As Sete Despedidas

4 Capítulo Quatro: A Biblioteca


Notas iniciais
Olá outra vez. Esse capítulo não ficou muito longo ( E talvez eu tenha atropelado um pouco as coisas), mas não quis enrolar muito (E também não iria adiantar tentar por um monte de coisas sem sentido só pra demorar mais pra chegar na parte principal do capítulo). Enfim, boa leitura.

Vamos, amor frágil, dure pelo menos um ano

Derrame um pouco das suas lágrimas, nós nunca estivemos aqui

POV Tom Marvolo Riddle

Adentrei no dormitório fazendo o mínimo de barulho possível. Tivera a infelicidade de encontrar com Dumbledore no caminho de volta da Torre de Astronomia. Ele não confiava muito em mim, pode-se dizer, mas não fez muitos questionamentos sobre o que eu possivelmente poderia estar fazendo pelos corredores àquela hora da noite. Quando joguei meu casaco sobre a cama, aquele maldito zíper chocou-se contra o metal da cabeceira, produzindo um ruído alto o suficiente para acordar Avery, que não devia ter um sono tão pesado quanto todos imaginavam.

– O que...? – A voz sonolenta não completou a frase. – Ah – murmurou ele, jogando-se sobre o travesseiro. – Acordado ainda?

– Insônia – murmurei, tentando não acordar mais ninguém. – Aproveite o sono, Avery.

Ele suspirou e puxou as cobertas para cima de si. Troquei as calças sociais do uniforme pelas do velho pijama guardado na gaveta do criado mudo e deitei-me sobre os lençóis gelados.

Luna era uma pessoa curiosa, ao menos para mim. Tinha certeza de que poderia confiar na loira, e gostava dela. Uma parte de mim dizia que talvez tivesse me precipitado um pouco, mas a outra dizia que não. Ela não parecia do tipo que me julgaria ao me conhecer de verdade. Precisava me aproximar dela. Tornar-me seu amigo. Estava farto de todos ao redor tratando-me como se fosse o centro do mundo – o que, para falar a verdade, não era algo realmente ruim, só precisava de uma folga daquilo tudo. A convidaria para viajar comigo no natal, e a levaria para qualquer propriedade rural abandonada, onde pudéssemos ter um pouco de descanso. Estava decidido.

Acompanhado de um Mulciber calado e um Avery ansioso pelo primeiro jogo da temporada, adentrei no salão principal com os olhos ainda pesados. Verifiquei toda a mesa da Corvinal antes de dirigir-me à da Sonserina, onde os jogadores, já com seus uniformes, tomavam café da manhã animados. Não consegui avistar as mechas esbranquiçadas em lugar nenhum. Estranhei. Normalmente, ela estaria ali, lendo a edição mais recente d’O Pasquim, mas naquela manhã, não estava.

Tudo começou a ser mais incomum quando não a vi saltitando pelos corredores na direção à alguma sala de aula. Parei por um segundo. Onde ela poderia estar? Mulciber puxava as minhas vestes na direção da sala do professor Snape. Foi no momento em que encarei as prateleiras cheias de livros grossos e empoeirados e soube exatamente onde ela estava.

– Eu tenho que fazer uma coisa – disse eu.

Sequer esperei por uma resposta e rumei pelo corredor até a biblioteca. Estava mais silenciosa do que o normal, até porque todos os alunos que geralmente se encontravam ali par cochichar sobre coisas aleatórias estavam em aula. Exceto por uma pessoa. Uma única pessoa sentava de costas para a porta, fazendo desenhos invisíveis do ar com as mãos. Aproximei-me sem me importar com os pedidos de silêncio da Madame Pince sobre o barulho dos meus sapatos batendo no chão.

– Luna – murmurei. Ela virou-se para mim e sorriu.

– Olá – disse ela.

– Porque não está na aula? – Inquiri

– Alguém escondeu meus pertences de novo – a naturalidade com que ela dizia as palavras sempre me surpreendia. – Não poderia aparecer na sala de mãos vazias. Sorte que eu havia guardado bem aquele livro.

– Por que pegaram suas coisas, Luna? – Inquiri, sentando-me ao lado dela.

– Eles sempre fazem isso. Mas tudo bem. Cedo ou tarde as coisas que perdemos voltam para nós. Eu acho que deveria ter trazido o livro comigo. Nenhum desses parece legal. Mas acho que Madame Pince iria estranhar.

– Iria mesmo – suspirei. – Por que sempre fica sozinha aqui?

– Não estou sempre sozinha – disse ela.

– Não pode mais se esconder na biblioteca, senhorita Luna – murmurei, encarando-a sério. Ela ia abrindo a boca para dizer alguma coisa, mas me antecipei. – Eu já encontrei você.

Ela me encarava. Os olhos azuis arregalados mais que o normal e os lábios entreabertos. Ela parecia surpresa, quase que assustada. No momento seguinte, pensei que talvez tivesse sido melhor guardar aquilo para mim, mas agora não havia nada que pudesse fazer. Ela levantou-se, e murmurou um “Com licença” antes de sair correndo pela porta. Levantei-me depois de alguns segundos e corri atrás dela. O barulho do sapato batendo no chão que indicavam o caminho que ela percorria parou de repente, em seguida, contemplei a cena de Harry Potter segurando seus braços e em seguida a abraçando. Dei as costas e segui outra vez para a biblioteca. Maldito Potter.

Mas, afinal de contas, por que ela havia corrido? Com certeza eu havia falado de mais. Mas não era mentira. Eu a achara, e agora não queria perde-la. Iria fazer qualquer coisa para mantê-la por perto. Qualquer coisa.

Notas finais
A música da citação se chama Skinny Love, e, neste capítulo - caso você queira ouvir -, creio que o cover da Birdy se encaixa melhor. Até o próximo capítulo.