As Peripécias Purpurinadas De 110 Estudantes
4 Agitação no Baile do Amor - Parte 1
Notas iniciais
Era um dia muito especial na Academia Dulcinea. Dia de S. Valentim, o dia do amor, dos chocolates e das rosas, essas coisas todas de que os solteiros adoram reclamar. Era o tão esperado baile anual interescolar, hospedado como habitual na mais clássica e sofisticada das três escolas da cidade.
Erika e Dominick estavam dentro do clube de artes a planear algo de muito importante...
— Bem, eu acho que poderíamos fazer isso assim... — dizia Erika, num tom silencioso.
— Oh sim, é uma ótima ideia. — Dominick respondia, de uma forma igualmente misteriosa. Então ouviu-se alguém não muito educado abrir a porta subitamente.
— AQUI ESTÃO VOCÊS!! EU FIZ UMA DESCOBERTA INCRÍVEL — Anneliese falou animadamente, enquanto entrava pela sala, mais uma vez repleta de pedras nas mãos. Erika e Dominick instantaneamente, como macarrão, pararam o que estavam fazendo. E Anneliese prosseguiu:
— Vocês sabiam que as rochas do Chile ajudam na… — a jovem não teve tempo de terminar, pois subitamente a porta voltou a abrir-se de rompante.
— AQUI ESTÃO VOCÊS!! EEEEEERIKA O SEU VESTIDO SERVIU SUPER BEM! Mas não sei ainda se é o que procuro. Não é “princesa” o suficiente. — falou Julian, um jovem muito bonito com belos cabelos sedosos que todos invejavam, eles brilhavam, e não era de oleosidade.
— Acho que tenho aqui exatamente o que procura! — Disse Erika a dançar com os panos — Apenas não sei se haverá tempo para tudo...
— Tudo?
— Eer, bem... tudo, sabes. Todas as fases. É um processo complexo.
— Bem… nesse caso...
— NESSE CASO — Anneliese interrompeu, lembrando-se de alguma coisa — Talvez eu tenha algo perfeito para a ocasião. Se a Erika não se importar.
— Claaro que não me importo, mas estás a falar do quê mesmo?
— Os vestidoos Erika, eles entende? — Dominick finalmente entrou suspeito na conversa.
— Ah... — Erika respondeu, ficando pensante por uns segundos — AAAAH, sim! Claro que não me importo. Aquele vestido ficaria perfeito no Julian mesmo.
— Mas sabe as rochas? Como eu estava dizendo...
— Anneliese eu adoro as tuas rochas mas TENHAM CALMA, que vestido é esse? — perguntou Julian, ligeiramente confuso. Foi então que Dominick voltou a intervir.
— Um vestido de princesa que a Erika fez para a Anneliese uma vez. Eu lembro-me dele.
— Tenho certeza que lembra — Disse Erika com aquela carinha.
Anneliese e Julian entenderam a indireta. Dominick tossiu.
— Bem, DE QUALQUER FORMA — continuou ele — É um vestido fantástico. De certeza que ficarás lindo nele.
Julian corou enquanto Erika e Anneliese se entreolhavam e produziam sons estranhos com as cordas vocais. Alguns membros do clube lá presentes observavam com estranheza a cena.
Enquanto isso, nos corredores adjacentes, uma discussão ocorria.
— Daniel, quantas vezes é que eu tenho que explicar isto? — uma moça de cabelos loiros (assim como grande parte da escola) falava para um jovem visivelmente confuso, a todos os níveis — Eu, eu sou a Odette. E aquela — apontou para uma outra moça, de cabelos negros e estatura fina, a alguns metros de distância — AQUELA é a Odile. Como podes ver, somos completamente diferentes.
— Huuh eu não sei, eu acho que são parecidas. — o jovem respondeu.
— Você é realmente um idiota! Sabes, eu até estava a considerar aceitar o teu convite, mas acho que vou ao baile sozinha mesmo. Vai com a Odile e deixa-me em paz!
— HEY! — Odile interveio, aproximando-se, enquanto alguns estudantes à distância tapavam os ouvidos — Eu não vou com esse palerma!!
Daniel ficava cada vez mais confuso, e Odette cada vez mais agoniada.
— Ugh, eu não vou perder mais tempo contigo. Como vês, nem ela quer ir contigo. Vamos Odile, afasta-te desse idiota.
As duas concordaram e saíram, deixando Daniel sozinho e confuso
— Com quem eu estava falando? São duas delas?
Mas a dúvida rapidamente desvaneceu do foco de Daniel assim que uma estranha canção ecoou pelos corredores. Cuidado com alzheimer crianças, afeta até mesmo personagens fictícios. Continuando, a canção parecia provir de dois jovens que passeavam juntos ao fundo do corredor, apoiados um no outro, como dois idiotas felizes. Rapidamente os dois desapareceram juntamente com a sua canção, e Daniel esquecera-se do que fazia ali.
Então ele sentiu um esbarrão, era Stefan, seu irmão gémeo separado à nascença, mas nenhum deles se tinha apercebido disso ainda. Até porque são burros de mais pra isso.
— Oh, Daniel! — falou este, sem sequer pedir desculpa pelo esbarrão — Viste a Rapunzel, aquela miúda de cabelo loiro? Pareceu-me vê-la a falar contigo.
— Eu não tenho certeza, era ela?
— É, eu acho que era. Eu consigo reconhecer a pessoa que amo.
— Isso realmente, não dá pra errar.
Foi então que Rapunzel surgiu vinda da mesma direção.
— Rapunzel! É você?! Como é que deste a volta à escola tão depressa?
— A volta? Mas eu estive sempre a seguir-te até aqui.
Stefan riu.
— Não estiveste não! Eu vi-te a ir por aquele lado!
— Acho que você está certo, então... Bem, então... vamos ao baile juntos esta noite?...
— É claro que vamos! Com quem mais você iria, além de mim?
— Haha, verdade... — Rapunzel falou num sorriso tímido, um toque de ignorância na sua voz.
— Que bom que já arrumaram um par, agora vou procurar Odette. — Daniel falou, e rapidamente desapareceu pelo corredor, esquecendo-se prontamente do que planeava fazer.
Num clima natalino, ao final do corredor natalino, um grupo natalino, bem Natal, conversava sobre Natal. Mesmo sendo Fevereiro. No meio desta conversa, um jovem alto com um penteado ligeiramente ultrapassado resolveu mudar de assunto.
— Oh sim, Catherine... — disse, voltando-se para uma bela jovem de pele escura e lindos cabelos castanhos cacheados.
— Sim? — a jovem respondeu educadamente, como era seu hábito.
— Bem, eu estava a pensar...
— Siiiim, Freddy??
— Eu pensei se você estaria disponível… sabe…
— Ela não está. — pronunciou-se de imediato uma moça de aparência sofisticada e bem arrumada, com belos cabelos loiros (mais uma vez) extremamente cuidados.
— Eer... não? — Freddy questionou, ligeiramente desapontado.
— Pois... É verdade. — Catherine respondeu, num sorriso compassivo — Eu e a Eden já planeámos ir juntas. Já desde o Natal passado.
— Vocês… juntas?
— É verdade. — respondeu Eden num tom quase troceiro — Sabes como é, os milagres de Natal...
— Claro, Natal… Pois... Lamento então, eu vou indo... — Freddy afastou-se tristemente, murmurando coisas para si mesmo — É sempre o Natal... Maldito Natal...
E assim, ao longo do dia, outros tantos grupos de alunos se iam preparando para o baile, pensando no que vestir, o que dizer, tentando desesperadamente a sua sorte em conseguir um par a tempo... Até que, eventualmente, a hora do tão esperado evento chegou.
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