As Sete Jóias de Uaset

12 Capítulo 12: Ilusão e Realidade


Ishitar passou a mão pelo cabelo, ficara balançada, não queria admitir, mas gostara do contato com Saga. Sentou na cama ainda atordoada quando teve seus olhos avermelhados.

--------------------------------------------------------------FLASH BACK-------------------------------

O dia estava relativamente quente, no interior do palácio uma menina brincava com algumas bonecas.

- O que está fazendo? — indagou uma mulher de madeixas brancas.

- Brincando Lya, mas...

- O que foi?

- Posso brincar lá fora, alem dos portões?

- Sabe que não pode ir lá Ishitar.

- Por quê?

- Por que sim. — ela não podia contar que era odiada, não a uma menina de cinco anos. — Pegue suas bonecas e vá para o quarto. Daqui a pouco o rei estará aqui e sabe que ele não gosta que brinque aqui.

- As outras crianças ele não importa, nem com o Akhenaton. Implica só comigo.

- Vá logo Ishitar.

Pegou-as e saiu, mas não foi para o quarto. Contrariando as ordens e usando de esperteza passou pelos guardas e logo ganhou as ruas. Ficou encantada pela cidade, queria conhecê-la, mas não se afastou. Escolhendo um lugar sentou sobre a sombra de uma arvore e começou a brincar.

- Garota não pode brincar aqui. — disse um homem aproximando.

- Por que... ? — ela o olhou.

- Você... — o rosto transfigurou. — uma sith, raça amaldiçoada!

Ishitar o olhava sem entender.

- Merece a morte! — ele a segurou pelos braçinhos. — vou entregá-la aos guardas.

- Me solta. — ela pegando um pouco de areia jogou nele que a soltou.

- Volte aqui! A sith! Peguem a sith!

No palácio Lya procurava por Ishitar.

- Onde ela se meteu?

- O que foi Lya?

- Minha senhora, por acaso viu Ishitar? — não queria perguntar a sua senhora, pois temia a reação dela, mas não tinha outro jeito.

- O que houve com ela?! — ficou preocupada.

- Não sei onde ela está.

Do lado de fora Ishitar corria o maximo que suas pernas permitiam, algumas pessoas estavam atrás dela e até jogavam-lhe pedras. Tropeçou numa ralando o joelho e o braço, contudo levantou e se escondeu perto de uma estatua. Assim que as pessoas passaram correu de volta ao palácio. Andava por uma das ruas, com as mãos nos olhos tentando segurar as lagrimas, o machucado do joelho ardia.

- Ishitar? — Lya se desesperou quando a viu. — o que houve minha menina? — agachou diante dela.

- Lya...- ela a abraçou. — jogaram pedras em mim... disseram que sou uma sith... o que é um sith?

- Ishitar...

- Por que fizeram isso comigo? — tentava segurar o pranto.

- Por que...

- Ishitar!

Uma jovem de melanes pretas e olhos roxos veio correndo. Ela trajava roupas reais.

- O que fizeram com você? — ajoelhou.

- Princesa Huni, a Lya não soube me dizer... o que é sith?

As duas se entreolharam.

- Por que está perguntando?

- Porque um homem me falou que eu era uma sith e que deveria morrer. Sith é quem desobedece? Se for assim nunca mais desobedeço a Lya. Não vou sair mais do palácio sem ela deixar.

Huni a olhou. Seus olhos encheram de água diante da declaração. Por quantos sofrimentos sua filha teria que passar? Tudo por causa da cor dos olhos... e não poderia contar lhe a verdade sobre os sitis e que ela era sua mãe.

- Vamos cuidar dos seus ferimentos. — a pegou no colo.

- Senhora.. — murmurou Lya, sabia que se o rei visse essa cena poderia matar as duas.

- Mesmo que Maneton me mate, não vou deixá-la. Vamos.

---------------------------------------------------------------FIM DO FLASHBACK--------------------------------------------------------------

Os olhos brilharam intensamente antes de voltarem ao normal, sentido uma fraqueza, desmaiou. Depois do tapa, Miro não fizera nenhum comentário. Do lado de fora de uma sala aguardava Hatshe sair do banho.

- Muito obrigada, sacerdotisas. — agradeceu parando na porta.

- Foi uma honra portadora de Maet.

As moças saíram.

- Como está? — indagou Miro.

- Bem melhor. Parece que as minhas forças voltaram.

- Vou levá-la. — Miro a carregou.

- Miro! Não precisa. Coloque-me no chão.

- Você é leve.

Miro a levou para um outro quarto, pois o dela estava ocupado por Nefertari.

- Pronto. — a colocou na cama.

- Obrigada.

- Essas ervas que usaram em você... — aproximou do ouvido dela. — tem um cheiro delicioso.

Sentiu um arrepio.

- Desculpe mais uma vez por não tê-la ajudado. — ele sentou ao lado dela.

- Não se preocupe.

- Deixe eu ajeitar essas almofadas.

Novamente aproximou do rosto dela. Hatshe pode sentir a milímetros a respiração dele e seu hálito quente.

- Está bom assim? — disse num sussurro.

- Sim... — murmurou. — Miro.

- Sim? — não se distanciou nem um pouco.

- O que disse mais cedo é verdade? — abaixou o rosto.

- O que?

- Que eu sou linda? Você e a Isi se parecem tanto e naquele dia da festa, ficaram muito tempo juntos... achei que...

Ela nem terminou a frase, Miro apoderou-se de seus lábios com urgência. A principio Hatshe assustou-se, mas depois deixou se levar. A falta de ar os separou.

- Você é linda, Isi é apenas uma amiga e não temos nada.

Ela sorriu.

- Queria ficar com você, mas sei que ao final dessa guerra terei que ir embora.

- Eu sei...

- Quer que eu me afaste?

Hatshe o olhou surpresa.

- Sempre fui leviano com as minhas atitudes e não quero ser agora. Temos pouco tempo, se nos afastarmos agora, sofreremos menos. Não quero que ao final sofra por eu ir embora.

- Miro...

- Já estou apaixonado e não quero ter falsas esperanças. — ele levantou.

- Também gosto de você, mas talvez...seja melhor assim. — doía dizer aquilo, mas diante das circunstancias. — não fique mais perto de mim.

- Como quiser. Já vou.

O escorpião saiu deixando-a entristecida.

Saga caminhava alheio a tudo. Pensava no beijo e nas palavras de Kanon. Será que estava apaixonado? Não, não, é o que dizia para si. Tinha admiração, atração talvez, mas era só. Não gostava dela. Sentindo um cosmo conhecido rumou para a varanda. Era Mú. O ariano fitava a cidade com olhar perdido.

- Oi Mú.

- Oi Saga.

- Como está a Ank?

- Está bem.

- Está dormindo?

- Não sei... por que? — indagou intrigado.

- Vocês dois estão sempre juntos.

- É... — corou.

- Não precisa ficar vermelho, já sei que gosta dela.

- O que?! Como?

- Só cego não veria.

- Está tão evidente assim? — sorriu. — assim como você e a Ishitar?

- Como?! — foi a vez do geminiano corar.

- Vive atrás dela.

- Eu... não...

O ariano sorriu diante do rubor do amigo.

- Que isso Mú. Não sinto nada por ela.

- Por quem? — indagou Afrodite chegando com Shura. — porque quem Saga está apaixonado? Alias nem precisa dizer. — deu uma pausa. — I-shi-tar.

- Está equivocado. — rebateu o geminiano.

- Imagine se não estivesse. — disse. — mudando de assunto encontrei com o Shurinha todo triste. — bateu nos ombros dele. — nem quis me dizer o por que.

O capricorniano nem se importou com o \'Shurinha\'.

- Aconteceu alguma coisa Shura? — indagou Mú.

- Não... nada... então quer dizer que o Saga está apaixonado. — sorriu.

- Eu não! O Mú que está!

- Dele todo mundo já sabia.

O ariano corou até a alma.

- Eu...

Afrodite apenas escutava, a situação se complicara. Kamus, Miro, Mú e agora Saga? Se o que Tite dissera era verdade os cosmos dela, Hatshe, Ank e Ishitar estariam ameaçados? O da Ank e de Tite tinha percebido, mas das outras duas, principalmente de Ishitar pareciam o mesmo. Será que eles tinham percebido? Faria certo em contá-los sobre essa lei? Ou deixaria Osíris agir?

- O que foi Dite? — perguntou Shura diante do súbito silencio dele.

- Nada... — sorriu. — estava pensando com as minhas rosas. Cadê a Ank?

- Não sei. — o ariano suspirou. — está por aí.

- Algum problema com ela?

- Ela está me evitando. — disse por fim.

- Por que faria isso? — indagou o pisciano já prevendo o motivo.

- Não sei, mas...

- Mas?

- Em breve voltaremos para o santuário. Acho que ela tomou consciência disso.

Saga e Shura pensaram em Ishitar e Akya.

- \"Ela percebeu que seu cosmo diminuiu.\" — pensou Dite.

- Infelizmente as coisas são assim. — murmurou o ariano.

- Talvez seja melhor esse afastamento, assim ninguém sofrera. — disse, não queria dizer aquilo, mas não tinha outro jeito. — Vou ver Atena.

Ele saiu deixando os três pensativos. Precisava fazer alguma coisa, talvez Atena tivesse a solução. Encontrou-a no seu quarto junto de Aiolos.

- Atena, Aiolos.

- Oi Afrodite.

- Podemos conversar?

- Estou de saída. — Aiolos levantava.

- Não fique. Talvez possa nos ajudar.

Os dois o fitaram intrigados. Afrodite sentou.

- O assunto é sobre...

Ele contou a conversa tida com Nefertite.

- Ela disse isso?

- Sim Aiolos. E o que temo é que ela, Ank, Hatshe e Ishitar estejam...

- Akhenaton já sabe disso. — disse a deusa.

- O que?! — exclamaram surpresos.

- Todas estão na mesma situação com exceção de Nefertari e Ishitar.

- Isi e Akya também?

- Só não percebi por quem.. — murmurou.

Dite desviou o olhar, analisando os fatos... via constantemente Shura perto dela, apesar deles se falarem pouco, conhecia o jeito do amigo e a constante preocupação para com ela.

- Shura gosta da Akya. — disse por fim.

- Tem certeza?

- Sim. — afirmou. — Só não sei quanto a Isi.

- O que Akhenaton fará Atena? — indagou Aiolos.

- Como Tite disse, Akhenaton não fará nada por enquanto, mas Osíris... é possível que voltemos mais cedo para o santuário.

Num quarto...

Isi abriu os olhos lentamente, uma brisa suave soprava levando até as suas narinas um cheiro exótico.

- \"Shaka.\" — pensou.

A portadora de Hathor levantou encostando-se na cabeceira da cama. Só se lembrava de ter adormecido na frente de Tari.

- \"Poderia ter derrotado Imotep se meu cosmo... — suspirou. — perdermos duas jóias... o Hathor ajude-me! Tire Shaka do meu coração, antes que seja tarde.\"

Depois de um tempo Ishitar levantou, ainda sentia-se estranha e não queria ficar sozinha.

Ank debruçada na grade chorava. Sabia que Akhenaton iria tirar Mú dela. Mandaria o de volta.

- Ank?

- Oi Ishitar. — limpou as lagrimas.

- O que foi? — notou que ela estava chorando.

- Nada... como está?

- Bem. Agora me fale Ank o que foi?

Ela o olhou, sabia que Ishitar a mataria quando soubesse, mas...tinha que dividir com alguém.

- Estou apaixonada pelo Mú. — nem a fitou.

- Como?

- Gosto dele. — disse prevendo o desfecho.

- Ank... — suspirou.

- Não vai me mandar para Anúbis? — surpreendeu pelo tom de voz dela.

- Claro que não. — sorriu. Apesar de não demonstrar gostava muito dela, Ank sempre a tratou como igual desde quando era crianças, para ela a cor de seus olhos não significava nada. — mas sabe que...

- A lei? Sei.

- Osíris vai separar vocês dois.

- É... — derramou algumas lagrimas.

Ishitar a abraçou.

- Desde o inicio achei péssima idéia eles virem.

- Concordo com você. — disse Isi aproximando. — Akhenaton tem que mandá-los de volta.

- Você achou bom deles ficarem. — disse Ank surpresa pelas palavras dela.

- Foi um erro. — respondeu categórica. — eles têm que irem embora. Perdoe-me Ank, mas será melhor assim.

Ishitar a olhou, Isi nunca falaria daquele modo a não ser que...

- \"Será possível?\"

Isi notou o olhar da portadora de Toth, dificilmente ela não perceberia a alteração.

- Isi tem razão. — disse continuando a olhá-la e abraçada a Ank. — é melhor eles irem.

O restante da tarde permaneceu assim: Ishitar depois de conversar com Ank foi para seu quarto, ainda se sentia mal, somado a isso, não queria ver Saga. Ank também se recolheu, mas foi para seu templo não queria ver Mú. Isi também foi para seu templo, pediria a Hathor que atendesse seu pedido. Akya desde a conversa com Shura ficara em seu quarto. Tite permanecia inconsciente com Kamus dormindo ao seu lado. Nefertari fazia orações a Ré em seu quarto. Hatshe tentava se consolar. Saga, Shura e Mú continuavam a conversar na varanda, logo Deba apareceu. Shaka em seu quarto meditava. MM estava em seu quarto. Dite e Aiolos conversavam sobre o que Atena havia dito. Miro tentava se distrair conversando com Kanon, Dohko e Aioria.

A noite foram todos convocados para uma reunião. As portadoras chegaram separadas enquanto os dourados juntos, só não estavam presentes Kamus e Nefertite. Colocaram uma mesa no centro da sala, de um lado os cavaleiros e de outro as meninas que nem um minuto se quer os olharam. O clima era tenso por parte delas e constrangedor para eles, já que não faziam idéia do que estava acontecendo e estava por vir. Minutos mais tarde Atena chegou sentando ao lado dos seus santos, pouco depois Akhenaton que sentou na ponta da mesa. Seu rosto era sério e as portadoras ao vê-lo encolheram. Sabiam que Osíris poderia manifestar a qualquer momento.

- Boa noite cavaleiros de Atena e portadoras das jóias. — ainda era Akhenaton. — o motivo de estarem aqui é para torná-los a par dos acontecimentos. Seth já tem três jóias e por pouco não conseguiu outras duas.

Isi e Hatshe abaixaram o rosto.

- Devido a isso o cosmo dele aumentou consideravelmente e estamos correndo um grande risco. Se os sitis invadirem nossa cidade não poderemos contar com a barreira. Resumindo estamos à mercê dele.

Todos ouviam atentamente.

- Por séculos essa batalha é travada e durante esse período conseguimos impedir a ambição de Seth, porem, agora fatores externos estão nos desviando dessa missão. — Akhenaton olhou para as portadoras.

- Que fatores? — indagou Saga sem entender.

- Eles não vêem ao acaso agora. O poder das jóias era mantido pelo poder do djed e pelo cosmo das portadoras mantendo um equilíbrio, porem ele foi quebrado. — deu uma pausa. — por isso... — olhou para Atena. — estamos enfraquecidos e talvez a sua permanência aqui seja arriscada, contudo seus cavaleiros são fortes.

- O que deseja Osíris? — indagou Atena, mas já sabendo o que era.

- Quero que volte para a Terra, mas que deixe alguns cavaleiros para nos ajudar. — sua voz saiu autoritária, era Osíris falando.

Olharam imediatamente para ele. Ank e Hatshe nutriram uma pequena esperança.

- Mú, Shura, Miro e Saga espero que não se importem de voltar com a Atena. Kamus também irá.

Os quatro ouviram calados.

- Eu também irei. — MM levantou a mão. — se não se importar.

- Eu também. — disse Shaka. — acho que seis cavaleiros serão suficientes.

Isi e Tari continuaram impassíveis. Um vento gelado soprava entre eles, o que não era normal. A temperatura parecia estar abaixando.

- Se assim o desejar. — Atena olhou para seus cavaleiros. — vocês concordam em ficar?

- Sim. — respondeu Dohko por todos.

- Ishitar.

Akhenaton a chamou, ela porem pareceu não ouvi-lo alias desde o inicio da reunião estava alheia a conversa, não escutando nada.

- Ishitar. — chamou novamente. — Ishitar.

Continuava parada olhando para a mesa. Saga a fitava, não queria ir ainda mais agora que percebera que ela estava com algum problema.

- Ishitar. — chamou o geminiano.

- Sim? — olhou para ele.

Akhenaton não gostou do que viu. Saga tinha que ir embora o mais rápido.

- Ishitar, consegue abrir o portão do céu?

- Consigo. — respondeu ao deus.

- Então amanha nas primeiras horas, irá abri-lo. Reunião encerrada, boa noite.

Ficaram em silencio.

- Vou dormir. — disse Isi levantando. — boa noite.

Afrodite sentia o vento gelado, as portadoras passavam a mão nos braços para aquecer, o que era estranho. Deduziu que naquele lugar só uma pessoa poderia produzi-lo.

- Com suas licenças. — levantou e saiu.

- Já vou. — Akya levantou.

Logo MM também levantou, seguido de Miro, Shura, Shaka e dos demais. Na sala só restou os dois deuses. Sentados um do lado do outro não diziam nada.

- Desculpe, mas era preciso.

- Lamento por eles. — Atena fitava os afrescos a frente. — será um sofrimento para os dois lados.

- Infelizmente não tinha outra opção, sabe que como deus, tenho que manter a paz em Uaset.

- Compreendo. — ela o olhou. — sacrifícios são necessários.

- Entendemos bem do assunto. — Akhenaton pegou na mão dela. — queria muito que ficasse mais um pouco... Vou sentir sua falta.

- Eu também. — Atena deu um beijo na mão dele.

O pisciano abriu a porta bruscamente.

- \" Como eu pensei...\"

O quarto estava branco por causa da temperatura baixa. De um lado Kamus dormia profundamente, do outro Tite continuava a dormir. Afrodite correu até ela.

- Tite.

Ele a chamou, mas não houve resposta. Pela fumaça que saia da respiração fraca, os lábios e o dedos azulados pode concluir que Tite estava com hipotermia.

- \" Kamus seu idiota.\"

Dite a pegou e a levou para varanda, aos poucos começou a ascender seu cosmo. Sentindo um cosmo diferente Kamus acordou. Olhou para cama e não a viu desesperando.

- Nefertite está aqui Kamus.

- O que esta fazendo com ela? — indagou bravo.

- Já viu como deixou o quarto?

Só agora tinha percebido que o quarto estava congelado.

- Tite esta inconciente, poderia tê-la matado.

- Acabei pegando no sono. — passou a mão pelo cabelo. — como ela está?

- A temperatura dela já está voltando ao normal.

- Sim.

- É melhor ir arrumar suas malas. — a pegou no colo.

- Por que?

- Amanha você voltara para o santuário.

- Como? Mas eles...

- Você, Saga, Mú, MM, Shura, Shaka e Miro voltaram com Atena para a Grécia. O restante permanecerá aqui para ajudá-los.

- Por quê? Ordens de quem?

- Akhenaton, e Atena concordou. — voltou para dentro.

Kamus olhou para a Tite desacordada nos braços do pisciano.

- Não vou deixá-la nas mãos daquele homem! Vou ficar!

Afrodite o olhou espantado, Kamus tendo esse tipo de comportamento era de se espantar, logo ele, o \'homem gelo.\'

- \"É uma pena que tenha que acabar assim... — pensou. — Tite conseguiu perfurar a muralha de gelo.\" Não tem escolha Kamus. — disse. — Ou vai embora ou se prepare para o pior. — a deitou na cama.

- Como assim?

- Akhenaton não escolheu vocês por acaso. — elevou seu cosmo para esquentar o quarto. — há uma razão para tudo isso. Para vocês irem embora, para o fato de Tite, Ank e Hatshe terem perdido suas jóias.

- Não estou entendendo.

- As amazonas não têm a seguinte lei: que se um homem ver seu rosto, deve matá-lo ou amá-lo?

- Tem e?

- As portadoras das jóias têm uma lei parecida. — cobria Tite com um cobertor. — Não podem se apaixonar, pelo risco de perder seus cosmos.

- Isso é um absurdo. Que história maluca é essa?

- Não é. — disse frio. — Sente-se Kamus. Você precisa saber.

Afrodite narrou a conversa que teve com Nefertite sem mencionar, é claro, a parte que ela dizia gostar dele.

- Então...

- Antes que algo pior aconteça, Akhenaton está afastando vocês delas.

- Quem disse que eu gosto dela? — levantou. — Nós somos totalmente diferentes! Akhenaton está equivocado. Nós... nós...

- Ao menos uma vez na vida encare a verdade Kamus de Aquário. — Dite perdeu a paciência. — admita que desde que a viu se apaixonou.

- Para que? — bradou.- Vou embora mesmo. O que eu sinto ou deixo de sentir já não importa mais!

- Kamus...

- Vou voltar a ser o mesmo sozinho de sempre.

Foi em direção a porta, fez menção de abri-la porem...

- Quando partiremos? — olhava para o chão.

- Ao amanhecer.

- Pode nos deixar? Prometo que não farei nada.

- Tudo bem. — Dite levantou. — qualquer coisa estarei no meu quarto. — saiu.

Kamus voltou o olhar para Tite.

- \"Tivemos tão pouco tempo... e nesse pouco, fiz coisas ruins... até seu cosmo eu afetei. Espero que possa me perdoar.\"

Isi em seu templo orava.

- Obrigada Hathor por me atender. Prometo ser a portadora mais fiel.

- O que pediu a Hathor?

- Que me iluminasse Akya. — olhou para ela.

A portadora de Chu sentou na frente dela.

- O estrago já foi feito. — disse.

- Como?

- Desistiu de ter Shaka como troféu?

- Ele não me interessa.

- Hathor lhe deu um golpe muito forte.

- Não sei do que está falando. — fez de desentendida.

- Akhenaton agiu certo em mandá-los de volta, mas creio que não funcionará. — Akya fitava um ponto.

- Por que diz isso?

- Tirando Tari e Ishitar já fomos afetadas.

- Você?

- Sim. — deu um meio sorriso. — até eu. Já disse o estrago foi feito. Mesmo eles indo, ainda por dias vamos pensar neles, a batalha não irá se resolver amanha ou depois. Nossas chances continuam as mínimas.

- Por quem? — interrompeu.

- Shura. Tentei ao maximo evitar, mas...o sorriso dele, sua gentileza... — deu um sorriso. — acabei me apaixonando.

- Hathor passou uma rasteira em nós. — Isi olhava a estátua. — uma grande rasteira.

- É...- olhou as estrelas pela janela. — vamos torcer que tudo se resolva.

Nefertite abriu os olhos, não sentia dor, mas sentia seu corpo um pouco dormente. Olhou ao redor e constatou que estava em seu quarto. Virou o rosto em direção a janela para saber se ainda era dia quando viu Kamus sentado adormecido.

- \"O que ele está fazendo aqui?\' — pensou. Passou a observá-lo, Kamus dormia tranquilamente, a franja tombada dava-lhe um ar de garoto. — \"seria perfeito se fossemos do mesmo mundo ou se eu não fosse uma portadora.\" — suspirou e com esse suspiro,ele que não dormia abriu os olhos.

- Olá Kamus. — disse fria.

- Oi. — levantando foi até ela, sentando na cama. — como está? — indagou ainda mais frio.

- Bem. O que está fazendo aqui?

- Eu te trouxe para cá.

- E está ate agora?

- Sim.

- Você se preocupando com alguém? — fitou o teto. — não é de seu feitio.

Kamus ouvia calado.

- Uma pessoa fria, egoísta e sem coração. Para você pouco importa as pessoas.

Num movimento rápido, ele aproximou seu rosto no dela. Tite o fitava intrigada, o olhar dele era gélido, mas ao mesmo tempo abrasador.

- Eu me importo com você. — disse frio.

Tite continuou fitando-o sem imaginar o que veria depois, Kamus a beijou. Sentiu os lábios gelados, mas de toque ardente. As mãos frias de Kamus seguravam os braços de Tite provocando-lhe arrepios. Ela não sabia se esses arrepios eram pelo frio ou pela sensação de tê-lo.

- Pare Kamus. — murmurou.

Ele a olhou.

- Me despreza tanto a ponto de me rejeitar?

- Não é isso. — respondeu seca.

- Já sei de tudo. — saiu de perto dela.

- De que?

- Amanha voltarei para o santuário. — cortou. — ordem de Akhenaton.

- Por que ele faria isso? — já sabia o porquê, mas não queria acreditar.

- Sabe o porque, portadora de Hórus. — ele a olhou. — não estarei aqui para protegê-la. — seu olhar era de angustia. — e seu cosmo já não é o mesmo... — deu um passo, entretanto recuou. — cuide-se... — saiu fechando a porta.

Nefertite ficou por um tempo olhando a porta. O que mais temia acabava de acontecer: seu cosmo havia diminuído e Kamus estava indo embora para sempre.

Ishitar seguia para seu quarto, as tonteiras de horas antes pareciam não querer abandoná-la.

- Ishitar.

- Saga? — ele segurou a mão dela. — o que quer? — disse puxando-a.

- O que está havendo? — segurou nos braços dela.

- Não toque em mim. — disse soltando-se.

- Não quero deixá-la nesse estado. — seu olhar era de preocupação.

- Estou muito bem. — recuou um passo. — Akhenaton fez o que eu mais queria, desde o principio fui contra a vinda de vocês, principalmente a sua.

Foi a vez de Saga recuar.

- Boa noite, Saga de Gêmeos.

Deu-lhe as costas, porem deu apenas alguns passos, os olhos brilharam e ia ao chão se o geminiano não a segurasse.

- Ishitar! Ishitar! — a chamava. — droga! O que está acontecendo com você?

Carregando-a no colo a levou para seu quarto. A colocou na cama e certificando que ela apenas dormia saiu. Tinha que fazer alguma coisa.

Nefertari abria a porta do seu quarto quando sentiu um toque em seu ombro.

- Oi.

- Oi Máscara.

- Me chame de Giovanni.

- Tem um bonito nome.

- Já sei o motivo que Akhenaton está nos \'mandando embora.\'

- Sabe? — ficou surpresa.

- Seus cosmos.

- Como...?

- Escutei uma conversa da Nefertite com o Afrodite sobre isso.

- Ah... — murmurou. — e foi por isso que decidiu ir? — não queria encará-lo.

- Foi. Minha presença aqui só atrapalha. Afinal somos opostos. Não quero te fazer mal. É uma pessoa com virtudes e eu cheio de pecados. Somos de mundos diferentes.

- Talvez seja melhor assim... — abaixou o rosto. — que fiquemos separados...

- Talvez... minha santinha. — acariciou o rosto dela.

Tari fitou aqueles olhos azuis que estavam tão confusos quanto os dela.

- Santinha, a deusa Ísis. — sorriu.

MM aproximou-se mais dela e a beijou. Tari deixou-se levar pelas sensações e sem perceber passou a mão pela nuca dele, trazendo-o mais para si. Antes que não tivesse mais volta, MM a soltou.

- Adeus.

Isi voltava do templo, tudo voltaria a ser como era antes e nunca mais teria que olhar para Shaka. O virgiano que seguia para seu quarto a notou. A certa distancia parou. Isi sentindo-se observava olhou para frente, parando em seguida. Ficaram se observando por um longo tempo, até que a portadora retomou o andar. Shaka fez o mesmo andando silenciosamente em direção a ela. Quando cruzaram pararam.

- Era o que você queria não é? — Shaka voltou o olhar para ela.

- Sim. — ela o olhou. Seus olhos estavam abertos. — será o melhor para todo mundo.

- Sim. — notou que os olhos dela estavam avermelhados. — será mesmo.

- Adeus Shaka. — deu um passo.

- Adeus Isi.

Ela parou, nunca Shaka pronunciou seu apelido, só escutava Hathor. Olhou para trás, o virginiano continuava parado olhando-a.

- Isi...? — a própria indagou.

- Se me permite lhe dirigir assim. — sua voz saiu melancólica.

Isitnefert ficou sem palavras, tudo aquilo era injusto. Shaka não poderia ter dito aquilo. Não daquela maneira, não com aquele olhar que tanto a fascinava.

- Permito. — disse por fim.

- Foi um prazer conhecê-la Isi. — sua voz saiu humilde. — espero que nossa amizade continue apesar de termos pontos de vista diferentes.

- A amizade continua, mesmo estando separados. Adeus Shaka. — virou.

- Adeus Isi.

No quarto branco e bege, Kanon reclamava que ia ficar.

- São ordens Kanon. — disse Saga, andando de um lado para o outro.

- Podemos trocar. Ninguém vai notar isso.

- Vamos trocar o cosmo também? — sorriu com desdém. — não seja burro Kanon. — aumentou a voz. — Já está decidido, eu irei para o santuário e você ficará aqui! Ao lado delas! — gritou.

Kanon olhou pasmo para o irmão.

- Saga...não quer ir não é? — sentou na cama. — não quer deixar a Ishitar.

- Vai dormir!

Foi para a varanda.

- É melhor ficar aqui mesmo... aquele santuário vai ficar um inferno. — deitou e logo dormiu.

Shaka abriu a porta lentamente imaginando que os gêmeos já estivessem dormindo. Olhou para a varanda e viu Saga debruçado na grade.

- Boa noite Saga.

- Oi Shaka.

- Não consegue dormir?

- É.

- Está preocupado com algo?

O geminiano o olhou.

- Ishitar.

- Imaginei. — deu um sorriso.

- Não queria deixá-la num momento como esse. Ela é forte, mas não confio naquele Akin, muito menos em Seth.

- Entendo suas preocupações, mas não podemos fazer nada.

- Shaka, fique, por favor. Ficarei tranqüilo se souber que a mais cavaleiros para protegê-las.

- Pede-me o impossível.

- Por quê?

- Isitnefert.

- Você... — o geminiano não acreditava.

- Estou. — deu um meio sorriso. — por isso estou indo embora. Vou voltar para a minha vida de sempre: a de servir Atena e Buda.

- Você, Mú e eu... esse lugar deve ter algo.

- Talvez... vou dormir. Boa noite.

- Boa noite.

Saga voltou a debruçar.

- \"Como vou fazer para ficar?\" — pensou.

Shaka deitado fitava o teto.

- \"Terei meu mundo de volta...um mundo sem Isi.\"

MM não voltou para o quarto preferiu ficar fora do palácio.

- \"Maldito lugar. É uma pena, queria arrancar a cabeça daquele deus, — referia-se a Seth. — e esfregá-la na cara de Akhenaton. Leis idiotas!\"

Mú procurava por Ank, queria conversar com ela antes de partir. Procurou-a por vários lugares, ate que a localizou pelos seus pensamentos. Ela estava no mesmo jardim em que se encontraram pela primeira vez. Ank estava sentada no banco, com os braços cruzados nas pernas.

- Oi Ank. — parou na frente dela.

Ela o olhou. Alguns fios soltos tremulavam ao vento e com o luar a cor era destacada. Os olhos verdes a fitavam num misto de pesar e carinho.

- Sente-se. — disse.

O ariano sentou ao lado dela, mas permaneceu em silencio.

- Deve estar sentindo falta da sua casa.

- Não. É uma pena termos que ir embora.

- É...- descruzou os braços.

- Vai ficar bem? — ele a olhou.

- Tentarei. — respondeu sem fita-lo.

Seguiu um novo silencio. Sem que ela esperasse, Mú deitou em seu colo. Ank começou a acariciar o rosto dele, mas sem dizer nada.

- Quando for a Grécia, irá conhecer o Kiki.

- Quem é?

- É o meu pupilo. Tem oito anos e é muito travesso.

- E como ele é?

- Se acha a cor do meu cabelo diferente... seus cabelos são alaranjados.

- Como fogo? — indagou surpresa.

- Sim. Tem olhos azuis e as mesmas pintinhas que eu tenho.

- Ele também é da sua raça? — brincava com os cabelos.

- Sim.

- Grécia... bonito nome.

- Ficará encantada ao conhecer o santuário.

- Acho que não vou conhecer nem o Kiki nem o santuário... — sua voz saiu melancólica. — é uma pena...

Mú sentiu um aperto no coração. A portadora de Tefnut abaixou o rosto.

- Eu te amo Mú. — sussurrou no ouvido dele.

- Também te amo Ank. — ele fitou os olhos roxos cheios d\'água.

Akya estava indo para seu quarto.

- O estrago já foi feito. — falava baixinho.

- Qual estrago?

Olhou imediatamente para o dono da voz. Shura estava encostado numa parede.

- O que está fazendo aqui? — indagou seca.

- Vim lhe perguntar algo.

- O que...

- Por acaso alguma vez sentiu algo por mim? — ele a olhou.

Akya foi pega de surpresa, ficou calada, não sabia o que responder. Shura saiu de onde estava e aproximou-se dela, segurando-lhe os braços.

- Preciso saber antes de ir embora.

- Não... nunca senti nada por você, cavaleiro de Atena. — tentou ser o mais convincente possível.

Shura a soltou decepcionado.

- É o que eu queria saber. Sendo assim, boa sorte na batalha.

- Obrigada...

O espanhol se afastou.

- \"Se soubesse o quanto a sua presença me faz bem...\" — pensou.

Shura deu mais alguns passos e parou.

- Akya...

- Sim?

Ele voltou, tomou-a em seus braços e a beijou. Akya tentava permanecer fria, mas Shura conseguia acabar com qualquer frieza. A verdade é queria o espanhol. Perto dele, sentia-se protegida e amparada. Ele a soltou.

- Cuide-se. — disse saindo.

Hatshe não queria correr o risco de trombar com Miro, por isso depois da reunião foi logo para seu quarto. O escorpião também tinha o mesmo pensamento, não queria vê-la para não cometer uma besteira.

As portadoras tentaram dormir, mas nenhuma conseguiu. Sentiam uma enorme tristeza. Apesar de saberem que era para o bem do seu povo não queriam separar de seus cavaleiros.

Akhenaton de sua varanda fitava a cidade. Quantos sacrifícios ainda teriam que acontecer? Já achava o seu muito difícil de suportar o que diria de suas portadoras? Ao ver seus rostos na hora da reunião, sentiu uma forte tristeza. Com certeza os cavaleiros as fariam felizes. Amaldiçoou a idéia de ter traga-os. Se tivesse escutado Ishitar, se tivesse tomado a decisão como Osíris nada disso estaria acontecendo, mas seu lado mortal e egoísta, a chance de ter Atena perto de si, o cegara completamente.

- Espero que me perdoem um dia. – murmurou.