As Profecias.
2 Meus Pais
Notas iniciais
PVO Luck
Sem dúvida ver o Minos comendo era algo triste. No meio do pavilhão ele se destacava, parecia um animal. Me dava raiva de ver. Todos os chalés estavam divididos em mesas. Menos Minos, que estava sozinho no seu chalé, então ficou com o chalé de Hermes mesmo. Dionísio e Quíron estavam aflitos, era raro ver o pai de Minos aflito. Tereus, um filho de Hermes que não calava a boca falou algo que me fez pensar. “Três profecias é algo que nunca aconteceu, 5 meio-sangues novos chegaram, será que são eles?”. Olhei para Minos mais uma vez, estava comendo um tipo de macarrão, sem garfo. Será que é a gente? Não... Somos fracos e medrosos, não, não. Eu não sou. No meio de toda gritaria e baderna Quíron arranjou forças na voz para chamar a atenção de todos.
– Atenção! Semi-deuses! Como todos já sabem, hoje escutamos três profecias! Isso é algo inédito para todos nós, enfim. Como muitos devem imaginar, as profecias se referem a casos diferentes, mas com um início igual. Eu e o Sr.D acreditamos que é a mesma profecia, porém agora ela tem três destinos diferentes, três finais. A profecia se refere a justamente cinco meio-sangues. Isso significa que haverá uma missão e sem nenhum sátiro. – muitos campistas achavam que os sátiros só atrapalhavam, então estavam pouco ligando para isso – Erm... A única pista que temos sobre esta profecia é que são cinco meninos, desculpem garotas, mas vocês não irão para esta missão. – várias meninas começaram a xingar em outra língua que eu desconhecia – De fato, é uma coincidência cinco semi-deuses chegarem hoje no acampamento, enfim. Haverá um tipo de torneio, onde várias coisas serão levadas em conta. Canoagem, esgrima, parede de escalada, pique em grupos pequenos. Tudo. Vocês irão formar uma equipe de 5 membros, a equipe que se sair melhor irá para a missão, relembrando, mulheres não poderão participar.
O chalé de Hermes fedia muito. Tinha pelo menos quinze campista dentro daquele muquifo. Eu, Cass, Walt e Steve tivemos que ficar todos dividindo um colchão, minhas costas estavam doendo muito. Minos apareceu dentro do chalé com um sorriso no rosto, o que me deixou com mais raiva ainda.
– O que você quer, Minos? – perguntei.
– A gente vai participar desse torneio e vamos para a missão! – ele falou meio alto, então todos os filhos de Hermes que estavam no chalé riram de gente.
– Cara, mas a gente não sabe fazer nada. Somos uns fracos. – reclamou Walt.
– É, cara, na boa. – concordou Steve.
– Vocês não se ligam, a profecia é sobre a gente!
– E como tu sabe? – Cass perguntou de uma meneira suspeita.
– Simplesmente sei. E não tem negar, eu já inscrevi a gente. Alguém sabe usar uma espada? – Minos vacilou por um momento e depois continuou – O.k quem é o menos pior com a espada? Quem sabe levantar uma espada? – levantei minha mão – Ah, você sabe usar uma espada, Luck? Que bacana. É melhor escolher uma espada, a primeira categoria do torneio começa em duas horas na arena. Esgrima.
Dentro do arsenal Minos não cala a boca, era isso, era aquilo. Cara, por que ele simplesmente não me passava a armadura e calava a boca? Vive fazendo só coisa errada, isso me dava nos nervos, me zoava na frente das garotas, me xingava. E agora fica se achando porque o pai é Dionísio, baita idiota.
– Cara, você é muito lento, veste a armadura, a sua luta é daqui a trinta minutos. – disse Minos.
– Se você calasse a boca eu podia me arrumar – peguei a armadura e a vesti.
– Cara... Eu acho que ficou meio apertado, melhor eu pegar um tamanho MG.
– MG? O quê significa?
– Muito gordo. HAHAHAHAHA! – era por isso que eu tinha raiva do Minos.
– Cara, mais uma piada desse estilo e eu corto relações contigo e saio da equipe.
– Ui, mais é um bolado mesmo.
– Tanto faz. – vesti a armadura e sai do arsenal. A trilha até a arena era bem curta, foi legal ver a paisagem, as filhas de Afrodite e até mesmo algumas criaturas estranhas que ficavam ao lado das árvores. A arena me lembrava um mini-coliseu. Era redonda e bonita, os pilares que a sustentavam já estavam meio velinhos, mais dava pro gasto. Um menino alto, de cabelos morenos e um pouco lisos estava me esperando ao lado do garoto que mais tarde descobri que se chavama Jason, conselheiro de Ares. O maldito deixou um furo na minha perna, agora é o acerto de contas. Mal entrei na arena e o cara alto que estava ao lado de Jason me encarou. Seus olhos verdes eram estranhos e mais suspeito que os de Cass. Ele abriu um sorriso e disse:
– Oi, meu nome é Percy Jackson, filho de Poseidon.
– Luck Redfield, filho de não é da sua conta. – ele pareceu surpreso, mas não ligou. Provavelmente já escutou coisas piores.
– Bem, não se matem e isso é tudo. – antes mesmo que eu me desse conta, Jason já estava quase com a espada no meu pescoço, mas consegui recuar. Ele soltou uma risadinha. Invensti contra ele dando uma espada na sua coxa, querendo vingança. Ele bloqueou com a espada e realizou um tipo de giro constante, achei que ele ia me desarmar, mas não conseguiu, era como se a espada não quisesse sair da minha mão, isso foi bom para mim. Tentei estocar o peito dele, porém ele foi para o lado, aproveitei a chance e o segui com a espada, causando um pequeno corte no seu ombro. Ele ficou com raiva, seus olhos ficaram vermelhos, então ele veio para cima, fingiu que ia cortar minha garganta, deu um gripo e meu deu uma cotovelada no peito, fazendo eu recuar, bem em seguida ele pisou no meu pé, e fez eu cair com tudo no chão.
– Fraco! – Jason cuspiu na minha cara, o que me deixou realmente muito brabo. Me levante e o encarei, senti minha espada mais forte, me senti mais forte.
– Ei. – comecei a chamá-lo.
– O quê foi? Fracote.
– Fraco é seu pai. – no mesmo segundo deslizei a espada, que estava com um tipo de raio em sua volta, contra seu tórax, ele tentou bloquear o golpe, porém ele recebeu um choque e caiu no chão, tremendo. Percy me olhou com uma cara de espanto.
– Por Zeus, ele teve mais um filho!? – todos na arena me olharam, mas não exatamente para mim, para cima de mim. Olhei também, um símbolo azul com uma águia no meio. O quê era aquilo?
– Luck Redfield, filho de Zeus. – disse Percy. ZEUS!? Isso não era possível, sempre odeiei os raios. Meus amigos, que estavam observando a luta lá no fundo da arena estavam com uma cara de espanto. Consegui ler os lábios de Walt: “Que desgraçado”. Acredito que seria inveja. Percy me encaminhou até o chalé de Hermes, para pegar minhas coisas e ir para o chalé de Zeus. Adorei a ideia.
Quando entrei no chalé de Zeus fiquei triste e feliz ao mesmo tempo, era lindo, limpo e espaçoso, porém triste e depressivo. Nisso o chalé de Hermes vencia de dez. A estatúa de Zeus no meio do chalé era meio ridículo, um deus querendo se aparecer, que estúpido. Não tinha cama, só um saco de dormir velho e uma poltrona muito chique no final do chalé. Walt e Steve invadiram meu chalé com cara de taxo.
– Que grandeza em, nada mal. – disse Walt.
– Cara, que sacanagem isso aí. – reclamou Steve.
– Que foi, meu? – retruquei.
– Mano, tu é filho de Zeus, sacanagem, sacanagem...
– Tá, meu. Sai daqui. – fiz um sinal com o dedo indicador e quando Walt e Steve iam sair Walt resolveu xingar.
– Tá se achando. – depois disso me lembro que tirei um cochilo, em breve teria uma próxima atividade do torneio e Minos era o único que não demonstrou inveja e pareceu feliz por mim, então resolvi me esforçar mais pra isso.
Sem dúvida canoagem não era um esporte legal.
– Por que diabos temos que andar de barquinho para ir na porcaria da missão? Que chato. – reclamou Minos – Na boa, eu não gosto de barcos, de lagos e de nada que eu tenha que entrar na água e possa me afogar.
– Então tá aqui por quê? – perguntou Steve – Eu gosto de água cara, então vai se ferrar.
– Qual foi, moreno? – Minos provocou.
– Ah, vai começar com o racismo?
– Ah, olha aí. Racismo é o diabo, mano.
– Tá meu, que saco. Vocês não calam a boca! Minos, cara, você é o único que quer ir nessa missão, então cala a boca e presta atenção, diabo. SATANÁS! – provoquei, mas ele entendeu que era brincadeira. O começo da tarefa ficava na parte do lago que ficava bem ao lado dos chalés, acho que era para o pessoal assistir com conforto. Nosso barquinho era muito estranho, tinha exatos três lugares e dois remos. A ponta dele era pontuda e os lados tinha uma espécie espinhos, provavelmente Minos e Walt pediram pra alguém colocar.
– Eu e o Walt tivemos um trabalhão pra colocar todos espinhos ali. – Minos apareceu do nada com uma besta de repetição e uma aljava que tinha pelo menos 35 flechas.
– Pra quê tanta flecha cara, aliás, pra quê essa besta? – perguntei.
– Ué, é permitido ataques, cara. E como não sou bom para remar irei ser o cara que ataca do barco.
– Não, eu que vou usar isso aí.
– Cala a boca e entra e rema! – entramos no barco, Steve veio logo depois, estava sem camisa.
– Olha aí, o moreno quer se aparecer, fique sabendo que sua barriga é FEIA! – Minos provocou.
– Tá, tanto faz. – Minos se acomodou no seu lugar de atacante, que ficava no centro do barco, Steve e eu ficamos nas laterais, remando até o ponto de partida. Só nesta tarefa que me dei conta que havia quartro equipes competindo com a gente, nosso barco ficou bem no meio, então consegui ver dois dos quartro barcos que iam competir com a gente. Bem ao nosso lado, um barco de madeira e pintado de vermelho com um símbolo de Javali, era do grupo de filhos de Ares. Jason estava sentando no meio dele, como atacante. Cara chato. Ao lado esquerdo da gente, um barco branco com detalhes de ouro, somente com meninos loiros e alguns eram bronzeados. Acho que eram filhos de Apolo e Atena. Quíron estava num pedaço de madeira gigante a uns dois kilômetros a nossa frente. Ele estava com o arco em mãos e uma flecha que estava pegando fogo. Antes que lançasse a flecha deu a ordem:
– O primeiro barco que chegar na Praia dos Fogos e depois chegar até o fim do Riacho de Zéfiro vence! – ele apontou o arco para cima numa fração de segundos e atirou, quando a flecha estava lá no céu fez “CABUUUM” e todos os barcos começaram a ir em linha reta.
Como estávamos no meio de todos os barcos ganhamos uma pequena vantagem. A linha de entrada era grande, porém mais a frente começava a ficar estreito e só cabia 3 barcos na mesma linha, de fato, o nosso conseguiu ficar na frente junto do barco dos filhos de Ares e os de Atena e Apolo. O filho de Ares que estava remando bem ao nosso lado precionou um botão que estava bem em cima do seu remo e o remo se transformou numa lança, ele soltou um sorriso para mim e começou a tentar cravar a lança no nosso barco, consegui proteger o máximo possível, até que resolvi dar uma “remada” na cara do filho de Ares, que estava tão concentrado em cravar a lança no meu barco que acabou levando na cara, e caiu por cima dos companheiros. O barco deles perdeu o controle, e, havia muita correnteza no lago, e muitas curvas, isso fez com que eles fossem em linha reta numa velocidade muito alta contra a margem, o barco deles capotou e eles cairam, foram desclassificados. Nosso sorte estava prestes a mudar, bem no começo da praia do fogos havia um monte de pedras enormes. Steve não conseguiu evitar uma batida, nosso barco aguentou. Quem não aguentou foi Minos, que caiu do barco e deu de cara na pedra, por minutos achei que ele tinha desmaiado e se afogado, mas praga nunca morre. Do meio das profundezas sua mão surgiu, junto de um grito:
– ME AJUDA!!!!! ME AJUDA, DESGRAÇA! VOU MORRER, SOCORRO! – Sem que eu conseguisse perceber, Steve havia pulado do barco e estava nadando com uma facilidade enorme até Minos.
– Se acalma, doente. – Steve puxou Minos e os dois conseguiram chegar no barco são e salvos. Minos estava com uma cara raivosa e triste. Ele tentou limpar a camisa, o que era impossível. Ele se virou para Steve e fez cara de dúvida.
– Cara, por que você não está molhado? – Minos perguntou para Steve, que o ignorou. Steve estava muito concentrado no barco dos filhos de Atena e Apolo. De repente nosso barco começou a ir mais rápido e nem precisamos remar. O barco inimigo se deu conta e começou a disparar contra a gente, para a nossa sorte, Steve conseguia controlar o barco com perfeição. Uma flecha pegou no nosso barco e uma explosão aconteceu. Steve conseguiu estabilizar o barco, mas não tinha mais chances de vencermos. Porém, no último segundo, Steve fez um movimento vertical para cima com as mãos e o barco do outro time tombou com uma onda.
– Que demais, Steve! Partiu, partiu! – Steve seguiu as ordens e chegamos até o começo do Riacho de Zéfiro. Quíron estava esperando pelos vencedores no mesmo pedaço de madeira que estava antes, mas agora estava com uma prancheta ao invés de um lápis. Quando ele viu que era a gente pude ver um sorriso no seu rosto. Passamos pelo ponto de chegada e enconstamos na margem. Minos saiu do marco e começou a cuspiro no chão e xingar o além. Altista, pensei.
Restava apenas duas atividades e minha equipe havia vencido duas. Mais uma e provavelmente iriamos para a missão. Comecei a me perguntar se ir para a missão era a coisa certa para fazer. Já estava de noite e Quíron estava esperando a todos no pavilhão.
Na oferenda, Minos e Steve não queriam jogar a comida no fogo.
– Na boa, isso aí é uma conspiração.- reclamou Minos.
– Cale a boca, gordo. – disse um filho de Hermes.
– Aí, qual foi?- retrucou Minos.
– Cara, será que sou filho de Poseidon?
– Não, não. Você é filho de Eros, deus da put.. – antes que Minos terminasse o filho de Hermes deu um tapão na sua nuca.
– Olha a boca. – Minos jogou o prato no chão e começou a encarar o filho de Hermes.
– Qual foi, anão? Quer apanhar?
– De quem?
– De mim, problema? – o filho de Hermes sorriu para Minos e deu uma cabeçada nele. Minos retribuiu com um saco, deu uma confusão danada e no final, os dois ficaram sem janta. Quíron se sentou junto dos coordenadores, pude ver Percy Jackson sentado lá no canto. Quíron pediu silêncio, todos ficaram de boca fechada.
– Algumas coisas irão mudar. Em breve vocês terão um novo instrutor de atividades e um novo diretor do acampamento. – todos ficaram surpresos, pude escutar de alguns que Sr.D mal voltou e já ia embora. – Enfim, o torneio ainda está de pé. A atividade de amanhã será na parede de escalada, somente um componente do grupo irá poder participar. Escolham. Antes de todos irem para seus chalés um símbolo azul apareceu sobre Steve, um tridente. Ele era filho de Poseidon.
– AÍ, VOU MUDAR DE CHALÉ AGORA! Steve saiu correndo e foi até o chalé de Hermes e se mudar.
– Cara, eu não quero ir. – disse Walt.
– Nem eu. – disse Minos.
– Eu sou lerdo e não sei escalar. – disse Steve.
– Cass, sobrou pra você. – eu disse.
– Tá, cara. Eu vou.
A parede de escalada sem dúvida dava medo até em um deus, tinha pelo menos 10 metros de altura e 5 metros de largura. Tinha lava saindo dela. Quíron estava alguns metros a nossa frente.
– Se observarem bem, lá em cima tem uma bandeira, o primeiro componente que pegar a bandeira e descer de lá é o vencedor. Vale lembrar que vocês pode ir armados.
– Armados? Como assim? Não tem como lutar escalando. – reclamou Cass.
– Toma aqui, mano. – Walt entregou uma bainha que continha uma espada.
– Valeu, mano. – Cass agradeceu, mas pareceu uma irônia. Os adversários de Cass realmente eram estranhos. O filho de Hermes que lutou contra Minos, um baixinho de cabelos castanhos e curtos. Vestia um tipo de armadura de couro, não entendi por quê.
Um filho de Ares muito alto e forte, ele não tinha cabelos.
– Tem câncer aquele ali. – pude escutar Minos comentar isso com Walt, não consegui conter uma risada. – outro que estava mais para o canto era um menino que não usava armaduras nem calçados, um filho de Deméter, seus cabelos eram pretos e curtos. Ele tinha pele morena. Não observei seus olhos. O sinal disparou. Cass e o filho de Deméter estavam bem na frente. A lava não pareceu ser problema para nenhum dos dois e sim para o filho de Hermes e o de Ares. Cass conseguiu chegar ao tempo em cerca de trinta segundos e quando achei que ele ia vencer o filho de Deméter apareceu pelas suas costas e deu um mata leão nele. Cass deu um pisão no pé dele e umas cotoveladas, mas deu pra ver que ele soltou Cass só para ter uma diversão. Cass sacou a espada. O filho de Deméter puxou um colar de dentro da camisa, ele precionou o colar e ele se transformou numa foice. Cass tentou estocar o peito dele, mas ele só fez um movimento com a foice e jogou a espada de Cass para fora da parede. Ele soltou uma risada e cortou o tórax de Cass, um corte feio. Me deu uma vontade de subir lá e mostrar quem manda, mas não queria ser desclassificado. Cass caiu no chão com o corte.
– FRACO, FRACO, FRACO! – Walt e Minos começaram a provocar Cass. Uma pessoa normal geralmente fica com a moral baixa com este tipo de gritaria, mas Cass precisava ser xingando para ficar forte e ter vontade de luta. O filho de Ares colocou as duas mãos no topo, porém o filho de Deméter só pisou nos dedos dele e ele caiu e fez o mesmo com o filho de Hermes.
– LEVANTA, FRACO! – continuaram as provocações. O filho de Deméter foi pegar a bandeira, mas desta vez quem sofreu o mata leão foi ele, mas ele conseguiu sair com facilidade. Cass estava sangrando muito, logo ia desmaiar. O filho de Deméter largou a foice no chão e partiu para cima de Cass na mão. Quando todos acharam que ele ia derrubar Cass num empurrão Cass apenas foi pro lado e deixou o pé para ele cair, sucedido. Cass ficou de joelhos, mas mesmo assim foi até a bandeira, pegou ela e se jogou lá de cima.
Minos foi correndo ajudar e eu também. Cass estava bem e mal ao mesmo tempo. O corte foi superficial.
– Ah, você vai ficar bem. – eu disse para deixar ele calmo.
– Não vai não cara, meu deus. Mano, já era, acabou diz tchau. Hahaha. – Minos brincou. Alguns sátiros chegaram e colocaram Cass numa maca e o levaram para a Casa Grande.
Cass não fazia cenas de dor, mas desta vez ele compensou todos os anos.
– Acho que vou ter que virar meio robô. – ele disse.
– Cali a boquí! – disse Minos de uma maneira totalmente esquisita. Decidi dar uma volta. Saí da casa grande e fui passear. Na quadra de vôlei tinha uns 8 campistas jogando. Nenhum sabia jogar. Passei por um lugar em reforma. Parecia um templo, cheguei mais perto e vi que o nome era “Artes e Ofícios” e comecei a escutar uma música calma e bonita. Resolvi entrar para ver quem estava tocando. Lá dentro parecia um set de filmagem misturado com teatro. Havia cadeiras para as pessoas assistirem possíveis shows de talento. Mais na frente estava o palco, as cortinas que estavam presas ao lado eram vermelhas e tinha detalhes dourados. No meio do palco havia um piano e uma menina. Seus cabelos eram ruivos e ela tinha olhos tão azuis que eu consegui ver de lá do fundo da sala. A música que ela tocava era linda. Me sentei na última fileira de cadeiras e fiquei escutando suas músicas por pelo menos duas horas. Ela parou de tocar e ficou massageando o piano. Até que se virou e me viu, ela levou um susto.
– Erm... Oi?
– Ah, desculpe... Você toca muito bem e não consegui resistir de ficar aqui e escutar. – me levantei e comecei a me aproximar, fiquei com medo que ela fugisse de mim. Mas ela só se aproximou ainda mais.
– Ah, minha música causa esse efeito nas pessoas as vezes. Eu sou Sara. – ela esticou a mão direita para mim e eu a comprimentei.
– Sou Luck.
– Ah, o novo filho de Zeus?
– Digamos que sim.
– Bem, eu vou ir até meu chalé pegar meu violino e tocar, quer me assistir?
– Claro. – saimos do salão e fomos até os chalés. Quando estavamos atravessando o lago um menino alto de cabelos verdes veio até a gente e começou a encher o saco de Sara.
– Me perdoe, por favor.
– Me deixa em paz! – Sara começou a correr dele e eu fui atrás e o agarrei no ombro.
– Deixa ela, cara.
– Vai se danar. – ele me deu uma cotovelada na cara e fez eu cair no chão. Mais uma vez a raiva me dominou, senti a terra. Ele estava agarrando ela e ia começar a bater nela, eu não ia deixar. Estiquei meu braço na diereção deles e só me lembro de mandar uma chuva de pedras afiadas na direção dele, as pedras cravaram contudo nas suas costelas e ele caiu no chão. Me levantei e corri até a Sara, que estava me olhando. Todos estavam me olhando. Mais uma vez havia um símbolo sobre minha cabeça, só vi que era preto, mas não consegui ver exatamente o quê era. Quíron surgiu no meio da multidão e olhou para o menino caído.
– LEVEM-NO ATÉ A CASA GRANDE, RÁPIDO! – ele me observou e parecia que estava vendo o próprio demônio – Isso não é possível.
– Gente, o quê isso significa?
– Signfica que você não é normal. – disse Quíron – Vamos para a Casa Grande, temos muito que conversar.
Um híbrido, foi disso que me chamaram. Um híbrido. Eu realmente não consigo imaginar.
– Como posso ser filho de dois deuses? Hades e Zeus, isso não existe. É impossível.
– Existe uma lenda que Zeus uma vez se apaixonou por uma bela camponesa... Mas ela já amava outro homem e ele era Hades. Zeus ficou com tanta raiva que assumiu a forma do irmão e teve uma noite de amor com ela. Ela ficou grávida e Hades ficou muito feliz, quando o bebê nasceu o símbolo de Zeus apareceu sobre o bebê. Hades ficou com muita raiva e jurou vingança. Então Zeus se apaixonou por uma camponesa também e Hades por vingança assumiu a forma do irmão e fez a mesma coisa. Mas um dia depois Zeus teve uma noite de amor com a mesma moça. O filho dela era metade filho de Zeus e metade filho de Hades. Isso explica a razão de você controlar as pedras e os raios. Mas provavelmente você só consegue fazer isso.
– Como assim?
– Um filho normal de Zeus consegue fazer raios, voar... Um filho de Hades pode controlar a terra e controlar esqueletos. Você conseguiu um poder de cada. Mesmo assim... É muito estranho você ter conseguido viver.
– Ué, mas esse menino viveu também, né?
– Não, ele morreu uma semana após nascer.
– Isso quer dizer que...
– Que talvez eu esteja olhando para o semideus mais forte de todos os tempos.
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