As Princesas Gêmeas

1 Capítulo 1 – Princesas bastardas


Notas iniciais
Vou postar só este capítulo por enquanto. Será só para ver a receptividade mesmo.
Espero que gostem! :3

Úrsula Rosecry está mais uma vez voltando da floresta, com a companhia de seu noivo Henry Cobaltblade. A jovem passou a morar com uma tia depois que os pais morreram durante uma epidemia. Os dois se conheceram na área comercial próxima ao castelo e logo se apaixonaram. O casamento dos dois estava mais perto do que ansiedade podia esperar.

O rapaz morava em uma grande cabana que havia na floresta Graveyard Feather e cuidava muito bem dos animais e de tudo o que lhe foi deixado de herança pelos pais, que também foram levados pela mesma peste.

Era o final da tarde quando eles finalmente chegaram a casa da tia e ficaram surpresos ao ver, em um pedaço de papel, um decreto do rei pregado na parede, que dizia:

“Em virtude da morte da rainha Victoria Crystalstream, o rei Crystalstream convoca todas as donzelas do Reino de River Vault para irem ao palácio. Uma será escolhida como a nova rainha.

Carruagens pegarão as damas amanhã de manhã, na praça central do chafariz.”

-Tia, o que significa este aviso? A rainha não estava grávida?

-Sim! Parece que ela faleceu durante o parto. A criança também não sobreviveu.

-Então, o rei ficou sem rainha e sem herdeiro. Era de se esperar algo desse tipo. Monarcas fazem isso.

-E, querida, o aviso estar em nossa porta, quer dizer que fostes convocada pelo rei.

-Mas, eu estou de casamento marcado com Henry.

-Foram ordens do rei. Não há nada que pode ser feito.

-Acalme-se, Úrsula. O rei não vais te escolher. Tenho certeza!

-Assim espero! — tentou se animar – Quanto vejo-te novamente?

-Depois de amanhã.

Despediram-se com um beijo.

***

O dia seguinte chegara e com ele a esperança para dezenas de jovens donzelas, que sonhavam em alcançar o trono. Muitas delas fariam qualquer coisa para tal.

Para Úrsula aquilo era uma sessão de tortura. Ela estava noiva e já não era mais uma donzela, tecnicamente falando. Só que ninguém sabia disso além dela e de Henry.

Foi um dia em que o Rei Joffrey ficou horas sentado e vendo as jovens se apesentarem. Cada uma falando um pouco sobre si e mostrando um talento que tinham. Eis que foi a vez de Úrsula:

-Vossa Majestade! — curvou-se

-Qual o seu nome, senhorita?

-Úrsula Rosecry, Majestade. — respondeu a jovem de cabelos loiros e olhos azuis

-Um nome deveras forte. Com a prepotência de uma rainha.

-Agradeço!

-Então, qual és o teu talento?

-Sei cantar, Majestade.

-Mostre-nos sua voz. — falou sorrindo

Ela começou a cantar a canção que sua mãe lhe ensinara. E foi a mesma que cantara quando Henry ouvira sua voz pela primeira vez. Foi isso o que o levara até os seus encantos. E surtiu o mesmo efeito com o Rei.

Muitas apresentações e um dia inteiro depois, Úrsula finalmente chegou a sua casa. Henry e sua tia a esperavam.

-Querida, como foste?

-Cantei na frente de todos. Que vergonha!

-E acha que o Rei te escolheria?

-Duvido muito. Tinham moças mais belas e talentosas do que eu. Alias, eu já tenho minha alma gêmea.

-De fato. — concordou Henry

***

Alguns dias depois saiu o anúncio da jovem que fora escolhida como a futura rainha. Úrsula teve uma surpresa. Uma carruagem real parou na praça do chafariz e um mensageiro leu a mensagem em voz alta:

-Caros súditos, venho por meio desta mensagem anunciar a donzela que foi escolhida como a futura rainha de River Vault. É Úrsula Rosecry! Onde estás, Úrsula?

Ela estava na praça no momento do anúncio e ficou paralisada, sem reação. Não podia ser ela. Rezava para que fosse um sonho e que ela acordasse logo. A jovem queria se esconder ou até fugir, ela não queria ser rainha, não era a sua vontade.

Alguns conhecidos apontaram a jovem em meio a multidão. Os guardas reais vieram e falaram com ela:

-Senhorita Úrsula?

-Sim. Eu mesma. — respondeu, meio aérea

-Levá-la-emos ao palácio. Os preparativos para o seu casamento com o Rei Joffrey começam imediatamente.

E assim foi feito. Úrsula chegou ao castelo e a colocaram em um aposento.

-O Rei logo virá falar com a Senhorita. Espere aqui!

Ela apenas assentiu. Foi então que finalmente caiu em si e viu que não se tratava de um sonho, estava acontecendo. Justamente com ela, a pessoa que menos queria estar ali. Com certeza alguma moça no reino estava com um ódio mortal dela, pois “roubou o meu trono”.

Tudo o que ela queria era se casar com Henry e viver uma vida simples, como ela sempre viveu com pais e depois com a sua tia. Nunca quis ser da nobreza ou da realeza.

Alguns minutos depois, o Rei adentra o recinto:

-Senhorita Úrsula, meus parabéns! Você foi a escolhida.

-Agradeço a honra, Majestade. — mentiu

-Ansiosa para o nosso casamento?

-Um pouco!

-Ora, fiques empolgada. Muitas dariam tudo para estar no seu lugar.

Por muito pouco, ela não retrucou com: e eu daria tudo para não estar aqui. Mas apenas concordou.

***

E no decorrer de duas semanas, os preparativos do casamento ocorreriam. Um vestido começou a ser feito para Úrsula. Branco e com uma cauda longa.

A única pessoa de sua família que fora permitida ficar com ela foi a tia. Pois esse foi o pedido dela.

E uma coisa muito estranha estava acontecendo com Úrsula naqueles últimos dias. Ela andava cansada, sem fome e muito enjoada.

Ela conversou com a tia em seu quarto:

-Úrsula, o Rei já está ciente desses enjoos que tens em todas as manhãs?

-Não, tia! E é melhor que ele nem saiba.

-E por que?

-Eu serei praticamente condenada por isso.

-Espere! Não me digas que está...

-Sim. Eu acho que sim!

-Então você fez aquilo antes do casamento com o Henry?

-Sim. — falou começando a chorar

-Foi por isso que mereceu isso. Não terá o amor de sua vida por ter se deitado com ele antes de se casar.

-Tia, não me condene, por favor. Eu já estou sofrendo demais.

-Mereces viver infeliz e sofrendo desse jeito. Imagine como sua mãe ficaria se ainda estivesse entre nós.

-Tia, por favor... — suplicou

-Não me chame assim. Não sou mais sua tia! Desejo-te um bom reinado, Majestade.

E simplesmente saiu. Esta foi a última vez que Úrsula vira a sua tia. Agora ela estava sozinha!

E tinha dois problemas: Fingir para o Rei que ainda tinha virtude e que não estava grávida.

***

Mais alguns dias depois e Úrsula estava na companhia de uma criada que parecia ter uma idade próxima a dela.

-Ei, qual é teu nome? — chamou

-Eu, Alteza? Meu nome é Marianne Starryheart.

-Eu sou Úrsula Rosecry.

-Sei disso, minha senhora. O que deseja?

-Eu não tenho mais a quem pedir ajudar. Será que o que conversarmos agora pode ficar apenas entre nós?

-Claro!

-É que, bem... Eu era um plebeia e eu estava prestes a me casar. Eu me deitei com o meu noivo e estou grávida.

-É mesmo, alteza? E você quer enganar o Rei?

-Tu entendeste rápido. Ajudaras-me?

-Sim. Eu estou quase na mesma situação que ti.

-Explica-me.

-Eu também tinha um noivo, mas ele me traiu e me abandonou. Também estou grávida. — sorriu

-Pelo menos, és uma criada. Eu sou a futura rainha.

-Ainda é difícil criar uma criança sozinha, independente de ser rainha ou criada. E é claro que lhe ajudarei.

Então, eles montaram todo um plano para que o Rei acreditasse na perda da virgindade de Úrsula e que também a gravidez ocorrerá após o casamento.

Marrianne ajudaria Úrsula a se preparar para a noite de núpcias e esconderiam uma pequena bolsa de sangue na longa camisola. Então, Úrsula continuaria dormindo com o Rei por pelo menos mais um mês, até finalmente revelar a gravidez. Não tinha nada que pudesse dar errado.

E as duas acabaram se tornando mais próximas com toda a situação.

***

Finalmente chega o dia do casamento de Úrsula e Joffrey. O Reino inteiro de River Vault fora convidado para o evento. Primeiro a cerimônia na igreja e depois uma grande festa no palácio. Úrsula estava com seu longo vestido branco e já vestia sua coroa de rainha. Ela não parecia estar tão feliz assim. Ela e o Rei estavam sentados no trono observando o salão quando um rapaz de cabelos e olhos castanhos se aproxima. Automaticamente um sorriso se acende no rosto de Úrsula. Havia tempo que não se viam.

-Com licença, Vossa Majestade, mas será que pode conceder a honra de uma dança com a Rainha Úrsula?

-Claro, senhor. — olhou para Úrsula – Pode ir, Rainha.

Ela se levantou e deu a mão para Henry, então eles foram para o meio do saguão. Enquanto dançavam, conversavam:

-Eu fiquei desolado quando recebi a notícia.

-Eu teria fugido, mas não consegui. Fiquei parada lá! Espero que não estejas com raiva de mim.

-E não estou. Não posso te culpar pelo Rei ter te escolhido. Sabe, eu só perdi o amor da minha vida. — Henry permitiu que uma lágrima caísse

-Não me perdeste. Ainda sou sua e você, meu. — enxugou o rosto dele – Ainda ficaremos juntos um dia. Tenho certeza!

-Que os anjos ouçam as suas preces. E a sua tia? Ela não veio mais falar comigo.

-Brigamos. Ela descobriu que bem... Sabes o quê. Ela culpou isso por não estarmos juntos.

-Não acho que seja, se há amor, não é errado.

-Sei disso. Mas hão pessoas que não entendem.

-E o que fará agora?

-Eu vou me mudar para o reino vizinho. Ficarei lá por um tempo. Negócios.

-E não virá me ver?

-Virei sempre que puder. Prometo!

A música acabou e todos aplaudiram. Henry levou Úrsula de volta ao seu lugar ao lado do Rei.

-Foi um prazer, Majestade.

-Igualmente, senhor.

Curvaram-se, despedindo-se. Ao ela se sentar novamente, Joffrey indagou:

-Quem era este homem?

-Um amigo de longa data.

-Você ficou muito feliz ao vê-lo.

-Fazia muito tempo que não o via. É sempre uma surpresa encontrá-lo.

Naquele momento, Úrsula pensou: Não acredito que ele está com ciúmes.

Ela também não teve coragem de contar a Henry sobre a criança dele que carregava. Para ele também era melhor que acreditasse que era do rei.

A festa acabara e era a noite de núpcias do novo casal de monarcas. Marianne preparou a Rainha para sua primeira noite com o Rei. A pequena bolsa de sangue foi posicionada na parte de trás da camisola, que estouraria assim que fosse tocada.

E deu tudo certo! Joffrey acreditou que se casou com uma donzela.

***

E um mês após o casamento, um desmaio de Úrsula foi o suficiente para provar a gravidez e trazer alegria para todo o reino.

Ela e a amiga Marianne acompanharam uma a outra nesta fase. E meses depois, finalmente a Rainha começara a sentir as dores do parto. E a criada também.

-Onde está a Marrianne? — indagou

-Ela também vai ter o bebê dela.

-Ora, que bom!

Algumas horas depois e Úrsula deu a luz a duas meninas, sendo uma loira como ela e a outra morena. Enquanto o filho da criada nasceu morto. O Rei imediatamente foi chamado.

-Então? — perguntou ele a parteira

-A Rainha está bem, só precisa descansar um pouco.

-E a criança?

-O senhor quer dizer crianças?

-São duas?

-Sim, Majestade. Duas meninas. Saudáveis e lindas!

-Meninas? Uma princesa já dá muito trabalho, imagine duas.

-Com licença, senhor. Preciso ver a criada que também teve um filho, uma pena que o dela não vingou.

-Espere! Deixe eu ver as crianças primeiro. Posso?

-Claro.

A parteira o conduziu ao aposento, onde as duas meninas dormiam uma do lado da outra.

-A de cabelos de ouro nasceu primeiro, depois veio a de cabelos cor de madeira. São lindas não?

-Sim! — disse pegando a morena no colo – Leve-me imediatamente ao quarto da criada.

-O que fará, Majestade?

-Não pergunte, apenas obedeça a minha ordem.

O Rei carregou o bebê enquanto era conduzido até o recinto onde a criada estava.

-Marianne? — a parteira falou assim que entrou – Sua Majestade deseja falar com a senhorita.

-Sim. — respondeu meio chorosa – Boa noite, Majestade.

-Boa noite. — ajoelhou-se ao lado dela, dando-lhe a criança

-O que significa isso, senhor? — perguntou

-É sua filha!

-Mas o meu filho nasceu morto. Não posso ficar com o bebê da rainha.

-A rainha teve mais uma. Terei muito trabalho para cuidar de duas princesas, então resolvi dar-te uma.

-Ela teve gêmeas então? Que maravilhoso!

-Podes ficar com essa criança, com duas condições: Trocarei ela pelo seu e assim que se recuperar sairá do castelo. Estamos entendidos?

-Mas...

-É uma ordem!

-Sim, Majestade!

-Muito bem, criada obediente. Meus parabéns pela criança!

Só restou Marianne chorar ainda mais. A Rainha tinha perdido um filho, assim como ela.

O Rei mandou que levassem o outro bebê ao quarto da Rainha e inventou toda uma história para enganar a rainha. Ela teve um casal de gêmeos, uma das crianças nasceu morta e ele lamentou que fosse justamente o menino. Enquanto a criada deu a luz a uma bela menina e decidiu sair do palácio para que pudesse criá-la longe de tudo aquilo de ruim que havia ali.

Úrsula ficou triste por ter perdido uma amiga, mas uma carta que recebera dela a consolou.

A Rainha batizou a filha de Charlotte e o natimorto chamaram de Thomas. Marianne deu a menina o nome Anicca.

Assim, a vida das gêmeas começou. Uma era princesa e a outra se tornara plebeia.

Notas finais
Comentem por favor! :3
Quando acabar a história, postarei o resto dos capítulos.