As Sete Despedidas
2 Capítulo dois: Autorização
Notas iniciais
Chegue mais perto, querida
Você não tem que temer
POV Tom Marvolo Riddle
Acordei atrasado, não apenas para o café, mas também para a primeira aula de matemática com o professor Vector. Quanta responsabilidade a minha, hein? Mas tudo bem, poderia facilmente recuperar o conteúdo em uma outra ocasião. Com a maior paciência do mundo, rumei para o banheiro e aproveitei o tempo para tomar banho. Coloquei os cadernos que ocuparia durante o restante do dia na mochila e deixei o dormitório. Cruzei o jardim rumo às salas e esperei em um banco até o segundo sinal tocar, para que pudesse entrar na aula do professor Binns. Pude ouvir os resmungos dele mesmo do lado de fora, mas, mesmo assim, tentei me concentrar na leitura do último livro que havia pego na biblioteca. A Canção da Espada, terceiro livro d’As Crônicas Saxônicas, e um dos meus livros favoritos.
Avery – um dos garotos que tinha algumas aulas comigo e fazia parte do meu “grupo de amigos” – balançou uma das mãos entre o meu rosto e as páginas do livro, fazendo-me desviar a atenção. Ele riu, provavelmente da minha cara de espanto, e sentou-se ao meu lado.
– O que está fazendo aqui? – Inquiriu ele.
– Acordei atrasado. – Suspirei. – Não teve nenhuma prova, teve?
– Ah, não – ele revirou os olhos. – O velho Vector ficou enrolando sobre Sistemas Lineares durante a aula toda, como se fosse algo realmente difícil.
– Você fala como se não fosse sempre assim. Bom, eu vou tratar de ir para a próxima aula, antes que me atrase para ela também – disse enquanto levantava e jogava a mochila nas costas.
– Tem o quê agora?
– História – fiz uma careta e ele riu. – Até mais.
Esperar encostado à porta até que a sala se esvaziasse da turma que estivera ali antes de mim foi, sem dúvida, mais interessante que ouvir aqueles discursos sobre Revoluções e etc. Não que eu não gostasse de história. Longe disso. O problema era que Binns conseguia deixar tudo tão tedioso, que até fazia com que perdêssemos a curiosidade em saber de tudo o que acontecera antes que nascêssemos. Ao meu lado, Mulciber dormia sobre o caderno, com a franja cobrindo-lhe parte dos olhos, enquanto eu anotava o máximo que conseguia, sendo um dos poucos a prestarem atenção ao que o professor dizia.
Quando finalmente o sinal tocou, apressei-me para a aula de química. O professor Slughorn era o melhor da escola, na minha opinião, e me considerava um dos melhores alunos. Sempre que tinha tempo livre, ia até a sala dele e conversávamos sobre diversas coisas.
Naquela aula, as coisas seguiram normalmente. Quando, por fim, acabou, chamou-me para conversar e falou sobre um jantar que daria naquela mesma noite. Iria ser a primeira reunião do Clube do Slugue naquele ano. Era um clube que ele mesmo fundara para seus alunos favoritos, que, normalmente, eram os que se davam melhor nas aulas dele. Como sempre, confirmei que iria, e, em seguida, rumei para o Salão Principal para almoçar.
Como sempre, o toque de recolher fez uma grande aglomeração de alunos congestionarem as escadarias. Percy já tratava de organizar tudo, então rumei para os demais corredores para checar se ainda haviam alunos dispersos. A biblioteca normalmente era um dos últimos lugares em que eu costumava ir, normalmente apenas para trancá-la, mas, depois daquela noite na semana passada, quando encontrei alguém lá, percebi que precisava verificar tudo antes que acabasse trancando alunos lá dentro. A porta de Sessão Reservada estava aberta novamente, o que me fez concluir que havia sim uma pessoa ali, e alguma coisa me dizia que era a mesma da última vez.
Aproximei-me em passos lentos, tentando fazer o mínimo barulho possível. E, como pensei, lá estava ela, sentada em um canto segurando um livro nas mãos. Parem em frente à mesma, mas ela não pareceu perceber a minha presença até que eu tirasse-o das suas mãos.
– Pensando em torturar crianças? – Inquiri, após ler o nome de Josef Mengele na capa.
– Não – murmurou ela.
– Por que outro motivo iria querer ler a biografia desse homem? – Sentei-me no chão, ao lado dela, largando a lanterna sobre o colo.
– Curiosidade – tentou puxar o livro outra vez, mas eu o afastei. – Ei! – Ela tentou parecer séria, mas foi engraçado vê-la esticando-se para pegá-lo das minhas mãos.
– Como monitor – disse eu. –, não posso permitir que pegue os livros dessa sala sem permissão – ri.
– Você mesmo disse que fazia isso antes de ser monitor – ela disse. Estava calma, ao contrário do que a maioria das pessoas faria na situação.
– Certo – murmurei. – Só que se for outra pessoa a te encontrar aqui, você vai ter problemas. Se quer tanto ler isso, peça a um professor para lhe dar uma autorização.
– Eles não iriam fazê-lo.
– Talvez iriam. – Disse eu. – O professor Slughorn costuma dar permissões aos seus alunos favoritos, sabe.
– O professor de química?
– É. Eu posso pedir uma a ele, se você quiser.
– Obrigada – ela sorriu e levantou-se, deixando-me ali, sozinho.
Folheei algumas páginas, o suficiente para me despertar a curiosidade para querer ler aquilo também. Coloquei-o de volta na prateleira e apressei-me para ir até o jantar. Alguns alunos novos faziam parte daquele clube, incluindo Harry Potter e sua amiga Hermione Granger. Para falar a verdade, nunca fui com a cara do garoto. Ele não tinha nada de tão extraordinário para ser tão popular quanto era, mas, mesmo assim, todos adoravam-no. Gina Weasley também havia se juntado ao grupo, e Slughorn parecia estar feliz com aqueles novos integrantes.
O jantar fora tranquilo. Conversamos sobre os estudos, sobre o que nossos pais faziam, com o que trabalhavam, e todas essas coisas que sempre eram tratadas nesses jantares.
– Professor – disse eu, depois que todos já havia saído.
– O que quer, Tom? – Ele sorriu.
– Eu estava na biblioteca, na Sessão Reservada, e vi um livro que me chamou a atenção.
– Qual livro?
– Josef Mengele.
– Oh – murmurou ele. – Este homem era horrível, Tom.
– Eu sei, mas fiquei curioso. – Suspirei, encarando seu semblante sério. – O senhor poderia me dar uma autorização para retirá-lo?
– Claro, Tom – ele disse, por fim, pegando um pedaço de papel e rabiscando algumas palavras.
– Obrigada, professor – disse eu, retirando-me da sala.
Slughorn era, sem dúvida, o melhor professor da escola.
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