Notas iniciais
Narrador: Marieta F.

Uma alma negra.

A rua estava profundamente escura, enquanto eu caminhava em direção à mansão do Conde Monffour, a neve caia vagarosamente sobre os meus ombros e sobre a neve que já pairava no chão branco. Passei pela estrada de pedregulho, perto do velho poço interditado, foi então que ouvi sussurros vindos de lá.

Eu sempre fora curiosa. O que haveria de estar acontecendo ali? Talvez alguém estivesse a precisar de ajuda ou sabe se lá Deus o que. Ainda pensei duas vezes antes de sair de meu caminho para ir até os ruídos, porém vencida pela curiosidade segui até o velho poço. Ao me aproximar de uma distância considerável, vi duas silhuetas entrelaçadas enquanto se beijavam.

– Logo estarei nos braços de meu amado também. – sussurrei a mim mesma. –

A intensidade deles era tanta que até fiquei a desejar. Eles eram muito sortudos, apenas pelo fato de ter um ao outro. Será que sabiam disso? Pela lógica eles não podiam ficar juntos, aquele casal estava ali por terem sido censurados, era provável que sim.

– Eu amo você Conde Monffour. – ouvi o gemido da mulher. –

Cambaleei para trás. Monffour? Não podia ser. É claro que não haveria de ser ele. Fui para mais para perto, me escondendo atrás de uma grande árvore e pude ver seus rostos. Preferia que facas atravessassem o meu corpo do que ver aquilo. Monffour e uma Freira eram o casal que eu estava a admirar.

– Também amo você Angelina. – ele sussurrou em resposta. –

Não, é obvio que ela não a amava, ele amava a mim. Aquela maldita Freira pecadora estava o corrompendo, fazendo com que ele realmente acreditasse que a amava, mas não era verdade. Eu sabia que não. Eu a odiei com toda a força que eu tinha. Pressionando o pulso na grande árvore até ele rasgar. A ardência não me incomodou, pois eu transformei todos os sentimentos que em mim havia em puro ódio. Ódio daquela maldita mulher...

– Você irá pagar Freira Angelina. – ameacei com um sussurro que não foi ouvido, mas que aprofundou o lado negro de minha alma. –

Imediatamente fui para casa e comecei a pensar no que fazer. Silenciosamente entrei em meu quarto e me joguei sobre a cama com força.

– Ela não pode existir. Ela não pode existir. Eu tenho que... fazer algo. Ela não pode existir. Ela está enganando ele. Não pode existir.

Levantei-me da cama como um impulso e decidida disse pela última vez: Ela não pode existir.