As Rosas Do Conde
6 Capítulo 6
Notas iniciais
A Puritana encontra o Pecador.
Depois de pensar um pouco, comecei a achar que o Conde não recebera a carta. Onde ele estava? Há quantas horas eu esperava perplexa ao lado do velho poço? Talvez duas ou três, Terei de ir, pensei. Precisarei mesmo ir, conclui. Virei-me para ir embora quando a mão gelada tocou o meu pulso. Estremeci.
– Monffour. — murmurei com o coração acelerado. -
– Desculpe a demora.
– Comecei a achar que você não viria.
– E eu não queria vir. Para que vir? Para ser desprezado? Porém felizmente tenho um orgulho a presar, enfrento minha penitencia como homem. Diga com pressa, o que sabes que me cortará o coração em dois.
Seus olhos lembravam-me cachoeiras cristalinas no verão, quase me ajoelhei e pedi perdão por causar-lhe tristeza, porém permaneci firme.
– Monffour, não posso mais fazer isso, não me peça para prosseguir com tal loucura.
– Eu realmente seria um louco se pedisse, não posso pedir-lhe isso, simplesmente está fora do que eu posso pedir a ti.
– Não queria que as coisas terminassem assim.
– Case-se comigo Angelina.
– O que?
– Largue o convento, vamos morar comigo em São Francisco.
– Eu sou casada com Jesus Cristo, não posso obter matrimonio.
– Me desculpe Angelina — ele então se ajoelhou aos meus pés. — O fato é que estou desesperado, não quero perder-te, não sei viver sem você, nem quero.
Estatelei, o que eu deveria dizer-lhe? Que lamentava? Não era suficiente. Também não queria viver sem ele, seria a mesma vida cinza de antes. Debrucei sobre os joelhos, acarretando seu rosto em minhas mãos.
– Teremos de ser fortes. disse blasfêmia.
– Não serei.
– Terás de ser.
– Não serei. — repetiu.-
– Tu és um homem maduro, de escrúpulos e boa educação, terá de prosseguir com sua vida.
– Não vou prosseguir, nem ficarei parado aqui. — fiquei confusa. -
– Pra onde irás então?
– Falar com o teu Deus, depois de passar pela morte, e pedi-lhe que a livre deste carma para que possa ser minha, mesmo que eu não volte para isso.
Arregalei os olhos para ele. — As ideias de Deus condenam em todos sentidos o suicídio, se o fizesse, nem mesmo poderia falar com ele.
– Tentarei.
– Conde. — desabei. — Não quero lhe deixar, realmente não quero, porém a culpa vem me consumido.
– Abandone de vez então a vida santa, isso mudará tudo.
A irmã Doroteia havia me ditado Se afasta de tudo que te afasta do plano de Deus Mas como poderia me afastar daquele homem? De sua paixão, intensidade e olhar ameaçador.
– E se fossemos embora? — sugeriu. — Se fossemos mesmo para São Francisco?
– É muito arriscado.
– Me arrisco por você. Fuja comigo Angelina. — segurou com força minhas frias mãos. — Deus quer que você seja feliz e não desperdice sua vida com algo que não acredita mais.
Era como se ele andasse vasculhando os pensamentos vagos da minha cabeça. Persuadi-lo não era uma opção. Mas cá com os meus pregos, dei-me conta da sanidade daquelas palavras que me pareciam tão loucas.
– São Francisco. — sussurrei.- Eu adoro São Francisco.
– Pensei que só adorasse a Deus.
– Era antes.
– Antes do que?
– De decidir fugir com você para São Francisco. — sua afeição que antes era deplorável se tornou animada novamente, como sempre fora. -
– Vens comigo?
– Sim amado, irei com você. — beijei seus lábios com leveza, como se fossem feitos de vidro. — Irei para São Francisco.
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