As Profecias.
5 Asilo Bay Harbor
Notas iniciais
PVO Cass
Acordei totalmente tonto. O furacão havia matado meu pégaso e me separado do grupo. Acho que ninguém estava no mesmo lugar que eu. Para minha sorte, minha camisa branca e minha jeans estavam em bom estado, mesmo depois do furacão, o único problema era que meu tênis estava todo estranho, tinha um furo no meu dedão. Simplesmente ignorei o fato. Demorei para me tocar que só sobrevevi a queda porque cai num monte de areia, era a areia mais fofa e gostosa que eu já tinha visto. Fiquei deitado na areia por alguns segundos, aproveitando o sol. Amava o sol. Eu sabia que meu pai era Apolo, só não entendi a razão de ele não me reclamar. O som do mar me acalmava, havia crianças jogando vôlei de praia bem ao meu lado. Fiquei ali parado por pelo menos dez minutos. Até que me levantei e reparei na rua. Havia um tipo de calçadão e bem do outro lado da rua havia um lugar bem bonito. Me lembrava um templo grego, nas duas extremidades havia um tipo de cópia de pilar grego. O piso que ficava na frente da entrada era de mármore e brilhava com o sol. A porta era totalmente de madeira, mas aquela madeira chique. Eram duas portas juntas, para parecer que quem estrasse, iria entrar em algum tipo de palácio, eu acho. Bem em cima da porta havia uma placa escrita “Asilo Bay Harbor”. Sempre me dei bem com os velinhos. As vezes eu saia com meu avó para oferecer balas de gomas para as crianças mais novas no meio da pracinha. Resolvi entrar.
Uma coisa que é interessante e as vezes chato nos velhos é que, quando eles te vêem acham que você está ali para fazer alguma coisa, seja limpar a pia, seja dar um banho neles, até mesmo fazer favores sexuais. Quando toquei a campainha uma senhora que provavelmente era uma das babás dos velinhos me atendeu. Ela usava cabelo com franja, eles eram bem lisos e castanhos. Para ajudar na franja ela usava um lacinho. Usava um vestido rosa que fazia meus olhos arderem de tão brilhosos. Suas sapatilhas eram rosas também, acho que era para combinarem com o vestido. Ela me olhou da cintura para cima e soltou um sorriso.
– Nossa, que gos... quero dizer, você é a nova babá? Ah, que bom. – ela pegou no meu braço e já saiu me puxando para dentro do asilo, nem tive tempo de falar. Para um asilo até que o lugar era bem chique. Logo na entrada havia um grande pátio e muitos velinhos, eles sentavam em bancos feitos de aço, mas eram bem feitos. Bem ao lado da porta havia uma escada que levava para o segundo andar. A escada era feita de madeira e tinha alguns detalhes feitos de prata, isso sim era humildade com riqueza. O segundo andar formava um “U” e tinha pelo menos vinte quartos para os velinhos. A senhora me levou até o último quarto da ponta esquerda do “U”, quando entramos fiquei chocado. A cama dele era enorme, maior que a da minha mãe, e sinceramente... ah, esquece. Os quatro suportes da cama dele eram de puro ouro, havia dois pedestais de ouro do lado da cama dele, eu não entendi a razão. A senhora me mostrou de quem era para eu “supostamente” cuidar. Um senhor que tinha uns cinquenta anos de idade. Ele estava vestindo um pijama muito feio azul. Ele estava dormindo. Ele me olhou com uma expressão triste.
– Sr.Beuregaurd não consegue mais mover nenhuma parte do seu corpo, isso porque ele sofreu um acidente de carro. Tem sorte de estar vivo. – aquilo me deixou chocado e triste, aquele senhor precisava de ajuda, resolvi ficar por um tempo, afinal, comida, banho quente, praia e velinhos, isso tudo de graça? Não podia recusar. A mulher me olhou e suspirou. – Bem... pagmos cerca de dois mil doláres por mês, se ficar. – eu não pensei.
– Aceito. – ele ficou feliz.
– Ótimo.
Eu tinha me esquecido que tinha que me encontrar com meus amigos, não nós disseram o tempo que a gente tinha para essa missão, mas eu sabia que não era muito. Se eu ficasse pelo menos um mês... A gente teria grana para pegar um voo até Las Vegas. Sem falar que o quarto que eu iria ficar... A minha cama era uma cama de solteiro, era um pouco pequena. Na verdade eu dei sorte de aquela senhora não se dar conta que eu tinha apenas quinze anos, minha altura e estrutura de um rapaz com dezoito ajudava um pouco, fazer o quê. O meu quarto tinha um ármario bem grande que ocupava toda parede, nele tinha espaço para meias, cuecas, bonecas infláveis entre outras coisas que eu usava bastante. O problema era que tudo era branco, até pra mim isso não era nada confortável. Fiquei sentado na minha cama por um tempo, para organizar minha mente. Fui interrompido pela mulher, que depois descobri que se chamava Alice. Ela entrou no meu quarto e me chamou, passamos pelo corredor e fomos até o quarto do velinho que eu ia cuidar.
– Ele acordou e está ansioso para lhe conhecer. – Alice disse.
– É mesmo? Eu também. Tipo, conhecer ele, não eu. Eu já me conheço, se é que me entende. – tentei fazer uma piada, mas ela fez uma cara de “Meu deus, que menino animal”. Minos geralmente faz uma cara parecida.
Ela abriu a porta do quarto e lá estava o Sr.Beuregaurd, tomando sopa na boca de uma empregada.
– Sr.Beuregaurd, esse é o seu novo faz tudo. – ele me olhou por alguns instantes e arqueou as sombrancelhas,
– Você é meio novo, quantos anos você tem? — Sr.Beuregaurd perguntou para mim.
– Erm, eu tenho quinze, dezoito, dezenove, o suficiente. – eu conseguia me supreender com a minha habilidade de mentir. – ele virou a cabeça e fez algum sinal “cabeçal” para mim. Depois me dei conta que ele estava apontando para uma sacola preta com detalhes verdes.
– Tudo que você precisa saber está anotado em um bloco de notas ali dentro, e também tem algumas roupas ali dentro. Me diga, você não se incomodaria em receber ajuda o tempo todo? – dei de ombros.
– Não, e você? – ele riu.
– Consegue manter um emprego?
– Muito engraçado.
– Estou pronto para tentar por um mês. – foda-se, pensei.
– Fechado.
– Você começa amanhã. – ele disse, então fui pro meu quarto dormir, amanhã seria um longo dia.
O relógio despertou, eram seis e trinta da manhã. Quem diabos colocou um relógio ali? Enfim, me levantei e me arrumei. Vesti uma roupa toda branca, de enfermeiro. Cara, até o cinto era branco, que exagero. Fui até o quarto do Sr.Beuregaurd e lá estava ele conversando com uma médica, resolvi esperar eles conversarem. Ele estava sentando numa cadeira e sua roupa para trocar estava em cima da cama. O pijama dele era feio, admito, mas trocar ele? Isso já era demais. Ele me encarou e começou a rir, como se ele soubesse que eu já ia largar de mão. Desafio aceito. Peguei as roupas dele e o troquei, realmente, não quero detalhar isso aqui.
– Vamos até o meu carro, meu motorista está esperando. – ele disse, peguei na cadeira dele com rodinha e levei ele até o carro. Era um Porsche preto, muito bonito. Entramos no carro e o motorista nos leveu para a casa de Sr.Beuregaurd. – Ah, tem muito tempo que não venho para cá. Você devia ler as instruções, não podiamos vir aqui na minha casa. Haha. – ele começou a rir loucamente. Queria me provocar, dei de ombros.
– Já que estamos aqui, vamos ver a sua família. – sai do carro e abri o porta-malas, tirei a cadeira dele de lá e ajustei para ele. Puxei ele do carro e coloquei ele sentando na cadeira. A mansão dele tinha pelo menos três andares. Era feita de puro mármore e tinha sacadas no terceiro e segundo andar. Tinha dois chafaris em dois jardins que davam entrada para a casa. A porta era de vidro. Entramos na casa.
O único problema era que Sr.Beuregaurd não tinha mais família, sua esposa havia sumido e sua filha tinha morrido, ele não quis dizer como. Ele era um velho muito triste, isso me deixava triste. Mesmo querendo bancar o brincalhão. Na casa dele, larguei ele dentro do quarto dele. Na sua cama, que era igual a do asilo. Passei pela salão principal de sua casa. Era muito grande. Tinha um lustre sobre a lâmpada, cheio de velas e diamante. Na sala tinha três sofás em frente da uma larreira. Sem querer precionei um botão que ficava ao lado do botão de ligar a luz, a larreira ascendeu. Nos lados da larreira havia duas estantes, comecei a olhar por cima. Tinha bastante fotos de Sr.Beuregaurd com uma menina mais nova, pareceu uma linha do tempo. Ela era linda, muito linda. Seus olhos eram muito azuis, seus cabelos bem lisos e castanhos. Olhei para cima e vi que tinha um tipo de presente dos pais. “De Silena para papai, com muito amor”. Silena era o nome dela. Fui até o terceiro andar da casa, havia um grande corredor. Fui até a última porta, onde eu havia visto uma sacada e entrei no quarto. Era um quarto feminino. Todo rosa, era muito rosa. Não quis invadir a privacidade de um defunto. Então sai do quarto correndo. Fui até o quarto do Sr.Beuregaurd e ele estava caído no chão, corri para ajudá-lo.
– Sr, o quê aconteceu?
– Eu estava tentando voar. – disse ele num tom irônico.
– Acho que tem que superar a perda da sua filha, senhor. – ele me olhou e começou a chorar. Eu tinha que ficar e ajudar esse velhote.
Havia se passado pelo menos três dias desde que estavámos na casa do Sr.Beuregaurd. O asilo bateu aqui várias vezes pedindo para voltarmos lá, me demitiram do asilo, mas Sr.Beuregaurd me contratou por própria conta. Ficamos na sala conversando. Ele falou para eu achar o som em algum lugar da casa e instalar e tocar a música que estava nele. Achei o som no quarto de empregados, levei até a sala e liguei na primeira tomada que vi. Era um tipo de música depressiva. Eu não quis ouvir aquilo, Sr.Beuregaurd estava com os olhos fechados e mexendo a cabeça. Acho que os que perdem os movimentos do corpo dançam assim, não importava. Abri uma gaveta que estava cheia de CD’s. Vi uma banda que conhecia e na hora eu mudei a música. O som era demais, Sr.Beuregaurd abriu os olhos quando viu que a música tinha mudado.
– Agora eu vou dançar. – disse enquanto começava a mover meu tronco pra lá e pra cá sem mover as pernas, o ritimo era intenso e muito divertido, fique lá dançando para ele até tarde. Sr.Beuregaurd não conseguia parar de rir da minha dança, provavelmente eu tinha pagado o maior mico.
– Amanhã, vamos sair. Quero ir a praia.
– O.k. – concordei.
– Ah, meu nome é Richard, pode me chamar de Rich. Sr.Beuregaurd é muito cafona.
Coloquei um chapéu para protegê-lo do sol, uma camisa xadrex desabotoada. Uma bermuda qualquer e um par de chinelos que tive que prender no pé dele com uma corda. O motorista nos levou até o começo da praia. Pude ler numa placa em que cidade eu estava “Harbor Beach”. Isso não fazia muita diferença pra mim. Arrumei Rich na cadeira dele e começamos a dar um passeio no calçadão. A praia, o som, o vento. Principalmennte o sol, essas coisas me deixavam feliz, mesmo longe dos meus amigos e da minha casa. Mais adiante eu vi um murinho, que protegia Rich do sol, resolvi dar uma parada ali. Rich começou a me observar. E suspirou.
– Minha filha morreu como uma heroína, sabe?
– Como ela morreu? – Rich suspirou e continuou a falar.
– Ela morreu numa guerra, sabe Cass, tem muitas coisas que eu vou lhe contar, você talvez não acredite. – Rich me contou que a filha dele era uma semideusa, filha de Afrodite e que ela morreu numa guerra contra Chronos. Enquanto ele falava um símbolo brilhoso apareceu sobre mim, um arco dourado. Os olhos dele se encheram de lagrimas, ele pareceu mais feliz que o normal.
– Filho de Apolo, certo? – ele perguntou.
– Acho que sim. – nesse exato momento um casal passou por nós de bicicleta – Aposto cem pratas que consigo passar por eles com você.
– Fechado. – segurei na parte adequada da cadeira e comecei a correr, até que consegui ultrapassar os ciclistas. Começamos a rir um monte. O sol estava começando a se pôr. Resolvi ligar para o motorista e ele nos levou pra casa.
– Ei, e se a gente simplesmente fugisse daqui? Vamos para a frança? – Rich me perguntou.
– Agora?
– É.
– Certo!
– Você sabe dirigir?
– Sei, mas não posso ainda...
– Ah, vamos aproveitar a vida, Cass. Enquanto ainda temos. A chave dos carros estão ali, vamos escolher algum que não chame muito a atenção.
Fui até a garragem, que era muito grande, tinha pelo menos três carros lá, o Porsche, uma caminhonte e um fusca tunado. Peguei a caminhonete. Liguei os motores e estacionei na frente da mansão, desci e fui até lá pegar o Sr.Beuregaurd. Quando subi até a sala havia uma menina, de cabelos ruivos, vestindo um vestido preto e sapatos pretos. Ele estava conversando com Richard. Fiquei observando, era realmente bonita. Quando ela se virou e me viu falou:
– Enfermeiro, vista uma roupa adequada e prepare nosso almoço. – assenti. O problema é que a comida que a gente comia eu sempre pedia, nunca sequer entrei na cozinha para cozinhar. Fiz macarrão com queijo. Arrumei a mesa com alguns pratos de diamante e garfos e faca de ouro. Sr.Beuregaurd estava esperando na mesa já. Peguei um pouco de macarrão e comecei a dar comida na boquinha pra ele. A menina ruiva, que depois descobri que se chavama Simoni. Passou por mim, fiquei encantado por seu corpo, principalmente seu traseiro.
– Ei, calma, ei, EI! — Sr.Beuregaurd gritou para mim, estava quase dando comida pro seu olho direito.
– Desculpa.
– Largue de ser tarado, você tem que limpar minha bunda, não ficar olhando para outras bundas. Olhe para a minha bunda! – ele gritou, acho que foi pra me deixar envergonhado na frente da menina. Simoni apareceu depois na nossa frente com um mapa.
– Tem uma cabana que vocês podem ficar, é só seguir esse mapa. – concordamos em ir para a cabana.
Para evitar uma prisão eu resolvi chamar o motorista, que nos levou até a cabana com sucesso! Era totalmente feita de madeira, mas acho que aguentaria até um furacão. Por dentro ela tinha dois quartos, as camas cheiravam a algo que eu prefiro não descrever. A cozinha era divida com a sala. O fogão estava pregado na pia, na pia? A geladeira era preta e não tinha freezer. Na sala, tinha uma tv de quarenta e duas polegas, o quê não fazia nenhum sentido para mim, e um sofázinho. Bem na frente da cabana tinha um lago enorme, isso era bem confortável para mim. Richard pediu para eu deixá-lo bem na frente do lago. Eu obedeci. Richard estava feliz, era um cara que não tinha vergonha de ter felicidade mesmo no estado. As pessoas erram, na maioria das vezes. Os deuses podiam ter acabado com o mundo muitas vezes, mas acho que a razão disso nunca ter acontecido foram pessoas como Rich, elas queriam viver. Você pode ser rico, e tudo mais. Mas precisa de pessoas ao seu redor para ser feliz, quando Rich percebeu que eu queria ajudá-lo mostrou sua verdadeira face. Ele me olhou e disse:
– Acho que está na hora de você... fazer uma jornada espiritual... – ele olhou para o céu. Não entendi o quê ele queria dizer. – Logo irá chegar a hora... eu acho que estou pronto, né?
– Acho que sim, Rich.
Até onde o complexidade humana pode chegar? Guerras, morte. Eu não consigo entender, sabia que precisava encontrar meus amigos para acabar com isso. Mas eu ia esperar Rich, até seu momento de partir. Havia pelo menos três semanas que eu havia me perdido do grupo, fiquei me perguntando como os outros estavam de saíndo...
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