As Melhores Coisas Da Vida
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Abri os olhos e ouvi um barulho. Olhei para o lado e Emmett não estava lá. Levantei correndo e vi a porta do banheiro aberta. Me aproximei e o vi, de joelhos perto do vaso sanitário.
– Emmett? Você está bem?
– Não se aproxime, Rose. Não quero que veja isso, por favor.
– Deixe de se bobo. Você está bem? – respondi, me aproximando.
– Estou legal, não se preocupe. – ele se levantou e apertou a descarga. – pode tomar banho pra ir à escola.
– Não vou. Vou ficar aqui com você.
– Não Rose, você vai sim. Não pode ficar perdendo aula por minha causa. Eu estou bem, Ursinha, relaxa.
– Hum... Você tem certeza, Emmett?
– Claro que eu tenho. – ele sorriu.
– Mais qualquer coisa me liga, ok?
– Ok. – ele beijou minha testa e colocou uma camiseta. Nós tomamos café e eu fui para a escola. Na hora do intervalo, fugi um pouco dos meus amigos, pois queria ficar sozinha. Fui para o campo de futebol e me sentei nas arquibancadas. Suspirei fundo, e uma lágrima rolou pelo meu rosto. Eu estava com medo de perder Emmett. Senti um cheiro de cigarro e olhei para trás.
– Jake?
– Oi Rose. – ele disse sentando-se perto de mim.
– Você não pode fumar aqui, esqueceu?
– Não. – ele sorriu e apagou o cigarro.- porque está chorando, hein?
– Nada. – menti.
– Eu te conheço, moça.
– Não é nada. Onde você estava? Faz tanto tempo que eu não te vejo...
– Estava viajando.
– Você vai reprovar...
– Eu sei.
– Então porque não muda?
– Estou tentando.
– Não vejo mudança alguma.
– Depois que você saiu, eu fui até à casa do Emmett. Eu sinto muito por ele estar doente. Ele é um cara legal. Não merecia isso.
– Obrigada, Jake. – abaixei a cabeça e comecei a chorar de novo.
– Não chore. Sabe, ele não tem culpa. Ele é forte, Rose. Ele vai sair dessa.
– Eu tenho tanto medo de perdê-lo, Jake.
– Eu sei, eu sei. – ele disse me abraçando. – ele vai sair dessa. – repetiu.
– Eu estou tentando ser forte mas...
– Você não é. – completou.
– Exatamente. Ele foi o único cara que me fez sentir especial e agora isso! A vida é uma droga mesmo.
– Ele te trata bem mesmo não é? Só eu que não enxerguei o quanto você é especial. Eu fui um babaca com você, Rosalie. Eu sempre fui um babaca com todo mundo.
– Tudo bem, eu não me importo.
– Deveria. Eu falei coisas que eu não queria dizer. Só depois que eu te vi com ele que eu percebi o quanto eu ainda te amo. – ele falou e eu arregalei os olhos. – foi mal eu não queria... – ele se levantou e foi embora. E então Jacob Black ainda me amava? Isso poderia ter feito toda a diferença, alguns meses antes, agora eu não sentia nada. Só um pouco de pena dele. Escutei o sinal tocar e fui para a sala. Jacob estava sentado em seu lugar habitual: no fundo. Estava conversando com Tanya e Jane, mas percebi que ele havia parado de prestar atenção quando eu entrei. Fiquei envergonhada e disfarcei.
O professor de Biologia entrou na sala e começou sua aula, totalmente desinteressante. Fiquei conversando com Emmett por mensagem até a hora que ele viu.
– Senhorita Cullen, pode repetir aos seus colegas o que eu acabei de dizer? – ele me olhou, por cima dos óculos.
– Eu... Não sei, Sr. Casey. Sinto muito.
– Desligue o celular e preste atenção na aula. Da próxima, você sai. – ele se virou e continuou com a aula. Ouvi uns risinhos vindos do fundo da sala e então suspirei e desliguei o celular. Ainda bem que o sinal não demorou para tocar. Arrumei minhas coisas e fui para a casa de Emmett, ver como ele estava. Entrei sem tocar a campainha, pois sua mãe havia me dado uma cópia das chaves. Quando pus meus pés na sala, vi Victoria sentada perto dele e isso me deixou furiosa.
– O que você está fazendo aqui, Victoria?
– Calma, linda. Só vim ver se ele estava bem. Já estou indo embora.
– É bom mesmo. – cruzei os braços e a acompanhei até a porta.
– Ursinha... Porque está fazendo essa cara? Ela não deu em cima de mim. – ele sorriu.
– Não gosto dela. E você sabe disso.
– Ela só veio me visitar, Rosalie. Não estressa. – ele me deu um beijo e nós sentamos no sofá.
– Oi Rose. – cumprimentou o Sr. McCarty.
– Olá. Chegaram bem de viagem?
– Oh sim! Obrigado por perguntar.
– É ela, minha filha? – eu escutei uma mulher perguntar.
– É sim, mamãe. – respondeu a Sra. McCarty. – Rose? Quero que conheça minha mãe. – eu me levantei e virei para trás. A velha senhora, que devia ter uns oitenta e poucos anos abriu um largo sorriso quando me viu. Fui até ela e a abracei.
– É um prazer, senhora. – eu falei.
– Que mocinha mais bonita! Você tem bom gosto, Emmett. Sou Lucille.
– Rosalie.
– Cuide bem do meu neto, está bem? Ele é um menino muito especial.
– Pode deixar, senhora...
– Não me chame de senhora. Faz eu me sentir mais velha do que já sou. – ela sorriu.
– Como você quiser.
Ela foi para a cozinha e eu me despedi para ir embora. Emmett me acompanhou até minha casa, pois estava querendo sair um pouco.
– Você está bem mesmo? Se quiser, pode voltar e...
– Rose, por favor eu estou bem. Eu quero só andar um pouco. Cansei de ficar em casa o dia inteiro. Cansei de os meus pais ficarem me perguntando toda hora como eu estou e se estou precisando de algo. Parece que eu voltei a ter dois anos, que inferno!
– Desculpa, eu não queria te chatear. – disse andando na sua frente. Ele me alcançou e puxou meu braço.
– Não estou chateado com você, Rose. Estou chateado com esta situação. Não me leve a mal, eu só queria voltar a ter minha vida de volta.
– Tudo bem. – suspirei e ele me beijou.
– O Jacob foi à minha casa hoje.
– Ele me disse.
– Acho que é você que não está bem, o que houve? Está chateada comigo, com a Victoria ou com o que?
– Não estou chateada, Emmett. Está tudo bem.
– Então, o Jake e eu conversamos muito hoje. Ele vai voltar pra escola de vez. Ele até arrumou um emprego numa oficina perto da sua casa.
– Porque está me contando tudo isso?
– Ele me falou que te ama.
– Ótimo.
– Só vai dizer isso?
– Não tenho nada para dizer. Se ele me ama, o problema é dele. Quando eu o amei ele não me levou à sério, agora eu quero que ele vá para o inferno.
– Você está bem invocada hoje hein? Tá de TPM?
– Não estou de TPM, Emmett.
– Então o que foi?
– Nada. Já disse que não tenho nada e para de me encher o saco. – ele sorriu e me pegou no colo, como um saco de batatas. – Emmett! Me põe no chão! – disse batendo em suas costas. Apessar da doença, Emmett ainda me agüentava e me carregou assim até a porta da minha casa.
– Está entregue, mocinha. – ele falou, me colocando no chão.
– Obrigada! – suspirei.
– Passou o nervosismo? – ele riu.
– Há há. – virei a chave e ele me abraçou por trás. – dá pra você não fazer isso no meio da rua?
– Você liga para o que os outros pensam? Eu não.
– Eu também não ligo, mais, sei lá.
– Ok. Abri a porta e nós passamos a tarde inteira juntos, como sempre. Edward o levou para casa à noite e eu fiquei com mamãe, assistindo Glee.
– Ai, eu adoro essa música. – minha mãe se animou quando os personagens começaram a cantar Seasons Of Love. O episódio terminou e nós duas estávamos chorando. Papai ficou preocupado e foi ver o que estava acontecendo.
– O que foi? O que houve?
– Isso foi tão triste, Rosalie! Porque você não me contou que ele morreu?
– Quem morreu, Esme?
– O Finn.
– Quem é Finn?
– Um dos personagens principais de Glee, pai. – expliquei.
– E vocês estão chorando por isso?
– Você não viu o episódio, amor. Foi tão triste! Parecia que tudo aconteceu de verdade! As lágrimas foram tão reais.
– Mãe... Mais tudo foi real mesmo.
– Como assim, Rose?
– O ator que interpretava o Finn também morreu. Esse episódio é um tributo.
– Meu Deus! Eu pensei que essa série fosse de humor! – ela balançou a cabeça e subiu para tomar banho. Meu pai olhou pra mim e riu. Mamãe sempre foi muito emotiva e eu não sabia como que ela agüentava ser oncologista e ter que conviver com pacientes à beira da morte todos os dias. Só de pensar, me dava tristeza, já que eu havia herdado essa sensibilidade extrema dela. Subi pra o meu quarto e tentei dormir um pouco.
Alguns meses se passaram e Emmett ia reagindo bem à quimioterapia. Num sábado, meus pais haviam viajado a uma Palestra no Alabama e Edward e eu havíamos ficado sozinhos em casa. Tinha acabado de chegar do supermercado quando vi Bella caída no chão da sala.
– Bells? O que aconteceu? – perguntei, correndo até ela.
– Rose, minha bolsa estourou. A Renesmee vai nascer.
– Ai meu Deus, e o Edward?
– Está trabalhando. Não consigo ligar no celular dele.
– Ok, vamos levante-se com cuidado, eu te ajudo. – eu a ajudei a levantar e a coloquei no carro.
– Você pode dirigir rápido, por favor? Está doendo muito. – ela disse, e eu pude perceber uma voz de sofrimento em sua fala.
– Ok. – dei partida no carro e acelerei. O hospital não ficava muito longe de casa, e então não demoramos a chegar. Descemos do carro e eu avistei Sue. – Sue? Por favor, nos ajude.
– Oi meninas. Já está na hora, Isabella? Vou buscar uma cadeira. – ela correu e pegou uma cadeira de rodas. Bella sentou e nós fomos para o quarto.
– O que está fazendo aqui, Sue?
– Comecei a fazer plantão, você sabe, para aumentar a renda.
– Hum ,entendi.
– Você poderia me dar um remédio pra dor, não? – Bella perguntou quando a contração diminuiu.
– Hum, seu médico já está vindo. – ela sorriu. – agüente firme, menina.
– Vou ligar para os pais dela. Com licença. – me afastei do quarto e liguei para os Swan, para Edward e para os meus pais. Mandei uma mensagem para Emmett, para lhe avisar.
Oi Em você está bem?Hum... A Renesmee vai nascer. Estamos aqui no hospital. Deseje sorte para a Bella. Te amo.
Esperei alguns segundo e ele me respondeu.
Oi Ursinha, eu estou bem e estou indo ai. Me espere. Também te amo.
Sorri e voltei para o quarto, bem na hora que o médico estava checando a dilatação de Bella.
– Oi, você é irmã dela? – ele perguntou, sorrindo pra mim.
– Não, sou cunhada.
– Hum, está com quatro centímetros de dilatação... Vai demorar um pouquinho. Daqui uma hora eu volto. Qualquer coisa, chamem as enfermeiras. – ele piscou e nos deixou lá.
– Você conseguiu falar com eles?
– Consegui sim, estão vindo pra cá. – falei, segurando sua mão.
– Obrigada por estar aqui.
– Sempre estarei, Bella. Lembre-se da nossa promessa do jardim de infância.
– Amigas até o fim.
– Amigas até o fim. – repeti.
Me sentei um pouco, até a hora que Edward e os pais de Bella chegaram.
– Oi amor estou aqui. – Edward sorriu e beijou sua testa.
– Demorou um pouco, não acha?
– Sinto muito. – ele sorriu.
– Tudo bem. Parece que essa menina não quer sair...
– Ela vai sair, meu bem. – disse a Sra. Swan.
– Acho que vou chorar. – disse o Sr. Swan.
– Por favor, Charlie.
– Eu vou lá fora. – eu disse.
– Pode ir. Mais volta, ok? – Bella disse, no meio de uma contração.
– Pode deixar. – sai do quarto e fui pegar um refrigerante. Me sentei na sala de espera e fiquei lá por alguns minutos, até sentir alguém soprar minha nuca. Eu me assustei e virei para trás. – Ai Emmett! Que susto!
– Desculpe-me, Ursinha.
– Dá pra você parar de me chamar assim?
– Você não gosta? Eu acho fofo. Combina com você. – ele sorriu e esse sentou do meu lado. Ele estava usando um boné para esconder as falhas do cabelo.
– Seu bobo. Quer refrigerante? – ofereci.
– Minha médica, mais conhecida como sua mãe, me proibiu de tomar isso ai. Só tomo suco de laranja natural agora. – ele fez cara feia e beijou minha bochecha. – como está a Bella?
– Ainda em trabalho de parto. Vai demorar um pouco pra Renesmee nascer.
– Olha lá os seus pais. – ele disse.
– Oi querida. – disse mamãe. – oi Emmett. Onde ela está?
– No quarto 405.
– Ela está bem? – perguntou papai, aflito.
– Sim. Na medida do possível. – sorri.
– Nós vamos até lá. – eles caminharam na direção do quarto e Emmett e eu ficamos na sala de espera. Uns quinze minutos depois, todos saíram do quarto, menos Edward.
– O que houve? – perguntei.
– O Dr. Henry nos expulsou do quarto. – disse papai.
Emmett riu e eu também.
– Também, não conseguem ficar quietos.
– Estávamos apoiando a Bella, princesa. – explicou papai.
– Ok. – sorri de novo e encostei minha cabeça no peito de Emmett. Uma hora depois, Edward saiu sorrindo do quarto.
– Ela é linda. – ele disse e papai o abraçou.
– Podemos vê-la? – perguntou Charlie.
– Ela está no berçário.
– E Bella?
– Ela está dormindo, Sra. Swan. Mais passa bem. Vamos ver a Nessie. – todos nós andamos até o berçário. Renesmee era realmente linda. Era um grande bebê ruivo de olhos claros.
Olhei para o lado e vi os avôs chorando. Me deu vontade de chorar também, mas eu me segurei. Sorri para Emmett e ele segurou com força minha mão. Ele se aproximou e falou em meu ouvido.
– Um dia, vai ser o nosso.
– Como?
– Um dia vai ser o nosso. Nosso filho.
Sorri e dei-lhe um beijo na bochecha.
– Sim. – foi apenas o que eu disse.
Mais tarde, quando Bella acordou, fomos vê-la. Ela estava amamentando Renesmee.
– Oi gente. – ela disse, um pouco cansada.
– Oi Bells. – respondi.
– Ela não é linda? – ela perguntou. – não me canso de olhá-la.
– Ela é sim, meu bem. Se parece tanto com você quando nasceu... – respondeu a Sra. Swan.
– O nariz é do Edward. – falou mamãe.
Ficamos lá até o Dr. Henry nos expulsar do quarto. Na tarde do dia seguinte, Bella e Nessie tiveram alta do hospital. Renesmee se tornou a alegria da casa e nos fez esquecer, que Emmett estava com câncer. Ele também nem tocava mais no assunto e estava reagindo muito bem aos tratamentos. Só não sabíamos por quanto tempo nossa felicidade iria durar.
Fale com o autor