Notas iniciais
Narrado: Marieta F.

O caminho da perdição

Era uma noite chuvosa, provavelmente eram onze horas da madrugada. Fazia um tempo que eu havia saído de casa desesperada, cambaleando até a casa do Conde. A mansão de número 666 tinha as luzes apagadas, até pensei em desistir e voltar em outra hora, mas notei uma vela acesa ao fim do corredor. Tomei folego e bati a porta com pressa.

Eu estava encharcada, batendo freneticamente naquela porta, talvez ele nem se quer estivesse em casa, mas havia uma vela lá, havia um vela acesa repousando em cima de uma mesinha ao fim daquele corredor sombrio. Persistente, como sempre fora, bati mais vezes a porta, até que o Conde abriu com a tal vela na mão, trajando vestes de dormir.

– Marieta? – disse com a voz sonolenta. – O que fazes aqui a esta hora? Aconteceu algo?

As lágrimas geladas traçaram o caminho do meu rosto, fui em direção aos braços acolhedores do Conde, ele me segurou, tentando equilibrar a vela acesa.

– Marieta, venha comigo, entre. – Monffour segurou a minha mão e levou-me para dentro. – Sente-se por favor, vou buscar toalhas para que você se seque.

Ele voltou segundos depois trazendo toalhas pretas e sentando ao meu lado.

– O que houve minha dama? – ele secou as lágrimas que ainda escorriam em meu rosto. –

– O Lorde Comptton.

– O que ele fez?

– Ele foi ao meu quarto esta noite.

– O que ele fez? – a pergunta era a mesma, porém o tom da voz era mais rude. –

– Ele me beijou e tentou apressar as rédeas do casamento.

– Eu vou matar aquele desgraçado. – berrou, se levantando. – Como ele ousa desrespeitar você? Ele pagará Marieta, pode ter certeza, ele pagará.

– Monffour. – puxei sua mão para que ele se sentasse novamente. – Eu estou aqui, não estou? Estou bem agora, você está comigo e por isso estou bem.

– Mas ele... – o interrompi. –

– Esqueça! Eu vim aqui buscar conforto, não quero que você fique assim, transtornado.

– É impossível ouvir certas coisas e não ter impulsivas reações.

– Eu sei, não estou culpando você, só quero que fique comigo e me faça esquecer o que houve. Tudo bem?

– Sim. – ele sorriu. – É melhor você trocar as roupas molhadas, vai acabar pegando um resfriado, não quero que você adoeça.

– Me agrada muito quando você se preocupa comigo.

– Me preocupo pois amo você. – ele acariciou o meu rosto com um dos dedos. – Você quer que eu te ajude a se livrar dessas vestes úmidas

Pensei um pouco no que ele queria dizer com aquilo, quero dizer, será que ele me queria? Ou melhor, será que ele me queria como eu queria ele?

–Eu acho que preciso de um banho quente. – maliciei. –

– Claro, por que você não se enrola na toalha enquanto eu preparo o seu banho?

– Irei fazer isso. – sorri. –

O Conde subiu a escada e foi ao seu aposento, eu me levantei e livre-me das roupas facilmente, enrosquei a toalha ao corpo e soltei os cabelos castanhos. Eu sentei de volta no sofá, tempos depois ouvi a voz do Conde vir da escada.

– Amada. – virei para vê-lo, trajava apenas roupas intimas. – Seu banho está pronto.

Eu subi a escada e o acompanhei até o seu quarto, em seguida para o banheiro.

– Verifique se a água está de seu agrado.

Toquei a água, delicadamente, com a ponta dos dedos. – Está perfeita, ou melhor, deixe que eu corrija a frase, está quase perfeita.

– E o que falta para atingir a perfeição que você merece?

– Eu e você nela. – o puxei para um beijo. –

Deixei de segurar a toalha, para enroscar os braços em seu pescoço, a mesma repousou no chão. O Conde hesitou por um momento e me estudou dos pés a cabeça.

– Como pode ser tão linda? – senti as bochechas corarem. –

– Como posso ser tão sua? – o beijei novamente. –

Ele deslizou as mãos pela minha cintura, beijando todo o meu pescoço, e fazendo os pelos do meu corpo se arrepiarem. Eu estava ofegante apenas com os seus beijos, e ansiosa para saber o resto. Tive a impressão de ver um vulto de alguém passar pela porta do banheiro. Olhei bem para me certificar, mas não havia nada.

– Estas bem?

– Pensei ter visto alguém.

– Mas só existe eu e você aqui. – sorri. –

Voltei a beijar o Conde, desta vez trazendo o corpo dele para mais perto do meu. Despi do resto de roupa que nele havia e o guiei até a banheira que nos esperava.