As Sete Despedidas

1 Capítulo um: A Seção Reservada


Notas iniciais
Olá, pessoas.
Esta é minha primeira fanfic, então, qualquer erro, peço desculpas desde já ><Todos os capítulos terão alguns versos de alguma música que eu ache que combine com o capítulo (Seja pela melodia, letra, ou qualquer outra coisa), cujo nome eu deixarei nas notas finais.
Bem, boa leitura.

Você age como se não me conhece-se
Meu deus, você tenta minha mente ansiosa

POV Luna Lovegood

A janela aberta permitia que pingos de chuva adentrassem no quarto, molhando tanto o chão quanto a cômoda de madeira velha sem nada de valor encima. Minha mala já pronta repousava ao lado da porta, esperando, assim como eu, por meu pai, que acabara de entrar no banho. Não era próprio dele demorar, ainda mais naquele dia. 1 de setembro, o dia em que voltaria para Hogwarts por mais um ano, mas, desta vez, iniciando o Ensino Médio, sendo assim, deveria me apressar para chegar à estação de terem à tempo.

Hogwarts era um colégio interno – o melhor – da Escócia. Estudei lá desde criança. A educação é maravilhosa, e os professores são incríveis. Ficávamos lá desde o primeiro dia de setembro até o final de junho, tendo a possibilidade de viajarmos para casa no natal – coisa que eu nunca fazia, pois a condição financeira do meu pai não permitia gastarmos tanto com viagens de trem ao longo do ano – além de duas semanas de folga na Páscoa. Para manter a escola mais organizada, devido ao grande número de alunos que a frequentava, éramos divididos em “Casas”: Corvinal, Grifinória, Lufa-lufa e Sonserina. Eu pertencia à Corvinal. Era um lugar legal, apesar de não conversar muito com os demais estudantes. Também pudera: Todos me achavam estranha. Não que eu ligasse para o que todos pensassem, até porque eu tinha minha própria vida para cuidar, e Helena, a mulher que tomava conta de tudo naquela Casa, era uma companhia agradável para mim.

Minha mãe, infelizmente, morreu quando eu ainda era pequena, graças a um experimento que deu errado. Eu e meu pai lamentamos muito até hoje, embora não deixemos transparecer tanto. Ela significava muito para nós, e, sem ela, nossa realidade mudara completamente. Tínhamos apenas um ao outro, e dávamos nosso melhor para continuar seguindo em frente.

Quando papai finalmente bateu a porta do quarto, espantando-se com a chuva que adentrava, dirigiu-se a mim, sentada na cama. Ele sentou-se ao meu lado e segurou a minha mão, olhando no fundo dos meus olhos.

- Vai ficar bem lá? – Inquiriu, preocupado.

- Claro que sim – sorri gentilmente. – Não precisa se preocupar, papai.

- Certo – ele sorriu, e beijou-me a testa. – Vejo você nas próximas férias.

Despedi-me dele com aquele típico sorriso, e arrastei minha mala até o lado de fora, esperando por um taxi. Adentrei no veículo depressa, sem sequer me preocupar em guardar a bagagem no lugar certo. Estava sem tempo. Cheguei na estação dez minutos antes do trem sair, e entrei carregando comigo algumas revistas “O Pasquim”, as quais meu pai editava, e eu, como uma boa filha, sempre oferecia aos outros estudantes durante a viagem. Ofereci a Harry, Rony, Hermione e Neville – alguns amigos da Grifinória – e a Cho, uma das únicas com quem tinha uma pequena comunicação na Corvinal – ela estava com o namorado, Cedrico Diggory, sorrindo como se não tivessem se visto durante o verão todo.

Havia a parte do trem em que costumavam ficar a maior parte dos alunos da Sonserina. Normalmente, não se misturavam com o restante de nós. Não era do meu feito ir até lá, mas o fiz. Talvez pudesse ampliar um pouco o número de leitores do meu pai. Adentrei ali e a primeira pessoa que avistei foi Draco Malfoy, acompanhado de seus dois amigos cujos quais eu nunca consegui diferenciar, mais Pansy Parkinson, uma outra aluna da Sonserina. Não achei que seria uma boa ideia oferecer algo para pessoas como eles, então simplesmente passei reto. Sentado sozinho, bem ao fundo do carro, um rapaz de cabelos negros observava a paisagem do lado de fora passar arrastada pelas janelas do trem.

- Com licença – murmurei, e quase que no mesmo instante, seus olhos se voltaram para mim. – Pasquim?

Ele arqueou a sobrancelha, mas pegou a revista das minhas mãos. Agradeceu com acenando a cabeça e eu sorri, continuando meu caminho até o final do trem.

Sorridente, corri até o dormitório da Corvinal quando cheguei à escola, jogando minha mala sobre a cama e rumando para o Salão Principal. Como sempre, o local estava todo decorado para dar as boas vindas aos alunos. Normalmente, colégios internos carregam a fama de serem rígidos demais, ou até mesmo insuportáveis, mas Hogwarts não era assim. Eu gostava de estar ali, e naquele ano, não seria diferente. Seguindo os rituais comum que sempre se davam no primeiro dia em que chegamos lá, o diretor fez um grande discurso, anunciando os novos professores. Na verdade, o único professor novo que teríamos seria Horácio Slughorn, que substituiria Severo Snape na matéria de química, e este, por sua vez, assumiria seu tão sonhado cargo de filosofia.

O jantar também não demorou muito a ser servido. As mulheres que trabalhavam na cozinha trouxeram as mais variadas comidas para um banquete realmente maravilhoso que inaugurou mais um ano em Hogwarts. Eu estava feliz ali, e ansiosa para escrever ao meu pai, como sempre fazia ao chegar ali. Voltei para o dormitório da minha Casa, e me apressei para por todas as palavras no papel, e, em seguida, coloca-lo na caixa de correio, para que logo fosse levado ao seu destino.

Faziam três semanas que eu estava ali, e as coisas continuavam as mesmas. A maioria das pessoas parecia ignorar completamente a minha existência, mas Harry permanecia sendo meu amigo, apesar de tudo. Naquela tarde de terça-feira, quando o período de aulas já havia chegado ao seu fim, decidi que ficaria desfrutando do silêncio da biblioteca, enquanto todos aproveitavam para confraternizar entre si. Não percebi o tempo passar, e quando me dei conta de que horas já eram, vi que o toque de recolher já passara há tempo, e certamente não demoraria muito até que algum monitor me achasse ali. Suspirei e guardei o livro novamente na prateleira. A bibliotecária certamente não percebera minha presença ali, até porque não teria saído sem me mandar para o dormitório.

Eu poderia muito bem ter ido de volta para o dormitório numa boa, se meus olhos não tivessem tido a infelicidade de cruzar com uma porta cujo letreiro indicava “Seção Reservada”. O que eu tinha a perder? Nunca tivera a oportunidade de visitar aquela sala, pois nunca tive um motivo para retirar um livro de lá, mas, afinal que tipo de livros estavam naquelas prateleiras? Acendi a luz e corri os olhos pelos títulos nas prateleiras. A princípio, não vi nenhum problema naqueles livros, apenas algumas biografias de Hitler e de outros nazistas que causaram caos nos anos 40, dentre outros líderes opressores e personalidades que a direção não deveria julgar como necessárias; receitas de soluções químicas que poderiam causar estrago caso fossem preparadas da maneira errada, e nisso eu dava razão para estarem ali; dentre outros livros que me chamaram menos a atenção. Antes que minha mão pudesse alcançar o livro intitulado Josef Mengele, a voz grave veio de trás de mim, fazendo-me abafar um grito.

- O que está fazendo aqui? – Era o rapaz do trem, o sonserino que aceitou O Pasquim. Ele me encarava com uma sobrancelha arqueada.

- Ah – murmurei. – Acho que Madame Pince não me viu aqui, e não percebi que já passava do toque de recolher.

- Na Seção Reservada?

- Bem – mentir não adiantaria de nada. –, nunca tive a oportunidade de ver o que tinha aqui. Me perguntava se esses livros eram mesmo tão cabulosos ao ponto de necessitarem de uma autorização para serem retirados.

-Olha – ele disse depois de um suspiro. –, eu só não vou pegar no seu pé por isso porque fiz a mesma coisa antes de ser monitor. Agora volte para o seu dormitório antes que arrume problemas.

Sorri e obedeci. Ele me acompanhou até as escadas, em silêncio, e, quando eu subi, ele seguiu seu caminho, com um aceno, despediu-se.

Notas finais
Música: Milo Greene - 1975
Obrigada por ler.