Notas iniciais
Vamos descer....

Os 4 não perdiam tempo, já faziam os preparativos no topo do templo mesmo com o calor forte. Era um espaço bem grande até para falar a verdade, a subida no escadão fora cansativa mas valeu a pena quando se depararam com a vista ampla na floresta. Haviam pequenos muros de pedra nas bordas, que serviam como uma espécie de pára-peito, mesmo cobertos pela trepadeira não pareciam tão úteis, dado que sua altura era mais ou menos nos joelhos, os arbustos em si cobrindo os pequenos muros é quem davam a impressão deles serem mais altos. O Chão era areoso e quando um vento forte batia, levantava um pouco de daquela terra clara sem cor. No centro, havia um buraco. Um tipo de poço que dava acesso ao interior do templo. Como um poço artesiano, haviam duas pilastras de madeira paralelas, uma em cada lado do buraco de forma quadrada, e uma terceira sobre as duas onde no caso se colocava uma corda para descer. Era claro que aquilo era antigo e provavelmente feito pelo povo maia, parecia que um dia já ouve um telhadinho em cima do poço, mas hoje só restavam as pilastras grossas e bem firmes. Aquele era o único acesso caso quisessem explorar o interior da coisa. E sua profundidade? Desconhecida, dado ao fato de que não era possível ver o fundo, mesmo naquele dia claro de sol. Mas nem tudo ali parecia tão velho, uma lâmpada coberta por um metal em forma de cilindro, como um disco achatado ou um abajur gigante estava no topo da pilastra, parecia algo colocado ali recentemente, provavelmente pela turma dos colegas de Meredith que visitaram as ruínas semanas atrás. Havia uma manivela pequena abaixo da lâmpada, onde bastava girar para gerar energia. Atrás do poço bem no canto há alguns metros de distância, próximo ao pequeno muro na borda, estava um rolo de madeira enorme com uma manivela pesada acoplada. Parecia algo saído de um desenho animado, daquelas bem grandes onde se deve esticar o corpo para girar. Stephen estava curvado ao lado da manivela puxando de dentro da mochila, uma enorme corda. Toda enrolada, ela era bem espessa como um cipó e até um pouco pesada. Tornou a ficar ereto soltando-a:

—Meredith... Você trouxe o suporte para a corda, certo?
—Claro! Não sou idiota. -Ela respondeu ao fundo. -Mas nem vamos precisar.
—Ué, por quê?
—Olha ali, já tem.
—Onde?

Ela apontou para o centro na direção do poço, levantando o dedo um pouco para cima. Stephen acompanhou o movimento com o olhar vendo algo curioso. Um suporte para corda estava acoplado no topo da pilastra. Parecia também relativamente novo, pelo menos as coisas seriam mais fáceis. Era só passar a corda por ali e Voilá!

—Ah.. beleza então. -Respondeu ele dando as costas a ela, ficando de frente a grande manivela esticando a corda desenrolando-a. Estava pronto para passá-la em volta do rolo de madeira.

Meredith na outra ponta se virava, mirando seu olhar na ponta da esquerda daquele topo, onde Abigail e Raven terminavam de montar a barraca.

—Prontinho amiga. -Abigail deu um passo atrás admirando a barraca amarela finalmente montada.
—Ufa!.. -Raven se virou para ela levantando as duas mãos frente ao rosto indicando um "Toca aqui", Abigail entendeu o sinal batendo nas mãos nas dela.
—Serviço completo. Agora só faltava uma piscina pra esse lugar ficar perfeito.

Raven deu risadas.

—Palhaça. Meredith! -Chamou ela.
—Oi. -A Loira respondeu.
—Vem cá, vamos nos trocar não aguento mais ficar de jeans.
—Bora. -A Loira de cachinhos se aproximava enquanto as duas se enfiavam dentro da barraca.

Stephen, virando o pescoço para a sua direita avistando a barraca pronta, via Meredith entrando na mesma se curvando devido ao fato de a barraca não ser muito alta.

—Hey! -Chamou ele, ela virou o rosto a ele questionando seu chamado. -O que vocês vão fazer?
—A Gente vai se trocar.

Ele sorriu maliciosamente, Meredith lhe lançou um olhar cínico:

—Fique bem aí garoto! Nem se atreva.

Stephen fez bico fingindo tristeza diante da situação de não poder observá-las durante a troca de roupa. Riu de lado tornando a abaixar a cabeça se preparando para arrumar a corda.
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O Zíper da barraca se abria, Meredith emergiu ajeitando o chapéu beje na cabeça. Vestia uma calça clara e leve bem velha, pronta para sujá-la de todas as maneiras possíveis, uma regata branca e botas de cano alto. Stephen, sentado próximo ao poço levantou o olhar assobiando:

—Hum.. olha só. Tá bonita.

Meredith fez uma cara debochada de "Até parece":

—Pára.. eu estou ridícula. Mas pelo menos está confortável.
—Eu não estou reclamando.
—Você tá sentado aí debaixo desse sol sem chapéu menino? Seu pescoço vai ficar todo queimado, vai pegar seu chapéu.
—Ah fala sério. Aquilo sim é ridículo. Vou ficar parecendo o Harrison Ford.
—Besta, vai logo.
—Se você insiste... -Disse ele apoiando as mãos no chão para se levantar. Em seguida estapeou a roupa tirando a areia que grudou na palma suada de suas mãos.

Raven saiu da barraca inclinando o pescoço para trás, tomando sua água.

—Ah.. que alívio.. bem melhor.. -A menina usava roupas idênticas à Meredith. Stephen notou levantando as sobrancelhas:
—O que é isso? Gêmeas?
—A gente comprou tudo na mesma loja. -Meredith respondeu.

Abigail saía da barraca segurando uma lamparina em cada mão:

—Meredith... duas? -Disse ela levantando as mãos mostrando as lamparinas.
—Sim, Raven vai descer comigo?
—Não. -Respondeu a menina de trancinha. -Eu vou dar comida pro passarinho e descansar um pouco. Abigail, vai descer com ela?
—Ah, eu não queria descer agora...

Meredith notou o olhar no rosto da morena:

—Ué... não vai me dizer que você está com medo, Abigail?
—Um pouco. -Ela sorriu.
—Ah não acredito!
—É sério, você já olhou nesse buraco? Parece sem fundo, tudo escuro que medo.
—É pra isso que temos as lamparinas. -Meredith deu passos à frente estudando com os olhos o trabalho feito por Steve. A Corda estava passada certinha pelo suporte, tendo sua ponta no chão próximo a beira do buraco. Viu também a manivela lá no canto, com toda aquela corda enrolada no pedaço de madeira circular como um tora. Era praticamente um carretel gigante e pesado aquilo. -Gente, me sinto nos Flintstons... É, parabéns bebê. Parece tudo certinho.
—Obrigado. -Ele deu uma piscada para ela. -Lembrando, que essa expedição é ordem sua, então se você cair e morrer, eu não estava aqui.

Ela fingiu dar um soco no ombro do rapaz rindo:

—Otário.

Raven se sentava no chão próximo ao escadão, ficando de frente a gaiola com o passarinho. Abigail caminhava em direção ao poço com as lamparinas, se abaixando deixando-as uma ao lado da outra no chão, já de jeito para alguém pegar e descer, retornando seu caminho indo a onde Raven estava sentada, aproveitou para avaliar mais uma vez a paisagem enquanto dizia de costas para os outros:

—Gente, realmente os mosquitos sumiram.
—É, eu também não vi mais nenhum. -Raven passava o dedo pelas grades da gaiola. -Vem cá bichinho... vem cá...
—Cadê minhas coisas? -Perguntou Stephen dando falta das mochilas.
—Está tudo na barraca baby. -Meredith respondeu. -Eu não queria deixar tudo de qualquer jeito no meio do caminho.
—Ah tá. E a Amber, onde ela vai dormir? Essa barraca só dá pra 4.
—Ela está trazendo a dela.
—Falando no diabo! -Abigail berrou parada perante ao escadão olhando para baixo.

Lá na clareira, Amber acenava caminhando lentamente balançando os braços gritando:

—Fala, Vadias!!!
—Olha quem fala!! -Abigail gritou de volta, observando os dois homens que vinham com ela se aproximando dos degraus altos de pedra. -Gente, vocês acreditam que ela trouxe dois caras? Que piranha hahaha....
—Não me surpreende. -Raven ria ainda sentada.
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—Ai, amiga minha ressaca já passou ainda bem! -Dizia Amber abraçando Meredith.
—É, quase achei que você não ia vir. Quem são os mocinhos?
—Ah... -Disse ela puxando um loiro de olhos claros pelo braço. -Esse é Henrich. Ele é da Alemanha.
—Prazer. -Disse o rapaz, com um sotaque evidente.
—O Prazer é meu.
—E esse é Alexandre. Mas chama de Alex.
—Oi Alex... -Meredith sorria para o rapaz, bronzeado e forte, que lhe estendeu a mão lançando um sorriso irresistível.
—Alex é Grego.
—Grego? Hum... Legal... -Ela sorria maliciosamente. Stephen ao fundo, perto da manivela notou o sorriso e a simpatia que Meredith esboçou ao cumprimentar os rapazes. Não queria admitir mas até sentiu um pouco de ciúmes. Ela nunca o olhou com tanto interesse assim, ou pelo menos ele achava que não.
—Hola. -Disse o Alemão acenando para Stephen, numa tentativa horrível de falar Espanhol.

Stephen acenou de volta mostrando um sorriso falso, falando consigo mesmo entre os dentes:

—Pronto... agora só falta achar que sou um mordomo Mexicano... Alemão metido de merda.

O Grego, se virou indo conhecer Raven e Abigail, que o receberam radiantes se entre olhando pensando a mesma coisa "Que bronzeado é esse meu Deus". Não que elas achavam sexy, pelo contrário. Era tão exagerado que chegava a ser risível. O moço parecia pintado de dourado e marrom, chegando nelas confiante se achando provavelmente um Deus do amor pronto para lançar seu charme, enquanto as duas se cutucavam querendo rir fingindo admirá-lo para não causar constrangimento.

—Hello, meninas...
—Oi... -Elas respondiam sem graça diante daquele sotaque. Pelo menos o inglês dele era melhor que o do Alemão.

Meredith puxava Amber de canto, a menina de cabelos pretos longos que chegavam quase até cintura tinha um sorriso radiante. E uma leveza de caráter que a tornavam uma companhia leve. Mas como nenhum ser humano é perfeito, Amber mantinha a fama de ser muito soltinha. Não dispensando atenção de homens bonitos:

—Hey... onde você arranjou esses dois?
—Bem... -A Menina respondeu sorridente com cara de criança que apronta. -O Henrich venceu uma rodada de virar tequila contra o irmão dele, Matthias. Os dois são uma coisa de louco amiga... hum... gatíssimos. Prometi que o vencedor ganharia um prêmio.
—Que prêmio?

Amber respondeu apontando o dedo a si mesma.

—Não acredito...
—Pois é.
—E o Grego?
—Ah ele é amigo Henrich, colega, sei lá.
—Você trouxe um desconhecido?
—Calma. Ele é bacana. A gente dormiu junto e ele é de boa.

Meredith ficou perplexa:

—Dormiu junto? Achei que você estava só com o Alemão.
—Não, não foi dormir nesse sentido. Foi dormir mesmo, de roncar. Ele tava super bêbado e não conseguia achar o quarto dele no Hotel, aí eu e o Henrich deixamos ele dormir lá com a gente. No chão é claro. Eu e Henrich estávamos...
—Tá... já sei. Poupe-me dos detalhes. -Meredith a interrompeu. -Mas que bom que você já veio arrumada! -Ela disse olhando para o chapéu idêntico ao seu na cabeça da amiga, junto com as botas iguais.
—Acha que eu ira comprar essa roupa cafona de Indiana Jones e não ia usar?
—Ai ai, quer descer comigo? A Abigail está com medo.
—Eita, só se for agora!
—Ok. -Meredith se virou avistando Stephen com pose desanimada. -Stephen!
—O quê?
—Vem cá me ajudar a enrolar a corda na cintura! A Amber vai descer comigo!
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As mãos de Stephen faziam um nó bem dado, deixando o círculo parecido com uma forca que ele deixara largo o bastante para passar a cintura de Meredith, bem espaçoso. Com um último puxão atando o nó, ele anunciou:

—Prontinho. -Deu um sorriso meio sem graça estendendo o braço entregando a corda para a Loirinha.
—Obrigada. -Disse ela pegando-a, totalmente concentrada na tarefa sem nem ao menos perceber o olhar inseguro que Stephen carregava. Já se virava dando de frente com Abigail lhe estendendo a lamparina já acesa. -Obrigada amiga, já pego. -Levantou a mão fazendo um sinal de "Espere". Abigail concordou com a cabeça dando um passo para trás.
—Toma cuidado, por favor. -A Morena passou a mão em seu ombro.
—Fica tranquila. Eu sou terrível. Gente ruim não morre.

Todos se aglomeraram em volta do poço, Alex, o Grego, se apoiava na pilastra observando tudo calado. Henrich mantinha o braço por cima do ombro de Amber que, com o dedo na boca, prestava atenção na amiga que levantou uma perna, passando-a por dentro da corda, e em seguida fazia o mesmo com a outra perna. Puxando a corda para cima deixando-a logo abaixo nas nádegas, Meredith, pronta, deu a ordem:

—Ok, Stephen eu sei que você é forte mas me sentiria mais segura com mais alguém te ajudando a rodar a manivela.
—Sem problemas. -Ele concordou.
—Eu.. eu "ajuda". -Disse Henrich, o Alemão com a boca bem articulada, devido ao seu inglês terrível.

Stephen fez um sinal de "Ok" levantando o polegar sorrindo para o mocinho, chamando-o com gestos para que lhe seguisse, dando as costas ao grupo. Henrich se desgrudou de Amber seguindo o rapaz contornando o buraco.

Os dois pararam diante à manivela, Stephen fez sinal. O Alemão pousou as duas mãos firmemente em uma, e Stephen fez o mesmo na outra. Cada um de um lado iria girar a coisa como dois operários de um vagão de mina. Era até divertido. Stephen, já com a nuca cozinhando embaixo daquele sol por ter rejeitado a ideia do chapéu, suspirou girando a manivela para trás, deixando que a corda se esticasse ao máximo para erguer Meredith. A Manivela era mais pesada de girar do que parecia, e isso porque a garota ainda nem se levantara do chão. A Corda se balançou esticando-se quase que completamente quando a garota avisou:

—Está bom, meninos!

Eles pararam. A Loirinha então, se segurou com uma mão na corda, se certificando de que estava firme. Confirmado. Fez pose de quem iria se sentar, ficando de fato sentada na corda em volta de si. Acabou sendo involuntariamente lançada para frente como se pegasse impulso num balanço, como um pêndulo, ela se balançava tendo o buraco bem abaixo de si, dando um gritinho:

—Ah!... Ah.... gente... é dá um medinho mesmo. -Ela ria tentando esconder a tensão. Stephen e Henrich mantinham as mãos firmes, não bobeando, sustentando a garota suspensa em cima do poço. O Vento a fazia balançar de leve. Stephen notou que a garota não era tão pesada quanto parecia. Ou seria o Alemão demonstrando mais força do que ele ao aguentar o peso? Meredith olhou para baixo, encarando embaixo de seus pés cujo chão já não mais existia debaixo, a escuridão infinita. Ela se preparava para ser engolida pelas trevas esticando um dos braços trêmulos para pegar a lamparina da mão de Abigail, que se prontificou na hora entregando o objeto para a amiga.

—Obrigada. Pode descer meninos!

Num movimento pouco coordenado, Stephen moveu a manivela para frente um pouco rápido demais, fazendo com que Meredith desse uma leve despencada de uns 20 centímetros, dando um alto grito de susto, travando num tranco violento tendo sua queda freada pelos braços fortes de Henrich que no mesmo momento travou a manivela.

—Ah!!!! -A Loirinha gritou arregalando os olhos. Todos os outros berraram juntos. Abigail foi quem dera o berro de susto mais alto, com o coração aos saltos, ela encarava temerosa a amiga pendurada também assustada. Já podia ver em sua mente Meredith despencando de uma vez naquele buraco. A Morena suou, e não foi de calor.

—Calma gente.... Tá.. tá tudo bem.. Devagar!

A pilastra rangeu. Todos, atentos, levaram seus olhos para cima temendo que aquela madeira estúpida não aguentasse Meredith. Mas era grossa o bastante, e estava bem colocada. Pelo menos assim parecia. A Manivela era girada de modo vagaroso pelos dois rapazes. Meredith se ajeitava novamente na corda, levantando a lamparina na altura do rosto descendo devagar pelo poço, vendo seus amigos ficando para cima.

—Gente, quase morri agora... -Amber dizia pousando a mão no peito, dando um sorriso aliviado.
—Esquenta não Amber! Vazo ruim não quebra! -Meredith gritou enquanto desaparecia na escuridão.

Enquanto descia, ela notava que as paredes do interior do buraco, eram cobertas por aquelas plantas. Tinham cada uma em torno de quatro ou cinco folhas grandes e pontudas. Lembravam muito uma videira, o verde forte que as vezes parecia mais claro, ou mais escuro, era tudo que ela via em sua descida que parecia infinita. Ainda mais com os galhos de cor verde bem finos, que se entrelaçavam uns nos outros, parecendo até que eram as "Veias" do lugar. Um vento leve e gelado emergia de baixo para cima. Ali, conforme descia percebia que era bem mais fresco do que lá em cima. Já se sentia quase que completamente refrescada, com aquele friozinho gostoso que logo secaria o suor de seu corpo. Sua pele já estava até ficando oleosa lá em cima, parecia banhada em azeite por conta do calor.

Stephen suava feito louco. Gotas enormes de suor caiam de sua testa. A Camisa ficava encharcada bem rápido, principalmente embaixo das axilas, mas ele não parava. Seu esforço era até pessoal, não aceitava que Henrich fosse ser uma figura mais ativa ou útil do que ele. A Voz de Amber, que por sua vez estava inclinada tentando ver a amiga descer gritou:

—Já está vendo o fundo?!
—Não! -Meredith berrou lhe respondendo.

Conforme descia, girava lenta e involuntariamente, dando voltas de 360º se vendo cercada pela trepadeira que cobria os blocos de pedra da construção. Quantos metros já havia descido? 15? 20? Mantinha os olhos para baixo, tentando ver se de fato tinha algum solo, usando a lamparina. Até que, finalmente avistou.

—Ufa... -Disse a si mesma aliviada. Notou que as paredes acabaram. Agora havia apenas uma profunda escuridão. Estava numa câmara, isso era certeza. Ainda sim estava um pouco alto. Faltavam uns 10 metros até o chão. Mais um pouco... mais um pouco.... Sacudia os pés esperando que eles tocassem o chão. Pronto.

—Finalmente.

A Corda continuava a descer, Meredith a sacudiu levemente, olhando para cima:

—Pronto!! Já cheguei no fundo do poço!

A Corda parou de descer.

—Espera! -Disse ela pousando a lamparina no chão, descendo a corda pelas pernas tirando-as de dentro do círculo.

—Pode subir!!!


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—Pronto gente!! -Amber gritou ao avisar que chegara ao fundo. Ainda meio desajeitada, saía de dentro da corda levantando as pernas rapidamente como se quisesse se livrar logo.

A Menina de cabelos pretos levantava sua lamparina vendo a corda subir. À sua frente, havia o breu total, com o leve vento refrescante que acariciava seu rosto:

—Ai que fresquinho.. Amiga, cadê você? -Amber girou procurando Meredith.
—Aqui. -A Voz dela respondeu.

Amber a viu então, parada de costas a ela, contemplando uma parede tendo a sua lamparina sido colocada sobre o que parecia ser uma grande mesa de pedra. A menina então, se aproximou:

—Que fundo não é?
—Aham... -Meredith respondia em tom leve. Parecia em transe como sempre. Quando estava concentrada demais ou maravilhada demais, nem percebia o mundo ao seu redor. Ela fitava uma parede de pedra enorme, com um desenho gigantesco de um sol talhado nos blocos de concreto. Era provavelmente a única parede não coberta pelas tais "Videiras".
—Nossa... -Amber se aproximava admirada. -Que lindo.
—Aham...
—Você sabe o que é ou o que significa?
—É um sol. Ou pelo menos é o que parece. Mas se significa alguma coisa? Não sei Não...
—Achei que soubesse.
—Ainda sou muito leiga em mitologia Maia. Mas caramba.. -A loira passava os dedos nos contornos dos desenhos. -É perfeito. Isso é de uma precisão incrível. Tem gente que nem com um compasso e régua consegue fazer formas geométricas e círculos tão perfeitos.
—Eu fico abismada com tudo isso, de verdade. É um povo muito... curioso. Você já olhou lá trás?
—Só de relance. Parece que só tem mato.
—Tá, eu vou ver se acho mais alguns escritos interessantes ou algo legal pra você desenhar depois no caderno.
—Ok...

Amber deu as costas para a amiga, resolvendo observar o que podia do local. Pode ver que a câmara era muito ampla. E o fato de a descida ter sido bem funda, podia significar que a profundidade em que estavam era ainda mais profunda que o próprio chão de terra morta em volta do templo lá fora. O Teto, as paredes à sua volta, eram todas cobertas pela trepadeira. Deu um... dois... três... quatro passos à frente tentando ver o que tinha na sua frente naquela imensidão escura. Esticou o braço direito para levar a luz da lamparina um pouco mais à frente, podendo então ver algo. Era uma passagem, um tipo de descida não muito íngreme por sinal. Daria para caminhar calmamente. O Chão, coberto pelas plantas, não era tão visível. Era como se um espesso carpete verde o cobrisse. Não via, ou ao menos não conseguia ver nenhum tipo de destino. Aquilo parecia continuar eternamente. Esticava o pescoço para os lados, tentando identificar se havia outras passagens, mas nada. Nem à esquerda nem à direita. Apenas a natureza que consumia o local. Sentia uma brisa gelada emanando daquele fundo de escuridão, e Amber sendo uma garota de detesta frio, sempre foi a "Maria da praia", tremeu os ombros por causa dos calafrios provocados pelo vento.

Quando estava prestes a abaixar a lamparina, ouviu um estalo, um som do tipo "Tack!" como um galho que se partia. Recobrou seu olhar à frente imediatamente, dando mais um passo em direção a escuridão tomada pela curiosidade. Porém, ao fazer isso, travou. Ficou parada agora com receio de que uma ratazana enorme ou algum tipo de morcego surgisse diante do seu rosto, ou se um bicho subisse pela sua perna. Ainda sim, lambeu os lábios. Não poderia segurar curiosidade, as pequenas partes das paredes que não estavam cobertas por plantas mostravam outros desenhos, talvez até mais interessantes do qual ela poderia tentar bater uma foto linda, da qual guardaria para sempre. Amber então, decidiu seguir em frente, quando não percebendo o degrau alto à sua frente, deu um passo em falso torcendo o tornozelo, num grito agudo de susto:

—Ai!!

Num baque e tanto, a menina despencou de lado com o pé entortado, batendo com o ombro esquerdo contra o chão, deixando cair a lamparina que se espatifou. Meredith se virou na hora pegando a sua própria lamparina de cima daquela enorme mesa de pedra arregalando os olhos assustada não vendo Amber:

—Amiga?!!
—Ai.... -Os gemidos de dor da menina ecoaram.
—Cadê você? -Meredith caminhava na direção da voz da garota procurando-a com os olhos.
—Aqui... -Disse ela baixinho levantando um braço, cujo foi iluminado por Meredith.
—Graças à deus... Achei que tivesse caído num buraco ou coisa assim, você está bem? -A loirinha se agachou diante da amiga estendida naquele degrau enorme.
—Estou.. ai... levei um tombo. Não conta pra ninguém senão te mato.
—Pode deixar.. -Ela sorriu. -Vem, eu te ajudo a levantar.
—Desculpa pela lamparina.
—Relaxa, eu tenho outra, me dá sua mão.

Amber levantou o braço direito novamente, o esquerdo estava embaixo de si, dolorido pela queda. A amiga lhe deu um puxão, fazendo com que ela ficasse sentada.

—Ai, calma amiga. -Amber soltou sua mão de Meredith. -Pode deixar, eu levanto.

Ela se apoiou, sentindo a planta entre seus dedos, fazendo força para levantar quando sentiu numa fisgada de dor terrível a palma de sua mão esquerda, como uma espetada:

—Ahhh!!!! -Ela berrou de dor recolhendo a mão as pressas sacudindo-a de modo frenético.
—O que foi??!!
—Eu sem querer coloquei a mão em cima de algum galho, -Ela ainda sacudia a mão. -Acho que ele me furou.
—Deixa eu ver!

Amber se levantou num pulo espremendo o rosto de dor sentindo uma ardência escruciante na palma da mão.

—Ai ai ai...
—Calma... -Meredith abriu a mão da amiga, vendo que no começo da palma de sua mão, próximo ao pulso, uma vermelhidão se instalou. Um pouquinho de sangue escorrera em gotinhas descendo pelo pulso da garota. -Não foi muito grande, fica calma. Foi só um machucadinho.
—Machucadinho o caralho, eu me furei! Tá ardendo pra cacete essa merda! Ai... ai... -Ela mostrava os dentes puxando saliva.
—Vesh... vamos subir e jogar um alcool nisso, sei lá, qualquer coisa para não infeccionar.
—Por favor.
—Venha.. -A loira pousou seu braço no ombro da amiga, que segurava a própria mão aberta olhando a ferida ardida já com uma leve protuberância. As duas seguiam em frente devagar quando um som de rastejar se deu. Um farfalhar estranho vinha da escuridão. As duas se viraram repentinamente levando um pequeno sustinho. Meredith já levantava a lamparina esticando o pescoço:

—Aqui tem morcegos?...
—Eu não sei... -Amber ainda com cara de dor, se colocava atrás da amiga olhando por cima dos ombros dela. -O que você acha que é?... -Sussurrou Amber.
—Eu não sei..

Elas ouviam apenas suas respirações. O ar entrando por seus narizes e saindo por suas bocas era absurdamente alto. Amber, porém, parecia ainda mais ofegante paralisada fitando aquela passagem tenebrosa quieta. Meredith engoliu seco querendo ver se algum bicho estava por ali, quando um novo som de farfalhar, desta vez mais longo, rastejante e mais baixo fora ouvido. Desta vez, parecia que algo se arrastara por debaixo das folhas que cobriam o chão, que por um segundo pareceram se mover sorrateiramente. Mas fora tão rápido e tão sutil, que se alguém piscasse, perderia.

—Você viu aquilo?! -Amber sussurrou ainda mais ofegante.
—Vi... desse ser um rato selvagem... vamos voltar lá pra cima...
—Só se for agora...

O Silêncio tomou conta de novo. Nada se ouvia. Nada se movia. As duas davam as costas para a passagem retornando lentamente para debaixo do buraco. Amber, que estava sentindo uma dor até exagerada demais para uma simples espetada, gemia com a ardência.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Por favor, comente o que achou! Vamos indo galera, até a próxima meus amores!