As Sete Jóias de Uaset

11 Capítulo 11: Menefer: traição, desordem e guerra I


Inicio da luta... ( Tari, Isi, Hatshe e Akya)

- Pensou que esse simples ataque funcionaria em mim, Ísis? — sorriu Isoke.

Ela não respondeu.

- Verá o que é poder. — Isoke elevou seu cosmo e atacou.

Nefertari ergueu seu báculo assim como suas copias criando uma barreira.

- O que...

O ataque de Isoke atingiu-as em cheio, Tari foi ao chão.

Akya tentava levantar, o local onde havia recebido as perfurações sangrava.

- Miserável.

- Acho que esqueci de dizer. — sorriu Sadiki. — injetei veneno em você. Logo sentira dormência nos braços e nas pernas.

- Não será o suficiente para me deter. — sentiu a perna dormente, mas não demonstrou.

- Que tal mais algumas perfurações?

Isi levantou, jamais imaginou que Imotep pudesse usar seu ataque contra ela.

- Enquanto tiver minha barreira você nunca poderá me atingir.

- È o que veremos. — ela elevou seu cosmo. — dança de Hathor.

Novamente o ataque dela passou por Imotep sem atingi-lo. Outra que levantava era Hatshe.

- Por que não se rende e me entrega a balança?

- Nunca!

- Serei então obrigado a usar a força e um detalhe não terei compaixão por ser mulher.

Um poderoso ataque foi em direção a Hatshe. Ela tentou segura-lo, mas em vão.

Na barreira os dourados já estavam de pé impacientes pelo rumo da batalha.

A portadora de Ísis, firmando no báculo levantou.

- Tenho que admitir que é mais forte que imaginei. — sorriu, o que deixou ele e MM intrigado. — Intervenção divina. — o báculo emitiu uma luz amarela.

Sadiki atacou, porem...

- Solaris. — varias estrelas cercaram o corpo de Akya, protegendo-a.

Imotep sorria ao ver Isi ajoelhada.

- Por que insiste Isitnefert? Nunca poderá me atingir.

Ela o olhava.

- \" Enquanto ele tiver essa barreira meus ataques serão inúteis.\" — pensou.

Hatshe levantou com alguns ferimentos.

- Antes de tirar a balança de você, vou brincar um pouco. — deu um sorriso maldoso.

Na barreira Miro já estava de pé impaciente.

- Paralisação. — disse apontando o dedo para ela.

- O que...? — Hatshe não conseguia se mexer.

Kaimah aproximava lentamente dela.

- Primeiro vamos nos livrar dessa armadura.

Ele parou na frente dela, colocou a mão aberta na altura da barriga e elevou seu cosmo.

- Hatshepsut! — gritou Miro.

A portadora de Maet olhava estática para Kaimah, houve um breve silencio, logo foi ouvido o barulho de algo se partindo. A armadura dela trincou e em segundos espedaçou-se. Hatshe caiu de joelhos.

- Que armadura mais frágil... — sorriu. — você é tão frágil quanto ela?

Sem piedade ele lhe deu um soco fazendo-a arrastar.

Limpando um filete de sangue Hatshe levantou, contudo ainda não podia se mexer.

- Vai entregar a balança?

Apenas o fitou. Kaimah caminhou até ela, formando em uma das mãos uma bola de energia.

- Miserável! — Miro dava socos na barreira.

Perto dali a batalha seguia dura para Isi. Pensava em algo para atacar Imotep, mas o grito de Miro chamou sua atenção.

- Hatshe. — olhou para a amiga.

Shaka na barreira ainda permanecia sentado, porem foi levantando aos poucos quando viu que Imotep iria atacar Isi e ela distraída olhava para Hatshe.

- Preste atenção na luta. — Imotep lançou uma bola de energia.

Nesse momento Kaimah atingiu Hatshe em cheio, ela foi jogada longe.

- Hatshe! — gritou Akya.

- Deveria se preocupar com você, logo seu corpo estará paralisado. — sorriu Sadiki e aproveitando deu um soco nela.

- Akya! — Shura ao lado de Miro tentava destruir a barreira que por sua vez tinha sua temperatura diminuindo.

Tari correu os olhos no campo. Akya, Isi e Hatshe estavam caídas.

- \" Preciso fazer alguma coisa.\" — pensou.

- Está pensando em ajudar suas amigas? — indagou Isoke com desdenho.

- Talvez.

Na queda Hatshe havia derrubado a balança.

- Veja o que eu encontrei. — Kaimah a pegou. — será um belo presente para Seth.

- Devolva. — disse ainda caída no chão.

- Devolver? — agachou ao lado dela. — olhos roxos do povo legítimo de Uaset... Seth vai exterminar sua raça e a primeira a cair será você, Hatshepsut.

Kaimah a pegou pelos cabelos e lhe deu uma seqüência de socos.

- Hatshe! — gritou Miro.

Os dourados já sentiam frio por causa de Kamus, pequenos flocos de neves caiam o único que continuava impassível era MM.

- Para arrematar. — o guerreiro do ciúme formou uma bola de energia. — adeus portadora de Maet.

Ele atirou a queima roupa, sendo acertada, Hatshe foi arrastada para as margens do rio. Da cintura para cima ficou submersa.

- Irá morrer afogada. — sorriu.

- Hatshe! — Isi tentou correr até ela, mas foi atingida por Imotep.

Shaka já estava de pé ao lado de Shura e Miro. Hatshe ficou por algum tempo debaixo d’água e a julgar que estava paralisada não conseguiria levantar porem... levantou.

- Cof.. cof.. — tossia cuspindo água.

A roupa era uma mistura de água com sangue, os cabelos estavam bem rentes e tinha alguns hematomas pelo corpo.

- \" Hatshe.\" — o escorpião sorriu aliviado.

- Ora conseguiu se levantar.

Ela respirava ofegante.

- Vou jogá-la no rio assim não terá chance de escapar.

Um poderoso ataque partiu para Hatshe, que mesmo recuperando o controle de seu corpo não conseguia se mexer. Na barreira Miro desesperou.

- Proteção de Ísis!

- O que...? — Kaimah recuou um passo.

Ísis estava parada na frente de Hatshe segurando seu báculo. Ela tinha sido tão rápida que nem Isoke viu quando ela se distanciou.

- Tari? — MM levantou e foi para perto dos amigos.

- Você está bem Hatshe?

- Sim...

- Pelo que vi o incompetente do meu irmão não conseguiu acabar com você.

- Digo o mesmo. — Isoke aproximou.

- E a jóia?

- Ainda não peguei. — disse olhando-o com ódio pelo comentário.

- O que está esperando?

- Um ataque em conjunto.

- Vamos mandá-las para Anúbis.

Na barreira os flocos aumentaram.

- Morram. — gritaram os dois.

- Proteção de Isis.

Os dois ataques se uniram atingindo a barreira de Tari. Um ataque de Isoke ela conseguia parar, mas em conjunto com Kaimah não agüentaria por muito tempo. Acabaram sendo acertadas, Tari caiu de lado e Hatshe no rio.

- Hatshe! — gritou Miro batendo na barreira. MM apenas olhava com ódio para Isoke.

Nessa hora a barreira se rompeu. Akya e Isi olhavam para o rio temerosas, sabiam que Hatshe não sabia nadar.

- Uma se foi. — sorriu Kaimah.

Miro correu até o rio e para todos os lados contundo a água turva dificultava a visão. Ascendeu seu cosmo e aí pode vê-la. Nadando mais rápido segurou a mão dela.

- \"Hatshe.\"

O escorpião se livrou de algumas algas que a mantinha presa e envolvendo-a em seus braços elevou seu cosmo. Na beira do rio todos estavam preocupados. Logo Miro saiu da água trazendo-as nos braços. A deitou no chão e sem hesitar fez respiração boca a boca. (n/a: tive que comentar... eu quero me afogar!!)

Aos poucos ela foi voltando, cuspindo água, estava consciente, mas seu estado era critico.

- Hatshe.. — ele a olhou.

Ela apenas sorriu para depois ficar inconsciente.

Miro a segurou em um dos braços olhando com ódio para Kaimah.

- Salvamento heróico. — sorriu irônico o guerreiro.

- Merecia a Antares, mas vou deixar que sofra primeiro.

Miro apontou o dedo para ele, sua unha cresceu e ficou vermelha.

- Agulha escarlate.

Três feixes de luz vermelha foram em direção ao Kaimah, as agulhas perfuraram o ombro, a coxa esquerda e a canela direita.

Shura parou na frente de Akya.

- Shura? — ela olhou para cima.

Shura a fitou, ela estava ferida.

- Vai se arrepender por cada perfuração. — disse olhando para Sadiki. — Excalibur!

Isi limpava o filete de sangue que escorria pelo canto da boca. Sentiu alguém tocar seu ombro.

- Shaka?

O virginiano de olhos fechados não disse nada apenas passou a frente dela.

- A barreira... — murmurou Isi.

- Saga a destruiu.

- Volte para perto dos outros.

Não disse nada, pegou seu rosário e lançou o \' Tesouro do céu.\'

Tari de pé segurava o báculo. MM aproximou.

- Eu acabo com ele. — disse parando ao lado dela.

- Não preciso de sua ajuda.

- E quem disse que estou ajudando? — a olhou, ela tinha alguns cortes — Só quero me divertir um pouco.

Engoliu seco.

- Mais um cavaleiro de Atena. — disse Isoke.

- O cavaleiro que vai te mandar para o inferno. — levantou o braço. — ondas...

Neste momento Isoke sumiu, assim como Imotep e Sadiki que desapareceram antes de receberem os ataques de Shaka e Shura.

- Gostaria de lutar com você. — disse Kaimah a Miro. — mas tenho que levar esse presentinho a Seth. — sumiu.

- Miserável.

Miro tomou Hatshe nos braços e partiu para perto dos amigos.

Shura voltou o olhar para Akya e ajoelhou na sua frente.

- Você está bem?

- Sim... não precisa ter vindo. — disse.

Shura apenas sorriu, sabia o quanto ela era orgulhosa.

- É um covarde. — disse MM. — fugiu.

Tari segurando seu báculo foi saindo.

- Devia me agradecer. — disse segurando o braço dela.

- Por quê? Não fez nada. — se soltou.

Shaka olhava para onde Imotep estava.

- Você está bem? — indagou sem se virar.

- Estou. — disse saindo.

O virginiano limitou-se a acompanhá-la. No caminho encontraram com Ank nos braços de Mú, Ishitar ao lado de Saga e Tite inconsciente nos braços de Kamus.

- Hatshe...? — Ishitar foi até ela.

- Está só inconsciente. — disse Miro.

- Tite...? — Isi aproximou. — ela... — ficou perplexa pelo estado da amiga.

- Sofremos uma derrota humilhante! — gritou com ódio Akya.

- Vamos embora. — Isi passou a frente.

Ela se sentia uma derrotada, mais duas jóias tinham sido pegas e duas portadoras feridas. Shaka se intrometeu na luta e ainda seu cosmo... Outra que se sentia assim era Nefertari. Não pode fazer nada para ajudar Hatshe. Ishitar julgava-se uma inútil, não conseguira manter a barreira, não impediu que as jóias fossem levadas e duas portadoras estavam feridas.

Mú olhava Ank adormecida, estava acontecendo algo e o culpado era Hawa. Miro culpava-se pelo estado de Hatshe, disse que iria protegê-la, mas não conseguiu. Saga seguia atrás de Ishitar, sabia que se sentia culpada e queria fazer algo por ela. Shaka e Shura limitaram-se a observar suas portadoras. Kamus com Tite nos braços vibrava de ódio. Hadimi pagaria caro pelo o que tinha feito a \'sua Tite.\' MM seguia ao lado de Tari, não demonstrou, mas havia ficado preocupado com ela.

Menefer...

Seth no seu trono sorria satisfeito.

- O cetro de Hórus meu senhor. — disse Hadimi ajoelhado estendendo o objeto até ele.

- A balança de Maet meu senhor. — Kaimah fez o mesmo gesto de Hadimi.

- Muito bem. — o deus pegou os dois objetos. — fizeram um ótimo trabalho. Terão seus nomes gravados na história.

- Obrigado. — agradeceu os dois.

- Quanto a vocês, espero que se espelhem neles e tragam o mais rápido as outras jóias.

- Sim meu senhor. — responderam Akin, Imotep, Sadiki e Isoke em tom respeitoso, mas sentindo um ódio mortal dos outros companheiros.

Seth levantou indo para a sala onde guardava as jóias. Parou em frente ao olho de Hórus e colocou o cetro e a balança em seus respectivos lugares.

- Djed de Osíris, espelho de Tefnut, cetro de Hórus e Balança de Maet. Tudo meu.

O djed ao centro começou a liberar uma luz dourada, logo os outros objetos também começaram a emitir tal luz. O cosmo de Seth reagiu e parecia aumentar a cada segundo.

- Isso. Logo os poderes das sete jóias serão meus e aí sim poderei ter o poder maximo.

Em Uaset...

- Tite! — exclamou Afrodite. — por Zeus!

- Nefertite! — Akhenaton aproximou. — o que houve? — ele olhou para Kamus, mas depois fitou Hatshe nos braços de Miro. — Hatshe, por Ré!

- Hatshe. — Aiolos com Atena aproximaram.

Os dourados ficaram preocupados, pelo estado de Tite, Hatshe, Ank nos braços de Mú também estava ferida. Em condições melhores somente Tari e Ishitar.

- Rápido levem-nas para a ala de cura.

- Sofremos uma grande derrota! — gritou Ishitar que estava calada há algum tempo. — Seth pegou mais duas jóias.

As portadoras abaixaram o rosto.

- Acalme-se Ishitar. — disse o deus. — vá cuidar de seus ferimentos.

- Dane-se! — gritou saindo depois que socara uma pilastra. — dane-se! — Saga a seguiu.

Akhenaton deu um suspiro longo, imaginava o estado de Ishitar e nem a repreendeu, pois no fundo ela tinha razão.

- Vão — disse.

Kamus, Miro e Mú seguiram para ala. Isi deu um longo suspiro e sentou no chão.

- Está tudo bem Isi? — indagou Tari agachando diante dela.

- Está.

Isi fechou os olhos, aos poucos foi tombando para trás.

- Isi! — gritou Tari.

- Não se preocupe. — o virginiano a tinha segurado — ela só está dormindo.

- Deve estar cansada. — disse Akhenaton.

- Vou levá-la.

- Tem um quarto na ala norte. Tite depois vai para o quarto, é melhor cada uma dormir em um.

- Sim.

- Vou ajudá-las. — disse Tari.

- Não Nefertari, precisa descansar. MM, por favor, leve-a até o quarto.

Os dois arregalaram os olhos.

- Eu?! — exclamou MM.

- Sim. — respondeu sem entender.

- Não precisa Akhenaton, vou sozinha.

- MM leve-a. — disse sem entender a gravidade da situação.

Nefertari foi à frente seguida por ele.

- Vou para meu quarto.

- Vá cuidar de seus ferimentos primeiro Akya e é uma ordem. — falou antes que ela retrucasse.

A sala de cura era ampla com vários leitos dispostos paralelamente e separados por biombos.

Miro colocou Hatshe na cama, ela tinha acordado, mas não disse nada. Logo os trabalhos começaram, duas jovens puseram as mãos sobre ela, uma luz dourada saia delas indos para os ferimentos. Hatshe observava Miro discretamente, notou que hora nenhuma ele olhou para as meninas.

- Está sentindo dor? — indagou diante do olhar dela.

- Não...

- Desculpe por não ter feito nada... prometi que iria cuidar de você...

- Não tem porque se culpar. — ela pegou na mão dele.

Ele sorriu.

- Pronto senhorita Hatshepsut, seus ferimentos estão curados.

- Obrigada.

- Vamos preparar seu banho. Com licença.

As duas saíram, Miro deu uma rápida olhada o que não escapou aos olhos de Hatshe.

- Por que não vai atrás delas? — indagou com raiva, olhando para a porta.

- Atrás de que? — fez cara de desentendido.

Hatshe fechou a cara. O escorpião deu um sorriso, esta irritação dela era bom sinal.

- Ficou ciúmes?

- Não diga bobagens. — ela o olhou. — Ciúmes de você? Por qual motivo? Nenhum.

- Pois saiba senhorita. — ele aproximou do ouvido dela. — você é linda, ainda mais...

- Mais o que? — não acreditou nas palavras dele.

- Se me deixar ir tomar banho com você.

Ela arregalou os olhos e se fosse possível estaria roxa de vergonha. Miro riu do constrangimento dela.

- Seu pervertido! — deu um tapa nele.

- Ai.

Ao lado, Ank também tinha despertado e conversa com Mú.

- O que foi isso?

- Miro dizendo alguma besteira.

- Ah...

- Está se sentindo melhor?

- Sim. Estou pronta para outra.

- Dá próxima vez eu mesmo lutarei contra aquele sujeito. — cerrou os punhos o que não era de seu feitio.

- Não lutará nada. Vai ficar aqui. — disse séria.

- Ank...?

- Não quero que encoste nele.

- Ank? — Mú a olhou incrédulo. — por que está defendendo-o?

- Por nada. Vou tomar um banho.

Levantou e saiu. Akya recebia os últimos cuidados quando viu Ank passar apressada. Deu um longo suspiro, parecia que ela tinha percebido que seu cosmo não era mais o mesmo. Não só o dela estava alterado, o de Tite e Isi também estavam.

- \"Ate o meu.\" — pensou.

- Oi.

- Shura? O que faz aqui?

- Vim ver se está bem.

- Estou. Pode ir cavaleiro de Atena. — disse seca.

Shura a olhou entristecido.

- Desculpe pelo incomodo. Já vou.

Saiu. Akya sentiu-se mal por isso.

Shaka seguia o trajeto, Isi dormia profundamente. Chegando ao local indicado Shaka a deitou de forma delicada, pegando uma colcha a cobriu.

- \"Descanse.\" — ele a observou. Poderia ficar assim o dia todo. O cabelo cacheado descia de forma harmoniosa pelo seu rosto. Tirando-o do transe ela se mexeu.

- \"Isi... o que esta havendo? Por que seu cosmo esta menor?\"

Fitou por mais alguns instantes e depois saiu.

Ishitar abriu a porta bruscamente, Saga entrou logo atrás. Olhou ao redor, o quarto dela era muito bonito em tons pastel e vermelho, tinha uma pequena varanda que dava para a cidade.

- O que está fazendo aqui?

- Cuidar de você já que não aceitou ajuda.

- Eu não preciso de ajuda. Saia do meu quarto!

- Não. — disse sorrindo o que a deixou mais irritada.

- Saia daqui!

Ishitar aproximou. Saga a olhou, o cabelo caia bagunçado sobre o rosto, os olhos amarelos brilhavam intensamente, cedendo tocou o rosto dela e o acariciou. Ishitar estática o fitou. Nunca tinha reparado que seus olhos eram verdes e a sobrancelha azul. O cabelo caia displicente conferindo-o um ar sério. O geminiano aproximou-se mais colocando a outra mão no rosto dela. Seus lábios tocaram-se timidamente, Saga pediu passagem e ela permitiu. Sentimentos conflitantes apoderam-se dela. Tinha verdadeiro ódio por aquele homem que insultara seu deus, a desafiava constantemente, mas ao mesmo tempo nutria algum sentimento por ele. A falta de ar os separou. Saga a fitava tão surpreso quanto ela. Pensava que era só admiração que sentia, contudo o beijo dizia que não. Havia mais alguma coisa.

- Quer sair do meu quarto... — disse confusa.

Não houve resposta, o geminiano a tomou nos braços e a beijou novamente. Ishitar deixou-se levar por alguns momentos, mas depois o empurrou.

- Sai do meu quarto.

Sem dizer nada Saga saiu. Na sala de cura, Kamus apenas observava os trabalhos das sacerdotisas, os ferimentos de Tite haviam sido curados, contudo ela não acordara.

- Senhor. — aproximou uma sacerdotisa.

- Sim.

- Terminamos, poderia levá-la até o quarto?

- Como ela está? — sua voz saiu tão fria como de costume.

- Está bem, só precisa descansar. É provável que irá dormir o restante do dia e despertar só amanha.

- Sim.

Kamus foi até a cama, pegando-a em seus braços. Seguindo orientações logo chegou ao quarto dela. Ele a deitou na cama e a cobriu de forma delicada. Puxando uma cadeira sentou perto da cama. Não pensava em nada apenas a observava quando teve sua atenção chamada. Um raio de sol incidia sobre a rosa de gelo que estava sobre um móvel.

- \"Ela guardou?\" — pensou.

O aquariano passou a observar a rosa, era evidente que aquele misero raio de sol não seria suficiente para derreter um centímetro sequer... estranhamente passou por sua mente um pensamento. Ele frio e intransigente era como a rosa e Nefertite era aquele pequeno raio de sol, sempre alegre e calorosa. Pensou no que tinha dito a ela, disse aquilo no intuito de magoá-la porque estava com ciúmes. Queria atenção exclusiva desde o momento em que ela abrira a porta de modo brusco e ao vê-la com os outros começou a entender o significado da palavra solidão. Sempre fora sozinho e fazia de tudo para manter esse status mesmo que magoasse os outros.

- \"Sou um idiota. — suspirou. — sou uma pedra de gelo e nem um raio como ela conseguirá me derreter... porque o rejeitei.\"

Ele levantou e foi ate a rosa. Um pequeno raio de sol batia na parte inferior da caixa e atravessava a rosa. Passou a mão por ela e para seu espanto notou gotas ao redor da área ensolarada.

- \" Não é possível que... mas é gelo eterno, não a como...\" — o aquariano olhou para Tite e pensou por um instante. Aproximou e elevando um pouco a temperatura da mão acariciou seu rosto. Sentou na cama e cedendo tocou seus lábios nos dela. Eram quentes e macios. Levantou e voltou a sentar na cadeira, não queria admitir, mas parecia que estava apaixonado por ela. Fechou os olhos a fim de pensar melhor, mas acabou adormecendo.

Tari contrariada ia à frente, MM atrás seguia silencioso. Realmente a deusa era forte e lutaria de igual para igual com o guerreiro de Seth, contudo mesmo assim não queria que ela enfrentasse um adversário tão forte. Nefertari abriu uma porta e virou para MM.

- Já me trouxe, pode ir.

- Faço serviço completo — fez menção de entrar.

- Não pode entrar aqui.

Nem lhe deu ouvidos foi entrando.

- Quarto bonito.

- Saia!

- Você está bem? — indagou sem olhá-la.

- Como... ?

- Não está machucada gravemente?

- Não... — ficou sem ação.

- Que bom. — virou-se. — mesmo que seja só esses arranhões é melhor se cuidar. — disse pegando na mão dela e ascendendo seu cosmo.

Tari sentiu uma energia quente e reconfortante que durou alguns segundos.

- Pronto. Agora descanse.

- Obrigada.

Eles se olharam, MM aproximou. Tari achou que ele ia beija-lhe, mas limitou apenas a um beijo no rosto. Sem dizer nada saiu. Ela ficou por um tempo fitando a porta. Sabia das leis antigas e de suas conseqüências...

- Nós nunca... — derramou uma lágrima.

MM encostado na porta ouviu.

- “Eu sei que não.” — pensou.

Na verdade ele já sabia o que aconteceria com ela, horas antes tinha ouvido a conversa de Dite com Nefertite sobre os cosmos delas. Manteria o mais afastado possível.

Isoke subia calado as escadas que o levavam até seu quarto, em seu pé, Kaimah que o aborrecia.

- Que calar a boca?

- Está todo nervosinho porque Seth me felicitou?

- Kaimah... não me irrite. — abriu a porta do quarto com violência.

- O todo poderoso Isoke está irritado? Nem percebi.

Isoke num movimento rápido pegou o irmão e o encostou na parede.

- Escuta aqui...eu esqueço que é meu irmão e acabo com você.

- Estou tremendo de medo.

Perdendo a paciência o guerreiro da inveja deu lhe um soco.

- Isso é só o começo. — o soltou.

Kaimah o olhou com ódio. Era sempre assim, se Isoke conseguisse as coisas vinha ridicularizá-lo, mas se era o contrario... tudo era para ele. Limpou o sangue que saia da boca e saiu. Isoke caiu pesadamente na cama. Sempre Kaimah recebia os louros, sempre ele era reconhecido, tudo ele.

- “Você vai ver irmãozinho... pegarei o restante das jóias. Quero ver quem vai cair nas graças de Seth.”

A rivalidade era constante na família de Isoke e Kaimah, desde pequenos foram incitados pelos pais a sempre serem melhor do que outro. Cresceram se odiando.

----------------------------------------------- FLASHBACK--------------------------------------------

- Ande Kaimah, levante. Vai perder para seu irmão?

- Estou cansado pai.

- Não disse? — retrucou uma mulher. — Kaimah é um fraco. Isoke é muito mais forte.

- Não é verdade! — gritou o filho mais novo.

- Ah não? — sorriu com desdenho Isoke. — não consegue nem levantar.

- Você vai ver.

Kaimah partiu para cima dele com ódio, era sempre assim. Isoke sempre era considerado o melhor. Os melhores brinquedos, o melhor quarto, as melhores roupas, tudo era para ele!

Fechando o punho deu um soco bem no rosto do irmão, derrubando-o. Apesar de ser o mais novo Kaimah tinha mais força física que o irmão.

- Muito bem Kaimah. — disse o pai. — parabéns. — e virando para Isoke. — seu tolo! É um fraco apanhando do irmão!

- Pai...

Isoke levantou e partiu para cima do irmão.

- Já chega. — o pai o segurou. — luta encerrada, Kaimah é o vencedor.

O irmão o olhou com sarcasmo e deu lhe um sorriso vitorioso, novamente era o melhor. Sentado no chão jurou que um dia seria mais forte que Kaimah.

Isso aconteceu quando tinham 12 e 9 anos respectivamente. Os anos passaram, Kaimah ficava mais forte fisicamente enquanto Isoke desenvolvia fortes habilidades para a magia. Os pais pararam de incitar um contra o outro achando que não era mais necessário, contudo já era tarde. Os poucos laços fraternos que tinham haviam sido destruídos e eles apenas se toleravam.

Brigas entre os dois era uma rotina e numa delas conheceram Seth.

- Eu vou matar você Kaimah.

- Tente. — sorriu desdenhoso.

- A família Tuni ficará sem um membro.

Isoke elevou seu cosmo, Kaimah recuou um passo, sabia que o irmão ficara mais forte que ele.

- Realmente seria uma luta incrível. — disse uma sombra aparecendo no meio dos dois.

- Quem é você? — indagou Kaimah.

- Alguém que acha a rixa entre irmãos muito interessante.

- Saia daqui!

- Está me expulsando Isoke?

- Como... — murmurou surpreso o próprio.

- Como sabe o nome dele?

- Do mesmo modo que sei o seu Kaimah Tuni.

- Quem é você? — indagou Isoke.

- Sou um justiceiro. Vocês dois tem dons preciosos ofertados por Seth. Desde que nasceram são predestinados a segui-lo e tornar seu guerreiro.

- Guerreiros de Seth?

- Sim. Junte-se a ele e tenham a gloria eterna. Ambos terão o reconhecimento de seus pais e de toda Menefer, pois serão os guerreiros que subjugaram Uaset.

Isoke olhou o estranho, se Kaimah fosse também iria. Nunca deixaria que ele ficasse mais forte e ganhasse as graças dos pais e do deus. Kaimah tinha o pensamento.

- Só aceito se Isoke ir.

- Digo o mesmo.

- Ficarei satisfeito por ter dois guerreiros tão fortes.

O homem retirou o capuz revelando seu rosto. Ficaram surpresos ao verem que se tratava do próprio deus.

- Tenho a lealdade de vocês?

- Sim. — respondeu os dois ajoelhando.

- “Serei o mais poderoso guerreiro de Seth.” — pensou Isoke.

-“ Terei mais poder que meu irmão.” — pensou Kaimah.

------------------------------------------------FIM DO FLASH BACK---------------------------------------------------------

A diferença dos dois foi logo notada, Isoke a cada dia desenvolvia habilidades incríveis e estava se tornando muito mais forte que o irmão, caindo logo nas graças de Seth. Kaimah assistia a tudo resignado, sabendo que um dia teria o poder suficiente para derrotar o irmão. Isoke por sua vez só tinha um objetivo: eliminar o irmão.

Kaimah desceu as escadas bufando, Isoke pagaria pelo soco e muito caro.

- Que olho roxo é esse Kaimah? — sorriu Sadiki. — apanhou de Isoke, ou resolveu virar um Uasetino.

- Fique no seu canto. — ameaçou.

- Vocês dois se amam. — gargalhou Sadiki.

- Idiota! — gritou saindo de perto dele. — \"Ele me paga! Vou mandá-lo para Anúbis.\"

Em Uaset...

Akhenaton estava sentado em seu trono olhando alguns papeis da administração da cidade. Sentia fraco.

- \"Meu cosmo...\"

- As meninas estão bem Ton. — disse Atena aproximando. — já foram tratadas.

- Obrigado.

A deusa notou o abatimento dele e sentou ao seu lado.

- Seu cosmo...

- Sim Atena. Há pouco senti um aumento significativo no cosmo de Seth. Ele já conta com três jóias e o poder das outras..

- Então...

- O cosmo de Nefertite, Ankhesenamon, Hatshepsut, Akya e Isitnefert estão enfraquecendo. Não sei como não pegaram o sistro e a estrela.

- Isso é terrível. E o que pretende fazer?

- O cosmo da Tite e Ank está claro a sua diminuição. Quanto das outras eles oscilam e talvez haja solução. — pela primeira vez olhou para Atena. — não posso ameaçar o futuro de Uaset, se for preciso... terei que levá-la de volta Atena.