Notas iniciais
Olá pessoal! Então, chegou enfim, o último capítulo dessa trama que eu amei escrever. As Pérolas Intocáveis de Évora foi minha primeira experiência como autora e meu laboratório, com toda certeza. Começou como uma fanfic e com muitos erros, mas como aprendi com essa história! Agora, como original, mas ainda com muito chão pela frente, desejo torná-la a primeira de uma série de livros. Já estou escrevendo o segundo (que será mencionado aqui na história) e espero que eu tenha o ânimo e a dedicação suficientes para escrevê-lo. Após esse capítulo final, postarei o epílogo, para fazer a chamada para o próximo enredo: a famosa descendência da Casa D'albartine, tendo como destaque as quatro meninas mais velhas dessa nova família. Espero que gostem do final ♥ Espero também que mereça comentários finais e recomendações, caso APIDE tenha realmente valido a pena. Obrigada a todos os leitores! Um grande abraço e boas leituras!


Quem pode dizer aonde vai a estrada?

Para onde vão os dias?

Só o tempo

Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam

Que o amor deve estar

Em seu coração?

Quem pode dizer se o seu amor crescerá

Conforme seu coração escolher?

Só o tempo

E quem pode dizer porque seu coração chora

Quando seu amor morre?

Só o tempo

(Only Time – Enya)

~~*~~


Depois de tantos anos sem retornar à Fazenda D’alboquerque, Joana e Adelaide passaram por aqueles portões pela primeira vez.

Com a insistência de Cecília usando argumentos de que a casa não era mais a mesma, as irmãs mais velhas resolveram deixar as reservas do passado e atender ao pedido, quase impositivo, da caçula.

E realmente ela tinha razão; a fazenda era outra, muito agradável e com ares renovados. O roseiral sempre belo, que agora Amadeo cuidava e se dedicava totalmente. Ele e Cecília, por serem muito amigos, passavam muito tempo conversando e cuidando dos jardins. O lacaio se oferecera para cuidar enquanto D. Hilda tomava conta de outras mudanças do casarão, então descobriu que gostava muito desse novo ofício; levava jeito.

A mansão se transformara, assim como os planos de D. Hilda e Cecília, numa casa de temporadas. E todos os verões, famílias vinham conhecer a famosa “Fazenda das Pérolas” e passear pelos vastos campos. Havia chalés e lago para pesca. A extensão do território também sugeria aos visitantes que exercitassem cavalgadas e jogos de críquete, e a antiga Casa de Artes de Beatrice, também ficara à disposição daqueles que se dispunha de habilidades artísticas e quisessem praticar.

A beleza do lugar sempre atraía olhares admiradores e curiosos das pessoas e quase sempre as temporadas estavam programadas para o ano todo, mesmo nas estações frias. Mas o verão era sempre disputado. Mas neste, Cecília reservara somente para a família com o intuito de reunir todos e fazê-los lembrar de que mesmo com os sofrimentos passados, eles agora formavam uma grande e unida família. A família D’albartine.

A sala principal, grande e bem decorada com o bom gosto e requinte de D. Hilda, realçava um enorme piano de cauda que fora da baronesa Amélia, e, por conseguinte, das filhas; além do quadro desta que ficava exposto em uma parede exclusiva, onde todos pudessem admirar sua beleza e postura. Não havia quem não entrasse por aquela porta e não parasse, por pelo menos trinta segundos, para contemplar a formosa pintura.

― Tenho que admitir ― disse Joana ―, essa casa é outra! Achei que nunca viveria para dizer isso.

― Absolutamente. Cecília e Didila fizeram um excelente trabalho! ― Adelaide o admirou olhando ao redor ― Esse quadro de mamãe ficou estupendo, Trice! Estou maravilhada!

― Obrigada, minha irmã. Ela merecia um lugar de destaque nesta casa. ― respondeu Beatrice ― Mas essa não é a única surpresa. Venham meninas, tenho algo para mostrar.

As irmãs Adelaide, Joana, Liana e Emília seguiram-na.

― Aqui está. ― e apontou para um quadro exposto no salão de chá onde elas costumavam se reunir alguns anos atrás.

Era o quadro das sete irmãs. Ficaram olhando para a pintura sem dizer nada. Era mesmo lindo!

― Eu... estou sem palavras... ― disse Adelaide, emocionada. ― É deveras maravilhoso!

― Ficou realmente encantador! ― completou Emília.

― A minha ideia é transformar essa sala numa exposição. ― disse Cecília entrando, sempre empolgada ― Cada quadro que Trice pintar será colocado aqui. O próximo será o das As Indomáveis Rosas de Aço.

― Quem? ― as outras perguntaram.

― Oras, das sete descendentes da Casa D’albartine! Que são lideradas por Celeste, que por sua vez, fora influenciada por Joana e por mim. Acham mesmo que não são indomáveis?

As irmãs riram. Só mesmo Cecília para ter ideias tão diferentes. Ela mesma havia mencionado, em um de suas crônicas, a Casa D’albartine, fazendo referência à junção das duas famílias. Foi o bastante para que a sociedade eborense intitulasse-os oficialmente. Agora, as meninas nascidas na Casa também ganharam um nome.

― Eu aprovo totalmente. ― disse Joanna.

― E os meninos? ― perguntou Liana.

― Certamente lhe daremos um nome. A ideia é fazer muitos quadros ― explicou. ― Beatrice pintará um da família Alcântara Lamartine, e como já temos o nosso, fará também o de cada família que se formou, começando pela a de Adelaide, até completar com o quadro das meninas e meninos da Casa D’albartine. ― tagarelou Cecília.

― Vejo que terei bastante trabalho! ― brincou Beatrice ― Mas será um prazer pintar cada um deles.

― Meu coração ainda guardava muitas reservas desta casa. Isso muitas vezes endurece-nos ― refletiu Joana. ― Há muita mágoa do passado, mas ao olhar para este lugar agora, vejo que tens razão. O tempo pode mudar as coisas...

― Minhas meninas, venham, eu preparei chá com os biscoitos preferidos de vocês. E Joana, eu não me esqueci do seu pão favorito.

― Ah, Didila, só você para fazer esse pão! E vou querer levar uma fornada quando acabar essa temporada.

― Eu tenho uma ideia, meninas! Tomaremos chá na varanda como antigamente. Relembrar nossos momentos ― sugeriu Emília.

― Excelente ideia! ― concordou Liana.

A varanda também havia sido renovada com um conjunto de largas poltronas estofadas, trabalhadas em madeira clara, e uma mesa de centro bem extensa. A estampa do estofado era floral dando um ar elegante e gracioso.

Antes de se acomodarem, apoiaram-se na balaustrada, olhando para os jardins e o campo extenso que ladeava todo o casarão. Alguns maridos e filhos brincavam de um lado, enquanto outros conversavam sossegadamente, em outro canto.

― Eles estão crescendo tão rápido ― observou Adelaide. ― Ontem mesmo Rodolfo nasceu e agora, já completa doze anos.

― Verdade. Estamos ficando velhas ― riu Emília.

― Não me sinto velha! ― reclamou Joana sentando-se em uma das poltronas.

As outras a acompanharam iniciando uma conversa animada e nostálgica.

~~*~~


― Olhem lá elas. Nossas belíssimas pérolas. ― mencionou Frederico apontando para a varanda.

― É... quem diria que um dia nos casaríamos com as D’alboquerque’s, depois de uma vida inteira odiando-as ― disse Pedro.

― A culpa é toda de vocês! ― acusou Henrique olhando para os irmãos ― Entretanto, se não fosse pela teimosia dos dois, eu nunca teria conhecido Adelaide.

― E ela ainda manda em você! ― Pedro provocou e todos riram.

― Não é bem assim ― retrucou. ― Mas prefiro isso a tê-la perdido aqui mesmo neste jardim.

― Sei bem, irmão! ― Pedro bateu nas costas do irmão ― Aliás, todos nós passamos por grandes divergências para ficarmos juntos. Pelo menos o barão está morto!

― E Diogo também. ― Raul disse com raiva na voz e todos olharam para ele. ― Às vezes, ainda penso se Beatrice hesitou em sua escolha... se ainda lembra-se dele.

― Não digas uma loucura dessas, Raul! ― repreendeu Fred ― Beatrice jamais escolheria aquele idiota! Depois de tantos anos não podes viver com essa dúvida.

― Eu sei. Apenas me faz mal recordar-me daquele dia. Mesmo depois de morto eu o odeio com todas as minhas forças por tentar tirá-la de mim.

― Papai, leva-nos ao estábulo? ― era Suzana interrompendo a conversa dos adultos, acompanhada de Laila e chateada com os primos ― Augusto não quis levar-nos. Disse que somos duas pirralhas!

― Levarei. Mas onde estás Belinda? ― questionou, Raul.

― Estás conversando com Celeste e Amélia. Estão de segredinhos e não me deixam participar. Procurei Anelisa, porém não achei.

― Sei onde estás. ― declarou a pequena Laila ― Eu a vi entrando no roseiral com Rodolfo.

― Como? ― perguntou Henrique ― Vou arrancar as orelhas daquele garoto! Tenho dito!

― E eu ajudo! ― respondeu Fred, pai de Anelisa.

― Vamos com calma, cavalheiros! ― era Álvaro chegando com Elisa e sua prole ― Eles se consideram irmãos.

― Irmãos... Sei bem! ― resmungou Henrique já indo raivoso atrás do filho.

― Onde estão papai e mamãe? ― indagou Pedro à irmã.

― Chegarão pela tarde.

― Elisa, junte-se a nós! ― gritou Liana da varanda, acenando para ela.

E depois das intermináveis recomendações aos filhos, juntou-se às irmãs para apreciarem um agradável momento em família.

~~*~~


― Anelisa, colhi essa rosa para você ― disse o menino entregando-a a prima.

― Obrigada, Rodolfo, você é um cavalheiro ― respondeu tomando a rosa nas mãos.

― Estás muito bela hoje... digo... sempre estás. ― tentou um elogio, desajeitado.

― Obrigada.

Ele se aproximou da prima. Achava-a linda desde que passou a reparar na beleza das moças. Os dois tinham apenas doze anos, mas já era o suficiente para quererem ficar juntos mais que o necessário.

Quando ele pegou na mão dela e a puxou devagar para perto dele, ela interrompeu:

― Que barulho é esse?

Risadas baixinhas e buchichos saíam detrás de um arbusto, mas Rodolfo já sabia de quem se tratava. Revirou os olhos e afastou as folhagens revelando duas criaturinhas.

― Podem sair Salete e Antônio!

― Vou dizer ao papai que você e a Anelisa estão namorando. ― disse a pequena travessa de seis anos saindo do arbusto com seu comparsa de traquinagens.

― Oras! Deixe de mentiras, Salete! Isso não tem propósito algum! ― retrucou AnElisa.

― Ah é? Então por que estão escondidos e Rodolfo te deu uma rosa? Apenas namorados fazem isso.

― Também contarei de ti ao papai, Anelisa. ― ameaçou o irmão da jovem.

― Calem a boca, seus pirralhos! ― brigou Rodolfo.

― Vou dizer à mamãe que falou palavrão e papai lhe aplicará castigo! ― Salete provocou e mostrou a língua para o irmão que estava a ponto de enforcar a pequena.

― Rodolfo! Rodolfo! ― ouviu seu pai o chamando.

― Estou aqui, meu pai! ― respondeu saindo do roseiral com a prima.

― Por que estão aqui sozinhos e não com os outros? ― perguntou, olhando-os severo.

― Apenas conversando, papai. Já estávamos de partida.

― Sei. ― disse firme olhando para o filho ― Não quero saber de vocês dois sozinhos por aí. Procurem ficar sempre juntos com seus primos e irmãos, entenderam?

― Sim, senhor ― responderam assustados.

― Vão ― ordenou e os dois saíram correndo.

~~*~~


― Tio Afonso, quando for tratar as pessoas do vilarejo, pode levar-me? ― perguntou Celeste enquanto caminhava de braços dados com seu tio.

Depois que ele voltou da França, os dois ficaram muito próximos, principalmente porque a menina, tal qual sua tia Cecília, era muito curiosa. Disparava com perguntas sempre que via seu tio lendo um jornal na sala ou até mesmo no desjejum. Ficava fascinada com a descrição sobre os vilarejos que visitara e as pessoas que cuidara num pequeno hospital em Montpellier.

― É muito cedo. Vamos esperar mais um pouco. Além disso, seu pai não permitirá.

― Poderíamos pedir à minha mãe para convencê-lo.

― Ainda assim, acredito que podemos esperar mais um ano ou dois. Mas não se entristeça ― disse ao ver o semblante dela ―, prometo que assim que ficar mais velha a carregarei sempre comigo. Terás muitas oportunidades. E Celeste... ― a menina olhou para ele ― há pessoas que precisam da nossa ajuda em todo lugar. É só olhar para as ruas quando estiveres passando pela cidade. Ajude sempre que puder.

Ela concordou com a cabeça e continuaram caminhando e conversando.

~~*~~


― Vovô, vamos jogar tiro ao alvo? ― era Laila, a neta mais apegada ao visconde. Sua paixão pelo avô era imensa, assim como Antônio, filho mais novo de Frederico e Emília. Em casa, o menino ficava com ele o tempo todo, causando ciúmes a Augusto e Celeste, que apesar de mais velhos não deixavam de reclamar, fazendo o visconde ficar todo empolgado pela disputa entre os netos. Laila, passava mais tempo na casa dos avós do que na própria casa. Henrique vivia reclamando, porém, Adelaide, ao menos dava importância às implicâncias do marido.

Aliás, Maurice adorava estar entre os quinze netos, embora Ítalo, filho de Joana, e as meninas Belinda e Suzana, filhas de Raul e Beatrice, fossem pouco presentes por viverem longe de Évora.

Mesmo assim, considerava Ítalo o mais afetivamente distante, e por isso ele tentava, sempre que podia aproximar os primos do menino, pois era muito tímido e reservado.

― Vamos sim, mas chamemos Ítalo, certo? Ela está lá brincando sozinho ― e apontou para o neto que estava a uma pequena distância mexendo com alguma coisa no chão.

― Ah, vovô, ele é chato! ― disse Laila fazendo uma careta ― Não conversa com ninguém e Nícolas disse que ele é vaidoso demais!

O avô balançou a cabeça negativamente e explicou:

― Não podem tirar conclusões baseados no que acham, certo? Ítalo é tão valoroso quanto os outros. Apenas é mais tímido e precisa que o incentivem para se aproximar mais. Vamos lá, convide-o para jogar conosco, sim?

A menina correu até o primo e Maurice observou-os. Um sorriso tomou seu rosto. Estava feliz com sua vida hoje. Se morresse amanhã, iria em paz por saber o quanto aprendeu e ganhou com o que achara que a vida tinha lhe tomado. Sobretudo, a paz no coração.

~~*~~


Após o almoço em uma gigantesca mesa encomendada pela própria Cecília à fazenda D’alboquerque, com exatamente 33 lugares, e isso incluía Dona Hilda por ser considerada parte da família, alguns casais resolveram caminhar pelos campos, outros preferiram descansar; mas as crianças estavam sempre espalhadas pelo enorme espaço externo.

No entardecer, Afonso e Cecília voltavam de um passeio e avistou Celeste escovando o cavalo que fora de sua tia, da qual ganhaste o nome.

Beatrice que estava por perto olhou para Cecília e Joana com ar suspeito e perguntou:

― Estão pensando o mesmo que eu?

― Acho que sim... ― respondeu Joana ― Liana! Adelaide! Mila! ― gritou para as irmãs e elas olharam para Jô que apontava para os animais.

Juntaram-se no estábulo, e cada uma pegou um cavalo. Os homens olharam para elas, curiosos, e Frederico quis saber:

― O que elas vão fazer?

― Vão cavalgar como faziam juntas na juventude. Era o que tia Celeste mais gostava de fazer. ― fez uma breve pausa ― Eu penso que é uma forma de demonstrar que as sete pérolas sempre estarão juntas e que nem mesmo a morte pode separá-las. ― respondeu a menina olhando a mãe e as tias se afastando no vasto campo.

E cavalgando para longe dali, as irmãs chegaram ao alto de um monte, onde, anos antes, costumavam fugir mesmo sendo expressamente proibido pelo pai. Era o lugar preferido delas, pois ali, por várias vezes viram o pôr do sol, e isso lhes transmitia esperança.

As seis, lado a lado, ali no alto daquele monte, contemplavam novamente as cores de mais um dia que findava. Relembrando os momentos de sua infância e juventude, sobretudo, os momentos que elas criavam para fugir da solidão ou saudades da mãe. Sempre unidas. Sempre amigas.

Os raios daquele crepúsculo refletiam no rosto de cada uma...

“...olhando para o horizonte sem nada dizer. Não era necessário. O silêncio falava por si só. As lembranças, as conquistas, as dores, as saudades, os sorrisos, os amores... tudo que o tempo lhes trouxera. Ainda tinham uma longa caminhada pela frente, contudo, sabiam que na etapa em que estavam, havia muito pelo o que agradecer. E sorrir. E não esquecer.

Só o tempo pode provar a força e a fé. Só o tempo pode ensinar a perdoar.

Só ele pode abrandar os sofrimentos; transformar dores em aprendizados. Outras, em memórias boas.

Só ele pode mostrar o caminho que se deve seguir; as lutas que precisam ser travadas; o que se precisa ser abdicado e o legado que será deixado.

O dom protetor de Adelaide, a força de Joana, a alegria de Beatrice, a dedicação de Liana, a doçura de Emília, a vivacidade de Cecília e a convicção de Celeste. Cada uma com suas qualidades transmitiram a todos que puderam conhecê-las em sua essência, o verdadeiro valor do amor e, com certeza, a maior herança a ser deixada por muitas e muitas gerações.

Então, sempre que ouvirem falar de As Pérolas Intocáveis de Évora, saberão que na verdade, elas não foram intocáveis, mas sim, inabaláveis.”

E diante de muitos aplausos e rostos admirados, Cecília de Alcântara Lamartine fechou seu livro e se levantou para agradecer aos presentes. Ela era agora uma conceituada cronista e escritora, e, seu livro As Pérolas Intocáveis de Évora estava entre os romances mais adquiridos por toda a Europa.

Sua família, amigos e convidados ainda aplaudiam emocionados quando, Afonso olhando para ela, disse:

― Estou imensamente orgulhoso de ti, minha pequena ― e deu-lhe um beijo nas mãos e na testa.

Olhando ternamente para ele, respondeu:

― E eu de ti, senhor meu marido.


Fim


Notas finais
Postarei o epílogo em breve! P.S: Para melhor entendimento de "quem é filho de quem", clique no link Casa D'albartine, no capítulo anterior, ok? Até mais!