As Marotas e o Ciclo das Sombras
4 Capítulo 4
Notas iniciais
POV. Amanda Miller
A manhã de primeiro de setembro daquele ano não podia ter sido mais caótica.
Robert e Alexander estavam correndo para cima e para baixo, fugindo de uma Katherine furiosa que queria sua maquiagem de volta; os pequenos Michael e Alice pulavam em cima do sofá, correndo um sério risco de caírem e baterem suas adoráveis testas na quina da mesa de centro; Marcus, Henry e Zoe haviam começado uma discussão intensa sobre qual era o melhor time de quadribol do Reino Unido e acabaram praticamente aos berros; Cammie e Julie pareciam a beira de um ataque de ansiedade e agora andavam de um lado para o outro conversando sobre coisas que eu nem tentei compreender e rindo histericamente; meu pai, tio Joseph e Johnny estavam do lado de fora da casa, arrumando os carros, enquanto minha mãe, tia Sam e Mel davam ordens aos filhos (aos berros, é claro).
Em meio a todo esse caos, só restou a mim tentar minimizar os traumas que estavam sendo causados na pobre Isabella.
– Não se preocupe. – Falei me aproximando dela, que estava encolhida no canto da sala. – Apesar de toda essa zona, chegaremos à estação em tempo.
– Isso acontece todo ano? – Perguntou ela, olhando intrigada para a cena.
– Às vezes é melhor, às vezes é pior... – Respondi, dando de ombros. – Espero que não fique com uma má impressão de nós.
– Ah não. – Disse a ruiva, erguendo os olhos para mim. De repente, ela me pareceu muito mais encantada do que assustada. – Isso é realmente divertido.
– Jura? – Ergui as sobrancelhas, surpresa.
– É claro. – Respondeu, voltando a olhar a zona que era a sala de estar. – Na minha casa é sempre muito calmo, afinal somos só os meus pais, meu irmão e eu. Isso aqui é muito mais legal.
Tentei ver as coisas do ponto de vista dela. Vir de uma família pequena e calma e, de repente, estar cercada por famílias de coelho fora do controle. Deve ser algo realmente interessante.
– Cuidado! – Berraram duas vozes no topo das escadas, assustando-me.
No segundo seguinte, dois malões enormes passaram zunindo pela sala e se chocaram contra a parede com um estrondo. Só o que pude registrar antes de os gritos começarem, foi a enorme quantidade de roupas que explodiram para fora das malas, Jazz deitada no chão, a frente do último degrau e os gêmeos no topo da escada, com uma expressão de quem acaba de se meter em uma grande confusão.
Sim, eu tenho uma incrível capacidade de percepção múltipla.
– Keaton e Aaron, venham aqui agora! – Gritou a Sra. Bejuk a plenos pulmões, enquanto Cammie, Lia e eu nos apressávamos na direção de Jazz, para ajuda-la.
– Você está bem? – Perguntou Julie, quando a amiga conseguiu se equilibrar de novo em seu salto.
– Estou, mas foi por pouco. – Falou Jasmine, arrumando seu chapéu.
– Será que eu posso saber por que diabos vocês dois estão querendo matar a todos nós? – Gritou a Sra. Bejuk para os filhos.
– Eu gostaria de saber também. – Disse Jazz, parecendo não estar muito feliz.
– Foi um acidente, mamãe. – Justificou Aaron, com a cabeça levemente baixa.
– Só queríamos poupar o esforço de trazer os malões para baixo. – Completou Keaton.
– Só estavam sendo preguiçosos, é o que querem dizer. – Brandou tia Sam, em resposta. – Poderiam ter matado a pobre Jasmine! Eu não carreguei vocês dois por nove meses, tive dores infernais e passei 17 anos da minha vida tentando lhes dar educação para nada! Recolham isso tudo e coloquem no carro em dois minutos ou vou mandar ambos para Durmstrang agora mesmo!
E parecendo que ia explodir, Samantha Bejuk saiu porta a fora, pisando duro. Os meninos faziam o seu melhor para não rirem do chilique da mãe, mas não estavam se saindo muito bem.
Assim que a sala estava arrumada e Jazz não carregava mais um olhar assassino, nós todos fomos para fora, em direção aos três carros. O interior de todos era ampliado magicamente para que as enormes famílias coubessem confortavelmente lá dentro. Mesmo assim, Cammie, Lia e Jazz optaram por ir comigo, meu irmão e pais.
Por conta de estarmos em uma área mais afastada da cidade, o percurso até a Kings Cross durou pouco mais de uma hora, mas nada muito cansativo, considerando que estávamos muito ansiosos.
Como nos anos anteriores, os Bejuk, os Stroker e os Miller pareciam formar uma excursão ao nos encaminharmos para a plataforma nove e três quartos. Em duplas ou trios, nós fomos atravessando a passagem e, logo, estávamos todos encarando o enorme Expresso de Hogwarts.
As meninas e eu nos apressamos para embarcar e procurar uma cabine vazia. Foi uma tarefa um tanto complicada, considerando que faltavam apenas 15 minutos para o trem partir e a grande maioria dos alunos já tinha chegado e garantido seu lugar. Após deixarmos os nossos malões no compartimento, nós quatro descemos de volta para a plataforma, para as despedidas finais. Ou quase, pois Lia parou a nossa frenteantes que pudéssemos sair do trem.
– Ai, loira, não para desse jeito, não. – Reclamou Cammie, quando trombou com a amiga.
– Shh, olhe aquilo. – Mandou Lia, somente com a cabeça para fora do vagão.
O resto de nós se inclinou como ela, tentando enxergar. A uma pequena distância, estavam Luke Harries e Elizabeth Nicholson, ambos parecendo irritados. A corvinal parecia aos berros, agitando o dedo indicador para o garoto, enquanto o meu companheiro de casa tentava se fazer ouvir.
Então Elizabeth deu as costas à Luke e seguiu na direção de um aglomerado de pessoas,sumindo de vista rapidamente.
– Ui, tretas! – Falei, passando pelas minhas amigas e saindo do trem.
– O que será que aconteceu? – Perguntou Jasmine, seguindo-me junto com as outras.
– É o que eu vou descobrir. – Disse Lia, afastando-se de nós, em direção ao amigo.
– Você está bem, Camms? – Perguntei à minha amiga, vendo que ela tinha uma expressão estranha no rosto.
– Estou. – Respondeu, voltando sua atenção para mim. – Vamos nos despedir do pessoal.
Eu até a teria contestado e insistido no porque daquela cara de preocupação dela, mas considerando o tanto de gente com quem eu tinha que falar antes de partir, achei melhor deixar essa conversa pra depois.
Dei abraços rápidos nos Bejuk e nos Stroker, reservando mais tempo para os meus pais, que todo ano insistem em me passar recomendações que eu, claramente, não vou seguir.
– Se cuide, minha filha. – Pediu meu pai, enquanto me abraçava. – Não se meta em confusões, se concentre nos estudos (não se esqueça de que agora você agora é uma aluna de N.I.E.M), não me venha com detenções logo na primeira semana...
– Em semana nenhuma, de preferência. – Acrescentou minha mãe, rapidamente.
– Mamãe, nós duas sabemos que isso não vai acontecer. – Respondi, revirando os olhos.
Ela bufou, mas resolveu deixar essa passar.
– Não enfeitice ninguém, Amanda, e fique longe da Floresta Negra. – Continuou papai. – E cuide do seu irmão.
– Você está me achando com cara de babá? – Falei, erguendo uma sobrancelha. – Alex não é um bebê, Sr. Harry, ele pode cuidar de si mesmo.
– É, eu posso cuidar de mim mesmo! – Repetiu meu irmão, tentando se livrar dos braços de nossa mãe. Infelizmente para ele, aquela mulher se tornava um polvo quando se tratava de despedidas.
– Você só tem 12 anos, Alexander. – Protestou ela, segurando-o perto de si com firmeza.
– Vocês não tratavam a Amy como um bebê quando ela tinha 12 anos. – Reclamou o pequeno.
– Isso é porque a sua irmã sempre foi endemoniada. – Argumentou nosso pai.
Pensei em me defender, mas o meu bom senso falou mais alto. Afinal, ele não estava errado.
O trem apitou longamente, indicando que era hora de partir. Abracei meus pais uma última vez, escutei mais alguns "se comporte" e embarquei com meu irmão. Nós dois ficamos na janela mais próxima, acenando para nossa família até que o trem fez a primeira curva e os perdemos de vista.
Despedi-me de Alex e cada um seguiu a procura de seus respectivos amigos. Quando voltei para a minha cabine, Cammie, Jazz e Lia já estavam lá, arrumando as malas nos compartimentos.
– Então, loira – comecei, quando já estávamos sentadas confortavelmente. – Descobriu por que a Nicholson estava gritando com o Luke?
– Na verdade, não. – Respondeu Julie, parecendo levemente irritada. – Ele simplesmente me disse que não estava a fim de conversar e saiu andando.
– Eu nem sabia que eles estavam juntos, para começo de conversa. – Comentou Jasmine.
– É, foi um grande choque. – Resmungou Cammie, com tom de sarcasmo.
– Que tipo de melhor amigo é ele, afinal? – Falou Lia, parecendo não ter escutado as amigas. – Que nem se dá ao trabalho de me contar as coisas importantes?!
Jasmine, que estava ao meu lado, olhou da grifinória para a lufana e se inclinou na minha direção.
– É uma TPM coletiva? Ou um complô contra o Harries? – Cochichou ela.
– A resposta, você só vê no próximo episódio. – Respondi, fazendo nós duas rirmos.
POV. Luke Harries
– Você, meu caro amigo, está com cara de quem vai bater em alguém. – Disse James a mim, assim que entrou na cabine. – Eu sugiro que você agrida o Zac e depois me conte o que te aflige.
– Você está engraçadinho, né Potter?! – Ironizou Zachary, olhando torto para o amigo que se sentara ao seu lado. – Comeu "palhacitos" no café da manhã?
– Calem as bocas, vocês dois. – Mandou Nico. – Luke, o que foi?
Soltei um suspiro pesado e contei à eles sobre a estúpida briga que eu havia tido com Elizabeth. A garota começara a gritar comigo, simplesmente porque eu disse que ia ficar com os meus amigos durante a viagem ao invés de ficar esperando-a sozinho, enquanto ela estava no vagão dos monitores. Motivo idiota, não?!
– Ah, cara, não fique assim. – Consolou Nico, dando um tapinha em meu ombro. – Isso é algo passageiro.
– Ele está certo, Luke. – Concordou Jay. – Lizzie vai esquecer isso logo e vocês vão poder voltar a se pegar a vontade.
– O problema não é o tempo que vamos ficar brigados. – Contestei, passando a mão pelos cabelos, nervosamente.
– Então qual é? – Perguntou Nico.
– Eu estou achando-a muito possessiva. – Admiti. – Não quero ficar com alguém que me sufoca, entendem?
– Talvez você devesse conversar sobre isso com ela; ser honesto. – Opinou James, atraindo olhares curiosos do resto de nós. – O que foi?
– Desde quando você é um mestre nos conselhos amorosos? – Provocou Zachary, lançando um olhar de deboche ao amigo.
– Como vocês acham que eu conquisto as garotas, jovens gafanhotos?! Por baixo de toda a minha beleza inegável, há um poço de inteligência. – Falou, cruzando os braços.
– E de humildade também, pelo que posso ver. – Acrescentei, ironicamente.
– É óbvio. – Respondeu no maior descaramento.
O resto do percurso até Hogwarts foi bem normal. Ou tão normal quanto uma viagem para uma escola de magia pode ser, o que incluía um enorme carrinho de doces passando pelo trem na hora do almoço, alunos correndo de um lado para o outro, agitando suas varinhas ou carregando objetos estranhos, animais emitindo os mais diversos sons e, claro, conversas altas e animadas.
Quando as paisagens que víamos do lado de fora escureceram, os meninos e eu colocamos nossos uniformes. Em pouco tempo, a locomotiva começou a desacelerar até parar completamente na estação. As pessoas começaram a desembarcar aos montes, os alunos do primeiro ano seguindo na direção de Hagrid, enquanto os outros iam para as carruagens. Essas se enchiam rapidamente, mas graças à agilidade de James combinada com um pouco do poder de persuasão de Zac, nós conseguimos uma bem depressa.
Em poucos minutos, já estávamos parando em frente a enorme escadaria de Hogwarts. Meus amigos e eu seguimos para o Saguão onde Pirraça, o poltergeist, se divertia insultando as pessoas que por ali passavam.
Antes que pudesse entrar no Salão Principal, ouvi alguém gritando meu nome.
– Luke! – Ouvi a familiar voz feminina me chamar. Virei-me para encontrar Elizabeth abrindo caminho até mim.
Falei para meus amigos não me esperarem e fui até ela.
– Oi Liz. – Falei, um tanto inseguro.
– Luke, eu decidi te desculpar. – Disse ela, sem rodeios. Tive que usar muito do meu controle para não franzir o cenho. – Apesar de você ter preferido os seus amigos a mim — ela entortou a boca, como se a ideia ainda não a agradasse – eu entendo que não queria ficar sozinho.
Por um segundo, considerei dizer a ela que o errado da história, definitivamente, não era eu. Mas a lembrança da minha namorada berrando na minha cara, fez-me desistir.
– Obrigado, Lizzie. – Respondi, fingindo estar aliviado por ter sido "perdoado". Passei um braço por seus ombros, trazendo-a mais para perto. – Nada mais de brigas, ok?
Antes que ela pudesse responder, o rosto de Pirraça apareceu entre nós.
– Oh, que bela dama! – Exclamou ele, com uma vozinha fina. Então se elevou no ar, parando pouco acima de nossas cabeças. – Ou será que "belo dragão" é mais apropriado?
– Some daqui, Pirraça! – Mandou Elizabeth, furiosa com o poltergeist que ria da própria piada sem graça.
– Ui! É melhor tomar cuidado, jovem jedi, essa aí cospe fogo! – Provocou, não ajudando em nada no humor da corvinal.
Lizzie abriu a boca para replicar, mas eu a puxei para longe de Pirraça, sabendo que era inútil discutir com ele.
Ao entrarmos no Salão Principal, ela me deu um beijo na bochecha e foi se juntar às amigas na mesa da Corvinal, enquanto eu segui para a da Grifinória.
– E então? – Perguntou James, assim que me sentei à sua frente.
– Ela resolveu "me desculpar". – Falei, desenhando aspas no ar.
– Como é? – Perguntou Nico, ao meu lado, parecendo muito confuso.
– Não faz sentido para mim também, mas resolvi não discutir. – Dei de ombros.
– É isso mesmo, Lukinho. – Aprovou Zac. – Na dúvida, evite os gritos femininos.
– Você é um medroso, Fletcher, não sei nem o que está fazendo na Grifinória. – Alfinetou Jay, revirando os olhos.
Eu até teria saído em defesa do meu amigo, mas naquele momento, as portas do Salão se abriram e os vários alunos novos entraram em fila, guiados pela Profa. Anna Abbott. Alguns pareciam assustados, alguns tinham a expressão de alguém que está prestes a entrar na melhor montanha russa do mundo e outros estavam encantados demais com o teto para prestarem atenção em qualquer outra coisa.
Enquanto o Chapéu Seletor começava a cantar e a Seleção se iniciava, eu deixei minha mente vagar de volta ao meu primeiro ano.
Vindo de família bruxa, eu sabia exatamente o que me esperava em Hogwarts, mas nada me preparou para a experiência em si. Só para começar, a visão do enorme castelo foi ao mesmo tempo intimidadora e excitante; depois, é claro, veio a Seleção. Nunca me senti tão nervoso quanto naquele momento, quando o Chapéu Seletor foi colocado em minha cabeça e viu tudo que havia lá dentro. Momentos depois, a Grifinória se tornou a minha casa. Não sabia se ficava feliz por seguir os passos de meu pai e meu irmão mais velho ou se me aborrecia por ter sido separado de meu gêmeo, Jack. Apesar disso, meu primeiro ano não poderia ter sido melhor.
Um cutucão nas costelas fez-me sair dos meus devaneios. Nico indicava com a cabeça que eu deveria prestar atenção na diretora que se levantara, agora que a cerimônia havia acabado.
– Bem vindos a mais um ano em Hogwarts. – Disse a Profa. McGonagall, sorrindo levemente. — Aos novos alunos, desejo-lhes uma boa iniciação na escola e aos antigos, um bom retorno. Mas falaremos mais tarde, pois vocês devem estar famintos. Bom apetite.
Imediatamente, as travessas se encheram de comidas de aparência e cheiro maravilhosos. Um minuto depois, constatei que seu sabor era igualmente bom.
Devo admitir que até terminar o segundo prato, eu mal prestei atenção às coisas ao meu redor, preferindo me concentrar em saciar a fome que me incomodava desde que desci do trem. Depois que meu estômago não roncava mais e que a sobremesa substitui as comidas nas travessas, resolvi ser mais sociável e interagir com meus amigos.
–... ela me disse que foi uma loucura. – Dizia Nico, ao se servir de bolo de chocolate coberto com algo que, literalmente, cintilava.
– O que foi uma loucura? – Perguntei.
– As férias da minha irmã. – Respondeu o loiro. – Bella passou parte do verão com os Bejuk, os Miller e os Stroker.
– E sobreviveu? – Brincou Zac.
– Por mais surpreendente que pareça, sim. – Falou Nicholas, rindo. – Ela gostou muito deles, na verdade. Disse que são muito receptivos e alegres.
– Bem, se as meninas puxaram às famílias, devem ser mesmo. – Concordou James.
Pensar nelas me fez lembrar de Lia e como eu havia sido grosso com ela naquela manhã. Ao correr os olhos pela mesa, encontrei-a não muito longe de mim, conversando com Amanda Miller (é claro) e Rebecca Collins. Considerei ir até ela, mas então a diretora se levantou novamente e todo o Salão silenciou.
– Agora que estão todos devidamente alimentados, vamos aos anúncios de começo de ano. — Disse ela, passando os olhos por todas as mesas. — Aos alunos novos, é preciso que saibam que a Floresta Negra é proibida a todos que não quiserem correr sérios perigos; o toque de recolher é as dez horas da noite e após esse horário não é permitido sair de suas salas comunais; o zelador Moor me pediu para lembra-los que há uma longa lista de coisas que não podem ser feitas nos corredores, mas como não temos a noite toda, vocês podem checa-la amanhã, pois estará fixada na porta de seu quarto. – Ela fez uma breve pausa, em que os alunos riram, pois todo ano o zelador pedia à diretora para dizer aquilo, mas ninguém nunca se importava. – Os testes de quadribol começarão neste final de semana; os capitães dos times devem reservar o campo com o Prof. Price. – Ela correu os olhos pelo Salão novamente e então sorriu. – Por último, gostaria de apresenta-los ao novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, o Sr. Andrew Harries. – Na ponta da mesa, meu irmão mais velho se levantou e acenou para os alunos que aplaudiam. McGonagall esperou até que o barulho cessasse e nos deu uma última ordem: – Agora, todos para a cama, pois as aulas começam amanhã cedo.
O som dos bancos sendo arrastados encheu o lugar, quando todos se levantaram para sair. Deixei-me guiar pela multidão de alunos e, ao chegar ao Saguão, subi a escadaria e fui com meus companheiros de casa para a torre da Grifinória.
Ao chegar lá, a maioria (incluindo meus amigos) subiu direto para irem dormir, mas alguns permaneceram na sala comunal. Para a minha sorte, Lia era uma delas.
A loira estava sentada no sofá, encarando a lareira que tinha pouco fogo, só o suficiente para dar um ar aconchegante ao lugar. Aproximei-me discretamente e sentei ao seu lado.
– Oi. – Falei de modo displicente.
– Não quero falar com você, Harries. – Respondeu ela, rispidamente, sem desviar os olhos das chamas.
– Ok, eu acho que mereço isso. – Dei de ombros. – Me desculpe por ter sido tão estúpido com você, Julieta.
– Não me chame assim. – Cortou, finalmente me encarando. – Você é o pior melhor amigo do mundo, Luke.
– Eu sei, me perdoe. – Pedi novamente. – Não descontarei mais a minha raiva em você, prometo. E também vou te contar tudo que me acontecer.
Ela me olhou desconfiada, mas percebi seus ombros relaxando um pouco.
– Você pode começar provando isso agora. – Falou lentamente. – O que aconteceu com a Nicholson?
Vendo que não tinha jeito, me recostei no sofá e lhe contei tudo; desde o começo do namoro até a briga de hoje. Ao final, minha amiga mordia o lábio, como se estivesse nervosa.
– O que foi? – Perguntei, sabendo que aquela não era uma expressão boa.
– Nada. – Apressou-se em dizer. – Só não tenho certeza do que acho sobre a Elizabeth.
– O que isso quer dizer?
– Esqueça. – Falou, levantando-se. – Venha, precisamos dormir.
– Mas...
– Temos aula amanhã, Luke. – Avisou Lia, interrompendo-me. – Chega de papo.
Eu não estava entendendo mais nada, mas resolvi deixar essa passar. Meu cérebro estava enuviado demais pelo sono para raciocinar corretamente. Então simplesmente deixei minha amiga me puxar escada acima, onde entrei no meu dormitório e adormeci assim que deitei a cabeça no travesseiro.
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