As Pérolas Intocáveis de Évora - Livro I
33 Capítulo 32 - Adelaide e Henrique
Notas iniciais
Henrique e Adelaide
“Adelaide, não desista! Você viverá um grande amor e ele chegará no momento certo. Nasceste para ser mãe e para ser feliz! Pode parecer difícil no início, ou algo impossível, mas saberás que é ele. Porém, decisão será tua de viver ou não esse grande amor.”
Carta da baronesa às filhas
~~*~~
Ao colocá-la em sua cama, após ter se sentindo indisposta, Henrique ajeitou seus travesseiros e cobriu Adelaide. A moça observava cada gesto dele em seu cuidado, parecia que ainda estava sonhando; há pouco tempo atrás ele mal podia chegar perto dela, odiando-a pelo sangue D’alboquerque.
Agora se mostrava atencioso, ainda que, não em plenitude, sua natureza rude e machista não lhe permitia se doar completamente. Ele que, sempre fora conhecido como o homem que nunca se apaixonava e que deixava as damas desejosas por sua atenção, Adelaide se sentia premiada por ter conseguido alcançar seu coração, como dissera seus irmãos.
Enquanto ele tentava deixar o ambiente o mais confortável possível, fechando as cortinas e deixando a bandeja de chá, trazida pela criada, próximo à mesinha de cabeceira, o olhar de ambos se cruzaram.
― O que há? ― perguntou ele sem jeito.
― Apenas te observando. ― e sorriu ― Obrigada por estar comigo, senhor Lamartine.
― Henrique. Me chame Henrique. Não há motivos para nos tratarmos com tanta formalidade, breve serei seu marido ― completou suavemente se aproximando da cama e se sentando.
― Eu estou muito feliz por isso ― declarou ela ―, espero que sejamos muito felizes.
― E seremos ― e inclinou-se para beijá-la, porém, suas irmãs Elisa e Cecília entraram no aposento, inibindo-os.
― Hã… desculpe… podemos voltar outra hora ― disse Elisa, e Ceci sequer disfarçava seu semblante divertido.
Henrique grunhiu algo e Adelaide soltou um risinho.
― Está tudo bem, meninas, podem entrar ― disse ela.
― Mas não se demorem! ― reclamou ele indo em direção à porta ― Adelaide precisa repousar.
― E você pode demorar? ― retrucou Elisa colocando as mãos na cintura.
― Eu sou o noivo. Eu posso!
Ela fez uma careta e um gesto com a mão ignorando o irmão enquanto este deixava o aposento.
― Então quer dizer que para beijar não perdes o ar, minha irmã? ― debochou Cecília.
― Ceci! ― ralhou Adelaide ― Não é nada disso! Estávamos apenas conversando.
― Aham… ― disse as duas mais novas se entreolhando e rindo ― Eu também converso às vezes com o Álvaro assim ― completou Elisa um pouco corada.
― Pois não deveria! ― era a voz potente do irmão mais velho soando novamente pelo quarto. Elas se assustaram e ele foi até a mesinha pegar o chapéu esquecido.
Fitou a irmã novamente e pontuou firme:
― Se não queres um marido defeituoso, deveria agir com a compostura adequada, senhorita Elisa.
E saiu deixando a moça de boca aberta e olhos arregalados.
― Ai, ai... ele é tão charmoso com esse jeito rude e cara de mau... ― falou Cecília suspirando, sem pensar muito.
― Cecília! Tenha modos você também! ― foi a vez de Adelaide repreender e, em seguida, as três começaram a rir.
~~*~~
Seis meses depois...
― Henrique... seus pais podem nos ver... ― Adelaide tentava argumentar entre os beijos de seu noivo.
― Ninguém vai nos ver aqui... ― sussurrava em seu ouvido e beijava sua boca e pescoço lentamente enquanto ela perdia as forças nos braços dele.
Estavam no quarto dele e não tinha risco de as mulheres andarem pela ala masculina, e seu pai não costumava entrar nos aposentos dos filhos. Já Fred e Pedro...
Havia três meses que eles se encontravam dessa forma. Se esgueirando pelos cômodos escondidos do casarão. Ele a puxava e não ouvia os protestos da moça, até que ela cessou de adverti-lo. Eles eram os primogênitos da família e deveriam ser o exemplo para o restante dos irmãos ainda solteiros. O casamento deles já tinha data marcada, todavia, Henrique não conseguia esconder seu descontentamento pela demora de meses. Primeiro, foi o casamento de Beatrice; logo depois, o aniversário de Cecília. Deveriam aguardar. Os eventos esperados eram tantos e o prazo, curto.
“Quem está na fila ainda? Meu casamento não sai mais?” ― reclamou o mais velho dos irmãos em uma das conversas entre família sobre a decisão das datas dos eventos na Casa Lamartine. A família aumentara e havia muitos casamentos a se realizar.
“Pra quem dissera que nunca iria se casar, até que você está bem ansioso, irmão.” ― Debochou Pedro, fazendo o irmão resmungar.
Mas a verdade é que ainda demoraria, pois, o visconde pressionara o jovem Carvalhal quanto ao matrimônio com Elisa. O velho pegara os dois aos beijos em uma das visitas do rapaz e a briga foi inevitável. Marcaram o casamento, e assim, Henrique e Adelaide voltaram para o fim da fila.
Joana adiara o seu. Não tinha pressa e, no momento, priorizava outros projetos ajudando o povo do vilarejo a reconstruírem suas vidas, com ajuda do marquês, Elisa e Álvaro.
Frederico e Emília seriam os próximos. Ele batera o pé, já esperara demais e tinha vantagem sobre Henrique debaixo do argumento de que ele e Pedro se apaixonaram antes do irmão mais velho.
As mulheres se deliciavam divertidas observando a briga masculina.
“Eu não sei se ainda estarei vivo no final de todos esses eventos” ― rezingou o visconde no final dos acertos.
― Eu mal posso esperar para que sejas minha... ― Henrique falava enquanto apertava a cintura da noiva, pressionando-a contra a parede; os corpos totalmente colados.
O calor já se fazia presente e ela segurava nos ombros largos dele, suspirando repetidamente quando este ousava beijar a região acima dos seios. Quando fazia menção de descer um pouco mais, ela inventava outros assuntos para fazê-lo parar já que seus pedidos de nada adiantavam.
― Henrique... temos que ter ainda aquela conversa... ― falava com dificuldades. Ele estava praticamente afundando-a na parede.
― Que conversa? ― perguntou ele beijando os seios dela e deslocando a mão da cintura para o decote de seu vestido a fim de baixá-lo.
“Ai meu Deus! Vou morrer desse jeito...” pensava ela.
― Sobre a transferência dos bens. Você será o responsável após nosso casamento, lembra-se?
Foi o estopim para ele. Saiu de perto dela passando a mão pelos cabelos, nervoso.
Graças a Deus! Não que ela não gostasse disso, mas o problema é que eles poderiam chegar a outro patamar antes do casamento. E sabia que a menção da herança D’alboquerque o faria parar.
― Por que sempre voltas a esse assunto Adelaide? ― indagou nervoso.
― Porque é necessário, meu amor ― disse docemente. ― Iremos amanhã para tratarmos do assunto da tutela e como sou a primogênita, sou legalmente a responsável por tudo. Porém, quando nos casarmos, a administração passa automaticamente a você.
― Não quero nada que fora de seu pai! ― esbravejou.
― Não fui eu quem perpetrou as regras e terás que aceitar da mesma forma! ― rebateu firme ― Ou então não podes se casar comigo ― levantou uma das sobrancelhas.
― Estás me desafiando? ― estreitou os olhos.
― Apenas esclarecendo o óbvio ― e empinou ainda mais o nariz reafirmando a ousadia.
― Quanta audácia, senhorita Adelaide! ― disse olhando-a nos olhos e se aproximando dela devagar ― Se eu fosse você não usaria esse tom. Sou seu futuro marido e me deves respeito e obediência. Posso puni-la por isso, sabia?
E a agarrou pela cintura novamente fazendo-a fechar os olhos.
― Que tipo de punição? ― Sua voz era um sussurro outra vez, pois os lábios dele estavam novamente no pescoço dela. Ele a puxou para a cama sem parar o que estava fazendo.
― Eu posso torturá-la e terás que implorar-me... ― e a deitou na cama, ficando por cima dela ― ...para que eu saia de cima da senhorita. ― E a beijou vorazmente.
A chama entre os dois se acendera novamente. Ele estava encaixado entre as pernas dela onde ela podia sentir toda a sua virilidade. Ele levou uma das mãos à coxa dela, acariciando toda a extensão de sua pele. Ela por sua vez, ofegante, segurava os cabelos dele ao sentir os beijos atrevidos dele em seus seios já descobertos.
A saia dela ia subindo numa velocidade incrível pelas mãos dele e sentiu que ele transferiu uma delas para a parte frontal das calças, para desabotoá-la.
Oh céus! Não terei forças para detê-lo, pensava.
― Henrique... ainda não...
― Me impeça, se puder ― disse com um risinho desafiador.
O vestido já estava embolado em sua cintura e ele se aproximou, deitando por cima dela novamente.
― Não vai implorar, minha Adelaide? ― e passou a língua pelo bico do seio. Ela estremeceu na mesma hora e um gemido escapou de sua boca ― estou esperando ― e chupou o bico do outro seio.
Não sabia dizer nada além de sussurros e gemidos. Ela seria dele ali, naquele momento.
Então quando ele tocou em sua intimidade a porta se abriu:
― Henrique, nosso pai... ops! ― era Pedro que se virou imediatamente ao ver a cena comprometedora. Ele ouviu um grito abafado de Adelaide e o resmungo alto do irmão:
― Diabos! Não se pode mais ter liberdade em seu próprio quarto?
― É...hã... nosso pai deseja lhe falar ― completou Pedro ainda de costas.
― Já estou indo! ― respondeu carrancudo ― E nenhuma palavra sobre o que achas que viu aqui. Vocês cogitam coisas demais.
― Sei bem... ― o irmão respondeu divertido saindo dali ― Pelo jeito papai terá que adiantar mais um casamento antes que venha outro neto fora de hora.
― Diabos! Maldição! ― reclamava ajeitando suas roupas.
Adelaide também se recompunha totalmente constrangida.
― Estás bem? ― quis saber olhando para ela e segurando seu rosto suavemente.
― Estarei daqui a uns dez anos quando poderei olhar para Pedro novamente. Isso se mais alguém…ai que vergonha.
― Ele não falará nada! Me perdoe...a culpa é toda minha.
― Hum... O intimidador Henrique Lamartine pedindo perdão? E a uma mulher? Sinto-me lisonjeada! ― brincou.
― Não sejas tão otimista ― disse sério ―, não tenho o costume de proceder assim. Não se esqueças de quem manda.
Adelaide riu-se por dentro. Sabia que essa pose de durão não funcionava com ela. E quando ele se afastou rumo à porta ela o deteve:
― Senhor Lamartine ― chamou ―, não me deste um beijo de despedida. Estou esperando ― e sorriu de lado levantando a sobrancelha. Um gesto provocativo que o deixava irritado.
Ele voltou praguejando algo entre os dentes e deu-lhe um beijo rápido, saindo em seguida, deixando-a com um sorrisinho vencedor mais uma vez.
~~*~~
― Adelaide, estás bem? ― perguntou Liana olhando a irmã andando de um lado a outro.
― Estou sim. Apenas preocupada com essa audiência.
Ela estava de saída para uma entrevista com o advogado para tratarem os assuntos da herança com o seu atual tutor, o visconde Lamartine e Henrique.
― Acalme-se, minha irmã. Tudo ocorrerá bem ― disse Liana, porém, sem tirar os olhos da barriga de Adelaide.
― O que tanto olha meu ventre, Liana? ― perguntou parando de se movimentar, olhando-a com curiosidade.
― Hã... não é nada...
― Diga logo, Liana! Estás me deixando nervosa.
― Você e Henrique… sabes que podes estar grávida, não sabes? ― fez uma pergunta quase afirmativa.
A irmã a olhou estupefata.
― Estás louca?! É óbvio que não! Ainda não me casei!
Liana tentou segurar o riso, mas foi em vão. Adelaide já sabia do que se tratava. Pedro provavelmente relatara a ela a cena vergonhosa que presenciara.
― Pedro andou contando coisas, não é? ― e soltou uma palavra baixa, mas a irmã entendeu que se tratava de “linguarudo”.
― Não se preocupe minha irmã, ele não contou a mais ninguém. Mas muito me admira você, a mais correta de nós, ser pega aos beijos com o noivo e no aposento dele ― falou baixo. ― Se bem que, segundo Pedro, eram bem mais que beijos.
Adelaide poderia ser comparada a um tomate maduro, de tão vermelha.
A viscondessa entrou na sala junto com Cecília.
― Ah, querida, estás aí! O senhor visconde já estará aqui para acompanhá-la a audiência.
― Estou pronto ― disse o patriarca entrando na sala com Henrique de semblante carrancudo.
Adelaide o olhou e pensou que aquela tarde não seria das mais agradáveis.
A audiência fora uma cerimônia simples e a herdeira ouviu tudo em silêncio, apenas balançando a cabeça em concordância algumas vezes.
O senhor visconde assinou os papéis concordando com a administração dos bens da família D’alboquerque até o casamento de Adelaide, uma vez que, a responsabilidade passaria ao marido conforme os termos legais.
Henrique permaneceu em silêncio durante todo o processo. No final da reunião, o visconde partiu para outra entrevista com o contador e deixou com o filho a ordem de acompanhar sua noiva de volta a Casa Lamartine.
Ao caminharem pelas ruas, não conseguiam evitar que os olhares curiosos no centro de Évora, pousassem sobre eles. Nem em mil anos podiam imaginar que as famílias rivais se uniriam.
Só não contavam com a abordagem da bela e jovem viúva Maria Botelho de Bragança, a encantadora mulher que fora amante de Henrique por um tempo considerável, e que pensou ter conquistado o coração do primogênito dos Lamartine’s. Entretanto, ele não mais a procurou sem deixar ao menos um bilhete justificando ou se despedindo.
“Então essa é a escolhida...” pensou, ao ver aquela que conseguiu levar o rebelde para o altar. Não podia desperdiçar a oportunidade de alfinetar o casal:
― Olá Henrique, quanto tempo! ― cumprimentou e Adelaide achou estranho ela chamá-lo pelo primeiro nome.
Henrique soltou um bufo de irritação e, com cara de pouco amigos, saudou-a secamente:
― Senhora Botelho! ― “espero que não fale pelos cotovelos” pensou ele.
― Oras, Henrique, porque me tratar com tanta formalidade? Por muito tempo me chamara apenas de Maria, não se lembra? Oh, mas que falta de compostura a minha! Sou Maria Botelho de Bragança ― e sorriu com seus dentes perfeitos para Adelaide.
― É um prazer ― disse Adelaide sem muita vontade. Algo lhe dizia que aquela mulher conhecia muito bem o seu noivo.
― Então os rumores se confirmaram?! Irá mesmo se casar com a senhorita D’alboquerque? Quem diria! Será realmente a história do século.
Ele já não estava com paciência e não era um homem de meias palavras.
― E isso não é da sua conta! Sugiro que procure fontes para suas fofocas em outro lugar. Agora, se nos der licença...
Adelaide olhou espantada para ele. Maria deu uma risada.
― Não se preocupe, senhorita D’alboquerque, Henrique nem sempre é assim tão rude com as mulheres. Ele consegue ser bem encantador quando quer ― e abanou seu leque num gesto provocador, passando a língua nos lábios. ― Será mesmo uma pena se casares, Henrique... metade das mulheres de Évora lamentará perder uma companhia tão estimuladora ― e olhou para a moça novamente ― Mulher de sorte você, senhorita D’alboquerque, conseguiu arrebatar o coração de um homem tão dado às várias opções... Será que conseguirá se contentar com apenas uma?
Adelaide estava chocada. Maria concluiu:
― Você sabe onde buscar emoções, Henrique, quando se cansares da vida monótona. Foi um prazer!
E saiu andando com um sorrisinho no rosto.
Henrique olhou para Adelaide. Queria dizer alguma coisa, mas sabia que o estrago já estava feito.
Ela se virou, caminhando furiosa para a carruagem que a esperava, deixando-o para trás.
― Adelaide! Adelaide! Espere! Maldição! ― rosnava.
A moça não o atendia, e ao chegarem à carruagem, pediu ao lacaio que a ajudasse a subir recusando o auxílio do noivo.
― Não chegue perto de mim, senhor Lamartine!
O lacaio tentou não expressar sinal de espanto ou curiosidade, mas não se conteve em olhar quando o rapaz tentou subir na carruagem e ela o barrou com a mão:
― O senhor não! ― disse a Henrique ― Pode seguir viagem, esse senhor irá em outra condução ― orientou o lacaio que não sabia o que fazer. O rapaz era seu patrão, o que seria dele se o deixasse para trás?
Os jovens olhavam fixamente um para o outro. A raiva nos olhos dela. A decepção nos olhos dele. O lacaio esperando novas ordens.
― Estás certa disso, senhorita D’alboquerque? ― perguntou o noivo.
Ela virou o rosto para frente e disse ao lacaio:
― Pode ir.
Henrique então tirou a mão da portinhola e a carruagem seguiu para a Casa Lamartine.
Durante o trajeto, ela pensava no que Maria Botelho havia dito. E se ela estivesse certa? Lágrimas teimosas no rosto, e no coração, a dúvida. Ele seria fiel a ela? Um homem que já tivera tantas mulheres e as teria quando quisesse? Ela o amava demais e sofreria se ele fosse infiel. Seu pai sempre fora apaixonado por sua mãe e, no entanto, traiu-a, e ainda tivera um filho bastardo. Não! Ela não queria ser infeliz! Não queria dormir todos os dias com as cogitações de que seu marido estaria se deitando com outras mulheres.
A angústia e a incerteza aumentavam. Adelaide não sabia lidar com isso e se fosse para se casar com tal medo, era melhor não fazê-lo.
A carruagem chegou ao seu destino e ela enxugou suas lágrimas com o lenço antes que o lacaio viesse ajudá-la a descer.
Entrou pela porta principal desejando subir ao seu quarto sem ser vista. No entanto, ao passar pela sala de estar, se deparou com suas irmãs e a viscondessa.
― Adelaide! ― exclamou Eleonor ― Estávamos esperando por você! Como foi a audiência?
A moça tentou disfarçar:
― Foi satisfatória. Já está tudo definido.
― Adelaide, você estava chorando? ― perguntou Emília preocupada.
― Eu preciso subir. Falamos depois. Com licença, senhora viscondessa. Meninas!
E saiu da visão delas rapidamente.
― Oh céus! O que terás acontecido? ― indagou Eleonor ― Sei que tem a ver com o teimoso de meu filho. Aquele lá não podia ser tão parecido com o pai!
― Falarei com ela depois. Damos tempo. ― Joana sugeriu e as outras concordaram.
― Vou pedir para lhe prepararem um chá. Será bom para acalmá-la ― sugeriu a viscondessa.
De repente, a porta se abriu e fechou num baque forte. Era Henrique com semblante furioso. Olhou para todas que, também, o fitava com espanto.
― Onde ela está? ― perguntou ― Onde aquela teimosa está?
― Em seu aposento, mas... o que está acontecendo, Henrique? ― a mãe questionou.
Ele não deu atenção e saiu a passos largos rumo ao quarto da moça. A mãe o chamou mais algumas vezes, mas ele ao menos a olhou.
― Santo Cristo! O que há com esses dois? ― mais uma vez perguntou a viscondessa.
― Céus! Nem casaram e já estão brigando ― disse Cecília.
― O fato é que são dois cabeças-duras, isso sim ― afirmou Joana ― Ainda vão brigar muito.
― Não diga isso, Joana! Eles vão se acertar! ― repreendeu Elisa ― Eles se amam muito e são nosso exemplo de compostura e seriedade.
Joana não se aguentou e soltou uma gargalhada. Ela era muito esperta. Nada passava despercebido por ela. Liana segurou o riso sabendo do que se tratava.
― Joana! Do que estás rindo? ― quis saber Elisa.
― Ah, não é nada ― disse, recompondo-se ― Apenas algo que me lembrei.
E voltaram a cogitar sobre o que se passava com o casal, apenas a viscondessa olhava curiosa para Joana. Teria que conversar urgentemente com Adelaide e esperava que não fosse tarde demais. Céus! Isso que dava ter moças e rapazes apaixonados debaixo do mesmo teto e uma lista enorme de casamentos. Precisava apressar essas datas.
~~*~~
― Adelaide abra! Precisamos conversar! ― falava nervoso batendo na porta do quarto.
Ela nada respondia e a fúria dele só aumentava. Maldita mulher que o deixava louco de todas as formas!
― Eu não estou brincando, Adelaide! Abra agora!
Depois de um tempo sem resposta. Ele cessou as batidas e os pedidos. Adelaide pensou que já tinha ido embora, então abriu a porta vagarosamente para conferir. Assim que o fez, a mesma foi forçada para trás e seu noivo entrou e a fechou. Seu olhar era inquisidor.
― Agora podemos conversar?
― Não temos nada a falar ― rebateu firme saindo de perto dele.
Ele passou a mão pelos cabelos.
― Adelaide... ― tentou falar mais calmo.
― Não diga nada, Henrique! Eu preciso pensar. Ficar sozinha.
― Você estava chorando... ― observou e ela nada disse, dando as costas a ele.
E, novamente, teve medo de perdê-la.
Maldita Maria linguaruda! Não que sua fama de libertino ficaria encoberta por muito tempo, de uma forma ou de outra ela saberia, mas não imaginava que fosse tão cedo.
Precisava fazê-la entender que não queria outras mulheres, mas somente ela e nenhuma outra.
― O que precisas pensar? Não há o que pensar! Em breve casaremos. Não importa o que as pessoas dizem por aí ― falou.
― Para mim importa! Não posso conviver com isso, pensando todos os dias que podes estar com uma doidivanas enquanto o espero chegar em casa. Eu não posso, Henrique... ― disse chorosa ― Não conseguiria, entende?
O rapaz, ao vê-la daquele jeito, aproximou-se dela e disse:
― Por favor, confie em mim. Eu serei fiel, Adelaide. Não penses assim.
― Que garantia eu terei? Diga-me! Você foi… íntimo daquela mulher e sabe lá quantas mais eu terei que enfrentar depois de casados. Eu não posso contra isso, é uma disputa desleal.
― Mas elas não me importam mais! Quantas vezes terei que repetir! Todas elas foram aventuras, mas você não! O que posso fazer para te convencer?
― Nada do que me disser vai arrancar a dúvida que foi plantada. Eu já deveria saber...
― O que quer dizer?
― Essa história de amor verdadeiro não passa de conto de fadas ou romance de um livro. Não existe de verdade!
Houve silêncio por minutos.
― Vá, Henrique. Preciso ficar só.
― Eu não vou sair daqui até que entenda uma coisa!
Ela nada disse e ele continuou:
― Adelaide, apenas me ouça ― ele pegou em suas mãos ―, eu nunca acreditei no amor. Sempre achei que isso era para homens fracos e sem personalidade. Quando meus irmãos conheceram suas irmãs, eu os censurei, principalmente por saber quem eram. Mas naquela tarde do acidente, quando eu abri meus olhos e vi os seus, algo aconteceu. Não consegui mais esquecê-la e eu senti raiva de você porque não queria me apaixonar; não queria que nenhuma mulher mudasse os meus conceitos. Mas você o fez. E eu me apaixonei perdidamente.
Adelaide chorava silenciosamente, olhando-o. Ele a abraçou, aconchegando-a em seu peito.
― E na noite que levou o tiro por mim, eu perdi meu chão. Dr. Fontana disse que não sobreviveria... ― respirou fundo ―, eu fui até seu quarto e declarei o meu amor por você, pedindo-a para não morrer. Implorando para que voltasse e completasse a nossa história.
Ele afastou o rosto dela de seu peito e a fitou:
― Nenhuma mulher até hoje, Adelaide, foi capaz de me fazer sentir o que sinto por ti. E por tudo o que passamos, eu te peço, não deixemos que nada destrua isso. Esqueças meu passado, eu não sou mais o mesmo. Eu sou seu agora, todo seu. E não quero nenhuma outra mulher; és a única mulher que desejo e amo.
E a beijou com ternura.
Adelaide soube naquele momento que ele a amava de verdade e não deveria ter dúvida. A declaração de amor dele era tudo que precisava. Ele seria seu e ela seria dele até a morte.
~~*~~
“E mais surpresa do que vê-los juntos, é vê-los discutindo em plena Praça do Giraldo. Isso mesmo, meus caros leitores, o mais novo e surpreendente casal Henrique Lamartine e Adelaide D’alboquerque, brigaram diante dos olhos curiosos da sociedade eborense. A moça deixou o rapaz para trás e este tivera que pagar um carro de aluguel. As más línguas dizem ser os ciúmes da noiva. Mas pudera! Quem não duvidaria da fidelidade de Henrique Lamartine? Tomara que a dama não se decepcione..."
Colunista de O Semanário.
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O imenso salão da Casa Lamartine estava iluminado. Convidados dos Concelhos e Comarcas afluíam em suas suntuosas carruagens, puxadas por cavalos bem equipados. Damas e cavalheiros, trajados com vestes do mais alto bom gosto, aguardavam a chegada dos noivos. A cerimónia matrimonial ocorrera horas antes, em estrita reserva, e agora a festa prometia estender-se até ao romper da alva.
Adelaide irradiava beleza em seu vestido branco com detalhes em pérolas e o penteado elegante fora finalizado com uma tiara de pedras topázio, combinando com as outras joias, também da mesma pedra, acentuando a cor de seus olhos.
Considerada uma das mulheres mais lindas de toda Évora, Henrique não podia estar mais encantado por sua noiva, e ciumento também, pois a bela atraía olhares de muitos cavalheiros. Assim como ele também era avaliado pelos olhares auspiciosos das damas.
― Henrique vai ter um ataque a qualquer momento ― disse Elisa se divertindo.
― Nem sequer permitiu que Adelaide dançasse com os nobres cavalheiros, a não ser os homens de nossa família ― completou Cecília.
― Pois ele não está seguindo a etiqueta! ― reclamou Eleonor ― As boas maneiras ditam as regras e Adelaide deveria ter dançado ao menos com os nobres amigos de Maurice. Afinal, precisam ter boas influências.
― Vai ficar para a próxima. Henrique os espanta apenas com os olhos quando ameaçam chegar perto! ― riu Fred ― Estou desconhecendo meu irmão.
O grande grupo da família estava reunido em um canto do salão, lugar preparado para a família e amigos mais chegados.
O local estava lindo, decorado com rosas brancas em grandes vasos de porcelana por todos os lados. As cortinas eram em tons escarlate, gerando o contraste necessário. Os lustres majestosos também complementavam a beleza e brilho da festa.
― Não estou vendo Joana! ― observou Liana ― Ai...
― O que estás sentindo? ― preocupou-se o marido. O bebê poderia chegar a qualquer momento.
― Liana, você deveria se recolher, já se esforçou em demasia. Venha, vou acompanhá-la ― disse a viscondessa.
― Não é necessário, minha sogra. Didila ou Emília podem me auxiliar ― disse se levantando com dificuldades ― Ainda tens muitos convidados para recepcionar.
― Oras! O senhor visconde pode fazer isso muito bem. Você e o bebê são mais importantes. Venha, vou levá-la para descansar.
― Eu ajudo ― disse Pedro.
― Liana, você está bem? ― perguntou Adelaide se aproximando com o marido.
― Sim, apenas uma indisposição ― tentou sorrir. A verdade é que estava sentindo dores e elas estavam aumentando, mas não queria fazer uma cena no casamento da irmã.
Adelaide a analisou e disse:
― Está bem. Você deve mesmo repousar, meu sobrinho está prestes a vir ao mundo.
― Nosso sobrinho, queres dizer ― objetou Cecília ― Não vejo a hora de ele nascer para eu levá-lo a passear a cavalo ― e todos riram.
― E eu quero ensiná-lo muitas coisas sobre essa sociedade maluca ― disse Joana chegando. ― A propósito, acabamos de conhecer alguns revolucionários do Brasil ― falou baixinho.
― E eu vou ensiná-lo a arte da pintura ― era Beatrice que chegara com o marido Raul.
― Trice! ― gritou as irmãs e foram abraçá-la.
― Quantas saudades, minhas irmãs! Pretendíamos voltar somente no verão, mas recebemos a carta do adiantamento do casamento.
― É verdade ― afirmou Adelaide ―, minha sogra achou melhor assim.
― Será por que... ― provocou Joana e a irmã a olhou severa.
Beatrice abraçou Liana e acariciou sua barriga. Era bom estar em família novamente, apesar de que seu marido pretendia morar em Lisboa. Aproveitaria ao máximo estar junto das irmãs e de Didila.
― Estou feliz por você, minha irmã ― disse Liana ― Bom, acho melhor me recolher. Vocês ficarão conosco? ― perguntou ao casal.
― Iremos para a Casa Carvalhal. Há assuntos comprometedores a tratar sobre a deportação de meu tio para a Espanha ― respondeu Raul ―, mas ainda teremos tempo antes de fixarmos residência em Lisboa.
― Certamente ― respondeu Pedro.
― Agora vá minha irmã, estás abatida. ― disse Adelaide e a beijou.
Liana se retirou e os noivos também logo se despediram para seguirem rumo ao Chalé do Lago. Passariam a noite lá a pedido de Adelaide e depois partiriam para Florença, na Itália.
― Senhorita D’alboquerque? ― Um jovem abordou Cecília. ― Sou Donald O’bourne. Ficarei honrado se me concedesse uma valsa.
Cecília tentou não demonstrar desinteresse. Mas aceitou dançar com aquele jovem inglês. Não gostava de ficar à deriva de cavalheiros com palavras vazias, querendo cortejá-la. Seu único objetivo no momento era escrever suas crônicas e esperar ansiosa pelas cartas de seu amigo.
~~*~~
Beijos e sussurros eram tudo o que se ouvia naquele aposento. Ao chegarem ao Chalé, o local já estava preparado para receber os recém-casados.
― Já não aguentava mais esperando esse momento, minha bela. ― o marido dizia em meio aos beijos urgentes.
― E agora posso ser completamente sua.
Era um momento mágico para ela, apesar dos encontros às escondidas e das coisas que sentira pelas mãos do, até então noivo; mas não puderam mais prosseguir. A viscondessa tivera uma conversa séria com os dois e passou a vigiá-los. Relatou, na medida do possível, a necessidade de apressar o casamento dos dois, e claro, o visconde não se opôs por saber do que se tratava.
Hilda pediu a viscondessa para ter “aquela conversa” com Adelaide antes do casamento. Não se sentia adequada já que nunca se casara. E, verdade seja dita, Eleonor tinha dúvidas se ainda era necessário tê-la. Sendo assim, perguntou na noite da tão esperada conversa:
― Adelaide, minha filha...não quero constrangê-la, mas chegou ao meu conhecimento certas coisas sobre... você e Henrique... ― Adelaide queria sumir nesse momento, tamanha era a vergonha ―, então preciso lhe perguntar... foram apenas beijos que aconteceram entre vocês? ─ Eleonor também não estava muito confortável com tal pergunta.
Adelaide se remexeu na poltrona, pigarreou e sem olhar para a viscondessa, respondeu:
― Nós... apenas nos beijamos...
― Ah, graças a Deus! ─ levou a mão ao peito em sinal de alívio.
E então, a senhora tivera a famosa conversa com a moça, apesar de ter dificuldades com esse assunto tão proibido e, tentar convencer Elisa a esperar a vez dela.
A menina bateu o pé para participar da conversa dizendo ser injusto já que sua data fora trocada com Adelaide. Ou seja, teria que esperar mais um pouco.
Mas agora, eles estavam ali, sozinhos e sem impedimentos ou proibições.
Henrique retirou seu paletó e gravata, e caminhou para ela que o observava sentada na cama. Ele então ajoelhou e tomou um de seus pés, retirando os sapatos de tecido branco, um de cada vez, sem desviar seu olhar do dela. Deslizou suas mãos pelas meias, curvando-se e beijando suas pernas. E conforme ele ia subindo, sentia que a respiração dela aumentava o ritmo.
Beijou sua boca mais uma vez, e já não era um beijo calmo. Ele mordiscava seus lábios e o lóbulo de sua orelha. Desceu os beijos para o seu pescoço enquanto uma de suas mãos apertava sua nádega.
― Me deixas louco... ― murmurava ele.
Afastou-se um pouco e começou a retirar a camisa diante dos olhos curiosos da moça. E quando a retirou por completo, ela analisou todo o peitoral e braços do marido.
― Está gostando do que vê, senhora Lamartine? ― perguntou com um sorrisinho no rosto, se levantando ― Vem cá ― e estendeu a mão para ela a colocando de pé.
Retirou sua tiara, desfazendo seus cabelos louros e longos do penteado em que estava preso. Ele a deixava hipnotizada. Não conseguia dizer nada. Estava totalmente sob os comandos dele.
― Vire-se ― ordenou baixo no ouvido dela. E assim que ela o fez, levantando seus cabelos com as mãos, ele começou a desabotoar a imensa fileira de botões de seu vestido e, depois, descendo cada uma de suas mangas, depositando cálidos beijos em seus ombros. Enquanto beijava sua nuca, tocava em seus seios e Adelaide o ajudou deixando todo aquele tecido pesado caísse aos pés, livrando-se também de sua combinação sob os olhos sedentos do marido.
Estava totalmente exposta a ele sob a luz de apenas uma vela.
― És a mulher mais linda do mundo!
Ela sorriu. Caminhou até a cama e deitou, esperando-o. Não sentia vergonha do marido como achou que sentiria. Eles seriam, a partir dali, um do outro para sempre e da forma mais íntima possível. Ela queria aprender com ele; queria ser dele da forma que ele desejasse.
Ele não se moveu. Apenas observava cada movimento dela. Seu corpo, seus cabelos, seu perfume inebriante. Tudo nela entorpecia-o.
Desabotoou sua calça e a retirou juntamente com o calção.
Deitou-se ao lado dela e a olhou. Podia ver a curiosidade, o desejo e o medo nos olhos dela.
― Estás bem? ― perguntou bem próximo a ela.
Adelaide balançou a cabeça positivamente e disse:
― Quero apenas... que sejas feliz comigo.
― Eu já sou. E seremos muito mais.
― Eu quero dizer... ― tentou achar as palavras ― quero...te agradar... mas eu não sei o que fazer.
Então, ele entendeu o conflito dela.
― Escute-me ― e levantou o corpo apoiando-se pelos cotovelos. ― Não quero que penses que não vá me agradar e nem vou perguntar o porquê de estar pensando isso. Coloca nessa cabeça teimosa, de uma vez por todas, que a única mulher que eu desejo é você. A única que quero satisfazer e a única que irá me satisfazer.
― Então me ensina o que fazer porque estou aqui pra você ― sussurrou e aquilo foi como um combustível para ele.
Atacou seus lábios vorazmente se colocando sobre ela. Seus corpos acesos pela paixão, pela expectativa, pela espera, pela certeza de que o amor era o principal motivo de se sentirem assim.
― E eu sou todo seu, minha dama de olhos azuis. Amo você!
― Eu também te amo, meu cavalheiro carrancudo ― e riram.
E somente a luz da vela presenciara a ardente paixão entre gemidos e sussurros que se entregaram àquela noite.
~~*~~
― Força filha! ― Pedia D. Hilda segurando uma das mãos de Liana enquanto a viscondessa secava seu suor de tempos em tempos.
Já era madrugada e ela estava em trabalho de parto há horas. A parteira muito experiente tentava a todo custo acelerar o processo. Os gritos ecoavam pela casa a cada contração que chegava mais forte e insistente.
Ela já estava muito cansada, mas resistia com vigor toda vez que era necessário fazer uma força descomunal.
Pedro, nervoso do lado de fora do quarto, não conseguia se sentar; passava as mãos pelos cabelos toda vez que ouvia um grito de dor da esposa. Seu pai e Fred lhe faziam companhia, esperando o momento em que o bebê resolvesse vir ao mundo.
As mulheres estavam preocupadas com a demora, pois, Liana tivera complicações durante a gravidez, e rezavam para que tudo ocorresse bem.
― Ahhh...Pedroo ― chamou o marido em meio ao sofrimento.
― Estou aqui, meu amor ― disse ele entrando apressado e se sentando ao lado dela. Segurou sua mão já que não podia fazer outra coisa diante do estado angustiante que se encontrava.
― Pedro, eu não suporto mais... não vou conseguir... ― dizia ela chorando.
― Não digas isso, meu amor. Eu estou aqui. Nosso filho logo vai nascer.
E a dor veio mais uma vez fazendo a gritar mais forte e apertar a mão dele.
― Isso, senhora, empurra! ― pedia a parteira ― Mais uma vez!
Pedro colou sua testa na dela dizendo baixinho:
― Você consegue, amor. Eu estou aqui com você.
E ela reuniu todas as últimas forças que lhe restaram e expulsou seu filho para fora, vindo ao mundo com um alto choro.
Liana caiu deitada nos travesseiros enquanto os olhos do seu marido contemplavam aquela bolinha cheia de sangue chorando sem parar. Era o milagre da vida! O filho deles! Não conseguia parar de sorrir.
Virou-se para a esposa sonolenta e disse com um sorriso largo:
― Ele é lindo amor! Ele é perfeito!
― É ela. ― avisou D. Hilda entregando o bebê enrolado em panos para a nova mamãe.
Liana deixou que lágrimas de alegria rolassem agora. Tomou sua filha no colo e Pedro chegou mais perto das duas, depositando um beijo em cada uma delas.
Eleonor e D. Hilda olhavam a cena, emocionadas. Uma nova família se formava ali, a primeira nascida do laço entre D’alboquerque’s e Lamartine’s.
― Que nome daremos a ela? ― perguntou o marido.
Liana olhou para a filha em seu colo; a pele tão branquinha e cabelos escuros. O choro forte anunciando que veio para revolucionar. Quebrar os paradigmas. Seu nascimento significava resiliência, esperança e o amor que prevalecia.
Lembrou-se dela. E então decidiu:
― Se chamará Celeste.
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