Shaka recuou um passo. Como não tinha percebido? Então era essa a causa do cosmo de Isi ter diminuído. Ele era a causa.

- Sinto muita inveja dos mortais. Queria pode tocar em você, não como amigo e sim como algo mais. Queria poder senti-la em meus braços.

- Osiris...

- Queria beija-la. Se me fosse concedido um único instante... os mortais são felizes porque podem conviver com a pessoa que se ama e até esse único instante a eles é concedido.

Shaka ouvia e lembrava de Isi.

- Osíris..

- E nós...

Atena derramou duas lágrimas.

- Eu também... queria...

- Eu te amo Atena.

O virginiano saiu, já ouvira o suficiente.

- Osíris...

As palavras nunca vieram, não se importando com o que podia acontecer, mas sim com o que desejava, Osíris a beijou.

Shaka estava pensativo, jamais imaginou que Atena e Osíris tivessem alguma coisa. Pensou na situação deles e na sua. Não era muito diferente, ambos não podiam ficar juntos porem concluiu que a dos dois deuses era pior, nunca poderiam ficar juntos. O que os deuses tanto almejavam Shaka tinha a seu dispor nem que fosse por um breve instante. Resolveu procurar por Isi.

A portadora de Hathor estava em seu templo, ajoelhada fitando a imagem da sua deusa.

- Por que não me atende Hathor? Por que não tira isso de mim?

Shaka entrava no templo quando sentiu a presença de Isi, ia chamá-la, mas parou ao ouvir um choro. Sem que ela percebesse escondeu-se atrás de uma pilastra.

- Eu lhe imploro Hathor... tire isso de mim. Sei que estou cometendo um sacrilégio contra ti, pois sou portadora do amor mas eu não o quero. Não quero sentir isso. Não quero amar Shaka.

O virginiano espantou pelas palavras dela.

- Sempre fui leviana, pois achava que tinha o domínio sobre isso mas... Hathor tire isso de mim.

- Hathor não vai conceder seu desejo.

- Shaka?

- Assim como Buda não me concedeu. Nem um dos dois fará isso.

- Seu deus pode não ter esse poder, mas o meu tem. — Isi limpava as lágrimas.

- Isi...

- Vai embora Shaka. Você acabou com a minha vida.

- E você com a minha. — rebateu. — antes de conhecê-la, vivia para servir Atena e Buda e apenas isso. Você chegou e acabou com tudo. Fez-me ver que mesmo sendo o homem mais próximo de deus tinha vontades e desejos.

- Vai embora Shaka.

- Confesso que fiquei com receio sobre isso, fiquei confuso a ponto de beijá-la naquele dia.

- Aonde quer chegar com isso?

- Que tanto eu como você caímos na mesma armadilha. Você não esperava se apaixonar, nem eu, contudo aconteceu.

- Esta enganado. Não sinto nada por você.

- Sente, posso ver isso em seus olhos. — sorriu. — sou realista, sei que não poderemos ficar juntos e que posso prejudicá-la ainda mais por causa de seu cosmo, mas...

- Mas o que...

- Quero ficar com você nesse pouco tempo que nos resta.

Ele aproximou dela, Isi recuou.

- Afaste-se de mim Shaka.

- Não vou me afastar de você, não agora.

Ele a abraçou, Isi tentou se soltar, mas os braços dele eram reconfortantes e mesmo dizendo que não sonhava com aquele contato, era o que mais queria.

- Shaka...

- Eu te amo Isitnefert.

Duas lágrimas desceram pelo rosto dela, Shaka a olhou para em seguida beijá-la. Isi sentiu todo aquele ardor da primeira vez, os lábios dele eram quentes e determinados. Shaka tinha a certeza que a amava.

- Uaset corre um grande perigo, mas estou aqui. — disse fitando os olhos verdes marejados. — não vou permitir que nada te aconteça e junto com seu cosmo vamos vencer.

Ela deu um meio sorriso, tinha certeza das palavras dele mesmo sentido que sua energia esvaia um pouco mais.

Na varanda o ariano ainda pensava no ocorrido, estava com muita raiva.

- Ela vai ter que me ouvir. — disse saindo.

Ank estava sentada em sua cama quando ouviu batidas na porta.

- Mu. — murmurou esperançosa.

Correu para abri-la.

- Quero respostas. — entrou bruscamente.

- Eu...

- Por que fez aquilo?

- Era preciso. — respondeu inocentemente. — Hawa...

- É isso então?! — exclamou bastante exaltado. — não sente mais nada por mim? Tudo que me disse não passava de mentiras?

- Não é... — Ank sentou na cama tentando segurar o choro.

- Então fala! — gritou. — prefere o guerreiro de Seth, pois agora ele está morto!

Ank o fitou perplexa, não queria chorar, mas não agüentou. Mú não compreendia nada.

- Não percebe...? — sua voz saiu em meio ao choro. — você é um cavaleiro de Atena e eu uma portadora de Osíris.

- E?

- Estamos em Uaset! — gritou. — Quando tudo isso acabar você vai voltar para a Grécia! Nós nunca poderemos ficar juntos... — as lágrimas caíram abundantes. — nunca...

Ank tampou o rosto com as mãos e desatou a chorar. Mú a olhava estático, então era isso... sabia desse pormenor mas não queria aceitá-lo contudo ele existia e era forte o suficiente para separa-lo de Ank até mais que seu cosmo. O ariano aproximou e sentou ao lado dela que continuava a chorar.

- Ank eu...

- Agora entende...? Tudo que fiz foi para evitar que sofresse quando isso acontecesse. Hawa não existe, eu amo você... se eu não ficasse com ele, ele ia te matar. Estava preso na barreira, não teria como se defender.

Mú sentiu as lagrimas escorrerem pelo seu rosto. Ank o olhou e depois o abraçou. Mú não disse nada apenas a abraçou bem forte.

- Perdoe-me.

- Não suportaria se algo acontecesse a você.

- Perdoe-me Ank.

- Seth está com cinco jóias, temo o que possa acontecer.

- Não vai acontecer nada. — ergueu o rosto dela. — estou aqui e vou fazer de tudo para proteger Uaset e você.

- Obrigada.

O ariano sorriu diante do olhar, sempre sincero, dela. Amava-a demais e não deixaria que nada acontecesse a ela, nem que custasse sua vida.

Depois de deixar Ishitar, Saga foi para uma área próxima.

- Maldição! — deu um soco numa arvore despedaçando-a completamente. — será que não vê que só quero ajudar? Não percebe que gosto de você? Droga!

Depois do almoço Hatshe em companhia de Akya foram para um templo. Miro e Shura juntos estavam num jardim. Ank e Mu permaneceram juntos por todo período. Ishitar continuava no seu local de treinamento. MM havia evaporado. Nefertari estava reclusa no templo de Ísis. Shaka e Isi conversavam numa varanda próxima e Kamus e Tite continuavam no mesmo jardim. Os demais cavaleiros estavam espalhados pelas dependências do palácio.

Menefer...

- Está tudo pronto como o senhor ordenou. — disse Akin.

- Muito bom — sorriu. — é só aguardamos para ver o estrago que vai instaurar em Uaset.

- Vai usar só nessa ocasião, senhor?

- Se surtir o efeito que quero, sim. Não há necessidade de desperdiçar tamanho poder. Osíris e todos naquela cidade serão reduzidos às cinzas.