As Rosas Do Conde
17 Capitulo 17
Notas iniciais
Angelina sentia a ponta de seu nariz e de seus dedos congelando lentamente, ela se apressou o máximo que pode. A jovem ficou vagando por entre as ruas até o amanhecer, pensando, correndo, chorando. A primeira badalada do sino havia sido dado. Isso fez com que ela corresse ainda mais depressa.
Os corredores do convento estavam vazios, e o sol da manhã entrava por entre as vidraças, tocando com gentileza as cortinas de cor clara. Quase surgindo do nada, uma das jovens freiras apareceu na frente de Angelina. A garota estava assustada e pálida. Segurou firme as mãos de Angelina e sussurrou:
– Você precisa sumir daqui imediatamente! — alertou a jovem.
– O quê?
– A madre recebeu uma carta. Elas revistaram seu quarto. Acharam o diário.
– Meu diário? — questionou, já ficando tão pálida quanto a outra.
– A Madre sabe, todos sabem sobre o Conde Monffour. Era o que dizia a carta.
– A carta?
– Você precisa ir, por favor, de imediato!
– Deixe-me, pelo menos, buscar minhas coisas em meu quarto.
– Não! A Madre lhe espera. Você tem de partir agora.
Com um reflexo absurdo, Angelina correu para fora do convento. Ela estava tão cansada de correr, tão cansada de tudo. E agora, o que ela faria? Não havia nenhum lugar seguro para se estar, tudo que ela tinha era o Conde Monffour. Agarrada a sua última esperança dourada, Angelina correu de volta para a mansão. Seus cabelos claros e cacheados já não tinham mais um fio de precisão.
Pareceu que o caminho havia se tornado duas vezes mais longo. Ao se aproximar, Angelina viu um homem velho e baixo martelando uma placa de vende-se no chão. Sentiu-se mais enjoada ainda. Ela chegou perto dele, e indagou:
– Por que colocas esta placa aqui?
– O dono resolveu vender, sabe.
– O Conde irá se mudar? — ela ofegou, ainda sem folego.
– O Conde? Mas, que Conde?
– O Conde Monffour que vive aqui.
Ele riu com sua voz de velho. — Jovenzinha, ninguém vive aqui há uns cinquenta anos.
– Impossível! Ontem mesmo estive aqui.
– Deve ter sido em outra mansão. Existem muitas na região.
– Não, foi exatamente nesta.
– Certo, perdoe-me o mau jeito, mas há coisas que preciso fazer. Tenha um bom dia.
Então, ela voltou a correr, desta vez, para longe da mansão. Só havia um único lugar que lhe pertencia agora, e foi para lá que ela se dirigiu. Sua mente confusa questionando tudo, vivendo um lapso de memórias do Conde, torturando-a. E lá estava o poço onde ela costumava se encontrar com seu amado. O poço ainda era o mesmo, permanecia no mesmo lugar, parecia real. Ela cravou suas unhas entre a neve e as pedras que o formavam.
– Não podes fazer isto, Mounffour! Não pode destruir minha vida e desaparecer.
Suas lágrimas frias desciam por seu rosto delicado. Mas chorar não adiantava, aliás, nada mais adiantava. Angelina sentou-se na beirada do poço, e disse em voz alta:
– Se não existes, por consequência, também não ei de existir.
Depois, pulou para uma morte gelada e profunda, no mesmo lugar onde o conheceu, onde o amou. E agora, Angelina, Marieta e Carmelita não passavam de um grande vazio inexistente e frio. Porque as que amam o Conde e escolhem deixa-lo, morrem por destino, as que escolhem ficar, morrem por loucura, mas é uma certeza inquestionável que morrer é o castigo de quem o ama.
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